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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Revestibular

Estava agora mesmo no Facebook olhando um print screen tirado do site da UFRS com as notas do primeiro e último colocados no vestibular para Medicina. Completamente alheio à discussão das cotas raciais e sociais, comecei a fazer pequenos experimentos mentais, tentando responder à seguinte pergunta: e se eu fizesse vestibular outra vez?

Cacete, acho que essa é uma pergunta que muita gente se faz quando chega no último ano da graduação. Salvo raras e deprimentes exceções, entrar na universidade é um dos momentos mais felizes da vida de um estudante. É neste momento em que trocamos a pressão do cursinho e da família para passar pela alegria de integrar a elite intelectual brasileira, e de poder encher a boca pra dizer "ah, eu estudo na UFRGS", sem contar os fantásticos amigos que se faz ao longo dos cinco (ou mais) anos de faculdade. É, desse ponto de vista, fazer vestibular outra vez não parece uma má idéia. Tu já passou nele antes, não? Agora tu já conhece as manhas, então vai ser mais fácil ainda. Além disso, tu agora tem uma experiência em primeira mão da universidade por dentro, já deve ter encontrado a tua zona de conforto e a maneira de ser feliz ali dentro. Fazer pós-graduação é mais difícil, e não é a mesma coisa que ser graduando, por que parece ter muito mais responsabilidades.

Nesse ponto, me imagino indo fazer a prova, ficando numa boa, escrevendo a redação sem pressa e, então, encontrando meu nome na lista de aprovados do concurso vestibular UFRGS 2013. Êxtase! Regozijo! Orgasmos múltiplos! Tudo bem, mas eu ainda não respondi uma perguntinha essencial: pra que curso eu faria outro vestibular? Faço agora outro experimento mental: e se eu fizesse vestibular para Medicina?

Os filhos da classe média, esse povo sofrido que mal e mal consegue pagar as prestações do carro novo e comprar uma TV LCD de 60 polegadas, ao longo dos três anos do ensino médio, é bombardeado seguidas vezes com a informação de que o vestibular para Medicina é muito concorrido, que tem que estudar muito, e que pouquíssimos são aprovados. A mensagem que nos mandam é que "passar em Medicina é foda". Nós pegamos essa mensagem, e ficamos honestamente assustados com a média harmônica do Vestibular, mas nós também codificamos outra mensagem, que vem escondida na primeira: se passar em Medicina é foda, quem passa em Medicina é foda também. E dessa mensagem, deduzimos uma série de outras - se eu passo em Medicina, que é foda, eu sou foda também. Então, a carreira em Medicina é uma coisa foda de boa, que vai pagar uma grana foda de alta, e qualquer coisa que eu quiser fazer dentro dela vai ser foda de foda, sabe por que? Por que eu sou foda.

Vitinho deve ser médico além de músico.

Questionamentos do tipo "será que é isso mesmo que eu quero fazer?" são abafados pelo som dos milhares de digdins tocando ao fundo dessa cacofonia, e muitos de nós concluem que o negócio é fazer Medicina. Talvez eu tenha exagerado na minha descrição, mas acho que, se exagerei, não foi muito. Não caí nessa armadilha, e muitos estudantes de outros cursos da UFRGS também não. Porém, o fenômeno de muita gente fazendo "faculdade de cursinho", estudando cinco anos para não passar em Medicina é tristemente comum. Não tenho nenhuma estatística precisa a este respeito, mas posso apostar com alguma segurança que todos os cursos pré-vestibulares de Porto Alegre têm pelo menos cinco alunos nesta condição, e estou sendo conservador nas minhas estimativas.

Mas será que toda essa badalação da Medicina é infundada? Certamente que não. Nunca em minha vida meus professores de Ensino Médio me ensinaram algo falso, desatualizado ou que não fosse profundamente importante, e que eu não fosse usar em minha vida futura. Então, passar em Medicina é passar pelos Portões do Paraíso Celeste e sentar ao lado direito de Deus, exceto que Deus não existe e quando nós morrermos vamos apenas apodrecer e virar comida de verme, por que médicos são ateus (apesar de serem a coisa mais próxima de Deus que nós temos). Já passei por um vestibular, fiz uma faculdade e estou quase diplomado nela. Agora deve ser a hora de abandonar as futilidades da vida inferior de psicólogo para abraçar a gloriosa vida de Médico.

Agora, neste ponto do meu experimento mental, me vejo outra vez fazendo a prova do vestibular para Medicina, passando, olhando a Zero Hora com o listão de aprovados na praia e gritando para todos que puderem ouvir "CHUPEM! MINHA! BENGA! EU SOU FODA!" ou qualquer outra blasfêmia parecida. Sim, os louros da vitória são doces. Enfrento, um problema filosófico importante aqui, que é o seguinte: pra fazer tudo isso, eu preciso primeiro passar em Medicina, e pra passar em Medicina, precisa estudar. De um jeito foda.

É, eu posso fazer isso. Mas mais importante do que saber se eu posso fazer, é saber por que eu vou fazer. Eu sei que eu posso jogar meu laptop pela janela enquanto eu grito que Satanás possuiu o HD e baixou 15 giga de pornografia. Eu sei que eu posso. Agora, eu não faço isso por que ia ser uma grande idiotice (especialmente se Satanás realmente tivesse baixado 15 giga de pornografia pra mim). Eu sei que eu posso estudar bastante para o vestibular, e eu sei que, se eu estudar bastante, eu posso passar em Medicina. Todavia, pergunto: por que eu faria isso? Sim, eu sou inteligente (eu sei até escrever para um blog), mas não sou telepata nem sou o escravo sexual de ninguém da reitoria, o que significa que vou ter que estudar bastante, por pelo menos um ano antes de fazer a prova. Esse ano não vai dar, por que tenho o último estágio e o TCC para escrever, a não ser que eu largue tudo pra conquistar meu sonho.

Na padaria é mais barato.

Mesmo que eu não faça isso e termine minha graduação em Psicologia (pra ter direito à cela especial), eu teria que jogar fora outro ano da minha vida só estudando. E estudando o que? Análise do Comportamento aplicado à contextos comunitários? Neuropsicologia Cognitiva? Teoria do Conhecimento Materialista? Não senhor! Eu ia ter que voltar pros meus livros de Física, ler as leituras obrigatórias e fazer muitas continhas de Matemática. Eu teria que deixar de fazer o que eu gosto de fazer, pra passar um ano me preparando para talvez passar mais seis anos fazendo alguma coisa que eu talvez goste, por que todo mundo me diz que essa coisa é foda.

Então, passado um ano de sacrifício (por que até hoje meus piores pesadelos envolvem estequiometria e química orgânica), eu finalmente posso fazer a prova. Daí vem outro problema pra mim. Esse ano, veja só você, eu fui fiscal do vestibular, e pude ver, em primeira mão, o que é ser vestibulando, sem ter que passar pelo desconforto de ser um. Por quatro horas e meia de quatro dias seguidos, pude acompanhar, sem pressa, a agonia que é fazer a prova da UFRGS. Algumas vezes, enquanto passava ao lado das mesas dos candidatos, eu olhava para as provas, via a imensidão de números e coisas escritas e pensava "obrigado Aslam, por eu não ter mais que passar por esse sufoco."

"De nada."
Mas eu acompanhei a prova para Psicologia. Os eventos mais empolgantes do nosso trabalho era acompanhar alguém até o banheiro quando o fiscal volante não estava disponível. Quem foi fiscal nos locais de prova para Medicina, por outro lado, teve tanta excitação que vai gastar os 300 reais que ganhou em bebida, pra esquecer o que viu: gente colando, gente chorando, gente sofrendo, e gente rodando na prova. Quase todo mundo, na verdade. Vale a pena passar por isso outra vez?

Resta, então, uma última pergunta, um último experimento mental: e se eu faço o vestibular para Medicina e passo? Vamos pular a parte em que eu comemoro a aprovação de um jeito que vai me botar na cadeia e ir direto para os dias de aula. Vou ser estudante de Medicina, sim, e todo mundo com quem eu falar vai admitir (ainda que apenas tacitamente) quão foda eu sou, e vou estar sempre a dois passos do Paraíso. Contudo, eu vou ser bixo de novo. E por seis anos, eu vou ser tratado (de novo) como se eu não soubesse a diferença entre a minha boca e a minha bunda, e ouvir explicações diárias em qual delas eu posso colocar cerveja. E entre uma explicação e outra sobre o artigo mais recente sobre os efeitos de ingerir álcool pelo reto, eu vou ter que fazer uma cacetada de estágios que não me interessam, como Ginecologia, Proctologia e Dermatologia, tudo isso no ambiente extremamente hierárquico e reacionário que é o hospital. Um médico poderia intervir agora e dizer "mas tu pode fazer estágio em Psiquiatria ou Neurologia, e trabalhar com aquilo que tu gosta." Sim, eu poderia. E é exatamente o que eu faço agora, sem ser estudante de Medicina. E, como cereja do bolo, a recompensa por estes seis anos de estudos sem sentido será mais dois anos de estudos sem sentido, agora como residente em alguma coisa. Fantástico.

Tendo feito todas estas considerações, concluo apenas uma coisa: melhor fazer mestrado, que pelo menos daí eu viro mestre em alguma coisa.

Chupa essa manga, Pai Mei.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Previsões dos astros para celebridades em 2012 - Um Estudo Etnográfico

A Psicologia tem uma ingrata fama como "a ciência dedicada á fofoca." Penso que este título é injusto por dois motivos. O primeiro é que nós, psicólogos, não fazemos fofoca - nós comentamos o comportamento alheio, e damos sugestões para sua melhoria. O segundo é que, se existe uma ciência da fofoca, é a Antropologia. Todo o seu trabalho consiste em ir para outro lugar (principalmente tribo indígena no meio da Amazônia), anotar o que as pessoas lá ficam fazendo e voltar pra contar TU-DO pros compadre.

Antes que o eventual antropólogo me acuse de reducionista, positivista, etnocêntrico e feio, permita-me dizer que: sim, eu sou reducionista e positivista, mas minha mãe me acha lindo e você tem que respeitar a minha opinião por que ela faz parte da minha cultura. Além disso, eu não tenho nada contra a Antropologia. Na verdade, eu adoro Antropologia, por que sou um fofoqueiro assumido. Eu poderia me esconder atrás de uma parede de justificativas e racionalizações, como, por exemplo, que a informação deseja ser livre, e que eu acredito ser um crime esconder todo e qualquer tipo de conhecimento da humanidade, mas prefiro ser honesto e dizer que eu A-D-O-R-O falar da vida alheia, como um antropólogo formado pela escola da vida, criado no meio deste lindo povo brasileiro, pobre e sofrido, mas sempre com dança no pé, alegria no rosto, cabelo ao vento, sempre disposto a crescer e ajudar a crescer. Enfim, sou um fofoqueiro assumido.

E para provar o quanto eu gosto de antropologia, vou empregar o seu método para estudar a forma mais pura de fofoca: a revista Tititi. À primeira vista, a Tititi é apenas mais uma entre as muitas revistas voltadas a noticiar os aspectos mais irrelevantes do mundo das celebridades e estragar o final da sua novela favorita. De fato, para um observador ingênuo, a Tititi é apenas mais um borrão de tinta colorida com chamadas berrantes nas prateleiras ao lado do caixa do supermercado, logo acima das embalagens de Halls, e logo ao lado das caixas com Kinder Ovo. Este mesmo observador ingênuo poderia se perguntar, enquanto espera por sua vez para ser atendido, como esta revista continua sendo publicada, se tudo o que há para saber sobre ela está escancaradamente estampado logo na capa - quem compraria a Playboy se a mulher do mês saísse mostrando tudo já na capa? Da mesma forma, por que eu compraria uma revista de fofoca pra saber o que vai acontecer na novela, se só olhando a capa eu já sei que Marcela está viva e que voltará para destruir Tereza Cristina?

Porém, para olhos treinados... a revista é isso aí mesmo: um grande borrão de tinta colorida, feita pra chamar sua atenção da forma mais gritante possível. Tudo que interessa nela está escrito na capa da forma mais clara possível, sendo o resto das coisas que enchem a revista (além de propagandas) é pura bobagem. Por outro lado, acho que, se alguém se interessa o bastante pelo arranca-rabo entre a Marcela e a Tereza Cristina, ela vai se interessar pelo resto das coisas que estão escritas dentro da revista de forma mais sutil (e isso inclui as propagandas). Além do mais, essa maldita Tititi custa só R$1,99 e fica estrategicamente na boca do caixa. É muito fácil pegar junto com um Kinder Ovo a mais e levar pra casa, por que dificilmente essa compra de impulso vai desestabilizar todo o seu orçamento.

Foi exatamente isso o que aconteceu comigo. Estava desavisado, pensando na vida, no universo e em tudo mais quando meus olhos vagam para a prateleira das revistas bagaceiras e, PUMBA!, eu vejo a Tititi. Obviamente, aos 23 anos de idade, não foi uma experiência exatamente nova. Já tinha visto centenas, possivelmente milhares de revistas identicas à esta que está agora ao lado do meu computador. O que me fez querer comprar esta, justamente esta revista? Simples. Uma de suas manchetes é "Previsões 2012: saiba tudo o que os astros reservam para os artistas da TV." Foi aí que eu fui fisgado. Todo mundo tem um ponto fraco, um gosto por algo extremamente babaca e vergonhoso e ao mesmo tempo extremamente divertido. Os americanos chamam isso de "Guilty Pleasure" - prazer culposo ou culpa prazerosa. E todo início de ano, sempre que passo em uma banca de revista ou em algum supermercado, eu sou confrontado com a enorme e prazerosa culpa de ver essas reportagens sobre o futuro dos astros. Eu sei que vão ser apenas frases curtas e vagas sobre o futuro de pessoas famosas que não exercem o menor impacto na minha vida, e que ao longo do ano ou elas vão ser refutadas ou esquecidas (ou as duas coisas, muito provavelmente), mas agora, enquanto o ano ainda é novidade, holy shit, não existe assunto mais importante do que saber o que diabos vai acontecer com o Reynaldo Gianecchini.

Então, para compartilhar esse prazer com vocês, e também para poder dizer depois que eu não fui o único contaminado, deixo aqui as melhores previsões feitas pelo baralho cigano, pelos búzios, por uma sensitiva, pelo tarô, pela astrologia e pela numerologia (multidisciplinar esse negócio, hein gente?). Lá vai:

Léo Santana (vocalista do Parangolé)
"O cantor pode ser pai de uma menina num momento inesperado. O próximo ano será difícil, pois ele também tem chance de perder dinheiro em conseqüência de negócios mal feitos e traições. Deve abrir os olhos com os falsos amigos."

Comentário: Será que ele é parente do Luan Santana? Certamente o dom para escrever músicas que não saem da cabeça é partilhado pelos dois. De qualquer forma, adoro a maneira vaga como essas predições são feitas. "Pode ser pai de uma menina num momento inesperado"? A não ser que ele seja um castrati (o que ele não é), parto do pressuposto que ele tem o sistema reprodutivo em condições de fazer nenê. Por isso que a profecia é pouco impressionante. Impressionante seria se fosse "Léo Santana poderá perder os colhões em acidente de trabalho. Mesmo assim, ele ainda poderá ser pai de uma menina, o que será bastante inesperado."

Luan Santana
"Se o cantor não quiser ser pai antes do tempo deve ficar bem alerta com mulheres interesseiras. O sucesso e a fama continuarão a mil em 2012, mas ele deve ter cuidado com eventuais perigos em viagens que fará até junho. Outra dica do oráculo é: Luan não deve acumular trabalhos que não poderá assumir. E precisa ainda cuidar de seu lado espiritual."

Comentário: Esse oráculo aí veio fazer o que eu aposto que a mãe do Luan Santana já faz há muito tempo: mandou ele usar camisinha e cuidar pra não embuchar alguma fã mais ousada. Só faltou dizer pra levar um casaco por que tá frio na rua e pra não deixar comida sobrando no prato.

Maísa (andróide do mal do programa do Sílvio Santos)
"Sucesso, destaque, popularidade e muito dinheiro no ano de 2012 para Maisinha. Aliás, ela será a criança mais bem paga da televisão em breve. A atriz e cantora mirim ainda poderá mudar de emissora. Cuidados com a garganta e dores constantes de ouvido em maio e junho"

Comentário: Dor de garganta e ouvido em maio e junho? Putz grila, eu passei por isso também quando eu tinha a idade da Maísa. Se chama "Inverno." Admito que é melhor do que o "usa camisinha, Luan Santana", mas não muito.

Fábio Jr.
"Para o cantor vai ser um ano profissional excelente a partir de março! Fará diversos especiais e verá a carreira renascer. Contato com seres de outras dimensões o deixará ainda mais em sintonia com a música. O lado afetivo somente melhora no fim de 2012. Deverá pintar uma nova paixão para o eterno galã."

Comentário: Mais especiais? Por acaso ele vai gravar um CD com seus maiores sucessos? Até aqui, isso não é nenhum renascimento da carreira - é a essência da carreira do Fábio Jr.! E tô apostando que a nova paixão deve ser a mãe dele, a única mulher com quem ele ainda não se casou. Isso, ou um dos seres de outras dimensões.

Primeiro Post no Blog do Último Ano da Humanidade

Bem vindos à 2012, o ano em que o mundo vai acabar! De novo. Segundo cálculos pessoais, eu já sobrevivi a 6 apocalipses anunciados anteriormente. Porém, tenho certeza de que dessa vez não falha! Os maias nunca mentiriam ou errariam sobre um assunto tão importante para a humanidade.

E enquanto ia me preparando para o arrebatamento (estocando armas e água potável, por que eu sei que vou ficar por aqui mesmo para sofrer), percebi que negligenciei este blog por dois meses inteiros. Dois meses! O número anual de posts foi diminuindo desde 2008, apesar dos meus repetidos protestos de que eu ia voltar a escrever, mais ou menos como um marido abusador que promete parar de bater na mulher e virar um bom homem.

Mas esse ano não vou fazer novamente essa promessa, por que esse ano eu decidi fazer algo diferente*. Entro agora na reta final da faculdade, começo a escrever o TCC e o projeto para o mestrado, tarefas que envolvem muita pesquisa e muita, muita energia psíquica, que não pode ser desviada para este blog, por mais carinho que eu tenha por ele. Além disso, como o mundo vai acabar e eu só quero dançar, o tempo que eu tiver livre eu vou me divertir, do melhor jeito que puder.

Entretanto, como ainda não me libertei da minha obsessividade, e da minha necessidade de ver o contador de posts aqui do lado aumentar cada vez seus números, eu prometo que, se não vou escrever aqui todos os dias, nem todas as semanas, e talvez nem todos os meses, pelo menos, de vez em quando, a cada morte de bispo e sacrifício de virgens, eu virei aqui para compartilhar as minhas idéias estapafúrdias com quem quer que ainda tenha fé e esperança de que este blog, como Jesus, ressuscite no terceiro dia (ou ano, sei lá). Se o ano de 2012 não for o nosso último, e se em 2013 eu não estiver ainda mais atolado de trabalho do que estarei ao longo dos próximos 12 meses, continuo sem prometer coisa nenhuma, exceto de continuar vivo por tanto tempo quanto for possível.



* Aposto que você ficou esperando uma piada sobre a Luíza Marilac, sua pessoa previsível.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Julho não passará em branco

Uma época, muito tempo atrás, eu tinha o compromisso pessoal de escrever pelo menos um post por dia para o blog. Este compromisso, porém, teve que ser abandonado por causa das muitas responsabilidades que assumi desde o terceiro ano de faculdade, e acabei diminuíndo a freqüência obrigatória de posts de 1 por dia para pelo menos 1 por mês.

Então, aqui está o post de julho.

Mas não pensem que postei isso só pra não me sentir culpado! Não senhor! Tenho planos para o próximo mês, planos que envolvem escrever mais do que apenas um texto de mea culpa. Primeiro, retomarei a minha série sobre utopias, para a qual já tenho dois textos planejados. Já comecei a escrever um texto sobre os dois últimos filmes da série Harry Potter (não por que ninguém nunca pensou em escrever sobre isso, ou por que não temos textos o bastante sobre esses filmes e esta série, mas por que eu gostei e quero escrever a respeito), e, dependendo do meu humor, pretendo escrever uma resenha sobre o livro que acabei de ler, "Memórias de um Doente dos Nervos", e algo sobre disciplina e Kung Fu, como já fiz antes por aqui.

Anyway, este blog não morreu. Não ainda. Só está em coma, e como aquele episódio de House provou pra todo mundo, pacientes em coma profundo há muito, muito tempo eventualmente acordam para fazer alguma coisa interessante, e morrerem em uma gloriosa explosão de heroísmo. Ou ficam lá, fazendo suas necessidades deitados, e morrem sem ninguém notar. Sei lá.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Reflexões das Férias

Decidi que iria escrever alguma coisa aqui no blog. O quê? Não sei. Qualquer coisa serve. Qualquer coisa que passar pela minha cabeça. É divertido fazer isso, por que surgem idéias inusitadas. Elas podem ser retardadas, como a história de um texugo assassino que quer vingar a morte de sua família, mas às vezes, bem às vezes, sai uma coisa que preste.

É divertido escrever o fluxo de consciência, porque é uma maneira mais natural de escrever. Quando se escreve "seriamente", tem que parar, reler o texto, ver se as palavras se encaixam, se não tem coisa demais, e cortar o que fica feio e/ou sobrando. Assim não - tudo fica bom, mesmo que fique uma merda. Escrita de fluxo de consciência também é bom para exercitar os músculos mentais, as redes neurais responsáveis pela criatividade e pela linguagem em geral.

Outra vantagem desse método: enche murcilha que uma beleza. Por exemplo, eu tenho uns sete ou oito textos por terminar de escrever e publicar, mas dá muito trabalho fazer isso. Então, pra não deixar isso aqui abandonado, eu martelo bem rápido meu teclado pra formar umas frases mais ou menos concatenadas, não reviso porcaria nenhuma e pronto, tenho um post novo! Claro, alguém vai ali nos comentários reclamar que eu sou um vagabundo, só que isso não é ofensa, é constatação de fatos. Sou adepto da filosofia de "quanto menos trabalho der, melhor", por que, afinal de contas, pra que se cansar se eu posso não me cansar? Cansaço é cansativo. Descanso, por outro lado, é bom. No presente momento, eu estou de férias de tudo - aulas, estágio, bolsa - e estou muito feliz por isso. Nos últimos dias de janeiro, quando eu ainda estava trabalhando, percebi que estava mais do que cansado ou de saco cheio: eu estava queimado: Burnout, aquela síndrome comportamental que afeta pessoas sobrecarregadas, e que acontece muito em trabalhadores da área da saúde. Então, se vierem me entrevistar sobre esse tipo de situação, eu vou ser parte da estatística daqueles que se ferraram por não saber quando parar.

Por um lado, contudo, foi bom, por que me fez perceber que eu não sei cuidar de mim, apesar de trabalhar cuidando dos outros. Rememorei outras situações, recentes e não tão recentes assim, em que eu me coloquei em situações desnecessariamente desgastantes por que "eu tinha que fazer aquilo", "seria uma vergonha para todo o sempre não fazer isso" e coisas parecidas. Eu chamo isso de Complexo de Salvador: faz tudo para salvar a vida de todos ao seu redor, e a única pessoa que não consegue ajudar é a si próprio. Tem outro nome pra isso também - Curador Ferido. Eu gosto dessa imagem, por que ela é carregada de tragédia e ironia.

Estou aprendendo a dividir as coisas, nomeá-las adequadamente e a colocá-las em seu lugar de direito. O que é do estágio, fica no estágio; o que é da faculdade, fica na faculdade; o que é da minha própria vida pessoal fica comigo e não se mistura com o resto. Talvez seja um tanto quanto duro dizer que "as coisas não se misturam" - se misturam, sim, mas de um jeito diferente. Eu não deixo de ser eu mesmo por estar em um contexto diferente. O que muda são meus papéis, e esses não podem se misturar: não ser amigo com os pacientes, não ser psicólogo com os amigos, e, principalmente, saber quando parar e deixar meu corpo se curar e cuidar de si. Parece óbvio, ululante, mas é mais difícil do que parece, pelo menos para mim. Sinto como se estivesse cometendo um erro, desperdiçando minha energia de maneira não-produtiva. "Há livros pra ler, filmes por ver e pacientes para curar, seu vagabundo!" digo para mim mesmo. Só que não adianta tentar salvar o mundo se você não tem vontade nem de sair da cama de manhã, como aconteceu comigo nos últimos dias antes das férias. É necessário cuidar de si, para poder cuidar melhor dos outros.

Bom, para um texto que começou bobo e nada a ver até que saiu um negócio profundo.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Primeira postagem de 2011

Só pra não dizerem que eu abandonei isso aqui, deixo para vocês, se não um texto completo, pelo menos a promessa de que eu voltarei a escrever coisas legais, divertidas, profundas e/ou todas as alternativas anteriores. Feliz 2011.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Utopias - Interlúdio

Decidi escrever este post para organizar esta série, e para que as três milhares de pessoas que lêem este blog compreendam o que se passa pela minha cabeça enquanto planejo os posts do futuro.

No presente momento, estou escrevendo o texto sobre "Utopias Piratas". Entretanto, já tenho em mãos três outros livros de utopia, e a intenção de adquirir um mais dois ou três. Os três livros que já tenho são "A República" do Platão, "Nova Atlântida" de Francis Bacon e "Looking Backward" de Edward Bellamy. Os dois primeiros são bastante famosos, tendo sido escritos por dois gigantes da Filosofia, e portanto dispensam introduções. "Looking Backward", por outro lado, apesar de ter sido bastante famoso e influente em sua época, especialmente nos Estados Unidos, parece ser relativamente desconhecido hoje em dia, pelo menos no Brasil. Pretendo remediar, pelo menos parcialmente, esta situação, descrevendo aqui a utopia desenhada por Bellamy.

Os três livros restantes, que ainda tenho que encontrar em algum lugar, são "Utopia" de Thomas More, "Walden" de Henry David Thoreau e "Walden III" de Rubén Ardila. O primeiro quero ler por que, francamente, se não foi o livro que iniciou a tradição literária das utopias, foi o que a codificou, isto é, organizou e deu um rosto para uma série de outros livros que apareceram depois. "Walden III" trata da experiência de Análise do Comportamento levada à cabo no Panamá em 1979, enquanto "Walden" é o relato da experiência individual de Thoreau no meio do mato. Possivelmente não deveria considerar este último como um verdadeiro livro de utopia, mas o valor sentimental de ler e resenhar Walden I, II e III é grande demais para ser jogado fora.

Por fim, pretendo comentar um último livro, que, apesar de não estar à minha imediata disposição, está aqui ao lado, na biblioteca da FABICO: "Zona Autônoma Temporária" de Hakim Bey, pseudônimo do autor de "Utopias Piratas". De novo, não é um livro sobre utopias imaginárias, mas sim sobre como criar micro-utopias localizadas, e como elas surgiram em vários lugares ao longo do tempo, com as mesmas características. Acho que vale a leitura.

Lembrando sempre que eu mudo de idéia fácil, e posso resenhar outros livros antes desses, mas pelo menos agora vocês têm noção do que pode vir por aí.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Fui pro Lado Esquisito da Força de vez

Quando eu estava viajando pela Patagônia junto com o Marcelo, passamos a noite em um camping em Ushuaia. Essa informação é absolutamente irrelevante para o que eu tenho para dizer, mas eu queria dizer mesmo assim por que Ushuaia é uma cidade fantástica. Em todo caso, nesse camping, tive a oportunidade de ver um magrão que, de tão esquisito, poderia estudar na UFRGS com a gente. O que mais me chamou a atenção foi que ele tinha como que uma mochila inteira para carregar temperos: vidrinhos com pózinhos, líquidos, ervas das mais diversas cores. Na época, achei estranho. Hoje, entretanto, reconheço a idéia como genial.

Decidi abraçar de vez a minha esquisitice hoje. Passando no mercado, comprei um vidro de tempero de pimenta que, junto com meu azeite de oliva e meu queijo ralado, vão andar sempre comigo em minha mochila, em um compartimento especial para carregar temperos, para, quando eu for comer no RU, eu não dependa só do sal e do vinagrete que a Mãe UFRGS me oferece. Agora, só falta eu criar barba e fazer dreadlock, por que fazer ripongagem eu já faço há tempos.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Diálogo Imaginário

Estou bem tranquilo, sentado na frente do meu computador, quando escuto uma voz: "Ei, seu vadio!" A voz parece muito real, tanto, que olho para os lados e pela janela, para ver se havia alguém me chamando. "Aqui dentro, mané!" ela grita outra vez, e eu, espio em baixo da cama para ver se não havia ninguém além de mim no quarto. "Dentro da sua cabeça, animal" vociferou a voz mais uma vez, agora irritada com a minha imbecilidade. Finalmente entendo, e digo para mim mesmo: "hora de tomar gardenal, Andarilho." Com isso, a voz fica ainda mais irritada e diz "GARDENAL É REMÉDIO PRA EPILEPSIA E NÃO UM ANTIPSICÓTICO E NÃO VAI TE FAZER PARAR DE OUVIR VOZES!" Frente à uma lógica tão impecável, sou obrigado a parar de fingir que ela não existe e a escuto.

"O que foi? Alguma coisa errada?" pergunto-lhe da maneira mais cordial que consigo. Nunca antes tinha ouvido vozes, e, apesar de ser algo relativamente preocupante, não me dá permissão de ser mal educado. A voz, contudo, continuou irritada e resmungou "não vai nem perguntar meu nome? Dormi contigo por acaso?" Aturdido, retruquei "por que, se tu é um fragmento da minha imaginação? No final das contas, você sou eu" e fiquei ainda mais aturdido depois disso, por que comecei a pensar nas implicações filosóficas e lingüísticas de "você sou eu". A voz misteriosa continuou o diálogo: "que provas você tem de que eu sou um pedaço da sua imaginação? Eu poderia ser uma idéia implantada telepaticamente na sua mente" Quem ficou impaciente agora fui eu, que perguntei, um tanto rispidamente "foi pra isso que você me chamou a atenção, você que não sou eu?"

"Realmente, não foi" desculpou-se a voz. "Na verdade, vim falar contigo sobre o teu blog, o 'Espadachim Cego'. Por que você não tem atualizado ele?" Sem hesitar, respondi "por que eu tenho mais o que fazer - o estágio está tomando todo o meu tempo". "Então, por que atualizou hoje?", perguntou de novo. "Por que eu quis", repliquei. "Isso não explica absolutamente nada" a voz continuou falando, piorando ainda mais o meu humor "essa tua explicação é uma ficção explanatória, por que considera como causa última do teu comportamento algo que precisa ser explicado contextualmente - no caso, a tua vontade seria um estímulo descriminativo para algum evento ambiental que reforça teu comportamento de escrever posts para o blog". Fiquei irritado "cacete, para uma voz que não é um fragmento da minha imaginação, tu sabe demais dos livros que eu tenho lido." A voz, mais uma vez, responde "telepatia tem suas vantagens, meu caro."

Aquela resposta foi a gota d'água. "OK, agora chega! Eu vou tomar umas cinco gotas de haldol e te fazer sumir da minha cabeça, telepatia ou não!" A voz, agora visivelmente alarmada, continuou falando, tentando me dissudir de tal atitude "mas, mas... EU SOU VOCÊ! Você quer cortar uma parte tão importante de sua vida de uma maneira tão brusca? Quer, quer?" Ainda procurando o vidrinho de haldol, respondi secamente "quero, agora cala a boca e me deixa em paz." Ainda mais alarmada, a voz continuou "mas o haldol não funciona imediatamente. Vai levar alguns dias até que ele atinja concentração suficiente no teu sangue pra fazer efeito. Além disso, é cheio de efeitos colaterais. Tu quer ficar todo torto por causa dos efeitos extrapiramidais? E..." subitamente, a voz parou. Mesmo com o seu silêncio, era óbvio que ela percebera algo que a deixou muito mais assustada. Lentamente, ela voltou a falar "E desde quando tu tem um vidro de haldol em casa?". Nesse momento, respondi triunfante: "o texto pro blog é meu, e nele, o haldol funciona do jeito que eu quero - inclusive existindo em grande quantidade no armário do banheiro, mesmo isso sendo absolutamente irracional de um ponto de vista realista." Tendo dito isso, tomei o vidro inteiro de haldol e a voz, em resposta gritou "Eu voltarei! Minha vingança será maligna" antes de desaparecer completamente, como algum vilão de filme de ficção científica ruim. Então, em paz, eu saí da frente do computador e fui fazer alguma coisa de útil da minha vida ao invés de escrever textos conceituais absolutamente incompreensíveis para o resto da humanidade.

FIM

domingo, 17 de outubro de 2010

Vlog

Aparentemente, está na moda ter um vlog. Pra quem não sabe, "vlog" é a contração de "Video-Log", e é como um blog, só que com vídeos. Por exemplo, se o Espadachim Cego fosse um vlog, ele não teria textos gigantescos tratando de assuntos irrelevantes, mas teria vídeos de dez minutos onde eu pessoalmente falaria de assuntos irrelevantes, como vlogs.

Criar e manter um vlog é ainda mais fácil do que criar e manter um blog, especialmente nos dias de hoje, quando qualquer idiota tem uma câmera digital de 12 megapixels: é só se filmar falando sobre qualquer coisa. Claro, como qualquer coisa desse mundo, a qualidade do conteúdo dos vlogs varia bastante, tanto quanto o da internet em geral. No Brasil, os mais famosos são o PC Siqueira e o Felipe Melo. Ambos tem um estilo bem diferente de "vlogar" - PC Siqueira é espontâneo e fala tudo o que vem na cabeça na hora de gravar, enquanto Felipe Melo obviamente tem um roteiro (e provavelmente dá uma ensaiada na frente do espelho do banheiro). Surpreendentemente, ambos alcançaram um razoável sucesso, e já podem se considerar subcelebridades nas interwebs canarinhas. Há outros exemplos por aí na internet como um todo, especialmente na parte que fala inglês - atualmente, meu favorito é o da Julia Nunes, que canta sozinha e com recursos e efeitos sonoros próprios as músicas favoritas dela, e que fica muito bom mesmo, mas também tem o clássico That Guy With The Glasses, e o infame Red Letter Media, que são sites mais focados em fazer reviews de filmes (usualmente detonando eles da maneira mais violenta possível - tão violento quanto a internet pode ser).

Olhando todos esses exemplos de sucesso, bem como outros exemplos de fracasso, cheguei à uma conclusão: eu posso ter um vlog também. Qual seria o assunto principal desse vlog? Sei lá. Qualquer coisa que me interessasse por mais de 15 segundos. Teria roteiro, script, seria ensaiado? Olha, como bom cientista humano, seria semi-estruturada: começa com alguma coisa ensaiada e depois descamba para a putaria o improviso. Alguém iria olhar? Provavelmente meu pai, que depois de duas semanas ia começar a reclamar que eu não atualizo de chega (tipo o blog). Seria um vlog engraçado? Para algumas pessoas, provavelmente. A única certeza que tenho é que eu ia me divertir fazendo isso. Aliás, já teria feito se soubesse como usar a câmera do meu laptop.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Mochilas, bolsas e outras porcarias que carregam porcarias

Depois de ler o post da Vane sobre como ela prefere mochilas a bolsas femininas, resolvi escrever um texto sobre isso também. Não por que eu não goste de usar bolsas, mas por que tenho o que dizer sobre mochilas, considerando todos os anos de experiência usando diversos tipos de modelos.

Como disse, já usei muitos e muitos tipos de mochilas, inclusive alguns que seriam mais adequadamente classificados como bolsas. As mais clássicas são aquelas que a gente usa para ir pra escola quando pequenos: coloridas, cheias de compartimentos para coisas pequenas e grandes, com um desenho da Mônica e do Cebolinha na parte da frente. A maneira de carregá-las variava conforme a época. Quando eu entrei na primeira série do fundamental, não havia muita frescura: bota no lombo e leva todas as tuas porcarias pra aula. Ou, para ser mais exato, passa as tuas porcarias pros teus pais carregarem, e vai correndo pro pátio brincar com os coleguinhas. Depois, lá pela terceira ou quarta série, começou a moda de mochilas com rodinhas. A explicação por trás delas é que carregar mochilas pesadas nas costas prejudicava o desenvolvimento postural dos pimpolhos, e portanto, levar os materiais escolares em um carrinho de mão seria muito mais saudável. Pessoalmente, eu acho que isso foi invenção de pais cansados de
 carregarem as tranqueiras pelos filhos, que queriam um jeito de não ter que carregar cadernos, livros, lápis e canetinhas (em sua maioria inúteis, por que só usávamos as canetinhas para colorir), ou sofrer menos na hora de carregar.

Não lembro quando parei de usar "mochilas de carrinho", mas lembro que voltei a usar mochilas de botar nos ombros, como também tive um flerte rápido com bolsas do "tipo carteiro". Ela é usada em um só ombro, com uma alça relativamente grande, e, apesar de ser chamada de "bolsa", ela não é feminina. Aliás, ela pode ser bastante máscula.

Apesar da pesquisa no Google indicar o contrário

O problema é que, para carregar os cada vez mais pesados materiais escolares numa bolsa dessas é o que os psicólogos chamam de "pedir pra se foder". Eu fiz isso, e um belo dia, caminhando para a aula, a alça da bolsa se arrebentou sem mais nem menos. Não que fosse algo surpreendente, considerando todos os livros, cadernos e outras porcarias que, apesar de continuarem sendo inúteis mesmo no ensino médio, eu era obrigado a levar todos os dias para a aula. Fiquei um pouco traumatizado com esta experiência, e só voltei a usar esse tipo de bolsa, e a perceber sua utilidade, esse ano, quando viajei para o nordeste. Todos os participantes do Encontro Nacional de Estudantes de Educação Física (ENEEF) ganharam uma capanga, que é basicamente uma bolsa de palgodão cru. Como eu estava lá para fazer turismo e dormir em um lugar barato, ganhei uma também. Apesar de ser bastante bagaceira (vamos e viemos, era só algodão cru), achei ela bastante prática e cômoda para levar minhas coisas, mais até do que a minha mochila. Porém, admito que era uma coisa do contexto - comparado com Porto Alegre e Caxias do Sul, Fortaleza é uma cidade muito mais relaxada e quente, o que torna o ato de carregar mochila algo bastante desconfortável, e torna o uso de capangas muito mais atraente.

Porém, com a exceção desse breve período no nordeste usando capangas, durante todo meu tempo de faculdade, eu só usei mochilas. Aliás, dificilmente consigo sair pra rua sem uma. Atualmente, tenho duas, mas uso realmente uma só, daquelas de carregar notebook. Como a Vane mesmo disse, elas são muito práticas, pois são cheias de divisórias, além de serem espaçosas. Com ela, eu posso carregar tanto meus livros (nunca saia de casa sem pelo menos três - vai que a fila do banco seja especialmente morosa hoje), quanto meus papéis - polígrafos, prontuários e comprovantes autenticados de matrícula - e o eventual pen drive, bem como meu porta escova de dentes. De vez em quando, levo uma muda de roupa, que fica por cima dos livros, mas isso é bem lá de vez em quando.

Por fim, falta falar sobre o último tipo de mochila que uso: a cargueira. Uso esse tipo só quando viajo e tenho que levar minha casa nas costas - várias mudas de roupa, tênis reserva, material de higiene, saco de dormir... enfim, a tranqueirada toda. Elas são muito práticas, entretanto, trazem consigo o pequeno inconveniente de necessitarem re-organização constante, especialmente em viagens longas, para que não machuquem tuas costas com coisas em lugares inadequados (por exemplo, cabo de panela nas costas é bem pouco confortável). E, com elas, a pérola de sabedoria da Vane de "não levar mais de 5kg no lombo" é sumariamente ignorada. No meu último dia na Bolívia, caminhei pelo menos uns 8km por Santa Cruz de la Sierra com uma mochila que eu pensava pesar 15kg, mas que no aeroporto descobri pesar 20kg. Por sorte, já conheço muita gente da Fisioterapia pra futuramente consertar minhas costas. Minha cargueira já tem mais de dez anos, e continua servindo muito bem aos meus propósitos, mas há modelos mais recentes que são realmente muito bons. Nenhuma é no formato do R2D2, mas são legais também.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Crônicas de um Restaurante Universitário

Estou no meu estágio outra vez, e, como como surgiu uma folguinha, decidi escrever aqui no blog outra vez sobre meu assunto favorito: o RU. Eu sei, eu sei, dizer que RU é meu assunto favorito é o mesmo que dizer que o Clodovil era afrescalhado. Tenho a impressão que toda vez que eu digo "oi, vou falar do RU hoje" vocês reagem da mesma maneira aos Testemunhas de Jeová que batem na sua porta e perguntam "posso te falar sobre Jesus?" A diferença entre eu e os Testemunhas de Jeová é que eu não bato na sua porta pra falar do RU (e se eu fizesse, seria por que eu não tomei meu antipsicótico) - na verdade, quem vem ler minhas ridículas opiniões sobre o Restaurante Universitário da UFRGS é você, então eu não sei por que estou me justificando aqui.

Mas, voltando ao assunto, minha opinião é clara: o RU é do caralho. Tudo que se refere à esta instituição, se não me faz ficar feliz por ter vindo estudar em Porto Alegre, pelo menos me faz rir, como o estranho hábito que todo calouro da UFRGS desenvolve de descascar laranjas com colheres. Eu até fiz um trabalho de Antropologia sobre essas coisas! E hoje, mais uma vez caminhando do ambulatório para meu almoço, percebi: o RU me transformou em mais um esquisitão da UFRGS, por que nunca, de maneira alguma, um restaurante em Caxias do Sul, mesmo o RU da UCS me faria achar que andar com um vidro de azeite de oliva e outro de queijo ralado dentro de um pote de sorvete da Kibon de baixo do braço seria algo normal. Mais engraçado ainda, ninguém dentro do RU achou estranho - bom, pelo menos ninguém me abordou e perguntou "ô amigo, que porra é essa?", o que já é sinal de alguma coisa.

Outra coisa que me chamou a atenção hoje foi a fila: não havia uma. Quero dizer, havia uma sim, mas nada que se compare com as monstruosidades que já vi por aqui ainda esse ano. Com a reforma e a expansão do RU aqui do Vale, não é mais necessário esperar 40 minutos na fila para poder comer o feijão com arroz mais maravilhoso do mundo - hoje fiquei menos de 5 minutos, isso considerando toda a embananação que me deu ficar segurando o pote de sorvete da Kibon. Contudo, apesar de ficar maravilhado com isso, não pude deixar de notar que o bandejão estava funcionando no limite de sua capacidade. Como nos meus tempos de bixo no Campus Saúde, era plenamente possível encontrar lugar para todo mundo se servindo, mesmo estando todas as cadeiras ocupadas, por que o fluxo de clientes é ágil o suficiente para que as pessoas se sirvam, sentem, comam e vão embora, deixando seus lugares para os que chegam depois.

Esse é um equilíbrio delicado, especialmente se considerarmos a época em que vivemos. Agora, eu posso ir almoçar às 12:30 e não ficar com cãimbra de esperar em pé, mas cada começo de semestre pode jogar tudo isso pelos ares. Logo depois que virei veterano, criei o saudável hábito de, no início de cada semestre, passar do lado da fila do RU usando a roupa que mais me deixasse com cara de mendigo louco, fazendo cara feia e dizendo "malditos bixos" e algumas ameaças, para ver se a fila diminuía mais rapidamente. Mas aquela era uma época mais simples, quando o REUNI não existia, e a possibilidade de um curso novo brotar da terra era inexistente. Agora, todo ano, somos confrontados com o risco de alguma unidade criar uma graduação nova, como Massagem Erótica, que, além de roubar mercado da Fisioterapia, atravanca a fila do RU com mais bixos e mais pessoas comendo no RU. São tempos difíceis.

Outra coisa difícil são as prefeituras dos campi, e as decisões que elas tomam. Por exemplo, esses dias, voltando para casa, tomei um atalho e passei do lado do RU da Saúde. Descobri então que colocaram uma grade em volta do restaurante. Por que? Não faço a menor idéia, mas eu acho que é para atrapalhar todo mundo, por que a entrada agora só pode ser feita por um lado da rua, e justamente o lado mais difícil.

Por fim, por que eu escrevi esse post? Por nenhum outro motivo além de que o RU é, realmente, do caralho, e merece mais um post aqui para atestar isso.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Ginástica Artística Aplicada à Linguagem

Hoje apareceu um comentário anônimo num post meu falando sobre uma gíria portoalegrense, dizendo que curtiu o texto, e que eu deveria escrever mais textos sobre outras expressões idiomáticas utilizadas por aqui. Apesar de ter gostado das sugestões, fiquei com vontade de escrever um pequeno post sobre uma expressão que nasceu faz pouco tempo, provavelmente vai ser esquecida pelo público em três dias, mas que eu achei o máximo e vou utilizar quando encontrar o contexto apropriado: Salto Triplo Carpado Hermenêutico.

Estava eu no twitter, tocando minha vida como de costume, quando olho os Trending Topics Brazil, os assuntos que estão bombando nos tuíteres tupiniquins, e vejo essa frase. Obviamente, me assustei, por que a palavra "Hermenêutica" só pode ser utilizada em duas situações: 1) em um contexto acadêmico, discutindo a relevância da obra fenomenológica-existencial de Merleau-Ponty para a filosofia contemporânea e 2) quando um assassino profissional aponta uma arma para sua cara e pergunta quais são as suas últimas palavras, e você tenta enrolar ele para te manter vivo. Como eu considero discussão de Merleau-Ponty o equivalente intelectual de um apocalipse zumbi, as duas situações supracitadas são de vida ou de morte - hermenêutica não é uma palavra que se usa assim, como quem fala cu.

Então, fui procurar no Google essa expressão no Google, para descobrir se ela surgiu de algo que apareceu na mídia, ou foi alguma campanha viral para promover a nova edição de "Fenomenologia da Percepção", ou um meme criado por algum intelectual entediado como eu. E eis que, pela primeira vez em muito tempo, a realidade é mais satisfatória que a ficção: encontrei esse link aqui explicando tudo. Não vou ficar resumindo a notícia pra vocês por que ela é bem curtinha, e vou dizer só o seguinte - é mais genial do que eu imaginava. Por isso, acho uma pena que essa expressão, ao contrário de bestialidades como "né brinquedo, não!", "óia a faca!" ou qualquer outra coisa que o Zorra Total tenha produzido em seus dez anos de existência, não vire um meme em seu pleno direito, e se torne parte de nosso vocabulário, nem que seja por um mês apenas.

Assim sendo, concluo, através de um Salto Triplo Carpado Hermenêutico, que nós devemos divulgar essa expressão por todo o Brasil, mesmo que ninguém entenda o que ela significa.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Copa do Mundo II

Brasil perdeu o jogo contra a Holanda. Por um lado, isso é triste, mas, por outro, isso faz com que meu time preferido de todos os tempos deste ano fique mais próximo de ganhar o copa.

FORÇA PARAGUAI!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Quando o Semestre Acabar...

... Eu vou ter um volume obsceno de tempo livre, e não vou saber o que fazer com ele. Prevendo este problema, aqui vai uma lista das coisas que eu pretendo fazer com meu superávit de coçação de saco:

1) Assistir "Tropa de Elite" e "Cidade de Deus";
2) Fazer uma maratona de "Star Wars" e "Star Trek";
3) Ir para o Encontro Nacional de Estudantes de Enfermagem;
4) Ir para o Encontro Nacional de Estudantes de Psicologia;
5) Ler "The Once and Future King";
6) Ler mais Jung, Adler e Freud;
7) Ir mais vezes na Redenção;
8) Ir no Gasômetro perder meu tempo;
9) Ir no Fantaspoa;
10) Comer pastel na Venâncio Aires;
11) Treinar Kung Fu com mais calma;
12) Chamar amigos para ver filmes e comer porcarias;
13) Ler mais sobre Desenvolvimento Humano;
14) Assistir "De Volta para o Futuro";

terça-feira, 29 de junho de 2010

Psicopatologia da Vida Cotidiana no RU

Comi no RU hoje. De novo. Nessas alturas do campeonato, isso não é novidade pra mais ninguém, principalmente pra tia do RU, que me avisa qual caixa eu devo me dirigir. Também não é novidade para ninguém o quanto eu gosto do pudim do RU. Todo mundo que lê esse blog sabe que isso que eu chamo de "pudim" na verdade é uma pasta cremosa, colorida, doce e gostosa, e que eu fico muito feliz quando tem isso no cardápio do dia. Agora, uma coisa que pouca gente sabe é que, quando tem pudim no RU, eu também fico paranóico. Basicamente, meu medo é: se eu deixar minha bandeja aqui e for buscar meu suco (ou água, como tem sido bastante freqüente aqui no Campus do Vale), será que alguma dessas pessoas aqui sentadas não vão meter a colher na minha sobremesa? Eu deixo minha bandeja, vou até o lugar onde se pega o suco, mas vou e volto pensando nisso, tanto que inspeciono atentamente a massa açucarada que há na minha bandeja, para ver se não há marcas de colheres alheias, ou uma diminuição no volume total de gostosura.

Outra coisa que me deixa paranóico em dia de pudim: será que eu ganhei menos pudim que os outros? Eu olho atentamente enquanto a funcionária do RU coloca a minha porção do dia, e depois, comparo com o que os outros freqüentadores do estabelecimento ganharam. Geralmente, acho que ganhei a mesma quantidade, fico feliz e esqueço disso. Entretanto, se desconfio que alguém foi mais abençoado que eu, ou a média da população, fico "cabreiro", como diria o bom e velho Boça. Fico pensando em perseguir esta pessoa, descobrir o que há de especial nela, o que ela faz para merecer tamanha graça, enfim, tento responder a pergunta "PORQUE NÃO EU? PORQUE? Ó SUPREMA INJUSTIÇA!"

...


Exceto nos dias em que eu sou agraciado com uma dose levemente maior do que os demais. Nesses dias, eu gosto de imaginar que alguém que passou do meu lado, olhou para a minha bandeja e pensou "esse cara deve ser especial pra ganhar tanto pudim assim".

No ajojo

Vindo morar em Porto Alegre, eu acabei mudando minha maneira de falar. Claro, não cheguei a adotar completamente o sotaque do Bom Fim, que é ali do lado da minha casa, nem abandonei por completo meu sotaque de gringo da Serra, tanto que largo um "poca voya", "brodo", o clássico "porco ziuna" e o inconfundível "pede pra fulano se não é verdade. Aprendi, no entanto, uma série de termos novos, que creio serem utilizados somente aqui, na Capital.

O primeiro termo foi "teto". Para qualquer outro cidadão desse país, teto é aquela parte da casa que fica sobre sua cabeça. Para o portoalegrense, "teto" também é uma divagação mental, uma "viagem". "Bah meu, tava aqui tetiando sobre ir morar no Canadá e me prostituir pra ganhar a vida" é um exemplo do termo utilizado como verbo. "Teto Véio Loco" é uma maneira particularmente engraçada e enfática de dizer que uma divagação é mais fora do normal que... o normal.

Há também a palavra... OK, talvez eu não tenha aprendido tantas palavras novas assim aqui em Porto Alegre, mas eu queria dar uma enrolada antes de falar da gíria "Ajojo". Para ser sincero, não sei se eu já não conhecia essa aberração gramatical antes de vir morar aqui. Porém, sei que só comecei a dar valor para seu uso por aqui, quando percebi que dizer "tô ajojado" é uma maneira bem descritiva de dizer "estou me sentindo ao mesmo tempo cansado, retardado e incapaz de realizar qualquer tarefa mais complicada que bater com a cara na mesa." Além disso, "ajojado" é engraçado como aquelas palavras que seu afiliado de 3 anos fala na ceia de Natal - quando ele diz é bonitinho, quando você diz, é mongo. Eu me divirto com esse tipo de situação. Prefiro que as pessoas pensem que eu tenho algum tipo de déficit cognitivo, e que eu seria incapaz de escrever meu nome sem trocar alguma letra de lugar.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Sociologia da Copa do Mundo

Neste exato momento, eu deveria estar borrando minhas calças de preocupação por  causa do meu trabalho de Introdução à Sociologia, que apresento hoje à noite e ainda não está totalmente pronto. Entretanto, como eu sou um indivíduo bastante tranqüilo, e como o trabalho vai bem, obrigado, decidi falar de Sociologia em outra área: Copa do Mundo.

Copa do Mundo é um prato cheio pra chamar o brasileiro de alienado, por que é só nessa época que ele se mostra patriota para alguma coisa, e ignora todas as notícias que não contenham a palavra "futebol". O Kibe Loco postou um comentário da notícia que o Judiciário está tentando passar um reajuste de salário para seus funcionários que de tão alto é inconstitucional. Eu poderia falar sobre isso, e sobre milhares de outras coisas que estão acontecendo de ruim no Brasil, mas prefiro falar sobre o esporte mesmo.

Este ano, não estou dando muita bola para a Copa, pelo menos se comparado com as copas anteriores. Em 1994, eu era pequeno demais para entender que diabos estava acontecendo, mas acompanhei os jogos mesmo assim por que todo mundo estava, inclusive as professoras da minha creche, que arranjaram uma TV e nos botaram para torcer pelo Brasil contra a Suécia (o que foi bem confuso, para ser sincero, por que o Brasil estava com o uniforme reserva, que é azul, e a Suécia estava com um uniforme amarelo - o que é demais para a cabeça de um menino de 5 anos compreender). Devo ter visto a final contra a Itália, porém não lembro nada a respeito dela.

Em 1998, a coisa foi bem diferente. Com dez anos, os neurônios responsáveis por jogar futebol já tinham atingido o zênite de seu desenvolvimento e eu era um perna de pau consumado. Ainda assim, acompanhei a Copa na França com paixão, assistindo todos os jogos do Brasil, preenchendo as tabelas de resultado num encarte da Veja e sendo 100% brasileiro em época de copa. Lembro até hoje que foi o Brasil quem abriu o evento, numa partida meio xexelenta contra a Escócia, que teve gol contra e frescurite generalizada. Eu fiquei esperando os escoceses entrassem em campo com os rostos pintados de azul, levantassem seus kilts e mostrassem suas partes púbicas para a torcida canarinho, e ganhassem a partida só na base da humilhação moral. Infelizmente, isto não aconteceu.

Ele deveria ter sido técnico da Escócia.

Lembro-me também da deprimente final contra a França, quando o time brasileiro tomou 3 gols de uma seleção que parecia ganhar os jogos só por que estava em casa (mas aposto que se eles tivessem encarado a Alemanha, teriam perdido por W.O.), do Ronaldo Fenômeno, ainda no auge da forma física, ficar fazendo merda em campo e todas as discussões que eu tive com a professora de português sobre como os resultados para a França ganhar serem tudo "cartas marcadas". Outra coisa que eu nunca esqueci foi a humilhação de ter que aguentar os franceses poderem tirar com a nossa cara por causa do 3X0, e desde então, sempre fiquei muito feliz quando a seleção da França perdia qualquer coisa, mesmo que fosse campeonato de cuspe à distância, e ficava ainda mais feliz quando eram derrotados por uma diferença de 3 ou mais pontos (múltiplos de 3 contam).

Em 2002, a coisa foi mais complicada. Não me lembro de ter assistido todos os jogos, por causa do fuso horário infeliz - afinal de contas, a Copa estava sendo realizada no Japão e na Coréia do Sul, que ficam do outro lado do mundo. Em algum momento, contudo, eu fiz parte da infame "Torcida Coruja" da RBS, e fiquei acordado até às 3 da manhã, empoleirado do lado da TV assistindo qualquer jogo que fosse. O mais marcante dessa copa foi o sentimento de que já tínhamos perdido, antes mesmo dela começar.

O Brasil só se classificou à muito custo, enquanto a Argentina tinha detonado nas Classificatórias, e por isso, tudo referente à nossa seleção era alvo de críticas, principalmente as escolhas do técnico Felipão, que se recusara a chamar Romário para compor a equipe. Já nessa época eu comecei a desenvolver um certo asco daqueles quadros da Globo onde um repórter vai para a rua perguntar qual seria a seleção perfeita, e ver um monte de Zé Ninguém falar como se soubesse mais do assunto do que quem está envolvido com a preparação técnica dos jogadores. Ainda assim, esta foi uma copa muito, muito feliz. Depois de um começo duvidoso, enfrentando times de pouco brilho como China, Turquia e Costa Rica, o Brasil foi avançando, ganhando partidas e confiança, até chegar na final e ter sua vez de entufar uma seleção européia. Infelizmente, não foi a França, e sim a Alemanha, que naquela copa tinha o melhor goleiro de todos, Oliver Kahn.



Kahn, se me lembro bem, só tinha levado 1 gol, em toda a copa, e chegou a dizer que, "jogador boml é aquele que marca quando ELE está na goleira". Tubarão morre pela boca, e a Alemanha perdeu a final de 2002 por 2 a zero. Foi lindo, e tudo ficou mais lindo por que a França, que começou a Copa já se achando campeã, foi desclassificada ainda na primeira fase. Me senti vingado. BRASIL-SIL-SIL! Uma última coisa sobre a Copa do Japão e Coréia. Apesar da Turquia ser um time pouco representativo no futebol mundial, sua seleção jogou muito naquele ano. Na primeira fase, os turcos perderam para os brasileiros por questão de detalhe - aquele tipo de detalhe que vai parar na justiça esportiva por aqui. Porém, como bons inimigos valorosos que os turcos são, eles também se classificaram para as oitavas de final, e nos confrontaram outra vez nas semifinais. Eles foram com sangue nas ventas, querendo vingança pela injusta derrota sofrida. Perderam de novo, mas desta vez não houve dúvida: o Brasil mereceu ganhar.

Enfim, 2002 foi um ótimo ano para ser patriota: Brasil pentacampeão, derrotamos a Alemanha e a França tomou na bunda. 2006 na Alemanha ia ser lindo também, não é? Bem, não foi. Desta vez, foi o Brasil quem entrou de salto alto em campo, e fomos desclassificados nas quartas de final. E, injúria das injúrias, contra os franceses, outra vez! Lembro que tinha recém voltado dos EUA, e estava um pouco indiferente à copa, mas acompanhei pelo menos o jogo contra a França, e, quando ela ganhou, eu torci contra ela pelo resto do mundial. Só fiquei um pouco em dúvida em torcer contra ela na final contra a Itália por que, se a Itália ganhasse, ela seria tetracampeã, e ficaria mais próxima do Brasil em termos de conquistas. Felizmente, Zidane e Materazzi me fizeram esquecer esses detalhes, e nos deram este lindo meme da Cabeçada no Plexo Solar, e eu pude esquecer os detalhes irrelevantes como, quem ganhou a copa.

K.O.!

A derrota em 1998 foi triste, mas não vergonhosa. O mesmo não pode ser dito de 2006. Os jogadores do Brasil se portaram mal durante a copa, jogaram de salto alto e pareciam não se importar em terem perdido ou não. Parreira, então o técnico, que começou a copa com a bola toda, terminou demitido e desmoralizado. Aliás, todo mundo que integrou a seleção em 2006 saiu assim, e não sei de ninguém que conseguiu sair dessa fossa depois.

Exceto o Ronaldo.

OK, falei de todas as minhas copas. Falta a de agora. Bem, é a primeira copa do mundo que ocorre na África, e é a primeira que eu não vi um jogo sequer do Brasil. Sim, eu escutei as vuvuzelas (que pra mim nunca deixarão de ser cornetas), os foguetes, as comemorações dos vizinhos, as pessoas torcendo no Bar do Antônio por algum time obscuro, mas até agora, em nenhum momento eu me prestei a ligar a televisão e ver como a Esquadra Canarinho está se saíndo. O que eu me dei o trabalho de fazer, no entanto, foi o de olhar de tempos em tempos a tabela de resultados no Google. Estou muito feliz com os resultados, por que:

1) França foi desclassificada na primeira fase. De novo.
2) A Itália foi desclassificada na primeira fase. Também.
3) Muitos times sul-americanos se classificaram para as oitavas de final.
4) Muitos times que nunca ganharam copas do mundo se classificaram, como Portugal e Espanha.
5) França foi desclassificada na primeira fase. De novo.
6) Brasil se classificou antecipadamente para a próxima fase.
7) Dunga está mostrando para a Rede Globo quem é que manda. Ele vai se ferrar, mas o que conta é a intenção.
8) Já falei que a França foi desclassificada na primeira fase de novo?

A Alemanha se classificou, e pode ganhar outra copa do mundo e voltar a se igualar à Itália (que foi desclassificada, também, como a França), mas penso que nesta copa teremos resultados diferentes. Gostaria de ver uma seleção diferente ganhar a Copa, e parece que este ano temos uma alta probabilidade disto acontecer.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Só para constar

Eu sei que tem gente por aqui que não gosta quando eu começo a falar de números, por que números são chatos e quando eu falo de números eu sou chato. Ainda assim, eu gostaria de informar-lhes que hoje o "Espadachim Cego" atingiu a marca de 5000 visitas. Fiquei um pouco impressionado com isto. 5000 não é um número tão alto assim para um blog, mas não deixa de ser para mim, que mal e parcamente divulgo isso aqui, e gostaria de comemorar de alguma maneira. Obrigado a todos que lêem isso aqui e deixam seus comentários de vez em quando. É bom poder trocar idéias com vocês. E por hoje é isso.

sábado, 12 de junho de 2010

Meu Dia em Imagens

Hoje, sábado, 12 de junho, é Dia dos Namorados. Neste exato momento, pelo menos cinco casais apaixonados se beijaram em Gramado, três trocaram presentes e quatro fizeram sexo em lugares públicos. Eu, por estar solteiro, não fiz nenhuma dessas coisas, por que eu estou no meu estágio, esperando os pacientes da tarde chegarem. Pois é, comecei a trabalhar no sábado de tarde também. Como vocês podem perceber, este é um assunto transbordando de drama, e, como vocês bem sabem, eu poderia escrever páginas e páginas de imbecilidades sobre este drama inócuo, mas hoje decidi adotar uma abordagem diferente. Ao invés de descrever detalhadamente tudo o que penso ser ridículo na situação de hoje, eu vou postar uma foto que, na minha opinião, resume tudo:


Feliz Dia dos Namorados para quem tem um(a). Para quem não tem, espero que vocês tenham algo melhor que livros, bergamotas e twitters para se entreter.