quinta-feira, 10 de junho de 2010

Desenhos da Minha Vida - Samurai X

Na minha época de Ensino Médio, dos 14 aos 17 anos, eu ainda assistia televisão. Estudava de manhã e passava a tarde inteira sozinho em casa - ou eu estudava ou via TV. Como bom adolescente que era, escolhia quase sempre a segunda opção. Naquele tempo, o Cartoon Network, emissora cuja programação consistia inteiramente em desenhos animados, exibia no final da tarde um bloco chamado "Toonami", que, como o nome deveria sugerir, consistia inteiramente de animes, desenhos animados criados no Japão. Como os shows que passavam nesse horário eram muito do meu agrado, eu assistia do princípio ao fim (exceto "Super Campeões", por que um anime sobre bons jogadores de futebol japoneses me parece mais irrealista que Dragon Ball Z), e, nos dias em que eu ia treinar Kung Fu, programava o vídeo cassete para gravar (sim, gente, em 2004 não existiam gravadores de DVD) e assistia quando voltava para casa.

Um dia, coloquei uma fita para gravar e fui treinar, imaginando que aquele seria um dia como qualquer outro, mas eu estava enganado. Quando voltei do treino, rebobinei a fita (quanto tempo eu não usava esse verbo!) e comecei a assistir, esperando ver mais um episódio de "InuYasha". Para meu espanto, não foi o que aconteceu. Ao invés da musiquinha de abertura desse programa, o que apareceu foi outro desenho, com cores menos brilhantes e um estilo completamente diferente, mostrando um mapa do Japão, enquanto uma voz feminina falava sobre um samurai que vivera e lutara durante a turbulenta guerra civil do final da Era Tokugawa. Senti um ímpeto de apertar o botão de "fast forward", e assistir o anime que viesse a seguir na programação. Decidi, entretanto, não fazer isso. "Talvez não seja tão ruim assim" pensei, e me permiti assistir ao primeiro episódio daquele programa que não sabia nem sequer o nome. Eu nunca me arrependi.

A voz continuou a falar sobre este espadachim, conhecido como Battousai, o Retalhador, que lutara em nome do Imperador, e que, sozinho com sua espada, assassinou muitos inimigos, e abriu o caminho para a Nova Era Meiji. Entretanto, quando os conflitos cessaram e a vitória estava garantida, Battousai desapareceu, e seus feitos viraram lenda. A história então avança dez anos, e nós encontramos Kenshin Himura, um andarilho com cara de tonto, vagando pela cidade de Edo com uma espada de lâmina invertida, onde é abordado pela jovem mestra de Kendô Kaoru, que o toma por um perigoso assassino. Mal ela sabe que, apesar de ser um excelente espadachim, Kenshin fez um voto solene de nunca mais matar, e de pagar pelos crimes que cometera no passado...

E assim, começa a saga de "Samurai X" ("Rurouni Kenshin" no original em japonês). Lançado originalmente como um mangá (revista em quadrinhos japonesa) e depois adaptado para anime, é, na minha opinião, uma das melhores histórias já escritas em todos os tempos. Não vou ficar falando do que se passa nela, mas falar do que ela significa para mim. Durante meu segundo ano, era esse desenho que fazia minhas segundas-feiras valerem à pena, por que eu sabia que um novo episódio de "Samurai X" seria exibido. Depois de ter visto todos os episódios, e da série ter sido substituída por algum outro desenho, eu comprei toda a coleção de mangás e li a história novamente, tamanho o impacto que ela causara em mim.

Em um texto que li recentemente, encontrei a seguinte frase: "minha idéia de herói é alguém que deveria ser admirado não tanto pelo o que ele conseguiu realizar em sua vida, mas pelo o que ele conseguiu realizar na minha - pelo o que ele me inspirou a crescer e mudar, e a ser mais do que eu fora criado para ser." Ao ler isto, percebi por que eu queria escrever este post sobre "Samurai X": por que seus personagens são meus heróis. Numa época de minha vida em que me sentia perdido e só, encontrei neles exemplos a seguir, amigos para imitar. E não é apenas com o personagem principal, Kenshin, o gentil porém poderoso andarilho que busca redenção por seus crimes, que fez isto. Ao lembrar das pessoas que apareceram ao longo da história, lembro daquilo que mais me marcou nelas. Yahiko, o aprendiz de Kaoru, que apesar de ser fraco, nunca fugiu de uma luta, e sempre treinou ao máximo para tornar-se um mestre; Saitou, o cínico e sarcástico rival de Kenshin, me marcou com seu profundo senso de dever para com sua filosofia de vida, tanto que por um tempo adotei como minha própria; De Sanosuke, eu busquei copiar a incansável persistência; e, por fim, eu adotei Seijuro Hiko, o mestre de Kenshin, como o modelo de guerreiro que alcançou a perfeição.

Eu poderia continuar listando o que cada personagem fez ao longo da história e que me inspirou profundamente, mas isso levaria tempo demais. Além disso, estragaria a chance de vocês, meus leitores, conhecerem a história por si e também se inspirarem neles. Por isso, gostaria de terminar este post recomendando que vocês também conheçam a saga de "Samurai X", por que duvido que vocês também não saiam transformados depois dela.

3 comentários:

Lady Hell disse...

Verdade, Samurai X foi uma das substituições mais felizes do Toonami. Agora aquele de futebol era de doer...e depois veio uns outros que afundaram de vez esse "programa" do canal que era muito bom. Nunca fui otaku e nem tenho vocação pra isso, mas os animes do começo valiam à pena serem assistidos.

barbara schneider disse...

"minha idéia de herói é alguém que deveria ser admirado não tanto pelo o que ele conseguiu realizar em sua vida, mas pelo o que ele conseguiu realizar na minha - pelo o que ele me inspirou a crescer e mudar, e a ser mais do que eu fora criado para ser."

lindo.

não sou fã de desenho japonês, mas.... aonde eu acho isso?

Bruno disse...

essa juventude de hoje tá perdida nas drogas porque nunca assistiu samurai x, e estou convicto disso.