sexta-feira, 21 de maio de 2010

Histórias que entretêm - O Terror de Chapéu

Um dia, eu acordei, e, inexplicavelmente, encontrei do meu lado aquela criatura. Se estivessem no meu lugar, muitas outras pessoas considerariam-se abençoadas por terem ganho a chance de conviver com ele. Eu, da minha parte, não consigo compreender o que estas pessoas vêem neste ser, e tudo o que mais quero neste momento é que ele desapareça para sempre. A pior parte de tudo isto é que, tão inexplicável quanto foi a sua chegada, é a maneira como ele continua em minha vida.

Como eu disse, um certo dia, eu acordei, e ele estava lá, do meu lado. Alceu Valença. Enquanto eu lentamente despertava e tentava compreender o que estava acontecendo, ele olhava fixamente para mim, com aquela expressão facial que só tarados conseguem manifestar. O mais assustador não era ter Alceu Valença deitado na mesma cama que eu e me olhando com desejo sodomita no olhar, e sim o fato dele estar usando chapéu de aba larga. Nem quando percebi que ele estava completamente nu fiquei mais aterrorizado do que quando vi aquele horroroso chapéu.

Tremam mortais, e se desesperem!

Como era uma manhã de domingo, pensei que estava ainda sob o efeito do álcool, ou que alguém tivesse colocado Rohypnol na minha bebida, e comecei a me estapear para despertar logo, e a apalpar meu corpo para ver se tinham removido algum de meus órgãos vitais com um bisturi enferrujado. Lentamente, contudo, percebi que aquilo não era uma ilusão da minha mente degenerada, e junto com minha compreensão, aumentou meu desespero. Preferia ter perdido meus dois rins e um pedaço do fígado a ter que passar por tamanha provação. Tomado pelo medo, congelei, e fiquei ali, deitado, encarando meu possível molestador. Nem eu, nem ele nos movíamos, e ele continuava a me olhar de maneira obscena, com aquele terrível chapéu preto a encobrir seus olhos obscenos e seu sorriso pederasta.

Não sei quanto tempo se passou até eu tomar coragem e balbuciar algumas palavras - podem ter dois segundos, dois minutos ou duas horas - e perguntar "quem é você?" Era uma pergunta imbecil, por que eu sabia que ele era o Alceu Valença. Creio que ele pensara o mesmo, pois continuou quieto, me olhando. Como ele não tentou pular para cima de mim quando eu abri a boca, senti-me encorajado a lhe fazer outra pergunta, desta vez mais válida e importante do que a anterior: "o que diabos o senhor está fazendo de chapéu na minha cama, e como veio parar aqui?" Não sei bem por que eu tratei de maneira tão formal alguém poderia muito bem ter violado minha virgindade anal durante meu sono, porém, outra vez, ele se manteve em silêncio, e seu sorriso aumentou.

Temendo que ele subitamente pulasse em cima de mim, saí tão rapidamente quanto consegui da cama em direção à porta, de maneira que pudesse fugir se fosse o caso. Sentindo-me muito mais seguro com esta mudança de posição, fiz uma última pergunta. A resposta que ele deu congela meu sangue toda vez que lembro dela.

Eu - O que você quer de mim?
Alceu - "Morena Tropicana, eu quero teu sabor, ooo io io io!"

Ali, naquele instante, ficou claro o que ele queria. O medo tomou conta de mim, e imediatamente corri para fora do quarto, rumo à porta e à rua. Entretanto, antes mesmo que eu pudesse encostar na maçaneta, ele estava lá, me esperando com seu chapéu. Quando eu o vi, ele começou a cantar outra vez "tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais!" enquanto caminhava ao meu encontro. Esgueirei-me por outra porta, e corri até a cozinha, onde peguei a maior faca de cortar bifes que pude encontrar e me pus em guarda. Antes mesmo que eu percebesse, ele já estava lá, olhando para mim com aqueles olhos terríveis.

Alceu Valença watches you in your sleep. Alceu Valença watches you in your nightmares!

Minha tentativa de defender-me mostrou-se vã, pois, no momento em que o vi, a faca escorregou de minhas mãos e eu caí de joelhos, dominado pelo horror de ter diante de mim um cantor nordestino de forró usando chapéu preto. E, assim que ficou clara a minha derrota, ele cantou uma última vez:

Foi mistério e segredo
E muito mais
Foi divino brinquedo
E muito mais
Se amar como
Dois animais...

Ao ouvir estas palavras, desmaiei, e encontrei refúgio no doce esquecimento do sono.

Desde então, ele me segue. Não importa onde eu vá, ele está logo atrás, sorrindo pederasticamente por baixo daquele chapéu negro, lembrando-me do terror que se transformou minha vida. E mesmo ele me seguindo por todas as partes e sendo visto por todos, ninguém me ajuda. Tentei gritar por socorro, mas minha voz trancou em minha garganta. Temo pelo dia de minha morte, não por crer que irei para um inferno pior do que o já vivo, mas por recear que ele me seguirá.

Um comentário:

barbara schneider disse...

NOJENTO.


tu tá virando viado, é?

pelamor.


***vê se acha um amiguinho imaginário melhor... tipo o blu.