sexta-feira, 19 de março de 2010
Vida Dura (Parte 27)
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Pure and Simple Inane Banter
domingo, 20 de setembro de 2009
Revolução Farroupilha

sábado, 19 de setembro de 2009
Vida Dura (Parte 26)
* A BusTV conta com o apoio integral de instituições públicas e governamentais.
* A mensagem chegará de forma completa, sem interferência, sem efeito zapping.
* Atua em momento de pouca dispersão do usuário, o que permitirá maior fixação de seu produto na mente de seu consumidor.
* Entretenimento durante o tempo do percurso tornando a viagem mais agradável causando a sensação de menor tempo gasto.
* Fonte de informações úteis sobre assuntos de interesse público.
* Melhoria de visão que o usuário tem do transporte coletivo.
* Fidelização do usuário a uma programação atrativa procurando o seu bem estar psicológico.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
A Metade do Caminho
Também atingi um outro marco que não considero tão positivo: na hora de escolher quais eletivas cursar este semestre, percebi que nenhuma das alternativas a mim oferecidas realmente me satisfazia. Já faz algum tempo que curso as disciplinas obrigatórias mais por obrigação do que por desejo, mas as eletivas, as que eu posso escolher livremente, sempre foram o porto seguro para onde eu ia quando discussões inúteis e trabalhos ridículos me faziam pensar seriamente se queria mesmo ser psicólogo. Admito que em semestres passados sofri decepções com algumas eletivas, mas o conjunto delas sempre me foi muito satisfatório. Agora, pela primeira vez, escolho minhas eletivas de acordo com o princípio do "menos pior". Com a exceção da cadeira de Fenomenologia e Cognição (na qual não posso me matricular por que ela é uma daquelas "Tópicos em Psicologia"), só achei minimamente atraentes as disciplinas oferecidas pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, como Introdução à Sociologia e Introdução ao Pensamento Filosófico. E dessas, só vou poder fazer a última, pois a primeira ocorre no mesmo horário que uma das minhas obrigatórias (e que me levou a considerar seriamente a possibilidade de não fazer a obrigatória).
Não acho que isto fará do sexto semestre tão ruim assim, pois ainda tenho os estágios para me consolar, mas certamente as aulas, que já estavam muito chatas, vão ficar ainda mais, e eu já não sei se eu quero me formar logo ou não.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Paciência
Não quero sair de aula nem dormir pois são estratégias ineficientes, pois posso perder informações importantes, e ainda queimar meu filme com o professor. Oh sim, já aconteceu anteriormente. Mas prestar atenção, pegar meu caderno e ficar escrevendo o que o PhD fica dizendo na frente do quadro negro não é uma opção digna. Tive que optar por um meio termo.
Já aprendi que, se não ficar fazendo alguma coisa, eu lentamente curvarei minhas costas, até que minha cabeça alcance a carteira e eu caia em sono profundo. Na primeira aula da semana, Ética, eu fiquei desenhando. Rabiscos aleatórios. Na segunda aula, Avaliação Psicológica, não tinha nada em mãos para me distrair, então fiquei balançando meu corpo para a frente e para trás, como um bom autista faria. Hoje, fiquei fazendo caligrafia com a mão esquerda. Escrevi todas as letras do alfabeto ad nauseam e alguns números. Sinceramente, acredito que até o final do semestre serei um exímio desenhista ambidestro.
Provavelmente serei abusado verbalmente por causa deste post, e serei chamado de "desrespeitoso", "inconseqüente" e "vagabundo". Mas em minha defesa, digo que estou em aula e ouvindo o que a professora diz. Apenas não dou a menor importância. De agora em diante, aulas obrigatórias são exercícios de paciência onde escuto recados.
sábado, 26 de julho de 2008
Vida Dura (Parte 17)
Boteco que é boteco não tem boteco no nome: é bar, lanchonete ou, no pior dos casos, restaurante. Quem coloca "boteco" no nome do lugar é por que quer dar um ar de chinelagem. Ou fingir que dá um ar de chinelagem. Imagine uma conversa entre um casal de classe média alta, sobre onde eles vão comer:
- Amor, hoje é sexta-feira. Vamos ficar em casa assistindo o DVD de Friends pela quinta vez ou vamos sair?
- Também não agüento mais essa porra. Ouvi dizer que abriu um restaurante novo na Lima e Silva, boteco Dona Neusa. Quer ir lá?
- NOOOOOOSSA! Eu sempre quis comer em um boteco de verdade! Vamos agora!
Na frente do tal "boteco", havia uma placa dizendo "venha comer a verdadeira comida de boteco!", escrita com giz numa lousa verde, para dar mais autenticidade para a coisa toda. Mas o que seria a "verdadeira comida de boteco"? PF de feijão com arroz? Batatinha frita? Calabresinha frita? Não. A verdadeira comida de boteco é definida por uma só palavra: sujeira. Aliás, toda a experiência boteco é definida por um monte de sujeira, em todos os cantos, inclusive e especialmente na SUA comida.
O botecão true é aquele mal iluminado, fedendo a cigarro, com mesas tortas de sinuca, com um bêbado de lei que bate ponto todo dia às duas da tarde pra beber até às duas da manhã. Ali, você vê baratas dançando e copulando na frente de todos, e ratos competindo por espaço com elas. Seu Jucão, ex-pedreiro e amasiado com um travesti, é o dono do recinto e o único que anota os pedidos. Ele anda sempre com um palito de dentes na boca, e se não vai com sua cara, manda Pedrinho, o moleque que quebra galho na cozinha, esfregar o pão do seu sanduíche nos próprios testículos.
O boteco de verdade não é aquele da Dona Neusa, com piso branco e limpo, garçons uniformizados esperando para anotar seu pedido. Não. Botecos são a quintessência da sordidez humana. Um lugar onde nosso querido casal nunca se atreveria a entrar.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Missão Matrícula
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Eu quero que o dia do amigo vá pro inferno
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Minhas Aulas na Faculdade (Parte 7)
Agora que o semestre letivo finalmente acabou, posso fazer minha avaliação pessoal das diversas aulas que tive.
Terceiro Semestre
Estatística Aplicada à Psicologia – Obrigatória
Review:
Provavelmente a cadeira mais sofrida de todo o semestre, e só passei por um milagre na última prova (e por que estudei feito um condenado à morte). Admito que meu interesse não foi dos maiores, e que poderia ter feito um trabalho muito melhor, mas a didática do primeiro professor foi fraquíssima, e tudo que aprendi foi como interpretar tabelas estatísticas em artigos científicos. É realmente útil, mas não precisava ter feito uma disciplina inteira só para isso.
Método de Avaliação:
Duas provas, duas recuperações. Não tinha motivo para ser diferente, já que o conteúdo é bem objetivo, apesar de alienígena à Psicologia (falei certa vez que, se fossemos fazer uma avaliação “psi”, teríamos que escrever uma redação falando sobre nossos sentimentos em relação à Estatística). Foi justo, apesar de pouco agradável.
Processos Grupais I – Obrigatória
Review:
Eis uma disciplina ambígua: foi ao mesmo tempo extremamente estimulante e frustrante. Explico. Todo o processo de observar por cinco semanas consecutivas um grupo externo à faculdade e de discutir a teoria e nossa própria turma nos encontros que tínhamos toda sexta-feira na faculdade foi muito instrutivo e interessante, além de possibilitar que criássemos vínculos ainda mais fortes entre nós. Contudo, o professor muitas vezes foi arrogante, jogando todo seu “saber” em cima de nós, estudantes. Os monitores da cadeira não ficavam para trás, e toda vez que o professor humilhava alguém publicamente sem nenhum motivo aparente, eles não hesitavam em justificar o porquê. Não posso generalizar e dizer isso sobre todos os monitores, mas alguns são tão fiéis que dá para chamá-los de “coroinhas de Pichon-Riviere” e dizer que aquilo não é um grupo acadêmico, mas um culto. Foi uma experiência interessante, mas estou realmente feliz que tenha acabado e que não vou precisar repeti-la ano que vem.
Método de Avaliação:
Tivemos que entregar 5 relatórios e um trabalho final que resumisse tudo e se aprofundasse em um ponto específico, além de sermos avaliados por nossa participação em aula. Quanto a minha participação em aula, não posso reclamar da avaliação, pois os critérios foram claros e não deixaram espaço para ambigüidades. Contudo, acho que fui prejudicado na avaliação dos relatórios e dos trabalhos por ser mais criativo que os macaquinhos que os corrigiram, e não ficar citando Bion ou Lapassade para cada vírgula digitada. Tirei C, mas acho que não tirei A por que não tentei agradar ninguém – fui sincero sempre. E antes que comece a falar das outras disciplinas, tenho que dizer que os monitores e o professor são péssimos psicólogos (apesar do professor ser assistente social). A análise que fizeram da minha implicação na cadeira foi simplesmente imbecil.
Processos Institucionais – Obrigatória
Review:
Retiro (quase) tudo o que disse sobre esta disciplina anteriormente. Ao contrário do que esperava, não foi meramente Psicologia Social III, mas algo maior, melhor e mais interessante, e o assunto é realmente fascinante. Infelizmente, por causa de outras cadeiras, acabei negligenciando Processos Institucionais, mas estou realmente interessado em aprender mais sobre certos aspectos da Análise Institucional, o assunto abordado.
Método de Avaliação:
Duas provas e dois trabalhos. Fiquei realmente irritado com as provas. É patético ler um monte de textos falando sobre o caráter opressivo das escolas e faculdades, que forçam os estudantes a estudarem demais para provas e a se “sobreimplicarem” no sistema e ter que fazer uma prova a respeito disso! A coerência foi para o ralo em detrimento da conveniência.
Psicopatologia I – Obrigatória
Review:
Sabe, não tenho do que reclamar de Psicopatologia I – tínhamos dois créditos semanais reservados exclusivamente para leitura, e os outros dois créditos também! A professora nos deu total liberdade para fazermos o que queríamos com nosso tempo, e eu realmente gostei disso. No geral, foi uma disciplina sem conteúdo. Parecia que a professora ia escolhendo o que ia falar em aula de acordo com clima da semana. Desnecessário dizer que não prestei atenção em nada. Uma disciplina legal por ser um recreio de leitura.
Método de Avaliação:
Dois trabalhos, um curtinho no início e um maior para o final, e ambos foram mandados pela internet, postados num fórum e numa Wiki. Gostei desta metodologia por que, de novo, nos dá maior liberdade de movimentação e escolha. Só tenho uma reclamação por fazer, que é o pouco caso feito com os prazos de entrega. Admito que me beneficiei disto quando entreguei o trabalho final com dois dias de atraso, mas avisei a professora e justifiquei meus motivos.
Seminário de Pesquisa em Psicologia – Obrigatória
Review:
Sem rodeios: a porra mais inútil do semestre. O sistema de ter palestras com pessoas diferentes sobre assuntos que normalmente não veríamos em aula é muito interessante e enriquecedor, mas os relatórios foram um balde de água fria no nosso interesse, e logo que começava a aula, estávamos fazendo perguntas imbecis para que nossos relatórios ficassem bonitinhos.
Método de Avaliação:
Tivemos que entregar nove relatórios, das doze palestras que assistimos, além de fazer uma breve apresentação da linha de pesquisa em que estamos inseridos (ou que nos interesse). Isto foi um verdadeiro estupro. Não melhorou em nada a situação um dos professores dizer com todas as letras no meio do semestre que não lera nenhum dos relatórios entregues, e pedir para que escrevêssemos apenas uma página por relatório. Mas posso garantir que alguém leu os relatórios e os corrigiu de forma decente.
Teorias da Personalidade – Obrigatória
Review:
Assunto interessante, aulas mal dadas. Simples assim. O mais notável foram as complicações que tivemos com as avaliações.
Método de Avaliação:
Dois trabalhos e quatro provas. No meu caso, apenas três provas, considerando que tirei mais de 9 na terceira, mas ainda assim provas demais. As provas eram fáceis, mas cansa ter que direcionar os estudos tantas vezes para a mesma disciplina. Isso aqui não é engenharia pra gente ficar se ferrando com prova em cima de prova. Além disso, uma das provas foi dada com um descaso que não imaginava ser possível. Os trabalhos foram só apresentações power point, primeiro sobre os teóricos da psicanálise e depois sobre transtornos de personalidade. Aprendi mais lendo os livros do que olhando as apresentações.
Psicologia Humanista – Eletiva
Review:
Melhor disciplina do semestre, empatada com Terapia Cognitivo-Comportamental. Como a turma era pequena, foi possível fazer discussões legais sem monopolizar e excluir os demais. Tá certo que eu era o que mais corria o risco de fazer isso, mas eu me policiei para não falar demais em aula. Apesar da professora ter achado uma experiência frustrante convidar palestrantes por causa dos atrasos e cancelamentos em cima da hora, tivemos excelentes aulas com professores convidados.
Método de Avaliação:
Participação em aula, um trabalho final e uma auto-avaliação. O trabalho foi entrevistar um psicólogo humanista e perguntar sobre seu trabalho, sua vida e essas coisas. Pode parecer bobo, mas é realmente instrutivo fazer isso. Pensei até mesmo em entrevistar profissionais de outras linhas teóricas, mas considerando o trabalho que dá transcrever as gravações, vou deixar isso para quando eu tiver um bolsista sendo pago pra fazer esse tipo de trabalho pra mim. A auto-avaliação é uma coisa extremamente “psi”, e quando falo “psi”, é com certo sarcasmo e desprezo, mas foi extremamente congruente com a proposta da disciplina.
Terapia Cognitivo-Comportamental
Review:
Como disse acima, melhor disciplina do semestre. O assunto é muito do meu interesse, e as aulas foram bem dadas. Creio que aprendi muito com as aulas e com as leituras. Não há muito o que dizer, exceto que foi uma excelente experiência.
Método de avaliação:
Costumo dizer que TCC não é Psicologia, justamente por que é interessante e bom. E por não ser Psicologia, não me importei em fazer duas provas. Tivemos que fazer dois trabalhos também, mas de caráter secundário e vinculados diretamente à prova. Foi justo.
Avaliação global
De maneira geral, o terceiro semestre foi o pior de todos os semestres até agora. Obviamente não cursei tantos semestres assim para poder ser verdadeiramente categórico, mas posso dizer que o segundo semestre, quando cursei 9 cadeiras, foi mais fácil que o terceiro semestre, em que cursei apenas 8. Desde o tempo da escola existe uma diferenciação entre um certo período do outro, um certo consenso sobre qual época é mais difícil. Não sei como serão os próximos semestres, mas no momento, o título de “semestre mais ferrado da faculdade de psicologia” vai para o terceiro.
E no sexto post da série “Minhas Aulas na Faculdade”, disse que faria um post sobre três disciplinas que não estava cursando, mas que me interessavam. Não escrevi este post por ter muitas outras coisas mais importantes para fazer, e por não ter tantas informações disponíveis para falar com propriedade delas. Para ser franco, ainda não tenho, pois sei apenas o que me falaram e o que pude inferir. Ainda assim, aqui vai:
Introdução à Esquizoanálise
View:
Tinha muito interesse em fazer esta disciplina, mas por causa dos horários e principalmente por causa de uma professora, desisti. E pelo o que ouvi dizer, foi uma decisão acertada, já que as aulas foram ruins.
Bioquímica Aplicada à Psicologia
View:
Cheguei a me matricular para esta disciplina, e meu nome apareceu na lista de presenças nas duas primeiras aulas, mas por causa de um conflito de horários, fiz um reajuste de matrícula e troquei por Psicologia Humanista. Foi uma decisão acertada, considerando quanto eu gostei de Humanismo, mas não foi sem uma ponta de remorso que fiz isto. Bioquímica é uma disciplina neurocientífica, área que muito me atrai. No final do semestre, vi o pessoal indo na biblioteca pegar livros de Neurociências para o trabalho final da cadeira. Além disso, quem fez elogiou horrores. Infelizmente, vou ter que esperar o primeiro semestre do ano que vem para poder cursá-la. Mas certamente irei.
Sistemas de Classificação dos Transtornos Mentais
View:
Segundo o Marcelo, é uma “aula sobre o DSM e a CID”, e dá para aprender tudo o que se precisa saber sobre estes dois sistemas meramente lendo-os. Já li o DSM-IV-TR, e me vejo obrigado a concordar com o meu veterano. Ainda assim, pelo o que pude inferir desta cadeira, ela também apresenta uma alternativa à Psicopatologia psicanalítica ensinada no Instituto. Da mesma forma que Bioquímica, vou ter esperar um ano antes de cursá-la.
No próximo post, minhas expectativas sobre o quarto semestre.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
O Ataque do Grammar Nazi
Já disse anteriormente que sou um Grammar Nazi. Essa afirmação continua verdadeira. Neste post mais antigo, critiquei mais a falta de cuidado com a pontuação por parte de blogueiros e internautas em geral. Desta vez, quero reclamar de outra atrocidade: a falta de clareza.
Quando escrevo um texto, faço o possível que seja compreensível. Se não quero ser compreendido, faço um flog onde coloco minhas fotos chorando e me cortando com gilette, uso dos serviços de um gerador de lero-lero ou simplesmente não escrevo nada. O silêncio escrito não é tão fácil de interpretar quanto o silêncio falado. Então, se seu propósito é escrever o maior amontoado de gobbledygooks, corte seus dedos antes.
É possível ser incompreensível (o que é bem diferente de incompreendido) de muitas formas diferentes na internet. Uma muito comum é eScReVeR aSsIm, seja lá com qual propósito. Economia de energia não conta, já que dá um trabalho do cão ficar apertando e soltando a tecla shift ou Caps Lock o tempo todo. Estética também não, já que esses textos são mais feios que pechada de Opala. Outra formatação bisonha cujo único intuito aparente é machucar os olhos é o famoso "Carnaval das Letras": escrever textinhos naquela cor verde neon berrante, contra um fundo lilás igualmente reluzente. Claro, tUdO aSsIm TaMbÉm. Isso quando não resolvem fazer um carnaval ainda maior, e EsCrEvEm CaDa PaLaVrA cOm UmA cOr DiFeReNtE. No MSN, também ocorre o fenômeno "Pinheirinho de Natal", quando a pessoa não sabe criar atalhos decentes para seus emoticons, e eles aparecem nos lugares mais improváveis e irritantes possíveis - especialmente no meio de palavras.
Deveriam considerar seriamente a possibilidade de aplicar um teste psicométrico nas pessoas antes de dar acesso à internet, para evitar que este tipo de atrocidade aconteça.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Um pouco de futebol
Estamos em plena época de classificatórias para a Copa do Mundo de 2010, e o Brasil tem sofrido uma série de reveses, como ser derrotado para a Venezuela e para o Paraguai (!) e ficar no 0x0 com a Argentina. Deve ter mais por aí, mas como estou desinformado, só sei dessas. E por causa destes resultados, a torcida brasileira tem pedido a cabeça do técnico Dunga. Essa semana foi o jogo contra a Argentina, e acabei assistindo um pedaço. O que me chamou a atenção não foi nenhum grito afetado de "GOOOOL!" do Galvão, mas o clamor popular "Ei, Dunga, vai tomar no cu!" e "Burro! Burro! Burro!" que subia do estádio. Torcidas são coisas tristes. Elas são uma aglomeração cruel de gente boa, um monstro de mil cabeças sem cérebro nenhum. Alguém que vai em estádios torcer pelo time do coração pode reclamar "pô Andarilho, eu não sou assim!"e vai ser perfeitamente compreensível, porque, realmente, nem todo mundo que vai em torcidas age dessa maneira. Mas a maioria sim.
O Dunga está sendo muito criticado por ter tirado o Pato da escalação (ou algo assim), e sendo chamado de todo o sortilégio de ofensas. Lembro-me de ter ouvido que no Brasil, todo mundo é técnico de futebol. Foi lá pela copa de 2002, quando o Felipão estava amargando o mesmo que o Dunga neste momento, e uma equipe de reportagem da Globo foi às ruas pedir a opinião das pessoas sobre o que ele devia fazer. Nunca me esqueci de um cidadão gordo, baixinho, com bigode mal feito e cara de fruteiro dizendo toda a escalação e posicionamento tático dos jogadores: "põe o romário no ataque, Biro-Biro como centroavante, o Taffarel de goleiro e faz esquema 4-4-3" Inventei umas bobagens aí por que me lembro que, na época, o clamor popular era "Felipão burro! Chama o Romário que ele faz gol! Sem ele o Brasil não se classifica!"
Bem, minha opinião não é definitiva, mas acho que há um bom motivo para terem contratado o Felipão e o Dunga para serem técnicos da Seleção Brasileira ao invés do Zé das Hortifruti: eles sabem o que fazem. Ao contrário do que muita gente pensa, treinar um time e levá-lo à vitória envolve mais do que escalação e preparo físico - a grande maioria destas variáveis não está sob o controle direto do treinador, e mesmo as que estão não envolvem apenas decisões fáceis e diretas. Querendo ou não, em algum momento vai acontecer um erro bem ruim. E o Monstro das Mil Cabeças e Nenhum Cérebro estará lá para criticar, sempre.
Caso ninguém aqui lembre, o time do Felipão ganhou a Copa do Mundo de 2002 sem o Romário, depois de uma classificatória terrível, e hoje é lembrado como um dos melhores técnicos que o Brasil já teve. Talvez o mesmo aconteça com o Dunga, por que não? Não confio muito em gente que critica alguma coisa sem saber do que está falando, e a torcida brasileira em sua quase totalidade me parece se enquadrar nesta definição.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Ode ao Herói Moderno
Mas os heróis insistem em existir, mesmo neste mundo desbotado e estatisticamente previsível. Eles não usam capas vermelhas chamativas, nem empunham laços mágicos. São como os personagens de Heroes: pessoas comuns que ouviram e atenderam o chamado de uma missão maior que suas vidas. Eles não possuem poderes vistosos como ler mentes ou prever o futuro, pois o seu é muito mais sutil e poderoso do que qualquer bola de fogo: é a determinação implacável, a força da natureza que move montanhas e desvia o curso dos rios de forma paulatina porém inexorável, e que mesmo a mais violenta onda do mar pode derrotar. Seus inimigos são infinitos e invisíveis: a ignorância, a indiferença, a ganância, o ódio, a destruição. Eles não se escondem apenas no corpo de um Darth Vader completamente mau, mas espreitam os corações de todos os seres humanos, inclusive os de nossos cavaleiros jedi sem face e sem sabre de luz. Porém que tipo de herói é esta criatura bidimensional que conhece apenas a luz e a bondade, e nada sabe do inimigo que enfrenta? Não é um indivíduo completo, e não passa de uma caricatura da realidade, pois todo herói verdadeiro já foi derrotado, por seus inimigos ou por si próprio, já chorou, já desistiu, já caiu e se sujou em pecado. E é justamente a sombra de seu caráter que o faz forte.
Por isso, herói que lê estes parágrafos, lembra-te de que tua batalha é ingrata e sem esperança; que aqueles que tu salvar da morte e da perdição escarraram-te a face ao invés de agradecer-te; que não haverá um minuto de descanso; que tua arma se partirá muito antes do fim e que tua é morte certa; e que mesmo assim, apesar de todos reveses que certamente tu irá encontrar em tua senda, deves continuar lutando, por que esta é tua força. Lembra-te que não estás sozinho, que muitos outros lutam ao teu lado, mesmo que tu não os veja, e que para cada um que tomba, outro ergue-se e toma seu lugar. Teu sacrifício nunca será em vão, ó guerreiro, pois é do teu sangue e do teu suor que nascerão as flores de um novo tempo, mais belo e justo, que nem eu, nem tu veremos, mas que teremos ajudado a construir. Isto é o suficiente para continuarmos em pé.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
As Provações da Faculdade XX
As Provações da Faculdade XIX
As Provações da Faculdade XVII
quarta-feira, 28 de maio de 2008
A Decepcionante Política
Confesso que, apesar do meu interesse em política, sinto-me bastante desmotivado este ano, apesar de toda essa algazarra. Nos meus tempos de bixo, que acabaram a não faz tanto tempo assim, eu tinha mais esperança de ver as coisas darem certo se as pessoas se mobilizassem. Além disso, tudo aqui na Federal era novo para mim, tinha um sabor de descoberta, então me envolvia tanto quanto podia e achava seguro nas pendengas políticas. Às vezes, comparo minha estadia aqui na UFRGS com os livros do Harry Potter, pois cada semestre conheço faces novas desta universidade. O primeiro semestre fora meu livro de estréia, “Andarilho e o Instituto de Psicologia” e consistiu nas minhas proezas como novato aqui pelo Campus Saúde e no Centro; o segundo continuara minha saga, “Andarilho e a Política Universitária”, e conta minhas andanças pelo Campus do Vale e meu interesse e envolvimento nas eleições para o DCE. Não consigo definir um título para este terceiro semestre, pelo menos não ainda. Sei, contudo, que o seu livro falará das minhas descobertas no infame mundo da pesquisa e do Reino CAPES. Política? Só de leve, por que não dá para evitar receber panfletos bobocas na saída do RU.
O movimento estudantil é um movimento prioritariamente político, em seu sentido mais usado – lida com o presidente da república, o governador do estado, o prefeito municipal e as leis e políticas que eles inventam. A Educação aparece, sim, mas só como bandeira oportunista, pois como meu colega de apartamento já me dissera, eles nunca fazem campanhas por bibliotecas maiores e melhor equipadas, ou por ensino de excelente qualidade. No máximo, colocam alguma coisa a respeito nos seus panfletos e cartazes.
Como falei no primeiro parágrafo, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) está organizando esta semana um plebiscito para conhecer a opinião dos estudantes da UFRGS sobre o Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI). Mas esperto que sou, já sei o resultado. Não que precise ser um rocket scientist para saber isto, basta saber ler e interpretar textos adequadamente. Certo dia, ao ir almoçar no RU, foi me entregue um panfleto escrito no cabeçalho “Plebiscito Nacional sobre o REUNI – diga NÃO!”. Considero perfeitamente aceitável que se faça propaganda política antes de uma votação importante como esta, dita nacional, mas não vi ninguém por aí distribuindo panfletos dizendo “SIM ao REUNI!”. Gozado isso. E lendo meio por cima o tal do panfleto dá para ver seu conteúdo. O texto é dividido nos seguintes três subtítulos:
1 – Você concorda com o decreto REUNI do governo Lula, que praticamente dobra o número de alunos por professor e institui os cursos tecnólogos?
2 – Você concorda com uma eleição para reitor em que os professores têm 70% do peso dos votos, os estudantes têm 15% e os técnicos administrativos 15%?
3 – Você é a favor que se mantenham ligadas às universidades as fundações de apoio, que facilitam o desvio de dinheiro público para fins privados?
No final da folha, está escrito em letras garrafais “VAMOS DIZER NÃO AO REUNI!”
Não consegui entender como a segunda e a terceira questões estão ligadas ao REUNI, mas pensei que o panfleto não estava escrito assim, com subtítulos em forma de questão por nada. Intui que estas perguntas estariam na cédula de votação do tal plebiscito, mas achei que isto seria absurdo demais. Seria melhor colocar algo como “Sim, sou contra o REUNI” e “Não, não sou a favor do REUNI”. Logo depois de receber o tal panfleto, conversei com uma veterana minha que confirmou minhas expectativas. Os organizadores do plebiscito compareceram a uma reunião do DAP (Diretório Acadêmico de Psicologia) para pedir nosso apoio para sua causa, que é dizer não ao REUNI de qualquer jeito, e que provavelmente as perguntas do panfleto seriam as mesmas na cédula.
Muitas vezes já ouvi que os jovens, os estudantes têm direito à voz, de dizer o que pensam e que os governantes devem ouvi-los, mas certamente o máximo de atenção que daria como presidente ou reitor para um plebiscito desses seria para dizer que ele é altamente enviesado e inválido. E o pior é que é inválido de propósito. A atitude do DCE me parece muito com daquelas crianças pequenas que querem ganhar tudo no berro, que se fossem capazes de articular frases coerentes diriam em sua defesa “como eu gritei bem alto, eu estou certa, então ME DÁ O DOCE!”. Mais do que isso, é uma atitude autocrática e manipuladora, pois tem por objetivo levar milhares de estudantes pelo cabresto para dizer não ao REUNI, sem ao menos dar-lhes a chance de decidir por conta própria os méritos e deméritos deste projeto.
Esta atitude manifesta-se não só no tal do plebiscito, mas nos comportamentos de seus campeões também. Um dia desses, estava eu assistindo uma aula de Processos Grupais I bem interessante (o que é raro), quando me lembrei de que queria procurar mais tarde um artigo no portal de periódicos da CAPES, e que precisava de um livro para encontrá-lo. Saí da sala e fui até em casa pegar o tal do livro (moro a uma quadra de distância do Instituto de Psicologia). Quando voltei, um grupo relativamente grande de pessoas carregando bandeiras da CONLUTE e com adesivos “REUNI NÃO!” estavam paradas na frente da porta da sala em que estava tendo aula. Em volta de cinco minutos depois de ter entrado, eles batem à porta e pedem se podem entrar para falar do plebiscito. O professor faz uma cara meio estranha e faz um sinal dando a entender que a decisão era nossa, dos estudantes. Algumas pessoas se manifestaram, e falaram “não”, e acredito que o sentimento da turma fosse que não queríamos ouvir nada a respeito, pelo menos não durante aquela aula específica. Ainda assim, o cara que bateu na porta entrou na sala mesmo assim para falar do tal plebiscito, e seus companheiros para entregar mais panfletos (fiz um aviãozinho bem bonito com o meu). Indignado com essa falta de respeito, um colega meu exclamou que tínhamos dito que não, e perguntou por que ele entrara mesmo assim. “Ah, é que o ‘não’ tava meio tímido, e vai que tem um ‘sim’ escondido?” foi a resposta que ouvimos. Então, ele perguntou qual nosso curso, e quando constatou que éramos da área da saúde, começou a falar de um curso de tecnólogo que estava por abrir na UFRGS, “Administração de Redes de Saúde Pública” ou algo assim. Ele não falou muita coisa, pois já tínhamos sido desrespeitados o suficiente por aquela aula, e meu colega novamente os mandou irem embora (educadamente, apesar de um “SE TOQUEM DAQUI AGORA!” ser apropriado para a ocasião).
Acho que esta atitude por parte deste cidadão deixa claro que eles não se importam com nossa opinião, com nossos desejos ou inclinações políticas – a gente só tem que ouvir e fazer o que eles nos dizem. E se há algo neste mundo que me deixa indignado é esse tipo de comportamento. Por que tenho que aceitar passivamente como verdadeiro o que eles, ou qualquer outra pessoa, sobre qualquer outro assunto, nos dizem? Acho vergonhoso e preocupante ver que as pessoas por trás de um plebiscito dito democrático tenham atitudes tão autoritárias.
A eleição para reitoria é outra apurrinhação. Se tivesse acontecido ano passado eu teria ficado bem empolgado, mas esse ano, toda vez que eu vejo os montes de cartazes colados por aí, só consigo pensar quem é que vai limpar essa sujeira quando a brincadeira acabar. Só posso dizer com certeza que não vai ser nem o reitor eleito, nem os outros candidatos. São quatro chapas concorrendo este ano, mas estou por fora das propostas de todas. Sei que um candidato à vice-reitor parece o Olívio nos tempos áureos de seu bigode e tem um nome esquisito, e que um dos candidatos à reitor, o Schmidtão, foi um figurão da ADUFRGS (Associação Docente da UFRGS), que conseguiu comprar um apartamento em Paris com salário de professor, e que, pra tirar uma graninha em cima disso, publicou no boletim da referida instituição que o tal apartamento estava disponível para aluguel. No mais, apesar de poder votar, não estou muito interessado: tenho trabalhos por fazer e textos por ler, e se envolvimento político é algo secundário em minha vida, a eleição para a reitoria é terciário. O panfleto contra o REUNI não diz só abobrinhas, por que os professores de fato detêm 70% do peso dos votos na eleição para reitor, ficando os 30% divididos entre estudantes e funcionários administrativos. Não vou gastar pólvora em chimango, ir até a urna mais próxima, preencher a cédula e votar na chapa “Kiko e Seu Madruga: pela união da vizinhança”, pois eu sei que não vai mudar nada. Estou ciente de que esta é uma atitude omissa, e que tudo que o mal precisa para triunfar é que os homens bons não façam nada (Alucard, 1997). Mas não vejo como os estudantes poderiam virar a mesa nesse tipo de eleição. Votando em massa em um candidato que vá instituir a paridade 33/33/33? Duvido que o melhor estrategista de campanha seja capaz de fazer todos os estudantes da UFRGS votarem, quanto mais votarem no mesmo candidato. Fazer um voto simbólico, um ato de vontade contra a injustiça do mundo? Isso é mais a minha cara, mas dadas as circunstâncias, prefiro ser pragmático e deixar a poesia para quando eu puder.
E, por fim, as eleições para o DCE. Acho que já mostrei como a atual gestão trabalha, seus altos ideais de liberdade e democracia, mas seria injusto se não fizesse o mesmo com as outras facções estudantis dentro da UFRGS que não ganharam o primeiro prêmio da eleição DCE 2007. Faltam alguns meses para a próxima eleição, mas não vai ser muito diferente do que já vi ano passado, considerando que serão as mesmas pessoas a participarem do jogo eleitoral.
Quando se fala de política estudantil, pode-se agrupar as facções em dois grandes grupos: esquerda e direita. Alguns cursos são tradicionalmente de esquerda, como História, Ciências Sociais e Comunicação, outros de direita, como Medicina, Engenharias e Direito. Isso pode parecer uma generalização um tanto grosseira, e de fato o é, exceto em dois casos, Medicina e Comunicação. Explicarei mais adiante por que. Podemos continuar dividindo a esquerda de acordo com seus matizes de esquerdismo – esquerda moderados, esquerda radicais e esquerda Heloísa Helena. Na última eleição, havia uma chapa para cada um desses matizes:
- A Chapa 1, “Todos Iguais, Braços Dados ou Não” (1), da atual gestão que na época buscava a reeleição, é financiada pelo P-Sol.
- A Chapa 2, “Quem vem com tudo não cansa” (2), era financiada pela União Juventude Socialista, movimento Jovem do PC do B.
- A Chapa 4, “Roda Viva” (3), não era financiada por nenhum partido que eu saiba, mas vários de seus membros participam da Kizomba, movimento jovem dentro do PT (e campo fértil para malas sem alça).
E essas facções ficam se bicando durante as eleições, tentando roubar voto umas das outras e acabam se enfraquecendo. Isso não acontece com a direita, pois por mais subdivisões que possam ter (neonazistas, liberais, democratas, membros da Igreja Universal, lenhadores, ursos...) eles geralmente sabem que a união faz a força, e unem-se em volta de uma só chapa, e ficam pegando votos enquanto a esquerda está distraída tentando se destruir. Foi isso que aconteceu ano passado. A chapa 3, DCE Livre (4), do Movimento Estudantil Liberdade (MEL), dizia que não era bancada por partido algum, mas seus membros tinham sido, até antes das inscrições de chapas para concorrer, membros do Democratas, antigo PFL. Além disso, alguns de seus membros estavam (pelo menos na época) sendo processados racismo e apologia ao nazismo. Uma chapa bem diversificada, no mínimo.
A bandeira mais hasteada e balançada ano passado foram as ações afirmativas, e de especial maneira, as cotas raciais e sociais. Segundo decreto federal, todas as universidades federais eram obrigadas a desenvolver um projeto de ações afirmativas por conta própria e implementá-lo, caso contrário o governo empurraria um projeto goela abaixo da universidade. Ano passado acabava esse prazo para a UFRGS, e o projeto e sua implantação estavam sendo discutidos, com muita polêmica. As cotas raciais até hoje geram controvérsia (5), mas na época aquilo tudo estava muito fresco e recente. O CONSUN teve que fazer duas reuniões para decidir se as cotas seriam aprovadas ou não, pois na primeira algumas pessoas assistindo começaram a fazer tumulto e a sessão teve que ser interrompida.
Não sei como foi a “entrada” das cotas em universidades de outros estados, mas aqui no sul, uma região tradicionalmente racista, elas não iriam entrar sem uma boa briga. Em outubro, época da campanha, elas já tinham sido aprovadas pelo CONSUN, mas a chapa 3 não esmoreceu, e prometia entrar na justiça para proibi-las. As outras três chapas a acusavam de racista, preconceituosa e nazista (eu mesmo fui em sala de aula alheia pedir para que não votassem nela[6]) mas isso não a enfraquecia. Pelo contrário: fazia marketing para ela. O fato é que, as três chapas de esquerda eram todas iguais, divergindo só em algumas coisas . A chapa 1 era de longe a mais forte das três, mas ela perdia muitos votos preciosos para a 2 e a 4. Entretanto, com a chapa 3 a coisa era diferente. Ela tinha um diferencial, que era ser contra as cotas de todo o coração. Muita gente, na UFRGS e no estado inteiro, sentiu-se indignada com esse sistema de dar barbada para alguns poucos entrarem na Federal, a mais tradicional e bem conceituada universidade do estado, e o MEL soube bem capitalizar os votos destas pessoas.
A campanha, apesar de ter quatro concorrentes, ficou polarizada entre a chapa 1 e a chapa 3: quem era a favor das cotas contra quem era contra as cotas. E nesta briga, a baixaria foi generalizada. Tanto uma quanto a outra colecionava print screens das discussões do Orkut onde alguém falava algo que não devia: afirmações racistas, ditatoriais, que pegavam mal de algum jeito. Toda semana eu ouvia alguém de alguma dessas duas chapas dizer que “agora nós temos isso aqui em mãos, eles estão ferrados, por que vai queimar muito o filme deles”. Se lembro bem, esses print screens eram bobagem pura, mas falavam como se fosse o Dossiê Pelicano da chapa adversária. As discussões, especialmente na comunidade da UFRGS no Orkut, a troca de ofensas era a moeda de troca. O dia da votação foi especial, pois tanto a chapa 1 quanto a 3 tentou impugnar alguma urna onde sabia que iria perder. As urnas da Medicina e da FABICO (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação), como disse antes, foram as mais estereotipadas: a primeira continha votos quase que exclusivamente para o MEL, enquanto que a segunda quase só para a “Todos Iguais, Braços Dados ou Não”. No fim, o MEL perdeu as eleições, mas a vitória da chapa 1 não foi completa.
Historicamente, os estudantes universitários e a academia como um todo têm uma tendência à esquerda muito forte, tanto que eu posso ser considerado um reacionário fascista por causa de minhas idéias (aliás, já fui chamado assim, duas vezes por duas pessoas diferentes). Mas por causa das atitudes politiqueiras das gestões do DCE (7) e dessa mania da esquerda ficar fazendo fogo amigo, muitos estudantes começaram a cansar dos amigos do Che Guevara, e começaram a votar na única chapa diferente – a da direita. A chapa DCE Livre não fizera sua estréia em 2007, mas já em 2006 (e talvez até antes) o MEL concorrera para o DCE, e apesar de ter perdido as duas eleições, seu número de votos, tanto relativo quanto absoluto, cresceu, ao passo que os votos para todas as outras chapas de esquerda diminuíram nos dois quesitos. Além disso, com sua expressiva votação, a chapa 3 conseguiu emplacar membros no Conselho Universitário (CONSUN), o órgão deliberativo máximo dentro da UFRGS. Se a coisa continuar assim, eles ainda vão ganhar a eleição para o DCE. Talvez não esse ano, mas no próximo é bastante provável.
Além de todas essas coisas que me fazem desgostoso do mundo da política, há algo mais que me faz voltar meus interesses para os estudos e para os treinos. Sinto, perto de pessoas muito envolvidas com política, como os coordenadores e secretários do DCE, que militam ativamente para algum partido, um ar de falsidade. Não os estou chamando de mentirosos, mas o que quero dizer é que, por trás de todo o barulho e impacto que fazem por suas causas políticas não encontro nenhuma substância moral que sustente tudo, e ao sinal da primeira dificuldade (ou facilidade), eles irão para o outro lado do front. Eles são existencialmente desonestos, e enganam a si mesmos. Não duvido que eles realmente acreditem no que dizem, mas tenho dúvidas se a crença deles é tão sólida quanto vendem. Hoje eles estão no PSTU, mas no futuro não estranharia de vê-los no PP, fazendo tudo aquilo que abominavam quando jovens. Não quero isso para mim. Dê-me livros e Wushu.
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1. Nome de chapa pra DCE geralmente é ridículo assim mesmo.
2. Viu? Falei que era tudo ridículo.
3. Quase se salva esse nome. Quase.
4. Nome ridículo também, mas pelo menos faz sentido.
5. Eu próprio não tenho bem certeza se sou a favor ou contra as cotas, apesar de ter bixos cotistas e achá-los admiráveis pelas pessoas que são.
6. Ah, a contradição: não gosto que me digam o que fazer, mas digo aos outros o que eles devem fazer!
7. Durante a votação, um dos integrantes da chapa 1 não nos permitiu abrir nossa urna na Psicologia enquanto tivessem estudantes de Medicina por perto para votar.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
As Provações da Faculdade XV
As Provações da Faculdade XIV
terça-feira, 6 de maio de 2008
Eu e a Educação
Por isso, em 1968, o governo militar impôs a reforma universitária, que alterou toda a forma como as universidades se estruturaram: substituíram as antigas cátedras pelos departamentos, dividiram os cursos de graduação entre diversas unidades orgânicas (1), e com isso, fizeram da filosofia um instituto qualquer. O objetivo dos generais era enfraquecer um possível núcleo golpista, e para sedimentar seus poderes sobre a Academia, criaram as Faculdades de Educação como novos centros de irradiação de poder.
Não sei se os militares atingiram todos os seus objetivos com esta reforma, mas acredito que pelo menos em parte o fizeram: a FACED tem uma das melhores bibliotecas da universidade, vários alunos de vários cursos de graduação têm aulas lá, e muitos professores de muitas áreas distintas são especialistas em Educação, e estão intimamente ligados com os facedianos. A Psicologia é uma delas.
Sinceramente, sempre tive uma certa birra com educação. Não com a Educação, mas com a educação formal que tive. E eu tive educação formal desde pelo menos os 6 anos de idade, quando entrei na 1ª Série do Ensino Fundamental. Já falei disso antes, quando reclamei de algumas aulas da faculdade, mas falei um tanto quanto superficialmente.
O que me deixa incomodado é a forma passiva como temos que aprender: o professor entra em sala, todos os alunos sentam e permanecem quietos, enquanto que o sábio mestre despeja seu conhecimento sobre nós, pobres ignorantes. Não há espaço para pensamento crítico, por mais que os professores digam que apreciem “livres pensadores” (3). Toda vez que uma voz solitária se levanta e questiona o professor de qualquer maneira, a resposta é rápida e rasteira. A mais clássica de todas é a pergunta “para que preciso aprender isto?”, que muitas vezes fiz durante muitas aulas. Quando fazia essa pergunta para minha professora de Biologia, ela dizia “por que cai no vestibular”; quando perguntava para meu professor de Filosofia, ele respondia “para que tu tenhas pensamento crítico”; quando perguntei para a psicóloga educacional do colégio por que tínhamos que ter aulas de italiano, ela me respondeu “na vida, às vezes temos que fazer coisas que não queremos fazer”.
São respostas válidas, mas que não estão à altura da pergunta feita. Por que alguém que não quer fazer vestibular, alguém que queira ser marceneiro, deve aprender sobre protozoários? Como se cria pensamento crítico aprendendo o que outra pessoa quer que eu aprenda? E eu tive que aprender italiano por que vocês querem? E por que os professores não se sujeitaram a nossa vontade, que não gostávamos e não aproveitávamos as aulas de italiano, e as tiraram do currículo?
Mais uma vez, volto à relação desigual entre professores e alunos. O nome “aluno” já diz muita coisa: vem do latim, e significa “sem luz”, esperando que algum sábio ilumine ou coisa assim. Os professores nunca teriam tirado italiano do currículo por que nós não gostávamos, por que eles sabiam o que era melhor para nós. Afinal de contas, o que pirralhos de 10 anos sabem sobre eles próprios? E como eles, que foram para a faculdade e estudaram poderiam estar errados? É inconcebível! Mesmo as piadas deles são melhores que as nossas. Lembro-me de uma aula de Biologia, em que a professora disse para a coordenadora, de forma nada sutil, que tínhamos espermatozóides na cabeça. Um colega meu retrucou, e deu uma risada cretina, meio mongolóide, para evidenciar quão sem graça a professora fora. A turma riu do gracejo, mas a professora ficou indignada, e o chamou de mal-educado. Ela pode dizer que a gente tem porra na cabeça, mas ai de quem inferir que ela é sem graça.
Na faculdade, esta relação tornou-se mais parelha, mas não muito. Isso fica óbvio já nas eleições para reitor, onde o voto dos estudantes tem peso 1, e dos professores peso 3 (4). Mas há coisas mais sutis – a famigerada chamada. A chamada é a maneira que os professores encontraram para achacar seus aluninhos a ficarem em aula ouvindo suas belas vozes. No Ensino Fundamental e no Ensino Médio elas são consideradas parte do processo de aprendizagem, tanto pelos adultos quanto pelas crianças. Mas no Ensino Superior, não existem crianças dóceis, apenas adultos, que não obedecem tão facilmente o que um indivíduo com giz na mão diz. Para que a lista de presença exerça influência sobre os estudantes, basta apenas o professor dizer no começo do semestre que faz chamada e que roda por falta de freqüência. Claro, dá para pegar a chamada e sair da sala logo em seguida (muito fiz isso), mas o professor pode ser murrinha, e fazer a chamada em horários alternados: às vezes no início da aula, às vezes durante a aula, às vezes no final da aula; ou fazer chamada duas vezes por aula e dar falta para quem pegou só a primeira. Ainda dá para driblar o sistema, mas torna-se muito mais prático (e cômodo) aceitar que a batalha está perdida e assistir as aulas (5).
Não gosto de aulas presenciais. Melhor dizendo, gosto mais de estudar por conta própria. A vantagem de estudar em uma faculdade é ter os professores a disposição para tirarem dúvidas, proporem desafios, darem idéias, e é impossível que tudo isso ocorra sem um tempo de lousa, giz, suor e até os famigerados power points. Mas acho que o equilíbrio se perde quando temos que assistir aulas das 13:30 até às 19:10. Tenho, em média, sete disciplinas obrigatórias por semestre. Com tudo isso, não dá tempo de fazer o que quero. Sim, o que EU quero, e não o que os professores querem. Eu sei o que me agrada, eu sei em que período do dia sou mais produtivo, eu sei como estudo melhor. Se disser isso para algum professor meu, ele provavelmente irá concordar. Entretanto, ele vai dizer que por um motivo ou outro não é possível por isto em prática. Os motivos alegados podem ir de que não estamos preparados, que o instituto não tem estrutura para isso, até que esta pedagogia poderia beneficiar certos professores, mas o que acho que é verdade nunca seria dito: os professores gostam de ter o poderzinho deles. Preferem ficar ouvindo suas belas vozes a orientar as mentes inquietas de seus alunos, como disse William James (meu herói).
Eu mato aulas, muito mais do que imaginava que iria matar no início da faculdade. Faço isso basicamente por princípios. Não vou pregar moral de cuecas, e dizer que nunca faltei aulas por preguiça ou para fazer algo que deveria ter feito antes – pelo contrário. Mas toda vez que não apareci na sala para fazer um trabalho, tinha em mente a quantidade absurda de horas-aula que tenho. E me indigno quando lembro do que um professor me disse quando reclamei da falta de tempo livre, que deveríamos maneirar nossas atividades “extracurriculares”. Nunca as curriculares.
O que eu realmente gostaria que fosse posto em prática, não só na faculdade, mas no Ensino Fundamental e Médio, é o Ensino Centrado no Estudante. Neste spin-off da Abordagem Centrada na Pessoa de Carl Rogers, o estudante é o responsável por sua aprendizagem e crescimento pessoal. Não é mero aluno, é estudante, que estuda ativamente. O professor e a escola estão lá, para apoiar o estudante, fornecer-lhe informação e orientação. Mas tal e qual Morpheus no filme “Matrix”, o professor apenas mostra a porta: quem a abre é o estudante. Me daria muito bem nesse sistema, pois poderia ler mais, discutir mais, escrever mais para o blog sobre o que aprendo por aí, ao invés de ter que perder horas e horas ouvindo o grasnar egocêntrico de muitos professores.
Mas a vida é injusta, então eu tenho que me virar com o que tenho.
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(1) Conhecimento é diferente de saber para Foucault, mas este não é o lugar para falar disso (além do mais, estou com preguiça).
(2) Faculdades, Escolas e Institutos.
(3) Na realidade, eles apreciam os livres pensadores que concordam com eles.
(4) E dos funcionários, peso 2.
(5) Pode-se exercer resistência ainda assim, e ler qualquer porcaria no fundo da sala, conversar, trocar bilhetinhos ou simplesmente dormir.