terça-feira, 18 de novembro de 2008

Dia de Eleições I

Foram abertas as urnas para a votação que decidirá qual chapa comandará o DCE no ano de 2009! Vou tentar ser menos egocêntrico do que estas pessoas que ficam lendo blogs alheios às 3 da manhã dizem por aí, e falar mais dos fatos em si (apesar da minha subjetividade ser muito mais interessante).

Mas, considerando que são só urnas de pano, não há muito o que dizer sobre elas, exceto que são as mesmas usadas nas eleições de antigamente, antes do advento da urna eletrônica (aquela onde a gente aperta botõezinhos coloridos e que no fim faz um barulhinho engraçadinho). Sinto-me parte da história, usando tecnologia retrógrada e facilmente manipulável para a decisão de algo supostamente tão importante quanto a eleição para o DCE! E, coisa suspeita, não é tão mais difícil pegar as urnas eletrônicas emprestadas com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE). É algo que vale a pena perguntar para a comissão eleitoral.

A boca de urna foi liberada esse ano, o que significa que é legal membros de chapas ficarem perto dos locais de votação, abordando todas as pessoas com cara de estudante de graduação, tentando convencê-los de que sua chapa é a melhor e, em caso de resistência, "levá-los pela mão" até a urna. Fiquei usando a camiseta da chapa 3 o dia inteiro, mas me recuso a interferir de forma tão invasiva no processo de tomada de decisão de outras pessoas.

Enquanto a comissão eleitoral é a responsável por trazer as urnas para os locais de votação, são os Diretórios e Centros Acadêmicos os encarregados de supervisioná-las e de indicar mesários. No caso do DAP, isso significa que fica de mesário quem está disposto a passar a tarde inteira sentado fazendo nada, até que apareça alguém interessado em votar. Veja bem: ficar sem fazer nada na frente do DAP é prática comum entre estudantes de Psicologia da UFRGS, mas geralmente isso acontece perto da geladeira cheia de cerveja, e com um monte de gente para conversar, esparramados nos nossos sofás ou na frente do computador, e não do lado de um pedaço poeirento de pano. Não que o dito pedaço de pano interfira de tal maneira na rotina dos "DAPianos" a ponto deles alterarem sua rotina de vagabundagem. Bem pelo contrário, a coisa se manteve mais ou menos a mesma de sempre, só que um pouco mais longe da porta do DAP, de baixo da sombra de uma outra árvore, com uma mesa com cédulas em branco e uma urna de pano ao lado. E conversa fiada e cerveja.

Como participo de uma chapa e tinha aula essa tarde, não fiquei o tempo todo com a equipe de mesários. Mas, em um dado momento, depois da urna já ter sido fechada por hoje, cheguei perto da porta do diretório, e ouvi um de meus colegas exclamando "que coisa ridícula!" Esta exclamação poderia ter sido causada por uma ou mais das milhares de coisas que acontecem ao nosso redor e que só chamam nossa atenção quando algo dá errado, mas, considerando que estamos em uma época de maré alta em política, e mesmo becos sem saída como o Instituto de Psicologia tornam-se campos de batalhas importantíssimos para a conquista do DCE, supus que a indignação do meu amigo era causada por alguma coisa relacionada à urna e a uma certa pessoa importante da chapa 1, que estava ali por perto até pouco tempo. E minha hipótese é corroborada quando pergunto o que aconteceu.

Basicamente, o problema foi que, esta pessoa, ao ver meus colegas bebendo cerveja enquanto cuidavam da urna, teve o que meu professor de genética chamaria de "ataque de bichice", e disse que teria de registrar isto em ata, que a urna poderia ser impugnada por isso, mas que na verdade, ele estava fazendo aquilo por que a chapa 2, de direita, estaria tentando impugnar várias das urnas espalhadas pela universidade. Acho louvável que ele seja tão dedicado no cumprimento do regulamento eleitoral, apesar de não entender muito bem por que ele cita a chapa 2 como responsável por isso. Bom, acho que as coisas ficam mais claras ao estudarmos a história das eleições para o DCE, e não precisamos ir tão longe assim - basta apenas lembrar algumas coisas que aconteceram ano passado. Por exemplo, no auge da crise das cotas, o pessoal da Medicina, ferrenhos opositores desta ação afirmativa, e das Engenharias, famoso bastião de "direitismo" dentro da UFRGS, iriam votar em peso na chapa DCE Livre, organizada pelo Movimento Estudantil Liberdade (MEL). Só que, curiosamente, nos locais onde os Famedianos e Projetos de Engenheiros votavam, ou as urnas sumiam, ou não abriam na hora que deviam, ou corriam o risco de serem impugnadas por alguma irregularidade qualquer. Na comunidade do Orkut, a chapa 1 comemorava toda vez que surgia alguma notícia do tipo "Urna na Medicina impugnada!!!!!!". E pelo o que os mais velhos falam, é hábito comum da parte das chapas de situação que concorrem ao DCE fazerem de tudo para minimizar as chances das concorrentes se saírem bem. E, pelo o que meus colegas falam, a chapa 3 lidera as votações na Psicologia (eles acreditam que, dos 21 votos feitos ali até agora, 19 foram para a chapa 3). Como nessas eleições as bobagens que eu digo podem vir a ser muito mais importantes, prefiro não dizer nada de forma clara. Se vocês chegaram até aqui, devem ser inteligentes e capazes de ligar os pontos finais (inclusive essas pessoas venenosas que me chamam de egocêntrico). Não vou deixar nada explícito demais, para obrigar qualquer desocupado interessado em botar mais lenha na fogueira da comunidade da UFRGS no Orkut com o que digo a pelo menos ler o texto inteiro, ao invés de dar uma frase mastigadinha e pronta para ser deturpada.

E esse foi o parágrafo mais cheio de quês já escrito neste blog. Deixo na mão de vocês, vagabundos online, a tarefa de contá-los, por que eu não vou corrigir porra nenhuma.

Um comentário:

barbara disse...

samuel politico e invocado!!! abraçao!!!