Em um post antigo, disse que existem basicamente dois tipos de pessoas envolvidas com a ciência: aqueles que buscam ativamente pela Verdade, e aqueles que aceitam uma verdade pronta do guru que mais os agrada. Cada dia que passa na faculdade, cresce mais e mais minha convicção de que isto é verdadeiro. Mas sinto que o que disse neste antigo post, apesar de verdadeiro, está incompleto, e que preciso expandir minhas idéias a respeito.
O grupo das pessoas que aceitam verdades prontas não é um bloco monolítico, que segue as mesmas idéias e ora no mesmo altar. Pelo contrário, são tão numerosos os gurus com centenas e milhares de seguidores que é impossível fazer uma lista abrangente e compreensiva. E apesar das muitas semelhanças entre estes seguidores, a quem Nietzsche chamaria de camêlos, eles não poderiam estar mais distantes entre si, pois ou se segue Fulano até a morte, ou se segue Sicrano até a morte. Qualquer fulanista detestará e criticará todo sicranista sempre que puder, e todo sicranista detestará e criticará todo fulanista sempre que puder. E qualquer um entre os dois cultos será alvejado por ambos.
Dentro deste mundo de seguidores, não é possível, ou melhor dizendo, não é permitido ser eclético - isso é uma heresia. Afinal, para que ler algo de um outro autor, quando o MEU já escreveu algo sobre este assunto, de maneira muito superior que a do outro? Trabalhando com números, só é permitido para um camêlo ser 100% comprometido com as idéias e filosofia de uma causa, e menos do que isso é falta de fé. Mas um camêlo não usa este termo. Na verdade, o mais comum é "espírito crítico" - apenas quem segue o MEU guru tem espírito crítico, pois escolheu o mesmo mestre que EU escolhi, o que prova sua inteligência e principalmente a MINHA, por ter feito a mesma escolha. Mais do que rezar pelo seu guru, o dever de todo camêlo é converter o máximo possível de seguidores para seu guru, pois isto confirmará com ainda mais força a sua sabedoria e a MINHA inteligência. O mais importante de tudo isso, é que camêlos não mudam de opinião nunca. Nunca.
Óbvio, mas não desnecessário dizer, que qualquer um que negue a conversão será tratado com desprezo. Sim, desprezo é a palavra mais precisa para este fenômeno. Talvez, se estivesse escrevendo este texto em agosto de 2007, eu não tivesse nem sequer cogitado seu uso, mas depois de muito tomar pedrada por discordar da opinião dos gurus dos outros, não hesito em dizer que é desprezo. Desprezo por que, quando vêem uma opinião alheia que discorda de sua própria, sentem-se atacados, como se uma leve brisa ameaçasse o lindo altar de palha em que colocaram seu coração, pois alguém não concorda com ele. Por isso, não se dignam a considerar as idéias expostas: atacam diretamente a pessoa que as propôs. Chamam-na de "ignorante", "reacionária", "fascista", o que for melhor para a ocasião. Vale dizer que só citei palavras que já foram atiradas em minha cara por causa de minhas opiniões.
Mas isto, segundo os seguidores, é para nosso próprio bem. "É para tu veres a verdade", dizem. "Quando fores mais velho, estudares mais, vais pensar como nós", falam. Lacan é o caminho, a Luz e a verdade, e tudo e todos que não concordarem com ele estão condenados ao positivismo e à imbecilidade, e são merecedores de todo meu ódio!
Em gritante contraste com estas pessoas, aqueles que buscam a Verdade, não apenas uma verdade conveniente, dificilmente se atêm à um mestre. Na realidade, eles têm muitos mestres ao longo de sua vida: conhecem-no, aprendem, e quando não há mais nada para se aprender, partem em busca de seu próximo professor. Não há um guru superior aos outros; todos são respeitados igualmente pelo que ensinaram e atingiram. Estes que buscam a Verdade, a quem Nietzsche chamaria "crianças", não querem se tornar meros seguidores - querem se tornar mestres em seu próprio direito, e ensinar o que aprenderam com outros mestres, e principalmente aquilo que descobriram por conta própria. Não há dogmas para uma criança: se uma idéia até então considerada imbatível for substituída por uma superior, ela abandona o passado e abraça o futuro. Não há apegos desnecessários ao que já não é mais. De fato, este é o caminho para a grandeza.
Mas os camêlos, estes seguidores inveterados de qualquer um que se diga mestre, abominam a grandeza, e buscam tornar a todos aqueles que a buscam em medíocres. De todos aqueles que eles poderiam detestar, as crianças são seus maiores inimigos. A ironia disto tudo é que muitos dos gurus que hoje são incensados por milhares de camêlos sofreram os mesmos preconceitos, e foram atacados pelos camêlos seguidores dos gurus de antigamente. Muitos dos gurus de hoje foram as crianças de ontem. Claro, seus seguidores fazem questão de dizer como seu mestre foi atacado por suas idéias, mas que triunfaram no final, graças à sua grandeza inata, por buscar a Verdade (que, segundo dizem, ele atingiu). Mas são os primeiros a atacar aqueles que buscam a Verdade hoje, por caminhos diversos dos seus, sem considerar argumentos ou idéias. Elas não são válidas a priori. É como ser fã de um grande corredor da década de 1960, e quebrar as pernas de um menino ou uma menina que queira ser atleta, por medo de ela superar o seu ídolo.
Tenho sentido na pele este preconceito. Ele não é constante, mas é real. Não quero interpretem o que disse como sendo uma auto-vitimização, apesar das idéias aqui expostas serem fruto de ataques a minha pessoa por causa de minhas idéias, nem que me considero superior a ninguém - de fato, nem sei bem se estou no caminho certo. Estou apenas tentando, e vendo qual me trás mais alegria e satisfação. Apenas busco essa grandeza, sem saber muito bem o que é. Só sei que é difícil de alcançar, e talvez por isso valha a pena buscá-la.
sábado, 22 de março de 2008
sexta-feira, 21 de março de 2008
Desabafo
Um dos temas mais antigos e mais controversos da Psicologia é a questão de sua cientificidade: a Psicologia pode ser considerada uma ciência? Basicamente, há três posições argumentativas para esta questão: uns dizem que "não", a Psicologia não é uma ciência e nem nunca será, pois seu objeto de estudo é intangível e por demais subjetivo para ser estudado de forma empírica rigorosa, e deve limitar-se a descrever os fenômenos psicológicos; outros dizem que "sim", a Psicologia é uma ciência, pois utiliza o método científico para fazer inferências eficientes sobre o que não é observável, e pode atingir um grau bastante elevado de previsão de comportamentos, indo além da mera descrição; e têm os que dizem "ainda não" - para esses, a Psicologia é uma "Protociência", uma ciência séria ainda em estado de gestação, e portanto cheia de conceitos inúteis.
Meu objetivo com este post não é defender uma destas posições - deixo estas pendengas para os epistemólogos que são pagos para isto. Pretendo fazer uma breve descrição do que tenho observado nos meios que convivo por causa da faculdade. Escrevi o primeiro parágrafo com a intenção de deixar claro que o contexto da Psicologia é uma bagunça, fato fundamental para entender o que vou dizer a seguir.
Dentro da Psicologia, as pessoas tomam posições antagônicas sobre o que uma ciência é, qual sua função e importância para a sociedade e para a humanidade como um todo. Tenho visto um espectro bem amplo de opiniões, tão variadas quanto a própria Psicologia é - em uma ponta deste continuum, estão aqueles que abominam o empirismo, e que colocam a subjetividade humana acima de tudo; na outra ponta estão aqueles que consideram a ciência não só o bem maior da civilização, mas nossa deusa e objetivo supremo, que deve guiar todos os nossos passos. No meio dessa linha contínua, caem todos os outros sabores de opinião sobre ciência. Obviamente, os dois extremos são irracionais, mas se tivesse que detestar um mais do que o outro, seria a ponta Anticientífica, cujos representantes chamarei de "Hippies Abobados". Sua posição é de que a ciência é um demônio que escraviza a todos nós, que todo o mal já criado veio dela, e que seremos livres somente quando abandonarmos os experimentos e vivermos em paz com a natureza, como bons selvagens.
Caricato, eu sei. Mas não foram poucas as vezes que vi estudantes de Psicologia expressarem opiniões muito semelhantes - não apenas remotamente, mas muito semelhantes - as que descrevi aqui. Por exemplo, uma das críticas mas usadas (não necessariamente a mais forte ou inteligente) contra a pesquisa a ser realizada por pesquisadores da UFRGS e da PUCRS com meninos da FASE utilizando técnicas neurocientíficas é "qual o limite da ciência?", ou "devemos colocar a ciência acima do bem estar destes meninos?", e as experiências conduzidas pelo regime nazista com judeus e outros povos oprimidos para comprovar cientificamente que a raça ariana era superior. Também adoram dizer que este tipo de avaliação ignora a subjetividade pessoal, e transforma a todos em meros "robôs". Estes argumentos apenas mostram que estes Hippies Abobados deveriam ter lido outras coisas além de "Mil Platôs" e "O Capital", e visto outros filmes além dos do Michael Moore (não que sejam ruins, mas são bem parciais). Primeiro por que, pelo menos neste exemplo específico, não vão furar a cabeça dos meninos com para ver se a massa cinzenta é diferente - vão fazer PET Scan e Ressonância Magnética, o que não machuca até onde eu sei. Segundo, eles são incapazes de perceber que Hitler e seus amigos não fizeram ciência: fizeram ideologia, o mesmo que os Hippies fazem. Terceiro, o relato em primeira pessoa é fundamental em muitas pesquisas neurocientíficas, o que faz do "avaliado" um co-pesquisador, tão importante quanto quem interpreta os dados.
Mas os Hippies Abobados têm um talento especial para verem apenas o que querem ver. Não tentam argumentar racionalmente, pois é mais fácil acusar a pessoa. Se alguém defendesse esta tal pesquisa, ele seria rapidamente tachado de "fascista" ou "ignorante" - acreditem, isso aconteceu comigo mais vezes do que esperava ou achava possível. E estas criaturas (que não chegam ser indivíduos, mas meros membros de uma manada) também não vêem o óbvio: que a se não fosse a ciência, ainda estaríamos nas cavernas. Mas é mais fácil imaginar que temos computadores com internet banda larga desde o princípio do universo. É, eu convivo com gente assim.
Não escrevi isso por que quero denegrir a imagem dos hippies - para falar a verdade, sou amigo de muitos deles. Mas fico impressionado com a facilidade com que estas pessoas descambam da racionalidade para a estupidez, abandonam a discussão de idéias para partir para ataques pessoais. Não entendo como alguém possa achar que é assim que se vai para a frente. Esse post foi apenas um desabafo de um cara que tomou pedrada demais por causa de suas opiniões, baseadas na pouca coisa que leu sobre Ciências Humanas, e portanto falhas e incompletas, e que vai continuar tomando pedrada por que vai continuar abrindo a boca.
Meu objetivo com este post não é defender uma destas posições - deixo estas pendengas para os epistemólogos que são pagos para isto. Pretendo fazer uma breve descrição do que tenho observado nos meios que convivo por causa da faculdade. Escrevi o primeiro parágrafo com a intenção de deixar claro que o contexto da Psicologia é uma bagunça, fato fundamental para entender o que vou dizer a seguir.
Dentro da Psicologia, as pessoas tomam posições antagônicas sobre o que uma ciência é, qual sua função e importância para a sociedade e para a humanidade como um todo. Tenho visto um espectro bem amplo de opiniões, tão variadas quanto a própria Psicologia é - em uma ponta deste continuum, estão aqueles que abominam o empirismo, e que colocam a subjetividade humana acima de tudo; na outra ponta estão aqueles que consideram a ciência não só o bem maior da civilização, mas nossa deusa e objetivo supremo, que deve guiar todos os nossos passos. No meio dessa linha contínua, caem todos os outros sabores de opinião sobre ciência. Obviamente, os dois extremos são irracionais, mas se tivesse que detestar um mais do que o outro, seria a ponta Anticientífica, cujos representantes chamarei de "Hippies Abobados". Sua posição é de que a ciência é um demônio que escraviza a todos nós, que todo o mal já criado veio dela, e que seremos livres somente quando abandonarmos os experimentos e vivermos em paz com a natureza, como bons selvagens.
Caricato, eu sei. Mas não foram poucas as vezes que vi estudantes de Psicologia expressarem opiniões muito semelhantes - não apenas remotamente, mas muito semelhantes - as que descrevi aqui. Por exemplo, uma das críticas mas usadas (não necessariamente a mais forte ou inteligente) contra a pesquisa a ser realizada por pesquisadores da UFRGS e da PUCRS com meninos da FASE utilizando técnicas neurocientíficas é "qual o limite da ciência?", ou "devemos colocar a ciência acima do bem estar destes meninos?", e as experiências conduzidas pelo regime nazista com judeus e outros povos oprimidos para comprovar cientificamente que a raça ariana era superior. Também adoram dizer que este tipo de avaliação ignora a subjetividade pessoal, e transforma a todos em meros "robôs". Estes argumentos apenas mostram que estes Hippies Abobados deveriam ter lido outras coisas além de "Mil Platôs" e "O Capital", e visto outros filmes além dos do Michael Moore (não que sejam ruins, mas são bem parciais). Primeiro por que, pelo menos neste exemplo específico, não vão furar a cabeça dos meninos com para ver se a massa cinzenta é diferente - vão fazer PET Scan e Ressonância Magnética, o que não machuca até onde eu sei. Segundo, eles são incapazes de perceber que Hitler e seus amigos não fizeram ciência: fizeram ideologia, o mesmo que os Hippies fazem. Terceiro, o relato em primeira pessoa é fundamental em muitas pesquisas neurocientíficas, o que faz do "avaliado" um co-pesquisador, tão importante quanto quem interpreta os dados.
Mas os Hippies Abobados têm um talento especial para verem apenas o que querem ver. Não tentam argumentar racionalmente, pois é mais fácil acusar a pessoa. Se alguém defendesse esta tal pesquisa, ele seria rapidamente tachado de "fascista" ou "ignorante" - acreditem, isso aconteceu comigo mais vezes do que esperava ou achava possível. E estas criaturas (que não chegam ser indivíduos, mas meros membros de uma manada) também não vêem o óbvio: que a se não fosse a ciência, ainda estaríamos nas cavernas. Mas é mais fácil imaginar que temos computadores com internet banda larga desde o princípio do universo. É, eu convivo com gente assim.
Não escrevi isso por que quero denegrir a imagem dos hippies - para falar a verdade, sou amigo de muitos deles. Mas fico impressionado com a facilidade com que estas pessoas descambam da racionalidade para a estupidez, abandonam a discussão de idéias para partir para ataques pessoais. Não entendo como alguém possa achar que é assim que se vai para a frente. Esse post foi apenas um desabafo de um cara que tomou pedrada demais por causa de suas opiniões, baseadas na pouca coisa que leu sobre Ciências Humanas, e portanto falhas e incompletas, e que vai continuar tomando pedrada por que vai continuar abrindo a boca.
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segunda-feira, 17 de março de 2008
Um panorama da minha faculdade
O Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul é uma entidade política e burocrática extremamente complexa por si mesma - isso enche o saco com freqüência, mas tem seus pontos altos.
Primeiro, acho que devo fazer uma breve explicação sobre como o Instituto se estrutura legalmente.
Nossa amada unidade orgânica é composta por três departamentos: o Departamento de Psicologia do Desenvolvimento e Personalidade, o Departamento de Psicologia Social e Institucional e o Departamento de Psicanálise e Psicopatologia. Cada departamento é estruturado de forma independente, mas estão todos subordinados à diretoria e ao Conselho da Unidade, o famoso CU, entidade deliberativa máxima dentro do Instituto. Tão ou mais importantes que os os departamentos são as Comissões de Graduação (COMGRAD), que deliberam sobre nosso currículo e cuidam da nossa matrícula. Digo comissões no plural por que temos duas COMGRADs em nossa unidade: a COMGRAD da Psicologia, e a COMGRAD da Fonoaudiologia, tendo esta última sido criada no final do ano passado para organizar o novo curso.
Além destas 6 entidades, temos comissões e núcleos de menor importância que compõem o aparato burocrático da unidade, como a Comissão de Estágios e o Núcleo de Avaliação de Unidade (NAU). Pelo lado dos estudantes, temos o Diretório Acadêmico de Psicologia (DAP) e o Projeto de Ensino Tutorial (PET). Futuramente, teremos o Centro Acadêmico da Fonoaudiologia (CAF), mas isso já é pro futuro.
Também são vultos importantes os cursos dentro do Instituto. O curso de graduação em Psicologia está sob responsabilidade da COMGRAD-Psico e dos três departamentos, e o curso de graduação em Fonoaudiologia também está vinculado à Faculdade de Odontologia.
Muito importantes também são os cursos de pós-graduação. Há dois destes dentro da unidade: o Programa de Pós-Graduação em Psicologia, vinculado diretamente ao Departamento de Desenvolvimento, e o Programa de Pós-Graduação em Psicologia, vinculado ao Departamento de Psicologia Social, mas com participação dos professores do Departamento de Psicanálise.
Os cursos de pós-graduação são subdivididos ainda: há neles os cursos de especialização, de mestrado, doutorado e pós-doutorado (em hierarquia crescente). Os cursos de especialização são cursos rápidos e leves, por assim dizer. Seus alunos são geralmente profissionais trabalhando no mercado de trabalho (leia-se "mundo real"), e buscam um aprimoramento em suas técnicas, e estudam e trabalham ao mesmo tempo. Em cada PPG há muitos e muitos cursos de especialização diferentes (pós-graduações latu sensu), desde de Terapias Cognitivas Comportamentais à Psicologia Hospitalar. E quando digo que são leves, digo por que em um semestre eu estudo tudo o que um boçal da especialização estuda em dois anos.
Os mestrados, doutorados e "postdocs", por outro lado, são mais demorados, e mais voltados para o lado acadêmico. Não tem como trabalhar e fazer uma pós-graduação strictu sensu ao mesmo tempo: o trabalho de um pós-graduando é sua tese. Com freqüência, estes pós-graduandos dão aula para nós, chinelões da graduação, e quase sempre sem orientação de um professor titular. Fato muito criticado por 75% dos frequentadores da casa, mas deliberadamente ignorada por todos os professores preguiçosos.
Teoricamente, os departamentos deveriam ser apenas um aspecto secundário da organização interna das unidades orgânicas, mas o fato de eles terem que competir por verbas e atenção da reitoria, do CNPq e da CAPES torna isso muito mais difícil. E para piorar a situação na Psicologia, os departamentos não diferem apenas em assuntos abordados, mas também em linhas teóricas adotadas. Em poucas palavras, é um puta barril de pólvora, e qualquer estudante de graduação sabe disso (os de pós não sei se importam com coisas outras que não sua tese).
Com a promoção do Departamento de Psicologia da UFRGS para Instituto em 1996, os três atuais departamentos foram criados de acordo com as afiliações ideológicas dos professores: os psicanalistas lacanianos foram para o Departamento de Psicanálise, os analistas institucionais e psicólogos sociais foram para o Departamento de Psicologia Social e o resto foi para o Desenvolvimento. Historicamente, o departamento mais forte destes três em termos de verba e pesquisa foi sempre o Desenvolvimento. Isto talvez ocorra por causa da personalidade mais agressiva e "caçadora de tesouro" de seus professores, por suas linhas de pesquisa serem mais alinhadas com o que o resto do mundo e o mercado de trabalho queiram, ou por serem mais diversas e preencherem mais nichos. E apesar disso, ocorre (ou ocorria) um fenômeno social bastante paradoxal com a filiação ideológica dos formandos do curso de graduação. Por causa da antiga estrutura curricular, os graduandos levavam um bombardeio de Psicanálise e Psicologia Social no final do curso, Psicanálise principalmente, e todos (salvo raras e nobres exceções) viravam psicanalistas, ou psicólogos sociais com viés psicanalítico. Como o currículo mudou, e começamos a ver Psicanálise desde o começo do curso, a coisa vai ser bem diferente, mas não dá prever agora.
No CU e na COMGRAD-Psico os professores de todos os departamentos se reunem para discutir questões relevantes para o Instituto e para o curso de graduação. Em outras palavras, são campos de batalha onde se decide quem tem mais poder sobre os estudantes e sobre o Instituto. Não tive muitas oportunidades de ver o pau comendo na COMGRAD, mas já vi - e como! - isso acontecendo no CU (o que torna a coisa muito mais engraçada). A batalha mais violenta que já presenciei foi uma discussão sobre as aulas ministradas para a Fonoaudiologia. Vou passar um breve formulário que os capacitará a entender o porquê da discussão:
Aulas ministradas para a Graduação = Dinheiro
Aulas ministradas para um curso de graduação novo = Mais Dinheiro Ainda
Poder dizer que dá aula para mais de um curso de graduação = Prestígio
Poder dizer que ajudou a fundar um curso novo = Mais Prestígio Ainda
Tendo estas informações em mente, é perfeitamente compreensível o Departamento de Psicanálise ficar fulo da vida por que teve quase todas as cadeiras que tinha planejado para a Fono. Mas a coisa não para por aí, por que um professor do Desenvolvimento perguntou na cara dura "o que vocês tem para oferecer para os alunos da Fono? Só tem lacaniano no departamento de vocês! Que diversidade de idéias vocês podem dar?" (não vou nem apoiar nem contrariar a opinião deste indivíduo. Deixo para vocês deduzirem minhas opiniões). A vice-diretora do instituto e psicanalista ficou louca da vida com essa afirmação, levou tudo para o lado pessoal e ficou falando coisas do tipo "a gente vai embora se não precisam da gente então... eu sei quando sou desprezada". O professor que fez as primeiras reclamações não parou por aí, e escancarou a situação de conchavo entre o Social e a Psicanálise quando ocorriam votações importantes no CU. Os professores destes departamentos mostraram-se indignados, e alguns deles acredito que de forma sincera. Mas é óbvio para qualquer chinelão que participe das reuniões do CU como Representante Discente pode atestar isto como um fato, e não mera teoria daconstipação conspiração. Foi necessário que um outro professor trouxesse o bom senso de volta para o recinto, ressaltando que o importante do curso de Fonoaudiologia não era a dominância de uma ou outra teoria da Psicologia, mas que seus conteúdos devem ser sobre Fonoaudiologia!
Os Programas de Pós-Graduação refletem ainda mais o ridículo de nossa situação. Se você se lembra do que eu escrevi sobre eles alguns parágrafos acima, vai lembrar que ambos tem o mesmo nome: PPG Psicologia. Os dois programas têm o mesmo objetivo, de formar profissionais para a área de pesquisa e ensino superior em Psicologia. Apesar das diferenças metodológicas que aparecem em alguns pontos, não é muito diferente. Então por que raio que os parta há dois programas separados? Minha resposta preferida é "frescura", mas a mais acurada é "conflitos pessoais internos". Por causa de brigas internas, um PPG a mais foi criado, e muita verba foi jogada fora. OK, muitas faculdades de sucesso têm vários PPGs com assuntos diferentes. Mas isto acontece por causa dos assuntos diferentes. Não é o caso aqui. Só isso deveria ser motivo o suficiente para reavaliar como os PPGs estão estruturados.
E existe uma outra diferença entre os cursos de graduação e de pós-graduação: a avaliação. Enquanto que nós somos avaliados por uma prova específica do MEC, a pós é avaliada pela CAPES, que adota uma metodologia bem diferente. Não vou ficar especificando quais diferenças existem entre as duas avaliações (por que isso é chato pra caralho), o que importa é que é extremamente difícil uma pós-graduação tirar a nota máxima pelo CAPES (nota 7). O PPG do Desenvolvimento tirou nota 7 na última avaliação. Furaram a parede do lado da entrada do Instituto e penduraram um cartaz dizendo isso com letras enormes, para todo mundo ver. O PPG do Social tirou nota 4 - o que não é uma nota ruim para uma pós que vai só até mestrado, mas não dá pra propagandear por aí também.
Essa história de notas do CAPES tem seu valor, mas não tanto quanto os professores do pós gostam de dizer. Se assim fosse, não teriamos tido aulas tão capengas com doutorandos do Desenvolvimento (e momentos como "Os Soldadinhos da Libido" e "A Foto da Mente" teriam ficado apenas no plano platônico das idéias). E os professores dão a bunda para dar aula para a pós - e nem são aulas tão especiais assim, pois muitos professores passam os mesmos textos para nós e para os pós-graduandos. Por essas e outras, se algum dia eu fizer pós-graduação, não vou fazer na UFRGS.
E no meio dessa bagunça toda, estamos nós, valentes graduandos em Psicologia, representados pelo DAP. Curiosamente, o DAP é a entidade que representa TODOS os estudantes de Psicologia do Instituto, graduandos e pós-graduandos. Só que a última vez que eu vi um mestrando ou doutorando entrar no DAP foi para arranjar mão-de-obraescrava barata para coletar dados pra pesquisa dele. Na prática, os únicos envolvidos no DAP são graduandos. Não posso me esquecer do PET, que é uma fonte de renda para estudantes de graduação dispostos a se prostituírem para a Pró-Reitoria de Graduação por 300 reais todo mês (eu quero vender minha dignidade para a Pró-Reitoria de Extensão). Politicamente, o PET não é grande coisa, mas organiza eventos legais de vez em quando.
Faltou xingar o DAP. Fica meio difícil para um participante desta baderna como eu criticar o DAP, mas acho um tanto quanto óbvio que muitas vezes ficamos só "problematizando" as coisas e não vamos para a parte prática de mudar as coisas. Algumas de nossas reuniões parecem a reunião da Frente Popular da Judéia, no filme "A Vida de Brian", em que eles discutem animadamente que irão fazer tudo o que dizem - tudo devidamente anotado na ata. Por sermos anarquistas, somos também levemente desorganizados, e cada um faz o que quer ou acha importante. Em algumas coisas fomos capazes de nos unir, mas devo dizer que foram situações de exceção.
Bem, me despeço, depois de tão longo post destruíndo todo o Instituto. Talvez algum dia desses eu critique os departamentos individualmente. Até lá, olhem para o lado bom da vida, como cantou Jesus Cristo.
Primeiro, acho que devo fazer uma breve explicação sobre como o Instituto se estrutura legalmente.
Nossa amada unidade orgânica é composta por três departamentos: o Departamento de Psicologia do Desenvolvimento e Personalidade, o Departamento de Psicologia Social e Institucional e o Departamento de Psicanálise e Psicopatologia. Cada departamento é estruturado de forma independente, mas estão todos subordinados à diretoria e ao Conselho da Unidade, o famoso CU, entidade deliberativa máxima dentro do Instituto. Tão ou mais importantes que os os departamentos são as Comissões de Graduação (COMGRAD), que deliberam sobre nosso currículo e cuidam da nossa matrícula. Digo comissões no plural por que temos duas COMGRADs em nossa unidade: a COMGRAD da Psicologia, e a COMGRAD da Fonoaudiologia, tendo esta última sido criada no final do ano passado para organizar o novo curso.
Além destas 6 entidades, temos comissões e núcleos de menor importância que compõem o aparato burocrático da unidade, como a Comissão de Estágios e o Núcleo de Avaliação de Unidade (NAU). Pelo lado dos estudantes, temos o Diretório Acadêmico de Psicologia (DAP) e o Projeto de Ensino Tutorial (PET). Futuramente, teremos o Centro Acadêmico da Fonoaudiologia (CAF), mas isso já é pro futuro.
Também são vultos importantes os cursos dentro do Instituto. O curso de graduação em Psicologia está sob responsabilidade da COMGRAD-Psico e dos três departamentos, e o curso de graduação em Fonoaudiologia também está vinculado à Faculdade de Odontologia.
Muito importantes também são os cursos de pós-graduação. Há dois destes dentro da unidade: o Programa de Pós-Graduação em Psicologia, vinculado diretamente ao Departamento de Desenvolvimento, e o Programa de Pós-Graduação em Psicologia, vinculado ao Departamento de Psicologia Social, mas com participação dos professores do Departamento de Psicanálise.
Os cursos de pós-graduação são subdivididos ainda: há neles os cursos de especialização, de mestrado, doutorado e pós-doutorado (em hierarquia crescente). Os cursos de especialização são cursos rápidos e leves, por assim dizer. Seus alunos são geralmente profissionais trabalhando no mercado de trabalho (leia-se "mundo real"), e buscam um aprimoramento em suas técnicas, e estudam e trabalham ao mesmo tempo. Em cada PPG há muitos e muitos cursos de especialização diferentes (pós-graduações latu sensu), desde de Terapias Cognitivas Comportamentais à Psicologia Hospitalar. E quando digo que são leves, digo por que em um semestre eu estudo tudo o que um boçal da especialização estuda em dois anos.
Os mestrados, doutorados e "postdocs", por outro lado, são mais demorados, e mais voltados para o lado acadêmico. Não tem como trabalhar e fazer uma pós-graduação strictu sensu ao mesmo tempo: o trabalho de um pós-graduando é sua tese. Com freqüência, estes pós-graduandos dão aula para nós, chinelões da graduação, e quase sempre sem orientação de um professor titular. Fato muito criticado por 75% dos frequentadores da casa, mas deliberadamente ignorada por todos os professores preguiçosos.
Teoricamente, os departamentos deveriam ser apenas um aspecto secundário da organização interna das unidades orgânicas, mas o fato de eles terem que competir por verbas e atenção da reitoria, do CNPq e da CAPES torna isso muito mais difícil. E para piorar a situação na Psicologia, os departamentos não diferem apenas em assuntos abordados, mas também em linhas teóricas adotadas. Em poucas palavras, é um puta barril de pólvora, e qualquer estudante de graduação sabe disso (os de pós não sei se importam com coisas outras que não sua tese).
Com a promoção do Departamento de Psicologia da UFRGS para Instituto em 1996, os três atuais departamentos foram criados de acordo com as afiliações ideológicas dos professores: os psicanalistas lacanianos foram para o Departamento de Psicanálise, os analistas institucionais e psicólogos sociais foram para o Departamento de Psicologia Social e o resto foi para o Desenvolvimento. Historicamente, o departamento mais forte destes três em termos de verba e pesquisa foi sempre o Desenvolvimento. Isto talvez ocorra por causa da personalidade mais agressiva e "caçadora de tesouro" de seus professores, por suas linhas de pesquisa serem mais alinhadas com o que o resto do mundo e o mercado de trabalho queiram, ou por serem mais diversas e preencherem mais nichos. E apesar disso, ocorre (ou ocorria) um fenômeno social bastante paradoxal com a filiação ideológica dos formandos do curso de graduação. Por causa da antiga estrutura curricular, os graduandos levavam um bombardeio de Psicanálise e Psicologia Social no final do curso, Psicanálise principalmente, e todos (salvo raras e nobres exceções) viravam psicanalistas, ou psicólogos sociais com viés psicanalítico. Como o currículo mudou, e começamos a ver Psicanálise desde o começo do curso, a coisa vai ser bem diferente, mas não dá prever agora.
No CU e na COMGRAD-Psico os professores de todos os departamentos se reunem para discutir questões relevantes para o Instituto e para o curso de graduação. Em outras palavras, são campos de batalha onde se decide quem tem mais poder sobre os estudantes e sobre o Instituto. Não tive muitas oportunidades de ver o pau comendo na COMGRAD, mas já vi - e como! - isso acontecendo no CU (o que torna a coisa muito mais engraçada). A batalha mais violenta que já presenciei foi uma discussão sobre as aulas ministradas para a Fonoaudiologia. Vou passar um breve formulário que os capacitará a entender o porquê da discussão:
Aulas ministradas para a Graduação = Dinheiro
Aulas ministradas para um curso de graduação novo = Mais Dinheiro Ainda
Poder dizer que dá aula para mais de um curso de graduação = Prestígio
Poder dizer que ajudou a fundar um curso novo = Mais Prestígio Ainda
Tendo estas informações em mente, é perfeitamente compreensível o Departamento de Psicanálise ficar fulo da vida por que teve quase todas as cadeiras que tinha planejado para a Fono. Mas a coisa não para por aí, por que um professor do Desenvolvimento perguntou na cara dura "o que vocês tem para oferecer para os alunos da Fono? Só tem lacaniano no departamento de vocês! Que diversidade de idéias vocês podem dar?" (não vou nem apoiar nem contrariar a opinião deste indivíduo. Deixo para vocês deduzirem minhas opiniões). A vice-diretora do instituto e psicanalista ficou louca da vida com essa afirmação, levou tudo para o lado pessoal e ficou falando coisas do tipo "a gente vai embora se não precisam da gente então... eu sei quando sou desprezada". O professor que fez as primeiras reclamações não parou por aí, e escancarou a situação de conchavo entre o Social e a Psicanálise quando ocorriam votações importantes no CU. Os professores destes departamentos mostraram-se indignados, e alguns deles acredito que de forma sincera. Mas é óbvio para qualquer chinelão que participe das reuniões do CU como Representante Discente pode atestar isto como um fato, e não mera teoria da
Os Programas de Pós-Graduação refletem ainda mais o ridículo de nossa situação. Se você se lembra do que eu escrevi sobre eles alguns parágrafos acima, vai lembrar que ambos tem o mesmo nome: PPG Psicologia. Os dois programas têm o mesmo objetivo, de formar profissionais para a área de pesquisa e ensino superior em Psicologia. Apesar das diferenças metodológicas que aparecem em alguns pontos, não é muito diferente. Então por que raio que os parta há dois programas separados? Minha resposta preferida é "frescura", mas a mais acurada é "conflitos pessoais internos". Por causa de brigas internas, um PPG a mais foi criado, e muita verba foi jogada fora. OK, muitas faculdades de sucesso têm vários PPGs com assuntos diferentes. Mas isto acontece por causa dos assuntos diferentes. Não é o caso aqui. Só isso deveria ser motivo o suficiente para reavaliar como os PPGs estão estruturados.
E existe uma outra diferença entre os cursos de graduação e de pós-graduação: a avaliação. Enquanto que nós somos avaliados por uma prova específica do MEC, a pós é avaliada pela CAPES, que adota uma metodologia bem diferente. Não vou ficar especificando quais diferenças existem entre as duas avaliações (por que isso é chato pra caralho), o que importa é que é extremamente difícil uma pós-graduação tirar a nota máxima pelo CAPES (nota 7). O PPG do Desenvolvimento tirou nota 7 na última avaliação. Furaram a parede do lado da entrada do Instituto e penduraram um cartaz dizendo isso com letras enormes, para todo mundo ver. O PPG do Social tirou nota 4 - o que não é uma nota ruim para uma pós que vai só até mestrado, mas não dá pra propagandear por aí também.
Essa história de notas do CAPES tem seu valor, mas não tanto quanto os professores do pós gostam de dizer. Se assim fosse, não teriamos tido aulas tão capengas com doutorandos do Desenvolvimento (e momentos como "Os Soldadinhos da Libido" e "A Foto da Mente" teriam ficado apenas no plano platônico das idéias). E os professores dão a bunda para dar aula para a pós - e nem são aulas tão especiais assim, pois muitos professores passam os mesmos textos para nós e para os pós-graduandos. Por essas e outras, se algum dia eu fizer pós-graduação, não vou fazer na UFRGS.
E no meio dessa bagunça toda, estamos nós, valentes graduandos em Psicologia, representados pelo DAP. Curiosamente, o DAP é a entidade que representa TODOS os estudantes de Psicologia do Instituto, graduandos e pós-graduandos. Só que a última vez que eu vi um mestrando ou doutorando entrar no DAP foi para arranjar mão-de-obra
Faltou xingar o DAP. Fica meio difícil para um participante desta baderna como eu criticar o DAP, mas acho um tanto quanto óbvio que muitas vezes ficamos só "problematizando" as coisas e não vamos para a parte prática de mudar as coisas. Algumas de nossas reuniões parecem a reunião da Frente Popular da Judéia, no filme "A Vida de Brian", em que eles discutem animadamente que irão fazer tudo o que dizem - tudo devidamente anotado na ata. Por sermos anarquistas, somos também levemente desorganizados, e cada um faz o que quer ou acha importante. Em algumas coisas fomos capazes de nos unir, mas devo dizer que foram situações de exceção.
Bem, me despeço, depois de tão longo post destruíndo todo o Instituto. Talvez algum dia desses eu critique os departamentos individualmente. Até lá, olhem para o lado bom da vida, como cantou Jesus Cristo.
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domingo, 16 de março de 2008
Barras pra que te quero
Nesses meses de treino, correndo no parque dos macaquinhos em Caxias, notei enquanto alongava que a barra fixa é um chamariz para grupos de jovens adultos do sexo masculino, que se aglomeram em torno deste aparelho de exercícios para competir e ver quem é o mais forte. Frequentemente, o campeão é alguém recém saído do quartel, e frequentemente, é este quem incita os outros a entrarem na competição contra ele, com a certeza de que vai ganhar.
"Andarilho, VOCÊ TAMBÉM é um jovem adulto do sexo masculino".
Eu sei. Mas eu tenho padrões de comportamento diferentes, talvez por fazer Psicologia, ou por que decidi fazer Psicologia, não sei. Só sei que, sempre que vejo estas matilhas de homens se aproximando da barra fixa para ver quem é o melhor eu me mantenho a distância. Não é por medo de perder de forma humilhante. Na verdade, há poucos na minha idade que conseguiriam me derrotar num campeonato de barras. Prefiro passar incógnito, apenas observando.
Fico poderando o motivo de tais campeonatos entre amigos. Raramente eles descambam para violência, até por serem entre amigos, mas demonstram claramente a tendência masculina de competir e demarcar território. A exclamação "eu sou o Rei da Barra Fixa" não deixa de ter suas semelhanças com o comportamento dos lobos machos de urinarem em árvores para demarcar seu local de caça e afugentar machos rivais.
Também é interessante notar que este comportamento é mais comum no Parque dos Macaquinhos, em Caxias do Sul, do que no Parque da Redenção, em Porto Alegre. Até agora, não vi nenhuma matilha de rapazes se aproximando de uma barra fixa para ver quem é seu rei. Há muitas explicações diversas para esta diferença: as barras fixas no Parque dos Macaquinhos são muito mais visíveis do que na Redenção - no Macaquinhos elas estão do lado da pista de corrida, enquanto que na Redenção elas estão no meio do mato. Uma maior visibilidade permite que os competidores possam vê-las mais facilmente, e principalmente, se exibirem com maior facilidade ("Olha como eu sou forte, mulherada!"). Pode ser também que, devido ao tamanho muito menor do Parque dos Macaquinhos, se comparado com o Parque da Redenção, este fenômeno social seja mais visível em Caxias do que em Porto Alegre. Ou eu nunca fui pra Redenção numa hora que os homens jovens se reunam pra cantar de galo.
"Andarilho, VOCÊ TAMBÉM é um jovem adulto do sexo masculino".
Eu sei. Mas eu tenho padrões de comportamento diferentes, talvez por fazer Psicologia, ou por que decidi fazer Psicologia, não sei. Só sei que, sempre que vejo estas matilhas de homens se aproximando da barra fixa para ver quem é o melhor eu me mantenho a distância. Não é por medo de perder de forma humilhante. Na verdade, há poucos na minha idade que conseguiriam me derrotar num campeonato de barras. Prefiro passar incógnito, apenas observando.
Fico poderando o motivo de tais campeonatos entre amigos. Raramente eles descambam para violência, até por serem entre amigos, mas demonstram claramente a tendência masculina de competir e demarcar território. A exclamação "eu sou o Rei da Barra Fixa" não deixa de ter suas semelhanças com o comportamento dos lobos machos de urinarem em árvores para demarcar seu local de caça e afugentar machos rivais.
Também é interessante notar que este comportamento é mais comum no Parque dos Macaquinhos, em Caxias do Sul, do que no Parque da Redenção, em Porto Alegre. Até agora, não vi nenhuma matilha de rapazes se aproximando de uma barra fixa para ver quem é seu rei. Há muitas explicações diversas para esta diferença: as barras fixas no Parque dos Macaquinhos são muito mais visíveis do que na Redenção - no Macaquinhos elas estão do lado da pista de corrida, enquanto que na Redenção elas estão no meio do mato. Uma maior visibilidade permite que os competidores possam vê-las mais facilmente, e principalmente, se exibirem com maior facilidade ("Olha como eu sou forte, mulherada!"). Pode ser também que, devido ao tamanho muito menor do Parque dos Macaquinhos, se comparado com o Parque da Redenção, este fenômeno social seja mais visível em Caxias do que em Porto Alegre. Ou eu nunca fui pra Redenção numa hora que os homens jovens se reunam pra cantar de galo.
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Vídeos e criatividade
Finalmente aprendi como se posta vídeos em blogs. Isso permite que eu faça posts com mais freqüência, mas também pode me fazer ir por um caminho que não quero trilhar.
É legal postar vídeos e coisas catadas da internet. Mas eu sou um blogueiro com um código de conduta bem restrito: esforce-se para publicar coisas criativas e não saia copiando e colando feito um abobado é meu primeiro mandamento. Quebrei ele a marretadas no mês de janeiro no R&A. E mesmo naquela época sombria (2 meses atrás), eu ainda tentava dar um toque pessoal para todas as porcarias que eu pegava no 4chan. E colocar vídeos que outras pessoas criaram no meu blog pessoal não é criativo (fazer os próprios vídeos e postá-los, por outro lado, é).
Mas enfim, agora que eu posso colocar vídeos aqui, o blog vai ficar mais variado, o que é sempre uma coisa boa. Desde que eu não erre a mão e exagere.
É legal postar vídeos e coisas catadas da internet. Mas eu sou um blogueiro com um código de conduta bem restrito: esforce-se para publicar coisas criativas e não saia copiando e colando feito um abobado é meu primeiro mandamento. Quebrei ele a marretadas no mês de janeiro no R&A. E mesmo naquela época sombria (2 meses atrás), eu ainda tentava dar um toque pessoal para todas as porcarias que eu pegava no 4chan. E colocar vídeos que outras pessoas criaram no meu blog pessoal não é criativo (fazer os próprios vídeos e postá-los, por outro lado, é).
Mas enfim, agora que eu posso colocar vídeos aqui, o blog vai ficar mais variado, o que é sempre uma coisa boa. Desde que eu não erre a mão e exagere.
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Signal Fire - Snow Patrol
Primeiro vídeo postado com sucesso aqui no Espadachim Cego (eu espero). Música muito bonita, com um vídeo muito bem montado.
Doce quimera
Por alguns instantes, acreditei que consegui postar vídeos no blog, para logo depois ter meu coração despedaçado pela realidade. Não dá pra editar a droga do post sem foder com o vídeo.
Mais um link interessante
Ballastexistenz
Coloquei na guia de links interessantes hoje. É o blog pessoal de Amanda Baggs, adulta autista que defende que sua condição não é uma doença, apenas uma forma diferente de funcionar no mundo. Ela ficou mais conhecida depois que postou um vídeo no YouTube chamado "In My Language", gravado, editado e postado sem ajuda de ninguém. Nele, ela mostra sua forma pessoal de comunicação com o mundo, e reclama que, apesar de ser considerado um déficit grave não falar a língua normal (ela é "muda"), não é considerado um problema não entender a língua autista. Aqui está ele:
http://www.youtube.com/watch?v=JnylM1hI2jc
Eu ainda aprendo como colocar o vídeo no blog, mas até lá, contentem-se com um mero link.
Coloquei na guia de links interessantes hoje. É o blog pessoal de Amanda Baggs, adulta autista que defende que sua condição não é uma doença, apenas uma forma diferente de funcionar no mundo. Ela ficou mais conhecida depois que postou um vídeo no YouTube chamado "In My Language", gravado, editado e postado sem ajuda de ninguém. Nele, ela mostra sua forma pessoal de comunicação com o mundo, e reclama que, apesar de ser considerado um déficit grave não falar a língua normal (ela é "muda"), não é considerado um problema não entender a língua autista. Aqui está ele:
http://www.youtube.com/watch?v=JnylM1hI2jc
Eu ainda aprendo como colocar o vídeo no blog, mas até lá, contentem-se com um mero link.
sábado, 15 de março de 2008
Sobre o Naturalismo Científico
Baseado no texto que o Lobo da Estepe escreveu, farei o meu comentário sobre o Naturalismo Científico. Concordo em grande parte com o que o amiguinho disse, tirando algumas questões pontuais. Primeiramente, discordo da afirmação de que "a mente é produto do cérebro", pois está incompleta. Outros fatores também influenciaram nosso pensamento, como nosso ambiente, sociedade e cultura, nossa biologia, a evolução e talvez fatores extraterrenos que ainda desconhecemos e/ou não temos como quantificar.
E me vejo aqui na posição de defender os tais dos "bonecos de palha franceses" e suas filosofias derrotistas (que situação!). Concordo com o Lobo quando ele diz que a posição dos "destruidores de paradigmas" é derrotista, e não poderia ter dito isto de forma melhor. Mas o que me incomoda com a posição deles não é a negação da Verdade Única, pois afinal, não sabemos se ela realmente existe. O que me incomoda é como, usando este argumento de que a Verdade não existe, eles relativizam tudo, colocando todas as pesquisas, úteis e inúteis, boas e ruins, no mesmo patamar. Através dessa falácia argumentativa, eu posso justificar as pesquisas realizadas na Alemanha nazista que "comprovaram" a inferioridade dos judeus e outras etnias perante os Arianos. Para ver esta falácia sendo usada na prática, não precisamos voltar muito no tempo, no máximo até novembro do ano passado, e ver as reações de antropólogos, psicólogos, advogados e outros profissionais sobre a pesquisa ainda por ser realizada pelo Laboratório de Neurociências da PUCRS sobre Neurologia Comportamental com meninos com histórico de comportamentos agressivos. O Jeffbass colocou aqui o editorial da Folha de São Paulo sobre este assunto, e já falamos os suficiente a respeito disso aqui. Por enquanto, falemos de Naturalismo Científico.
De fato, como bem falou o Lobo, o Naturalismo Científico foi crucial para o progresso das Ciências Naturais nos últimos três séculos. Só o fato de eu estar escrevendo este texto no meu computador e colocando-o a disposição de milhares de pessoas ao mesmo tempo* através desta coisa maravilhosa (mas nem tanto) chamada internet é prova disto. As pesquisas de Química e Física tornaram isto possível. As Ciências Biológicas também avançaram a passos largos com esta metodologia, e a Medicina está aí para provar isto.
Mas e as Ciências Humanas? A Antropologia, a Sociologia e principalmente a Psicologia: qual foi o progresso destas disciplinas, se comparadas com suas irmãs mais velhas (Física, Química, Biologia)? Como estudante de Psicologia, não exito em dizer que foi nulo. Em nossa missão para melhor compreendermos o ser humano através, ainda estamos engatinhando, tanto que não foram poucos indivíduos que afirmaram que há mais Psicologia nos livros dos romances do que nos manuais da APA (American Psychological Association). Por quê é assim? Por que não aplicamos de maneira rigorosa o suficiente a metodologia naturalista em nossas pesquisas? Acredito que é justamente o contrário: para as Ciências Humanas, o Naturalismo Científico é de pouca valia. Como bem disse o Lobo, conceitos abstratos, não visíveis e não quantificáveis são deixados de lado na pesquisa naturalista. E os pensamentos**, os sentimentos e as motivações humanas caem justamente nesta classificação, pois ainda não conseguimos desenvolver nenhum instrumento que quantifique satisfatoriamente estes construtos. E mesmo que um dia consigamos fazer isto, eles serão de pouco uso se utilizados isoladamente (pretendo escrever sobre isso futuramente).
Não estou dizendo que o Naturalismo Científico seja inútil para a pesquisa em Ciências Humanas, apenas que seu uso é limitado. Veja por exemplo as Neurociências: de certa forma, técnicas como o MRI (Magnetic Resonance Imaging) e o EEG (Eletroencéfalograma) tornaram possível ver a mente em atividade ("é uma foto da mente!"). 50 anos atrás isto seria impensável, mas graças à tenacidade e criatividade de muitos cientistas, que seguiram os princípios do Naturalismo, isto tornou-se não só possível como muito comum. Entretanto, se fossem utilizados apenas os equipamentos para a pesquisa neurocientífica, teríamos apenas um amontoado de dados e figurinhas bonitas e brilhantes do cérebro em atividade. O finado Franscisco Varela, biólogo, filósofo e neurocientista da mais fina cepa identificou esse problema, e resolveu-o. Segundo ele a pesquisa em neurociências divide-se em três pessoas: a terceira pessoa são os equipamentos e seus resultados, a segunda pessoa é o pesquisador analisando os dados coletados e a primeira pessoa é o relato da pessoa sendo examinada. Varela chamou a técnica de terceira pessoa de "Neurofenomenologia". Sem estas três pessoas envolvidas ativamente na pesquisa, não teríamos progredido quase nada: sem o equipamento não há meio de avaliar o funcionamento cerebral; sem o pesquisador não há quem seja capaz de interpretar os dados; e sem o sujeito da pesquisa não há como dar significado aos dados. É o sujeito quem irá dizer o que e como ele está pensando e sentindo. Sem esta informação, as figurinhas bonitas são insignificantes (sem significado). Por isso que em suas pesquisas Varela tentou investigar o funcionamento cerebral de mestres em meditação, que tem maior prática em descrever seus estados internos.
Como Amolador de Facas que sou, acredito que o Naturalismo Científico foi e ainda é essencial para o progresso científico e da humanidade como um todo, e abomino relativismos extremados e irracionais. Entretanto, também abomino absolutismos, e sei que, um dia, o próprio Naturalismo Científico irá dar lugar para outros pressupostos, mais abrangentes e eficazes. Talvez isto já esteja acontecendo em alguns campos de pesquisa nas Ciências Humanas.
* Não que milhares de pessoas ao mesmo tempo irão lê-lo, mas a possibilidade existe.
** Antes que alguém venha me dizer que pensamentos não existem e citar Skinner, já digo: vai ler de novo. A posição de que os pensamentos são uma ilusão vem do Behaviorismo Metafísico, proposto por John B. Watson, que afirmava que eles eram apenas movimentos imperceptíveis da traquéia. A posição de Skinner é muito mais sofisticada. Segundo ele, os comportamentos internos (termo que ele dava para "atividade mental" e similares) existem, pois qualquer um pode observar os seus próprios pensamentos. O que ele questionava era a relevância desta introspecção para a Psicologia e a influência destes nos comportamentos externos das pessoas (posição que garantirá muitas discussões futuras).
(Senti-me tentado a criar um marcador de "Epistemologia", mas vou deixar como filosofia mesmo. Post original aqui).
E me vejo aqui na posição de defender os tais dos "bonecos de palha franceses" e suas filosofias derrotistas (que situação!). Concordo com o Lobo quando ele diz que a posição dos "destruidores de paradigmas" é derrotista, e não poderia ter dito isto de forma melhor. Mas o que me incomoda com a posição deles não é a negação da Verdade Única, pois afinal, não sabemos se ela realmente existe. O que me incomoda é como, usando este argumento de que a Verdade não existe, eles relativizam tudo, colocando todas as pesquisas, úteis e inúteis, boas e ruins, no mesmo patamar. Através dessa falácia argumentativa, eu posso justificar as pesquisas realizadas na Alemanha nazista que "comprovaram" a inferioridade dos judeus e outras etnias perante os Arianos. Para ver esta falácia sendo usada na prática, não precisamos voltar muito no tempo, no máximo até novembro do ano passado, e ver as reações de antropólogos, psicólogos, advogados e outros profissionais sobre a pesquisa ainda por ser realizada pelo Laboratório de Neurociências da PUCRS sobre Neurologia Comportamental com meninos com histórico de comportamentos agressivos. O Jeffbass colocou aqui o editorial da Folha de São Paulo sobre este assunto, e já falamos os suficiente a respeito disso aqui. Por enquanto, falemos de Naturalismo Científico.
De fato, como bem falou o Lobo, o Naturalismo Científico foi crucial para o progresso das Ciências Naturais nos últimos três séculos. Só o fato de eu estar escrevendo este texto no meu computador e colocando-o a disposição de milhares de pessoas ao mesmo tempo* através desta coisa maravilhosa (mas nem tanto) chamada internet é prova disto. As pesquisas de Química e Física tornaram isto possível. As Ciências Biológicas também avançaram a passos largos com esta metodologia, e a Medicina está aí para provar isto.
Mas e as Ciências Humanas? A Antropologia, a Sociologia e principalmente a Psicologia: qual foi o progresso destas disciplinas, se comparadas com suas irmãs mais velhas (Física, Química, Biologia)? Como estudante de Psicologia, não exito em dizer que foi nulo. Em nossa missão para melhor compreendermos o ser humano através, ainda estamos engatinhando, tanto que não foram poucos indivíduos que afirmaram que há mais Psicologia nos livros dos romances do que nos manuais da APA (American Psychological Association). Por quê é assim? Por que não aplicamos de maneira rigorosa o suficiente a metodologia naturalista em nossas pesquisas? Acredito que é justamente o contrário: para as Ciências Humanas, o Naturalismo Científico é de pouca valia. Como bem disse o Lobo, conceitos abstratos, não visíveis e não quantificáveis são deixados de lado na pesquisa naturalista. E os pensamentos**, os sentimentos e as motivações humanas caem justamente nesta classificação, pois ainda não conseguimos desenvolver nenhum instrumento que quantifique satisfatoriamente estes construtos. E mesmo que um dia consigamos fazer isto, eles serão de pouco uso se utilizados isoladamente (pretendo escrever sobre isso futuramente).
Não estou dizendo que o Naturalismo Científico seja inútil para a pesquisa em Ciências Humanas, apenas que seu uso é limitado. Veja por exemplo as Neurociências: de certa forma, técnicas como o MRI (Magnetic Resonance Imaging) e o EEG (Eletroencéfalograma) tornaram possível ver a mente em atividade ("é uma foto da mente!"). 50 anos atrás isto seria impensável, mas graças à tenacidade e criatividade de muitos cientistas, que seguiram os princípios do Naturalismo, isto tornou-se não só possível como muito comum. Entretanto, se fossem utilizados apenas os equipamentos para a pesquisa neurocientífica, teríamos apenas um amontoado de dados e figurinhas bonitas e brilhantes do cérebro em atividade. O finado Franscisco Varela, biólogo, filósofo e neurocientista da mais fina cepa identificou esse problema, e resolveu-o. Segundo ele a pesquisa em neurociências divide-se em três pessoas: a terceira pessoa são os equipamentos e seus resultados, a segunda pessoa é o pesquisador analisando os dados coletados e a primeira pessoa é o relato da pessoa sendo examinada. Varela chamou a técnica de terceira pessoa de "Neurofenomenologia". Sem estas três pessoas envolvidas ativamente na pesquisa, não teríamos progredido quase nada: sem o equipamento não há meio de avaliar o funcionamento cerebral; sem o pesquisador não há quem seja capaz de interpretar os dados; e sem o sujeito da pesquisa não há como dar significado aos dados. É o sujeito quem irá dizer o que e como ele está pensando e sentindo. Sem esta informação, as figurinhas bonitas são insignificantes (sem significado). Por isso que em suas pesquisas Varela tentou investigar o funcionamento cerebral de mestres em meditação, que tem maior prática em descrever seus estados internos.
Como Amolador de Facas que sou, acredito que o Naturalismo Científico foi e ainda é essencial para o progresso científico e da humanidade como um todo, e abomino relativismos extremados e irracionais. Entretanto, também abomino absolutismos, e sei que, um dia, o próprio Naturalismo Científico irá dar lugar para outros pressupostos, mais abrangentes e eficazes. Talvez isto já esteja acontecendo em alguns campos de pesquisa nas Ciências Humanas.
* Não que milhares de pessoas ao mesmo tempo irão lê-lo, mas a possibilidade existe.
** Antes que alguém venha me dizer que pensamentos não existem e citar Skinner, já digo: vai ler de novo. A posição de que os pensamentos são uma ilusão vem do Behaviorismo Metafísico, proposto por John B. Watson, que afirmava que eles eram apenas movimentos imperceptíveis da traquéia. A posição de Skinner é muito mais sofisticada. Segundo ele, os comportamentos internos (termo que ele dava para "atividade mental" e similares) existem, pois qualquer um pode observar os seus próprios pensamentos. O que ele questionava era a relevância desta introspecção para a Psicologia e a influência destes nos comportamentos externos das pessoas (posição que garantirá muitas discussões futuras).
(Senti-me tentado a criar um marcador de "Epistemologia", mas vou deixar como filosofia mesmo. Post original aqui).
Novo Link Interessante
Bem, essa é a primeira vez que faço propaganda de algum link que coloco neste blog, por que é muito interessante.
Unseen Dharamsala é um blog criado por refugiados tibetanos que moram na cidade de Dharamsala, na Índia, que é a sede do governo no exílio da Nação do Tibet e lar do Dalai Lama, seu chefe de estado, monge e uma das maiores autoridades do Budismo no mundo. É um blog de fotos basicamente, sem muita discussão política ou religiosa. O que interessa é mostrar como é a vida e a cultura tibetana hoje em dia, em seu maior centro. O blog principal contém apenas posts contando a história dos fotógrafos envolvidos neste projeto. Para olhar as fotos que eles tiram, clique no perfil deles, no lado direito da página.
Unseen Dharamsala é um blog criado por refugiados tibetanos que moram na cidade de Dharamsala, na Índia, que é a sede do governo no exílio da Nação do Tibet e lar do Dalai Lama, seu chefe de estado, monge e uma das maiores autoridades do Budismo no mundo. É um blog de fotos basicamente, sem muita discussão política ou religiosa. O que interessa é mostrar como é a vida e a cultura tibetana hoje em dia, em seu maior centro. O blog principal contém apenas posts contando a história dos fotógrafos envolvidos neste projeto. Para olhar as fotos que eles tiram, clique no perfil deles, no lado direito da página.
Minhas Aulas na Faculdade (Parte 6)
Em duas semanas de faculdade, pude assistir todas as disciplinas em que me matriculei (e ter certeza de quais eu não me matriculei). Foram basicamente aulas introdutórias, sendo que em poucas realmente vimos conteúdo. Entretanto, essas primeiras aulas dizem muito a respeito do professor, do conteúdo e do que esperar para o resto do semestre. Aqui vai minha análise das aulas:
Estatística Aplicada à Psicologia - Obrigatória
Review:
Basicamente, nesta cadeira, aprenderemos a usar um genérico do Excel para compilar tabelas e enché-las de dados. E é isso aí. Duvido que fique mais interessante, mas mais chato sempre pode ficar.
Processos Grupais I - Obrigatória
Review:
Infelizmente para meu veterano Marcelo, não me sinto inclinado a chinelear esta cadeira como ele disse ser meu dever. O professor não é mal-educado como dizem, e o objetivo da cadeira é fornecer-nos um treinamento em observação de pequenos grupos, o que considero muito interessante. Como não podia deixar de ser, não gostei muito dos autores utilizados pelo professor e as discussões da turma para variar caíram na mesmice superficial que já estou acostumado. Sem falar que temos que apresentar 5 relatórios de observação e mais um trabalho final para passarmos nesta disciplina. Vai ser uma canseira desgraçada, mas espero que valha a pena.
Processos Institucionais - Obrigatória
Review:
Até agora, acertei minha previsão sobre esta cadeira: vai ser uma Psicologia Social III, ensebada e superficial. Mas pelo menos vai ser barbada passar. O método de avaliação principal desta cadeira será um diário de campo, baseado em nossas observações. A professora leu um parágrafo do diário dela para dar um exemplo de como podemos (ou melhor, devemos) escrever: prosa ruim. Vou me divertir horrores com isso. O duro vai ser agüentar as aulas, chatas como qualquer aula de Psicologia Social.
Psicopatologia I - Obrigatória
Review:
O conteúdo é tão delirante quanto eu imaginava e as discussões tão fúteis e superficiais quanto eu esperava. O que eu não esperava era a minha apatia diante de tudo isto. Na nossa primeira aula de Psicopatologia I, nem me dignei a fazer contrapontos ao que se dizia (aliás, estávamos analisando um poema. Um POEMA!). Senti que seria supinamente inútil. Estou indeciso se escolho Psicopatologia ou se escolho Processos Institucionais como minha "Hora do Xerox". Acho que vou fazer um revezamento.
Seminário de Pesquisa em Psicologia - Obrigatória
Review:
Errei minhas previsões sobre o Seminário. E não poderia estar mais feliz com isto. Ao invés de ser mais uma cadeira para discussões inócuas, será um tempo que teremos para assistir palestras de doutores e especialistas dos mais diversos campos da Psicologia, que falarão de suas linhas de pesquisa. Como a disciplina é dividida entre os três departamentos do Instituto, teremos convidados bem diferentes. Tem também a naba de ter que fazer uma análise crítica das palestras, o que, dependendo do assunto do dia, vai me complicar a vida tremendamente (a primeira palestrante tinha um pé na Fonoaudiologia, assunto que entendo xongas). Mas ainda assim, acredito que será uma excelente oportunidade para treinar minhas capacidades cognitivas de escrita e crítica. E nesta cadeira, descobri que segundas-feiras de manhã acontece algo um seminário muito parecido para a Pós-Graduação. Vou dar umas passadas por lá de vez em quando.
Teorias da Personalidade - Obrigatória
Review:
Esta cadeira continua prometendo, e já deu mostras que o que promete não é ruim. Bem pelo contrário. O conteúdo, como eu esperava, vai ser bem superficial, pois não há tempo o suficiente para olhar todos os mais importantes autores da Psicologia (sem falar nos autores de outros campos das Ciências Humanas), mas como introdução aos seus conceitos é boa o suficiente. Além disso, parece que as discussões aqui não vão ser superficiais como em quase todas as outras cadeiras, graças à participação do prof. Jeferson Nobre. Esta cadeira vai ser território dos Amoladores.
Psicologia Humanista - Eletiva
Review:
Esta cadeira ficou para a parte da manhã, como eu temia, o que vai me impedir de cursar Bioquímica (veja bem, cursar apenas), e também limita o número de participantes em apenas sete. Mas isto não é ruim. Como somos poucos, há um ar de maior familiaridade (e também por que dos sete matriculados, seis são da minha turma, contando comigo). Além disso, não há nenhum idiota participando da cadeira, o que eleva o nível das discussões para outro patamar. O assunto é interessante (eu não iria correr atrás da criação de uma cadeira cujo conteúdo fosse uma merda), apesar de superficial. Mas como meu plano maligno consiste em ir criando mais e mais cadeiras sobre Psicologia Humanista ao longo do curso, esta aula é mais uma introdução à Psicologia Humanista.
Terapia Cognitivo-Comportamental - Eletiva
Review:
Apesar de Psicologia Humanista ser muito boa, acho que a favorita para o prêmio de "Melhor Disciplina Eletiva" vai para Terapia Cognitivo-Comportamental. O conteúdo é muito legal, os professores sabem do que estão falando (isso é uma benção para qualquer estudante de Psicologia), e não há idiotas cursando esta cadeira. Bem, tem eu, que já me converti no "chato que faz as perguntas impertinentes", mas acho que na maioria dos casos colaborei para o bom andamento do conteúdo. Se continuar assim, é possível que ganhe o prêmio de "Melhor Cadeira do Ano". Tomara. Tem anos que nenhuma ganha.
No próximo post desta série, falarei das disciplinas que não estou matriculado, mas que estou pegando polígrafos emprestados dos colegas que estão matriculados: Esquizoanálise, Bioquímica e Sistemas de Classificação dos Transtornos Mentais.
Estatística Aplicada à Psicologia - Obrigatória
Review:
Basicamente, nesta cadeira, aprenderemos a usar um genérico do Excel para compilar tabelas e enché-las de dados. E é isso aí. Duvido que fique mais interessante, mas mais chato sempre pode ficar.
Processos Grupais I - Obrigatória
Review:
Infelizmente para meu veterano Marcelo, não me sinto inclinado a chinelear esta cadeira como ele disse ser meu dever. O professor não é mal-educado como dizem, e o objetivo da cadeira é fornecer-nos um treinamento em observação de pequenos grupos, o que considero muito interessante. Como não podia deixar de ser, não gostei muito dos autores utilizados pelo professor e as discussões da turma para variar caíram na mesmice superficial que já estou acostumado. Sem falar que temos que apresentar 5 relatórios de observação e mais um trabalho final para passarmos nesta disciplina. Vai ser uma canseira desgraçada, mas espero que valha a pena.
Processos Institucionais - Obrigatória
Review:
Até agora, acertei minha previsão sobre esta cadeira: vai ser uma Psicologia Social III, ensebada e superficial. Mas pelo menos vai ser barbada passar. O método de avaliação principal desta cadeira será um diário de campo, baseado em nossas observações. A professora leu um parágrafo do diário dela para dar um exemplo de como podemos (ou melhor, devemos) escrever: prosa ruim. Vou me divertir horrores com isso. O duro vai ser agüentar as aulas, chatas como qualquer aula de Psicologia Social.
Psicopatologia I - Obrigatória
Review:
O conteúdo é tão delirante quanto eu imaginava e as discussões tão fúteis e superficiais quanto eu esperava. O que eu não esperava era a minha apatia diante de tudo isto. Na nossa primeira aula de Psicopatologia I, nem me dignei a fazer contrapontos ao que se dizia (aliás, estávamos analisando um poema. Um POEMA!). Senti que seria supinamente inútil. Estou indeciso se escolho Psicopatologia ou se escolho Processos Institucionais como minha "Hora do Xerox". Acho que vou fazer um revezamento.
Seminário de Pesquisa em Psicologia - Obrigatória
Review:
Errei minhas previsões sobre o Seminário. E não poderia estar mais feliz com isto. Ao invés de ser mais uma cadeira para discussões inócuas, será um tempo que teremos para assistir palestras de doutores e especialistas dos mais diversos campos da Psicologia, que falarão de suas linhas de pesquisa. Como a disciplina é dividida entre os três departamentos do Instituto, teremos convidados bem diferentes. Tem também a naba de ter que fazer uma análise crítica das palestras, o que, dependendo do assunto do dia, vai me complicar a vida tremendamente (a primeira palestrante tinha um pé na Fonoaudiologia, assunto que entendo xongas). Mas ainda assim, acredito que será uma excelente oportunidade para treinar minhas capacidades cognitivas de escrita e crítica. E nesta cadeira, descobri que segundas-feiras de manhã acontece algo um seminário muito parecido para a Pós-Graduação. Vou dar umas passadas por lá de vez em quando.
Teorias da Personalidade - Obrigatória
Review:
Esta cadeira continua prometendo, e já deu mostras que o que promete não é ruim. Bem pelo contrário. O conteúdo, como eu esperava, vai ser bem superficial, pois não há tempo o suficiente para olhar todos os mais importantes autores da Psicologia (sem falar nos autores de outros campos das Ciências Humanas), mas como introdução aos seus conceitos é boa o suficiente. Além disso, parece que as discussões aqui não vão ser superficiais como em quase todas as outras cadeiras, graças à participação do prof. Jeferson Nobre. Esta cadeira vai ser território dos Amoladores.
Psicologia Humanista - Eletiva
Review:
Esta cadeira ficou para a parte da manhã, como eu temia, o que vai me impedir de cursar Bioquímica (veja bem, cursar apenas), e também limita o número de participantes em apenas sete. Mas isto não é ruim. Como somos poucos, há um ar de maior familiaridade (e também por que dos sete matriculados, seis são da minha turma, contando comigo). Além disso, não há nenhum idiota participando da cadeira, o que eleva o nível das discussões para outro patamar. O assunto é interessante (eu não iria correr atrás da criação de uma cadeira cujo conteúdo fosse uma merda), apesar de superficial. Mas como meu plano maligno consiste em ir criando mais e mais cadeiras sobre Psicologia Humanista ao longo do curso, esta aula é mais uma introdução à Psicologia Humanista.
Terapia Cognitivo-Comportamental - Eletiva
Review:
Apesar de Psicologia Humanista ser muito boa, acho que a favorita para o prêmio de "Melhor Disciplina Eletiva" vai para Terapia Cognitivo-Comportamental. O conteúdo é muito legal, os professores sabem do que estão falando (isso é uma benção para qualquer estudante de Psicologia), e não há idiotas cursando esta cadeira. Bem, tem eu, que já me converti no "chato que faz as perguntas impertinentes", mas acho que na maioria dos casos colaborei para o bom andamento do conteúdo. Se continuar assim, é possível que ganhe o prêmio de "Melhor Cadeira do Ano". Tomara. Tem anos que nenhuma ganha.
No próximo post desta série, falarei das disciplinas que não estou matriculado, mas que estou pegando polígrafos emprestados dos colegas que estão matriculados: Esquizoanálise, Bioquímica e Sistemas de Classificação dos Transtornos Mentais.
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quinta-feira, 13 de março de 2008
Divindades
Quando a Psicologia e a Sociologia degeneram em ciências totalitárias, manifestam-se estranhos fenômenos entre seus adeptos. O desejo de poder domina o desejo de verdade. O conhecimento que se tem do homem passa a ser mais importante que o próprio homem. Adota-se por vezes, atitude de singular superioridade, como a de quem possuísse conhecimento absoluto, capaz de tudo penetrar e de tudo esclarecer. Dessas alturas, olha-se para as misérias humanas. Toma-se a posição de Ser Superior, que domina espiritualmente o mundo - o que se torna de um ridículo todo particular, quando se é pessoalmente um pigmeu.
A primeira coisa que lembrei-me ao ler este parágrafo do livro "Introdução ao Pensamento Filosófico" de Jaspers foi da atitude de certos representantes do CRP-RS e doutorandos da UFRGS, que provavelmente diriam que não concordam com a obra deste filósofo, o que a invalida automaticamente.
(Sei que já coloquei esta citação no blog dos Amoladores, mas vale a pena repetir)
-Karl Jaspers
A primeira coisa que lembrei-me ao ler este parágrafo do livro "Introdução ao Pensamento Filosófico" de Jaspers foi da atitude de certos representantes do CRP-RS e doutorandos da UFRGS, que provavelmente diriam que não concordam com a obra deste filósofo, o que a invalida automaticamente.
(Sei que já coloquei esta citação no blog dos Amoladores, mas vale a pena repetir)
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