domingo, 13 de julho de 2008

Argonautas do Asfalto - Parte I

Cheguei ontem de Campo Grande, depois de cinco dias de Encontro Nacional de Estudantes de Psicologia – ENEP. Estou cansado depois de 30 horas dentro de um ônibus, mas a vontade de escrever sobre o que vivi no Mato Grosso do Sul é maior do que o cansaço.

Minha viagem começou muito antes do dia cinco, quando estávamos procurando uma compania de turismo que fretasse um ônibus para irmos de forma mais coletiva e econômica. Se tivesse que resumir todo este trabalho em uma só palavra, esta palavra seria “frustração” – por não acharmos um preço bom, por meus colegas nunca se decidirem e por desistirem de ir na última hora. Por causa de tudo isto (e muitas outras coisas), cogitei a possibilidade de não viajar, ficar em Porto Alegre fazendo o que sempre faço. Mas, o bom Destino tinha outros planos para mim, pois convencido pelo meu pai e pelo Marcelo, decidi que iria para Campo Grande, custasse o que custar. A idéia de ir para o ENEP num ônibus de linha me soava desconfortável, mas ao mesmo tempo extremamente poética, pois apenas os mais determinados dentre nós decidiram enfrentar tamanha jornada, sem esperar por facilidades e mimos. Fomos para Campo Grande não como turistas, mas argonautas modernos, que audaciosamente desbravaram o asfalto entre o Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Talvez esteja exagerando um pouco, mas entre nós que viajamos, não há dúvidas de que somos teimosos.

Saímos de Porto Alegre dia 5 de julho de manhã. Levantei, peguei minhas coisas e fui de táxi para a rodoviária. Lá, encontrei Carol, Marcelo e Chico da UFRGS, e Dani, Lucas e Natanael da UFCSPA. “Sete viajantes? Número curioso” pensei “mas aposto que encontraremos um oitavo companheiro durante o caminho”. E lá pelo Paraná, encontramos William, da UNOESC, que viajava sozinho para o ENEP. Estava completo, enfim, nosso pequeno grupo.

A viagem em si foi sem grandes acontecimentos, apenas longa demais. Durante quase todo o trajeto, conversamos bastante, especialmente sobre o que faríamos quando chegássemos em Campo Grande, principalmente por que ninguém de nós fora inteligente o suficiente para anotar o endereço onde o evento ocorreria, e por que já tínhamos que pensar como faríamos para voltar. Entre uma parada e outra, li “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley, um livro estranhamente apropriado para a ocasião. Finda a viagem, nos informamos bem onde ficava o estádio Morenão (no campus da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul – UFMS), e fomos de táxi até lá.

Não há muito que dizer sobre o primeiro dia de ENEP: nos credenciamos, pegamos nossas pulseirinhas de participantes que diziam “Se joga na água CAPIVARA!”, reencontramos velhos amigos, montamos nossas barracas dentro de um ginásio, o Moreninho, e ficamos conversando. Arrumar nossas coisas para dormir fora de casa, seja em um encontro desse tipo, seja num acampamento, é sempre algo fascinante: as pessoas vão se ajeitando, encaixando as barracas e colchões de forma natural, simples, sem conflitos, e dentro de pouco tempo uma colorida cidade nômade se ergue onde antes existia apenas o chão de madeira.

Em encontros de estudante, no primeiro dia geralmente as refeições são por conta dos participantes, e por isso fomos procurar um restaurante ou barzinho legal que servisse alguma coisa comível. Campo Grande, como uma verdadeira cidade do interior (dizer isso para um campo-grandense é pedir para apanhar. Fiz isso várias vezes ao longo do encontro, just for fun), tem o comércio praticamente parado no domingo, e demoramos quase uma hora para encontrar um lugar para comer. Não é algo agradável de se fazer depois de um dia viajando de ônibus.

Geralmente, no primeiro dia de ENEP se faz uma espécie de plenária para decidir o regimento interno do encontro. Em termos práticos, isso quer dizer que se define quanto uma pessoa precisa participar de mesas redondas, oficinas e coisas do gênero para ganhar certificado – algo mui importante, considerando que nos cobram horas complementares em congressos e eventos externos para nos formarmos. Quando participei do XX ENEP, eu era bixo, guri verde, e não sabia que buraco negro de libido são essas plenárias, e participei tanto da primeira quanto da última. Para meu mais profundo sofrimento e desgosto. Está bem, é exagero da minha parte fazer tamanho drama por causa de um negócio tão chato quanto plenárias, mas fui para Campo Grande com a certeza de que só participaria disto se fosse extremamente necessário (e meu conceito de “necessário” é claro e limitado o bastante para que eu participe apenas se um cometa se aproxima da Terra e nossa decisão poderá salvar a humanidade). Mas, como sou uma pessoa tolerante, apareci no local onde se decidiria o regimento interno do encontro. Antes que se decidisse qualquer coisa, aconteceu uma apresentação de Maracatu bastante empolgante. O ritmo e a batida do tambor despertam em mim meu lado mais selvagem, e fiquei imaginando que quando nos levantamos e fomos dançar estávamos preparando nossos espíritos para uma batalha de tribos. E, bem, provavelmente eu não era o melhor guerreiro da tribo, se isto for medido pela ferocidade e ânimo que dançava, pois estava muito travado. Foi divertido mesmo assim.

Depois do Maracatu é que a “plenária” começou. Vi que a coisa não iria prestar quando um cidadão foi reclamar que o local onde ela estava sendo realizada era acadêmica e burguesa demais, e que uma discussão sobre sair para o gramado ou não começou. Depois que eu acordei decidi voltar para o alojamento. Não havia muito o que fazer por lá. Não me lembro como e quando, mas não demorou muito e decidi que iria junto com o Marcelo e a Carol para o show do Nando Reis que aconteceria em outra parte da cidade, no Parque das Nações Indígenas e que seria de graça. Não sou muito fã de shows e grandes aglomerados demográficos, mas senti que deveria ir. No ônibus, guiados pelas berrantes pulseirinhas laranjas, encontramos mais uns “Enepianos” indo para o show. Conversamos com eles e acabamos indo juntos para o show.

O tal Parque das Nações Indígenas, apesar deste nome muito bonito, não é nada indígena: a grama é artificial, as árvores foram plantadas em linha reta e o laguinho do meio provavelmente também não é natural. É bonito, contudo. O palco ficava defronte à um pequeno vale, que estava quase transbordando de gente. Apontei com a mão e disse para meus amigos que aquilo era um abismo de perdição. Falei um pouco por deboche, mas parte de mim falava muito sério.

Gostei do show. Apesar de geralmente preferir músicas gravadas em estúdio, entendo por que tantas pessoas vão ver seus ídolos ao vivo. Há uma energia muito forte no ar que contagia e nos faz pensar e agir de forma diferente. Ainda assim, não consegui deixar de comparar com o ritual “Espadão-Orgião” que Huxley relata em seu livro. Fiquei introspectivo a maior parte do tempo, apenas ouvindo a música e deixando que ela ressoasse dentro de mim. Minhas novas amigas, achando que eu estava simplesmente apático, várias vezes me sacudiram e me fizeram balançar os braços. Depois que me expliquei, elas sentiram-se um pouco culpadas, mas me senti valorizado. Na volta para o alojamento, eu, Marcelo, Dani e William disparamos na frente para pegar o ônibus antes que ele lotasse de gente saindo do show. Conseguimos, mas pegamos o ônibus errado, pois nos deram uma informação equivocada. Faz parte: não poderia visitar Campo Grande sem me perder nela em algum momento.

Em ENEPs, toda noite acontece uma festa. Naquele dia, seria a Festa Junina. Devo abrir um parênteses aqui, e explicar a dinâmica festiva dos encontros estudantis. Todas as festas são temáticas e têm nomes diferentes, mas são todas iguais. Festa à Fantasia? O pessoal põe umas roupas ridículas para dançar funk. TransENEP? Dançar funk travestido. Essa Festa Junina não fugiria à regra. Fui, não sei por que. Logo no ônibus me incomodei. Estava sonolento, e a bêbada mais ruidosa de todo o encontro, conhecida como Chiquinha devido à sua indumentária e penteado, sentou-se justamente no assento na nossa frente. Ela encarrapitou-se no encosto e ficou berrando o tempo todo. Eu não conseguia parar de pensar em como ela era murrinha, mas meus pensamentos ganharam um tom mais homicida depois que ela esfregou a mão na minha cara para me acordar. Se não fosse o Marcelo do meu lado dizendo “olha o social, cara” eu teria tentado jogar ela pela janela, ou pelo menos dado uns tapas nela. Chegando na chácara onde aconteceria a festa, essa mesma cachaceira me agarra e me puxa para dançar. Tudo devidamente documentado em imagens pelo meu mui amigo Marcelo. Desvencilhei-me dela assim que foi possível. Descobri que danço melhor do que lembrava, tanto que nem parecia que eu não fazia menor idéia do que estava fazendo.

Foi agradável por um tempo, mas chegou um ponto que tornou-se impossível para mim até mesmo ficar ali onde todas as pessoas estavam. Numa mímica perversa do show do Nando Reis, a música fustigava e feria meus ouvidos, e cada segundo debaixo daquele teto era uma tortura. Várias vezes corri para longe, para logo em seguida voltar e correr novamente, até que chegou o momento em que nenhum lugar ela longe o suficiente daquele barulho infernal. Quando o DJ baixou o volume levemente e um homem gritou “pô DJ!” percebi que aquilo não era para mim. Mais do que isso: toda minha existência é incompatível com este estilo de vida, este tipo de festa. Fiquei mais do que feliz em voltar para o alojamento.

I'm Back in Black

Voltei ontem de Campo Grande, depois de uma viagem assustadoramente longa mas muito bem acompanhada, seja por amigos ou memórias. Pretendo, dentro em breve, publicar um texto sobre minhas experiências por lá.

sábado, 5 de julho de 2008

Escola do Destino

Nesta madrugada de ansiedade e insônia voluntária, acabei olhando fotos antigas no perfil de alguns amigos igualmente velhos. Atiçada pelas poucas imagens documentadas de nosso passado em conjunto, minha memória entrou em funcionamento e trouxe à superfície coisas que eu sabia lembrar, mas estavam escondidas no fundo de um baú.

Todo meu Ensino Fundamental estudei em um colégio - o Raio de Luz, por nós chamado de "RdL", "Nominho Vergonhoso" ou pelo amável apelido de "Rego de Pus". Pelo menos no meu tempo, era uma escola pequena, onde todos conheciam todos. Era impossível que fosse de outra maneira, já que só havia uma turma por série e o pátio era pequeno demais para não esbarrar com a escola inteira. Minha turma foi praticamente sempre a mesma; claro, muita gente saiu, foi para outros colégios, mas as pessoas com quem mais me relacionava se mantiveram estáveis até o fim, na oitava série. Nos conhecíamos muito bem, sabíamos como cada um reagiria e, principalmente, nos víamos todos os dias. Quando nos formamos do Ensino Fundamental, tivemos que trocar de escola, e consequentemente nos separar. Meus amigos foram para uma escola técnica vinculada à Universidade de Caxias do Sul, o CETEC, e eu fui para o Colégio São José, por ser mais perto de casa e ser famoso pela qualidade de seu ensino.

Foi uma mudança tremenda. No Raio de Luz, estava sempre acompanhado pelos meus amigos, em solo firme. O momento de maior tensão de minha semana escolar eram as aulas de Educação Física - nem sempre fui o atleta que sou, especialmente quando era mais novo, e sentia vergonha das minhas parcas habilidades esportivas. Além disso, tínhamos aulas com outra turma. Exceto na oitava e última série, essa turma era sempre mais velha, e eu tinha um medo tremendo de que eles avacalhassem comigo e me envergonhassem perante os outros. Mas tínhamos menos de três horas semanais de Educação Física, e no resto do tempo eu podia muito bem me esconder na sala ou atrás dos meus amigos e estava tudo bem.

No São José esta segurança desapareceu. Não tinha ninguém comigo em quem me apoiar, e a vergonha que sentia apenas duas vezes por semana no RdL tornou-se diária. Como passei 8 anos com as mesmas pessoas, convivendo com as manias delas e elas convivendo com as minhas, não tinha muita noção do que poderia ser considerado estranho, ridículo ou absurdo pelos meus novos colegas. Por exemplo, eu realmente não me importava com o estado dos meus cabelos: se estavam penteados, limpos ou apresentáveis. No Ensino Fundamental isso era irrelevante, mas no Ensino Médio, a porta para o mundo adulto, isso contava muito. Até a oitava série eu fui criança, mas depois disto, tive que conviver com pessoas que não o eram desde muito tempo antes do Primeiro Ano do Ensino Médio.

As diferenças não ficavam apenas nos colegas, mas abarcava a própria escola. Enquanto que no Raio de Luz até mesmo a diretora conhecia todos os alunos pelo primeiro nome, no São José a diretora só era chamada nas mais urgentes situações, e mesmo a coordenadora do Serviço de Orientação Escolar (SOE, por mim chamado carinhosamente de GESTAPO das Freiras) só sabia os nomes dos que ela mais via - isto é, os "vidas-tortas" que incomodavam em aula e eram mandados para a temida salinha da Leda Cotonete. A diferença é nítida também se compararmos os prédios. O Raio de Luz, por ser pequeno, não precisava de muito espaço, tendo só três andares de arquitetura muito simples. O São José, por outro lado, era enorme, tendo quase 1500 alunos, 100 anos de história, três andares completos diferentes entre si, um quarto andar dividido entre várias "torres" e câmaras subterrâneas (nunca as invadi, mas já vi o varal que as freiras mantinham em uma destas câmaras). Vagava solitário pelos corredores desta imensidão que ameaçava devorar minha sanidade, e foi ali que forjei de forma definitiva minha alma de Andarilho. A solidão e o deboche alheio foram dolorosos, mas temperaram meu caráter.

Olhando aquelas fotos dos meus colegas, fiquei pensando como teria sido se tivesse ido para o CETEC também. Certamente, teria sido bem mais fácil, socialmente falando, pois já conhecia alguém que confiasse ali. Teria matado mais aulas para ficar conversando, ido em mais festinhas, enchido mais a cara, ficado com mais meninas, seria parte da turma; enfim, todas estas coisas que tanto desejava na época. Mas adolescente é uma criatura idiota, e que só faz o que acha que quer. Pode desejar ser um grande atleta, poeta ou cientista, mas dificilmente faz algo para que isto se torne realidade. O mesmo é válido para mim com 15 anos. Eu teria me perdido no mundo dos prazeres e da frivolidade se tivesse ido para o CETEC ao invés do São José. De nós quatro que saímos do RdL, só eu não repeti de ano, e só eu estudo em uma Universidade Federal - não que isto signifique grandes capacidades intelectuais ou volitivas, mas é sinal de que estudei mais do que os outros.

Se pudesse voltar para o passado e influenciar meus pais quando escolheram me colocar no São José, não mudaria a decisão deles. E minha, pois eu também quis ir para lá, ao invés do CETEC, e foi me dado voto de Minerva nesta questão. Não poderia dizer com certeza por que escolhi o que escolhi. Posso, contudo, imaginar que inconscientemente eu sabia o que fazer, e que queria um desafio à minha altura. Eu venci esse desafio. Se realmente voltasse no tempo, viveria muitas coisas diferentemente, mas nunca mudaria o fato de ter feito meu Ensino Médio no São José, pois foi lá que a pessoa que está aqui agora nasceu.

Argonautas do Asfalto - Prólogo

É tarde, mas não consigo dormir ainda. Ainda faltam muitos preparativos para minha viagem, mesmo que sejam preparativos imaginários. Amanhã de manhã, às 7 horas, embarco em um ônibus de linha para uma viagem de mais de 20 horas para Campo Grande, onde acontecerá o XXI Encontro Nacional dos Estudantes de Psicologia (ENEP). O ENEP foi o primeiro grande encontro de Psicologia de que participei, há quase um ano atrás. Cronologicamente, não faz tanto tempo assim, mas em meu coração parece ter se passado uma vida desde então. Com certeza o Andarilho que vagou para longe da segurança do lar então não é o mesmo que repete o feito agora.

O XX ENEP não foi minha única experiência em encontros em congressos: além dele, já fui em pelo menos outros quatro eventos fora desta zona de conforto que chamo de lar, seja em Porto Alegre ou em Caxias do Sul. Sei o que esperar deste encontro, mas há algo diferente no ar que antecede esta jornada. Nas outras vezes, viajei acompanhado de muitas pessoas - sempre um ônibus cheio de gente barulhenta querendo fazer festa. Amanhã, irei em um ônibus de linha por que nossa valorosa tentativa de fretar um veículo próprio sossobrou por falta de interesse da grande maioria de meus colegas. Apenas eu e mais seis companheiros, tanto da UFRGS quanto da UFCSPA, vão amanhã, contra todas as probabilidades e dificuldades, movidos apenas pelo desejo de participar do ENEP. Apenas nós, argonautas do asfalto, aceitamos o desafio de desbravar estas estradas e rodovias até a capital do Mato Grosso do Sul. Por quê? Não sei.

Meu Orkut diz que "o melhor profeta do futuro é o passado", mas pressinto que, mais uma vez, a página de relacionamentos está errada. Acostumei-me ao conforto de viajar em companhia ruidosa porém presente. Amanhã, enfrentarei um silêncio talvez desconhecido, na viagem mais longa que já empreendi (não a mais distante, entretanto). Posso estar enganado, mas acho que a viagem para Campo Grande será outra Jornada da Alma, onde conhecerei outras pessoas, mas encontrarei a mim mesmo no final.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Rotting mind

Acabo de ir para a cozinha comer batata palha, por que não tem mais nada aqui em casa que se aproveite. É a decadência do rango da madrugada.

O Ataque do Grammar Nazi

Depois de anos como escoteiro, e fazendo todo tipo de brutalidade desconfortável como acampar em vales em dias chuvosos, desbravar matas fechadas e atravessar rios (quase sempre com uma mochila nas costas), junto com outras criaturas igualmente imbecis e comendo a gororoba que nós mesmos cozinhávamos, acho que posso dizer que não sou muito dado a frescuras. Sou fácil de agüentar, pois não faço muito barulho, limpo minha própria sujeira (na maioria dos casos) e não faço questão de muita coisa. Só há uma coisa que quase não tolero: gramática ruim. Não me refiro nem à língua falada, mas à língua escrita. Com ela, aquele papo de que "o que conta é comunicar-se" não cola - ou escreve direito, ou volta para a escola. E, como vocês podem imaginar, eu sofro com a internet.

Já disse anteriormente que sou um Grammar Nazi. Essa afirmação continua verdadeira. Neste post mais antigo, critiquei mais a falta de cuidado com a pontuação por parte de blogueiros e internautas em geral. Desta vez, quero reclamar de outra atrocidade: a falta de clareza.

Quando escrevo um texto, faço o possível que seja compreensível. Se não quero ser compreendido, faço um flog onde coloco minhas fotos chorando e me cortando com gilette, uso dos serviços de um gerador de lero-lero ou simplesmente não escrevo nada. O silêncio escrito não é tão fácil de interpretar quanto o silêncio falado. Então, se seu propósito é escrever o maior amontoado de gobbledygooks, corte seus dedos antes.

É possível ser incompreensível (o que é bem diferente de incompreendido) de muitas formas diferentes na internet. Uma muito comum é eScReVeR aSsIm, seja lá com qual propósito. Economia de energia não conta, já que dá um trabalho do cão ficar apertando e soltando a tecla shift ou Caps Lock o tempo todo. Estética também não, já que esses textos são mais feios que pechada de Opala. Outra formatação bisonha cujo único intuito aparente é machucar os olhos é o famoso "Carnaval das Letras": escrever textinhos naquela cor verde neon berrante, contra um fundo lilás igualmente reluzente. Claro, tUdO aSsIm TaMbÉm. Isso quando não resolvem fazer um carnaval ainda maior, e EsCrEvEm CaDa PaLaVrA cOm UmA cOr DiFeReNtE. No MSN, também ocorre o fenômeno "Pinheirinho de Natal", quando a pessoa não sabe criar atalhos decentes para seus emoticons, e eles aparecem nos lugares mais improváveis e irritantes possíveis - especialmente no meio de palavras.

Deveriam considerar seriamente a possibilidade de aplicar um teste psicométrico nas pessoas antes de dar acesso à internet, para evitar que este tipo de atrocidade aconteça.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

We shall never surrender!

Esta semana, travei uma longa batalha, contra um inimigo incansável: a faculdade de Psicologia. Fui atacado em três frentes - prova de estatística, trabalho de psicopatologia e organização do ônibus para o ENEP. Finalmente, depois de muitas horas de sono perdidas, podemos ver a luz e a vitória no fim do túnel. Mas não saí incólume desta luta: já não há mais pão, não há mais leite e não há mais porra nenhuma pra comer aqui em casa. Na verdade, comprei um pacote de pão há dois dias atrás, mas mal e mal tem manteiga pra fazer um sanduíche. O presunto foi fora hoje. Só me resta o RU.

Informativo nada útil

Mouse novo. Um pouco mais chumbrega que o antigo, mas funcionando (e melhor do que o mouse do teclado), e é isso que importa. Voltamos com nossa programação normal.

As Provações da Faculdade XXVIII

Precisando entregar o último trabalho do semestre para ontem, meu computador tem um ataque histérico e o mouse para de funcionar. Como eu não sei trabalhar só com o teclado, tive que vir trabalhar nos computadores da faculdade. Não gosto nada disso. Para começo de conversa, o computador de onde digito este post não tem o Office instalado, e para escrever meu trabalho estou usando o bloco de notas. Além disso, se quiser me expulsar daqui sem motivo aparente, a faculdade pode. Eu não gosto muito de depender dos outros para qualquer coisa que seja, mas para fazer trabalhos eu detesto com muito mais força. Argh.

Machismo, Egoísmo e a Condição Humana*

Achei uma pérola na internet hoje. Chama-se Men Are Better than Women. Como o nome já deixa claro, este site é o ápice do chauvinismo machista. Dizer isto é um elogio para Dick Masterson, dono do site.

Pessoalmente, não achei nada de muito interessante no site - principalmente por que minha visão das mulheres é bem diferente da dele, apesar de já ter tido meus rompantes machistas (o último não faz tanto tempo assim). Para ser franco, um site desses não vale a pena ser lido, pois faz apenas generalizações grosseiras e tendenciosas sobre as mulheres. Mas ainda digo que é uma pérola por causa de um dos vídeos dele.

O tal do Dick Masterson apareceu em um programa de auditório importante, Dr. Phil, para expor suas idéias sobre a superioridade masculina. Certamente vocês devem ter imaginado que havia muitas mulheres presentes ali como "colegas de trabalho" do tal Dr. Phil, e que muitas devem ter se sentido profundamente ofendidas com o que ele falou. Caso você não tenha assistido o vídeo e/ou não entende inglês, uma mulher vai toda empolada até o microfone para fazer uma pergunta para mr. Masterson, a quem chamou de "o cavalheiro que odeia mulheres". "Eu gostaria de saber se você já teve um encontro ou já ficou com alguém" perguntou a mulher, com um ar de quem sabia o que estava fazendo e que tinha feito uma pergunta mortal. Ele começou a explicar-se "eu não odeio mulheres. Imagino que você tenha muitas blusas ou calças, mas usa essas por que são suas preferidas, o que não quer dizer que você odeie as outras" mas não terminou o raciocínio, pois a mulher do auditório reclamou que ele não estava respondendo a pergunta dela. Ele então foi simples e direto: "as mulheres fazem fila pra sair com um cara como eu". A mulher ficou indignada, e disse que "eu não vejo ninguém fazendo fila atrás de você, e com certeza eu estaria no final da fila". Dick rebateu: "se você fizesse mais esteira na academia provavelmente estaria na frente da fila". WOW! Chamou ela de gorda, a pior ofensa para a mulher moderna. Ela esboçou uma reação, mas titubeou e não falou mais nada. Dick percebeu isso, e perguntou se ela tinha lhe escutado. Ela fez cara de indignada e disse que não o escutou, e que estava feliz por isso, pois ele deve ter falado algo estúpido.

Sabe por que acho este vídeo tão genial? Ele transpira humanidade. O tal do Dick Masterson, como todo bom cafajeste, deve ser um imã de mulheres: pelo jeito ele é inteligente, deve ser divertido e ter uma lábia incrível. Aposto que "passa o rodo geral", falando de uma maneira informal. Aquela história que mulheres gostam de homens carinhosos eu ainda estou para ver na prática. Aliás, senti na pele muitas vezes que é justamente o contrário. Sem falsa modéstia, eu sou tudo o que as mulheres querem, mas que a grande maioria esnoba por que, heh, não sabe o que quer. Todas as mulheres são assim? Não, e posso apontar muitos exemplos disso. Mas suspeito seriamente que meus exemplos são a minoria. Duvida? Pode ir a campo e entrevistar algumas mulheres, de preferência entre 15 e 25 anos, sobre relacionamentos amorosos delas. Com um pouco de habilidade dá para perceber um nítido padrão: os caras que gostam delas elas esnobam, e os que esnobam elas elas correm atrás. Mais uma vez, repito: não são todas assim, mas uma porcentagem considerável é.

Mas o que eu achei mais fantástico no vídeo não é a guerra dos sexos, mas a batalha de egos. Nessas batalhas, nunca há heróis, pois os motivos de lutar não são nobres - são egoístas, não no sentido de querer tudo para si, mas no sentido de servirem apenas para engrandecer o ego pessoal. É razoável dizer que a mulher que fez as perguntas sentiu-se ameaçada pelo o que Dick falou. Provavelmente ela não pensou com tal clareza, mas deve ter passado pela cabeça dela que "se ele estiver certo, eu não valho nada, portanto, eu tenho que provar que ele está errado e humilhá-lo ao vivo na TV". E lá foi nossa amiga, mostrar como ela é inteligente. Só que ela se esqueceu com quem ela estava se metendo. O Dick Masterson deve ser um cara inteligente, escreveu um site inteiro sobre como as mulheres são inferiores aos homens, e deve ouvir este tipo de pergunta todos os dias. Claro que ele vai ter uma resposta na ponta da língua para as perguntas dela! Mais do que isso, ele deve ser um mestre na arte de engrandecer o próprio ego humilhando o dos outros - o alvo preferido dele são as mulheres, mas qualquer um que olhar meio atravessado para ele deve levar paulada. Ela perdeu o jogo no momento que aceitou as regras dele. E o tiro saiu pela culatra, e quem foi humilhado ao vivo na TV foi ela (que fez questão de fingir que não perdeu a pose). Pronto! Masterson conseguiu o que queria, mais um argumento de que as mulheres são inferiores, enquanto que ela muito provavelmente vai ser alvo de chacota de muita gente e talvez tenha um episódio depressivo (se já não teve ainda).

Isso significa que Dick Masterson ganhou? Não. Bem pelo contrário. Apesar de poder intuir que ele se sente bem consigo mesmo a maior parte do tempo pelo o que faz, duvido muito que ele seja realmente feliz. Quem desrespeita todas as mulheres deste jeito, pode desrespeitar qualquer um, em qualquer lugar a qualquer momento. Preconceitos são assim. E quem age desta maneira é incapaz de sentir compaixão, ternura e empatia pelos outros, e sei por experiência própria que não existe felicidade verdadeira sem isso. Pode se ter prazer, mas nunca felicidade. Sinto pena da mulher por ter sido tão humilhada em frente de tantas pessoas, mas sinto mais pena pelo Dick Masterson. Ela pode aprender alguma coisa com o que aconteceu, enquanto ele talvez seja um caso perdido.




*Pensei seriamente em colocar Dasein ao invés de Condição Humana no título, mas seria muita chinelagem.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

As Provações da Faculdade XXVII

O trabalho final de Psicopatologia I está nascendo. O parto tá difícil pra cacete. Não faço a menor idéia do que vou escrever.

Finaleira de Semestre

Pensei em escrever um post sobre como o final do semestre está complicado, mas como preciso poupar minha energia mental para escrever um último trabalho, e por que uma imagem vale mais do que mil palavras, decidi tirar algumas fotos da Fortaleza da Solidão (i. é., meu apartamento) que captem o cansaço e estado de nervos que me encontro, começando pelo meu quarto:

Meu armário



















Minha cama



















A mesa da sala



















A pia da cozinha


















Despensa e mesa da cozinha


















A mesa da cozinha e a Torre do Suco























Área de Serviço, também conhecida como "My Little Junkyard"




As coisas geralmente ficam mais organizadas por aqui (apesar de não muito), mas quando sou forçado a escolher entre arrumar a casa ou fazer or trabalhos urgentes da faculdade, a primeira opção leva a pior. Sempre