quinta-feira, 26 de junho de 2008

Aço ao Vento

Quem me conhece sabe que não sou muito dado a explosões de afeto, muito menos de ficar falando sobre meus sentimentos. Dei uma lida no DSM hoje para um trabalho, e quando se faz isso é impossível não pensar que aquele livro cinza gigantesco não é a "Coletânea Capricho de Testes" e ficar vendo em quais critérios dos transtornos tu te enquadra. Não cheguei a completar o diagnóstico, mas um número considerável de critérios para Transtorno Obsessivo-Compulsivo de Personalidade (TOCP) se aplicam à mim. Ah, olhei também o Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade e está confirmado: eu tenho esta bosta. Queria ter olhado para Tourette, mas não dispunha de tanto tempo assim.

Em todo caso, não quero ficar falando dos meus transtornos de comportamento. Lembrei-me deste meu quasi-diagnóstico de TOCP por que, em uma dessas aulas chatas tomadas de apresentações, falaram que o TOCP encontra-se no extremo oposto ao Transtorno Histriônico de Personalidade, que é dado a explosões de afeto e a ataques histéricos, sendo mais introspectivo e contido emocionalmente. Pois é, me identifico com esta definição. Não sei por que sou assim - genética, condicionamento operante, volições pretensamente literárias, a conjunção de Urano com Krypton - e também pouco importa saber. Sou assim e é isto que conta.

Contudo, tenho que dizer que o verbo ser fora conjugado em um tempo verbal um tanto quanto impreciso. Ao invés de "sou assim", deveria ter escrito "estou assim", por que tudo muda, inclusive a personalidade. Posso ainda não ser um Amaury Jr. de extroversão, nem ter alcançado o nível de emotividade de uma personagem de novela mexicana, mas não consigo mais me esconder atrás da minha antes poderosa armadura intelectual quando falo de relacionamentos afetivos. Não dá mais para evitar pensar no assunto, pois o próprio assunto tornou-se inevitável! Nem tão antigamente assim, meus mecanismos de defesa nunca me deixavam na mão, mas parece que as engrenagens deles enferrujaram ou foram sabotadas, pois estão cada vez mais defeituosos. E quem fica jogando areia neles sou eu, por que cansei de ficar me escondendo da vida. Cansei da droga da armadura, e estou jogando cada pedaço que arranco da minha pele abismo abaixo.

Eu era um cara durão, que achava que emoção é coisa de mulher e de fresco, pior que o próprio Descartes. Acho que parte de mim ainda é, considerando o tamanho do conflito interior que enfrento quase todos os dias. Tem um psicólogo, o Jeffrey Young, que desenvolveu um modelo de Terapia Cognitivo-Comportamental de longo prazo, chamada Terapia Focada no Esquema, ou Esquematerapia. Segundo este modelo, os nossos Esquemas Iniciais Desadaptativos (EIDs) são ativados toda vez que temos que confrontar uma situação afetivamente semelhante a nossos traumas, nossa mente é inundada de pensamentos automáticos negativos, nosso corpo começa a emitir respostas autonômicas de luta ou fuga e nos comportamos de forma a evitar mais estresse, e frequentemente fugimos ou fazemos merda, reforçando nossos EIDs e aumentando a possibilidade de na próxima vez fazer a mesma merda e alimentar o círculo vicioso. Sinto isso acontecendo na minha pele. Sei que minha experiência pessoal não é cientificamente relevante, e que esta não foi a descrição teórica mais precisa que poderia ter escrito, mas foda-se a ciência! Desta vez a Psicologia é secundária!

Eu realmente era um cara durão, que achava que relacionamentos são para fracos, e que se por algum acaso eu caísse em um eu continuaria sendo durão. Mas como já disse um amigo meu "o Fulano achava a mesma coisa, e hoje tá aí, lambendo o asfalto se a guria dele manda!". Eis um cara sábio falando. A gente amolece. Olhem só pra mim, escrevendo sobre minhas dúvidas existenciais mais vergonhosas num blog! Se eu publicar isto, vai estar mais do que provado que eu me tornei um fresco sem esperança de cura. Mas talvez a doença que eu tanto evitei seja hoje a cura e minha redenção.

E toda esta alquimia interior começou por causa de algo que não é senão uma promessa, uma possibilidade de relacionamento. É instável, e tem pelo menos uns 40km de distância para me atrapalhar. Tem tudo para dar errado mas eu quero que desta vez dê certo. Dizem que o passado não volta. Isso é mentira. Passamos quase toda nossa vida remoendo e reencenando ele, de forma que quase não vivemos o presente. Somos quase todos neuróticos. Mas cansei do passado, de fugir por ser mais cômodo, menos cansativo e menos humilhante. Eu quero conhecer meu presente e meu futuro, sejam eles o que forem. Se algum dia um demônio se esgueirar na minha mais solitária solidão, e me dissesse que teria que reviver esta minha vida ainda uma vez e ainda inúmeras vezes e que nela nada haverá de novo, quero poder responder que nada me daria maior prazer, por que tive coragem de ser o que quero ser, de fazer o que quero fazer. Agora é a hora de agarrar o touro pelas aspas. Aqui. Agora. Sempre é aqui e agora. Qualquer um que já leu alguma coisa de filosofia existencialista sabe dizer isto, mas são poucos que sabem fazer de verdade e ser existencialmente verdadeiro. Não sei como é ser existencialmente verdadeiro, até por que não tem nenhum manual ou passo-a-passo que explique como, mas farei o que puder, e simplesmente serei verdadeiro comigo mesmo.

Este é o texto mais vergonhoso que eu poderia ter escrito, pois não poderia ter criado nada que pudesse gerar tanta ansiedade em mim para apertar o botão de "Publicar". Vou publicar do mesmo jeito. Foda-se. Foda-se também a boa educação. Não precisa ninguém me dizer que não é vergonhoso gostar de alguém, por que cansei de ouvir isto. E lá vai outro pedaço da minha armadura abismo abaixo.

Sorte Orkutiana do Dia (Parte 3)

Sorte de hoje: Uma imaginação bem canalizada é fonte de grandes proezas.

Considerando que eu tenho que realizar proezas todos os dias, não é grande novidade.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Bizarrices da música

A década de 1980 foi possivelmente a melhor de todas em termos musicais, mas com certeza foi a pior quando se trata de clipes musicais. Ultimamente, tenho navegado bastante através das ondas incertas do YouTube, à procura de músicas legais. Faço isso por que não gosto de baixar música sem conhecê-la bem primeiro (tipo casamento, saca?), e por que meu Google-Fu às vezes deixa a desejar, e não as encontro por aí. Daí, me contento em ficar apertando "replay" no YouTube, minimizar a tela e fazer qualquer outra coisa.

Com músicas dos anos 80 a parte de minimizar é obrigatória se seu objetivo é não ter um ataque fulminante de riso ou tentar se estrangular, porque se o som é bom, o vídeo é terrível. Tomemos o Queen como exemplo. Não tem uma música deles que eu não goste, mas, PUTA QUE ME PARIU, é um clipe mais bizarro que o outro. São a prova viva de que "uma imagem vale mais do que mil palavras" - é desnecessário sacanear o Freddy Mercury e seu bigode se há como colocar o videoclipe de "I Want to Break Free", onde ele e o resto da banda se vestem de mulheres, e depois aparece uma multidão segurando lanternas no escuro. E umas bichas fantasiadas de vaca empilhadas. And no fucking sense at all. Considero o clipe de "I Was Born to Love You" uma arma psicólogica, que atinge a moral e a retina de qualquer indivíduo heterossexual. É só mandar por MSN ou mostrar no computador pessoal de alguém e se afastar, para ouvir à distância os gritos de dor e "AAAAAH! FREDDY MERCURY REBOLANDO SEM CAMISA*! MEUS OLHOS QUEIMAM!". É tiro e queda. Só conheço um vídeo pior que esse. Sua periculosidade é tamanha que só posso dizer que ele é azul. Se você sabe do que estou falando, sinto pena, muita pena de você.

Também perturbador é o clipe original de "Voyage Voyage". Essa mulher é do mal, as pessoas em volta dela são espíritos desencarnados à bodoque e a dancinha dela é pra chamar o Demo. E eles estão na Biblioteca de Wallachia, com certeza.

OK, OK, saudosistas e fãs ardorosos de Queen e suas bizarrices: não dá para julgar os vídeos feitos antigamente com os padrões de hoje. Mas não neguem, Freddy Mercury era um cara medonho, apesar de cantar pra cacete (vou me abster de fazer comentários sobre ele cantar no cacete). Para me redimir, "Princes of the Universe", uma excelente música do Queen e um clipe nem tão bizarro assim (que te faz pensar o que seria se McLeod e Mercury tivessem levado seu confronto até as últimas conseqüências).





* Não que ele não fizesse isso com certa freqüência em seus clipes, mas nesse aí é uma coisa absurda.

As Provações da Faculdade XXVI

Terminei o trabalho final de Processos Grupais I, a cadeira que não é uma suruba, mas te fode por todos os lados! Ainda não estou muito satisfeito com minha conclusão, mas como nunca estou satisfeito com quase nada do que escrevo (quando fico satisfeito é um ótimo sinal), vou mandá-lo para o professor dentro em breve. Ainda tenho três trabalhos e três provas pela frente, mas comparado com algumas semanas atrás, estou muito tranqüilo. Logo vou estar indo para Campo Grande para o ENEP, e com tempo de sobra para ler e escrever aqui. Sinto que tenho negligenciado um pouco o Espadachim, e feito posts muito simplistas por causa do tempo curto. Durante as férias vou recuperar o tempo perdido.

As Provações da Faculdade XXV

A entrega é hoje! Falta só a conclusão, só a conclusão!

sábado, 21 de junho de 2008

As Provações da Faculdade XXIV

Chegou a hora da verdade: estou fazendo o trabalho final de Processos Grupais I. Ainda não comecei a escrever, mas já tenho uma idéia bem sólida sobre o que escrever. Dei uma lida mais atenta nos comentários do meu quinto e último relatório feitos pela monitora e pelo professor. Isso já foi suficiente para me deixar irritado. Parece que preciso explicar até o óbvio.

Correr e Correr em Porto Alegre

Ontem à noite iria voltar para Caxias do Sul, depois de um mês em Porto Alegre. Comprei minha passagem de ônibus de manhã, para viajar às 19 horas. Às 17 horas já estava com quase tudo pronto - as roupas sujas socadas guardadas na mochila grande e os livros e polígrafos na mochila pequena. Saí de casa às 18:20 em direção à rodoviária para não ser pego com as calças na mão pelo trânsito portoalegrense de final de tarde de sexta-feira, o qual posso apenas adjetivar de "caótico".

Para ir até a rodoviária, pegaria a linha São Manuel, que passa ali do lado da faculdade, na rua Ramiro Barcelos. Mas quando saio de casa, vejo o dito ônibus chegando na parada. A rua estava movimentada demais para atravessá-la correndo e subir na busunga. o que fazer? Sem pensar muito, comecei a correr desembestado em direção à próxima parada do São Manuel, na Jerônimo de Ornellas, 500 metros dali. Mesmo em uma situação ideal, onde estaria aquecido e preparado para correr, eu conseguiria ganhar de um ônibus embalado. Com todo aquele peso nas costas, estava em condições muito piores. "O trânsito dessa vez vai me ajudar" pensei. Os carros menores e o semáforo no meio do caminho me dariam uma vantagem e uma chance de chegar em tempo até a parada da Jerônimo. Corri ainda mais loucamente, o ar frio do inverno queimando minha garganta. O ônibus me ultrapassara, mas ainda não tinha alcançado a sinaleira. Para minha sorte, hoje ele parara excepcionalmente do lado da Faculdade de Odontologia também, para largar alguém. Chego na Jerônimo, mas os carros não me deixam atravessar a rua para chegar na parada. Mas agora não tinha muita alternativa - ou atravessava ou me fodia. Esperei os carros desacelerarem e fui. Quando coloquei meu pé na calçada, o São Manual desponta na esquina, e gentilmente estaciona, para que pudessemos subir. Senti-me muito feliz, apesar de um pouco esbaforido. Fora quase uma Aventura Sênior, só que ao invés de equipamentos de escadala, carregava livros, e ao invés de desbravar um mato ruim, atravessei o concreto quente da cidade de Porto Alegre. Voltara, por breves metros, a ser o aventureiro que sou.

E, para fins práticos, esta corrida foi absolutamente inútil: cheguei meia hora mais cedo do que a saída do executivo para Caxias do Sul, que ainda por cima atrasou em 15 minutos. Mas se não serviu para nada prático, foi muito bom para desenferrujar as pernas.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Vida Dura (Parte 16)

Ah, para quem estava acompanhando o drama da minha senha do banco, tive um final feliz: desbloqueei essa porcaria ontem! Agora é só esperar para ver qual a próxima porcaria que eu vou ter que fazer que envolva o Banco do Brasil e meu saco inflando.

Melhores Músicas da História V

Núcleo Base
Ira!
Composição: Edgard Scandurra

Meu amor eu sinto muito, muito, muito, mas vou indo
Pois é tarde, muito tarde e eu preciso ir embora
Sinto muito meu amor mas acho que já vou andando
Amanhã acordo cedo e preciso ir embora
Eu queria ter você mas acho que já vou andando
Outro dia pode ser mas não vai dar pra ser agora...la lala lalalala

Eu tentei fugir não queria me alistar
Eu quero lutar mas não com essa farda
Eu tentei fugir não queria me alistar
Eu quero lutar mas não com essa farda

E já está ficando tarde e eu estou muito cansado

Minha mente está tão cheia e estou me transbordando
Você pensa que sou louco mas estou só delirando
Você pensa que sou tolo mas estou só te olhando la lala lalalala

Eu tentei fugir não queria me alistar
Eu quero lutar mas não com essa farda
Eu tentei fugir não queria me alistar
Eu quero lutar mas não com essa farda
Mas não com essa farda. Mas não com essa farda

Mas não!

Sorte Orkutiana do Dia (Parte 2)

Sorte de hoje: Hoje você vai ver um biscoito da sorte que nunca viu antes.

Mentira. Eu já tinha visto esse aí.

Um pouco de futebol

Geralmente, futebol não é um assunto que me interesse realmente - no máximo, tiro flauta de quem perdeu. Dificilmente alguém vai me ouvir comentando a nova escalação do Grêmio ou por que o time do Flamengo deveria ter ganho a copa de mil novecentos-e-guaraná-com-rolha. Ainda assim, às vezes o esporte bretão ganha minha atenção, mas não por causa de jogadores ou resultados, mas por motivos outros.

Estamos em plena época de classificatórias para a Copa do Mundo de 2010, e o Brasil tem sofrido uma série de reveses, como ser derrotado para a Venezuela e para o Paraguai (!) e ficar no 0x0 com a Argentina. Deve ter mais por aí, mas como estou desinformado, só sei dessas. E por causa destes resultados, a torcida brasileira tem pedido a cabeça do técnico Dunga. Essa semana foi o jogo contra a Argentina, e acabei assistindo um pedaço. O que me chamou a atenção não foi nenhum grito afetado de "GOOOOL!" do Galvão, mas o clamor popular "Ei, Dunga, vai tomar no cu!" e "Burro! Burro! Burro!" que subia do estádio. Torcidas são coisas tristes. Elas são uma aglomeração cruel de gente boa, um monstro de mil cabeças sem cérebro nenhum. Alguém que vai em estádios torcer pelo time do coração pode reclamar "pô Andarilho, eu não sou assim!"e vai ser perfeitamente compreensível, porque, realmente, nem todo mundo que vai em torcidas age dessa maneira. Mas a maioria sim.

O Dunga está sendo muito criticado por ter tirado o Pato da escalação (ou algo assim), e sendo chamado de todo o sortilégio de ofensas. Lembro-me de ter ouvido que no Brasil, todo mundo é técnico de futebol. Foi lá pela copa de 2002, quando o Felipão estava amargando o mesmo que o Dunga neste momento, e uma equipe de reportagem da Globo foi às ruas pedir a opinião das pessoas sobre o que ele devia fazer. Nunca me esqueci de um cidadão gordo, baixinho, com bigode mal feito e cara de fruteiro dizendo toda a escalação e posicionamento tático dos jogadores: "põe o romário no ataque, Biro-Biro como centroavante, o Taffarel de goleiro e faz esquema 4-4-3" Inventei umas bobagens aí por que me lembro que, na época, o clamor popular era "Felipão burro! Chama o Romário que ele faz gol! Sem ele o Brasil não se classifica!"

Bem, minha opinião não é definitiva, mas acho que há um bom motivo para terem contratado o Felipão e o Dunga para serem técnicos da Seleção Brasileira ao invés do Zé das Hortifruti: eles sabem o que fazem. Ao contrário do que muita gente pensa, treinar um time e levá-lo à vitória envolve mais do que escalação e preparo físico - a grande maioria destas variáveis não está sob o controle direto do treinador, e mesmo as que estão não envolvem apenas decisões fáceis e diretas. Querendo ou não, em algum momento vai acontecer um erro bem ruim. E o Monstro das Mil Cabeças e Nenhum Cérebro estará lá para criticar, sempre.

Caso ninguém aqui lembre, o time do Felipão ganhou a Copa do Mundo de 2002 sem o Romário, depois de uma classificatória terrível, e hoje é lembrado como um dos melhores técnicos que o Brasil já teve. Talvez o mesmo aconteça com o Dunga, por que não? Não confio muito em gente que critica alguma coisa sem saber do que está falando, e a torcida brasileira em sua quase totalidade me parece se enquadrar nesta definição.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Leituras, leituras...

Acabei de ler hoje “Terapia Cognitiva dos Transtornos de Personalidade”, do Aaron Beck e do Arthur Freeman. Como o título já indica, é um tratado científico sobre psicoterapia de transtornos de comportamento profundos, já que influenciam a própria personalidade. Contudo, se me pedirem para falar de pontos específicos de algum capítulo, dificilmente serei capaz. Hoje na aula de Teorias da Personalidade se apresentou o trabalho sobre Transtorno Borderline de Personalidade. Já tinha lido o capítulo, e não lembrava de quase nada do que eles falavam! OK, admito que pedir para lembrar um livro inteiro quando eu bem entender não é pouca coisa – aliás, é bastante. Mas não consigo evitar a sensação de que a leitura foi por nada.