segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Pequena Resenha de um Grande Livro

Tirando meus posts sobre utopias, não é hábito meu fazer resenhas de livros aqui no blog. Contudo, este livro que pretendo comentar aqui foi tão marcante que sinto que estaria perdendo alguma coisa de muito importante se não escrevesse nada a seu respeito.

Este livro é "Human Chance Processes" de Michael Mahoney.

Acredito que preciso comentá-lo aqui por dois motivos. O primeiro é o próprio mérito do autor, que graças a seu grande conhecimento teórico e prático da psicoterapia e das ciências como um todo, dedicou dez anos de sua vida ao processo de escrever uma obra magnífica, que transcende todos os manuais de psicoterapia que li até hoje (e olha, não foram poucos). O segundo é a ignorância dos profissionais da saúde mental no Brasil a respeito deste livro. Ele chegou a ser traduzido e publicado em 1998 pela Artmed, os números esgotaram e não houve mais reimpressões desde então, fazendo com que o livro seja encontrado apenas em sebos - e com relativa dificuldade. Considerando que vivemos um país onde incontáveis livros de psicanálise são publicados e republicados todos os anos, isso é bastante triste.

Expostas minhas razões, vamos ao livro em si. Não espero conseguir fazer uma resenha profunda e abrangente, que abarque todos os assuntos tratados no livro, por que "Human Change Processes" é extremamente abrangente, com capítulos sobre ética nas profissões de ajuda, uma história das idéias, bases e futuro da Psicologia Científica, ciências cognitivas, teoria construtivista e auto-organização, teoria da evolução, desenvolvimento humano, processos emocionais e estudos sobre o Self. Porém, o livro também é extremamente específico, pois todos estes assuntos não foram jogados no texto de forma desconexa e aleatória, como em uma enciclopédia ruim: há um fio condutor que os une, e que conduz até a parte final do livro, que trata sobre a psicoterapia em si - princípios, técnicas e, principalmente, a experiência de mudança em um contexto terapêutico, tanto do cliente quanto do terapeuta.

Em Psicologia e Ciências Humanas, estima-se que o conhecimento torna-se desatualizado em cinco anos. Isto significa que, no ano em que eu me formar, o que aprendi no primeiro ano de faculdade não terá mais validade - livros e artigos que li estarão superados, bem como as teorias que os embasavam. Dentro desta lógica, "Human Change Processes", por ter sido publicado em 1991, estaria 3,6 vezes desatualizado. Algumas das pesquisas citadas por Mahoney com certeza estão superadas, mas o livro como um todo não, por que ele não se limita ao seu tempo. De forma poética, eu poderia dizer que "Human Change Processes" é um livro além do tempo, pois fala da experiência de mudança e troca entre seres humanos que é e sempre será a Psicoterapia, e por isso, mesmo que seja lido daqui a 100 anos, continuará atual.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

As Duas Faces da Política

Hoje é 23 de novembro. As eleições para o DCE ocorreram dos dias 17 ao 19 deste mesmo mês. A apuração dos votos, de 20 à 21. O resultado foi divulgado ontem, mas ainda hoje ele se espalha entre os estudantes, que em sua maioria recebem a notícia em um misto de choque, medo e tristeza, pois foi a chapa 3, DCE Livre - Mudança Urgente, quem ganhou esta eleição.

Acho que estou cometendo dois erros aqui. O primeiro deles é dar por certa a vitória da chapa 3, pois ela possui uma vantagem de apenas 34 votos sobre a segunda colocada, e é muito possível que seja feita uma recontagem que lhe tire a vitória das mãos. O segundo é deixar os leitores no escuro sobre o que é a chapa 3, e por que ela instila tanto medo no coração dos estudantes. Permita-me corrigi-lo agora.

Para quem não estuda na UFRGS, ou não acompanha suas movimentações políticas, a chapa 3 é uma coligação organizada pelo Movimento Estudantil Liberdade (MEL), um movimento decididamente de direita, e que desde 2006 tenta sua sorte em conquistar através do voto o mais importante órgão de representação estudantil da Universidade, o Diretório Central dos Estudantes. Desde este ano até o atual, eles lançaram a mesma campanha, baseada nos mesmos princípios, de que o DCE deve servir os estudantes e defender seus interesses, ao invés de ficar se preocupando com o que acontece fora da UFRGS, como a questão do Pontal do Estaleiro, ou do "Fora Yeda", além de manifestar uma certa postura, que eles chamariam de "progressista", enquanto seus críticos definiriam de "nazista".

É possível que uma pessoa de bom senso, ao ler este texto que agora escrevo, exclamasse: "se é assim, não é possível que eles tenham ganho esta eleição, pois os estudantes universitários são majoritariamente de esquerda! Por Aslan, qualquer pessoa remotamente relacionada à qualquer universidade pública tem que ser de esquerda!" Pois é, meu caro amigo imaginário, tu não estás tão enganado assim, por que desde os tempos da ditadura militar que a esquerda brasileira recruta seus militantes nestes templos estaduais e federais de saber. Todavia os tempos agora são outros: a ditadura acabou, o presidente é de esquerda e não há mais a mesma opressão que havia antes. Além disso, apesar de não serem tão glorificados quanto seus "rivais", os estudantes "direitistas" também existiam no tempo da ditadura, e existem até hoje, especialmente na Medicina, nas Engenharias e na Administração, se não me engano. Esses são os cursos mais marcantes, porém certamente encontram-se estudantes de direita em outras faculdades, escondidos, envergonhados, mas ainda assim fiéis a seus ideais, e votando na chapa 3.

Agora me sinto obrigado a responder outra pergunta que meu texto trouxe à tona: por que os estudantes com tendências à direita teriam que se esconder ou se envergonhar de acreditarem no que acreditam? Não vivemos num país livre? Bem, constitucionalmente falando, somos realmente livres. Contudo, a liberdade verdadeira não é garantida por papéis, pois brota de dentro de nós, através de nossos atos. E, por mais surpreendente que isso possa parecer aos inocentes, o ambiente da universidade é bastante opressivo com aqueles que manifestam simpatia a partidos mais "reacionários" ou "direitistas", por que, segundo a ideologia vigente, isto é um pecado capital, e nunca, em nenhum lugar, foi-me dada qualquer explicação para este fenômeno. Já vi explicações sobre porque a chapa 3 fará uma má gestão, ou porque suas propostas são idiotas, mas nunca vi explicação que abranja tudo, e me diga o que exatamente faz da direita a "orientação política do diabo".

Não acredita em mim? De fato, preciso admitir que estou dando um passo largo aqui, ao dizer que a maioria dos estudantes rejeita a direita como algo impuro. Portanto, proponho uma experiência concreta: vá à uma reunião de estudantes, qualquer uma, e fale bem do Democratas. Observe quantas pessoas olharam com a cara torta para você. Depois, dê um jeitinho e entabule uma discussão "Esquerda vs. Direita", e pergunte ao seu interlocutor por que ele despreza tanto os direitistas. A não ser que você discuta com algum cidadão muito desenvolvido e compassivo, a resposta que ele lhe dará será extremamente autojustificadora e preconceituosa, porém coberta por uma leve camada de tolerância incipiente. Em outras palavras, seria mais ou menos como se, na cena da bruxa de Monty Python e o Cálice Sagrado, alguém perguntasse "mas a bruxa não é um ser humano também?", pois, seguindo o mesmo humor daquela grande trupe, alguém responderia "sim, sim, ela também é um ser humano, com sentimentos, desejos e paixões como todos nós, mas... BRUXA! QUEIMEM ELA!". Não quero com este parágrafo dar a entender que as pessoas que seguem o "Lado Direito da Força" sejam mais tolerantes que as da esquerda (li no Orkut alguém usar a palavra "esquerdiota", por algum motivo que me falha a memória) - apenas que eles são menos numerosos.

Então, por que, sendo menos numerosos eles ainda ganharam (ou quase) esta eleição? Certamente, se houvesse uma chapa de esquerda forte e unificada, ela seria imbatível, não é mesmo? Com certeza, só que isso não acontece desde o ano em que entrei na UFRGS, em 2007. Desde meu tempo de bixo, sempre existiram 3 chapas de esquerda, todas as três tentando comer o fígado (metafórico) das outras e, se possível, abocanhar uns votos. Para não dizer que esse pessoal é completamente cego para a força da chapa 3, sempre houve quem tomasse para si e sua coligação o papel de "Mais Forte" para combater os candidatos do MEL, tentando passar uma imagem de luta do bem contra o mal, para apelar aos sentimentos mais profundos dos eleitores. Ano passado, quem assumiu esse papel foi a chapa 1, por ser a mais numerosa e representativa. Este ano, porém, isto mudou, e por causa de desgastes políticos, houve um racha, e metade da gestão foi integrar a chapa 2 desse ano, que então assumiu o manto de "Paladino del Che" e anunciar aos quatro ventos que ou eram eles ou os "fascistas", ainda que não com a mesma força da chapa 1 do ano passado, porque... bem, ano passado isso funcionou.

Volto agora ao que disse no primeiro parágrafo deste ensaio: as reações de meus colegas. Ontem à tarde, meu amigo Marcelo mandou um e-mail para todos os estudantes da Psicologia através de nossa lista, a Tomada do DAP, informando que o MEL ganhara as eleições. Não muito tempo depois, começaram a vir as respostas, em sua maioria expressando não desagrado, e sim medo, medo por que uma chapa de direita ganhou as eleições. OK, não vou negar que o pessoal da chapa 3 tem o nome sujo no cartório - pelo menos um de seus membros foi acusado de ser nazista (com direito a julgamento e tudo), e eles não usaram as táticas mais limpas que existem nessa ou nas outras eleições. Contudo, posso dizer que as mesmas acusações se aplicam aos membros das outras chapas, com muito mais propriedade e segurança que meus colegas podem falar da chapa 3, por que eu vi o mecanismo da política estudantil da UFRGS por dentro. E baseado nessa experiência, posso dizer que a diferença ideológica entre esquerda e direita pode ser significativa em termos práticos (por exemplo, onde investir mais dinheiro), mas é absolutamente irrelevante no fim das contas.

Há muito tempo sinto grande desconfiança da política e de seu funcionamento, e ler The Kingdom of God is Within You de Tolstoi não ajudou a mitigar este sentimento. Porém, por mais que acreditasse que a política no fundo fosse completamente inútil, sempre me surgiram exemplos provando o contrário: os encontros estudantis da Psicologia, a reforma psiquiátrica, nossa frágil autogestão do DAP. Estes casos não são processos políticos perfeitos e ideais, mas são o suficiente para mostrar que há esperança. Desde muito tempo divido a política em duas: uma boa e outra má, sem nunca conseguir diferenciá-las de fato. Depois de muito ver e muito refletir, percebi que esta diferença é gritante, ainda que pouco notada. Não se encontra no exterior que todos enxergam, essa casca grosseira de direita e esquerda, revolucionário e reacionário, mas no fundo de tudo, na questão mais importante de todas: quero realmente sacrificar-me pelos outros? Se a resposta a esta questão for um poderoso e sincero SIM, não importa o que o candidato ou chapa faça, ele sempre encontrará um meio de fazer o mundo um lugar melhor que era antes, e se os membros da chapa 3 tomarem para si esta atitude, deixarão muitos bons frutos como legado de sua gestão. E se este não for o caso, certamente não serão muito piores do que aqueles que os procederam. 

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Por que eu sou uma tiete da Google

O Google é uma megacorporação, que dentro em breve dominará todo o mundo informatizado, instituindo a maior ditadura já vista sobre a face da terra. Apesar de todas as implicações negativas disto, não consigo parar de pensar em como o mundo se tornaria mais eficiente e bonitinho, por que faz tempo que vendi minha alma para esta empresa.

Tudo começou com o próprio sistema de busca deles. Oh meu Deus! Eu não acreditei que uma busca na internet pudesse ser tão rápida. Depois, veio o Gmail, que rapidamente substituiu meu antigo @uol.com.br como principal meio de comunicação (depois das vozes na minha cabeça, é claro). Deste ponto em diante, parei de pensar por que acho o Google absolutamente fodástico e passei a considerar isto como uma verdade básica, como as Leis de Newton:

1?) Lei da Inércia;
2?) Princípio Fundamental da Dinâmica;
3?) Lei da Ação e Reação;
4?) Google é Deus.

Mas o leitor deve estar pensando neste exato momento: qual será a próxima subcelebridade a virar atriz pornô? Se você está realmente pensando nisto, provavelmente entrou no blog errado, pois a verdadeira questão aqui é: por que, se sou tiete da Google faz tanto tempo, eu decidi fazer esse post só agora? Estarei eu recebendo algum tipo de jabá? Se estivesse, garanto que estaria bajulando eles com muito mais força. Tenho dois motivos para fazer isto agora: Google Tarefas e Google Labs.

O Google Tarefas, para quem não sabe, é um aplicativo do Gmail que permite ao usuário criar listas de tarefas (por exemplo, o que comprar no mercado, quais números jogar na Mega Sena, textos para publicar em um blog, essas coisas). É um aplicativo bagaceiro, que qualquer macaco poderia programar com algumas aulas de HTML básico e uma penca de bananas. Contudo, é justamente a bagaceirice desse aplicativo que o torna tão genial. Além disso, ele é perfeito para um obsessivo-compulsivo com problemas de memória como eu, pois serve para mim tanto como uma forma de lembrar minhas tarefas como um reforçador positivo, por que dá um prazer danado marcar as coisas que já fiz como feitas nele!

O Google Labs eu conhecia a mais tempo, mas comecei a usar só hoje. Na verdade, comecei a usar só agora. Em resumo, o Labs é o playground dos programadores da Google, onde eles podem inventar traquitanas que tu pode acoplar ao teu e-mail e trabalhar de maneira mais eficiente. E, através deste serviço, instalei uma traquitana (gadget, como eles preferem chamar) que me permite escrever posts no meu blog a partir do Gmail. Legal, não? Ainda preciso descobrir alguns truques, como por exemplo, formatar o texto em justificado e escrever em negrito, mas acho que é questão de prática. H? muitos outros gadgets no Labs, mas vou explorando eles aos pouquinhos, e, se achar que há algum que mereça o esforço de escrever outro texto lambendo as gônadas reprodutivas do Google por ela ser tão maravilhosa, eu escrevei.

Google, conquiste o mundo logo, e instale o Google Labs em Brasília.

PS.: Resolvi tirar a prova dos 9 e ver como fica o rascunho salvo no sistema interno do Blogger. Não fiquei muito feliz com o resultado, mas mantenho firme minha fé que o Google colocará tudo em seu devido lugar. Amém.

Onde os Poetas Reinam

Neste post, gostaria de falar um pouco mais sobre as descobertas que tenho feito em minhas breves incursões no reino da poesia, que comecei faz pouco tempo (e não um conto sobre um lugar onde os poetas deram um golpe de estado, como alguns de vocês poderiam imaginar).

Um livro de poesia, diferente de romances ou tratados científicos, não deve ser lidos de uma vez só. Claro, pode-se proceder desta maneira e tentar absorver todo o conteúdo nele escrito, mas seria um tanto quanto vão, pois a informação nele (se é que se pode chamá-la deste modo) contida não é linear e objetiva, e sim errática e subjetiva. Por isso, prefiro ir saltando páginas, pegando poemas aleatórios e vendo se eles me afetam de alguma maneira particular. Em caso afirmativo, leio-os várias e várias vezes, até que eles fiquem como marcados à fogo em meu coração ("de cor", como diríamos em bom português) e eu me torne incapaz de esquecer seus versos. Porém, por ser uma arte subjetiva, talvez seja possível que algum outro indivíduo prefira ler o livro inteiro, de cabo a rabo, e ainda aproveitá-lo da melhor maneira possível - essa metodologia só não dá certo comigo.

Outro "dogma de leitura" que deixo de lado quando pego um livro de poesia é a obrigatoriedade de lê-lo todo. Quando pego um livro qualquer - sobre Neurociência ou Sociologia, por exemplo - leio os prefácios, agradecimentos, introduções, capítulos, posfácios e apêndices: tudo, em suma. Com os livros de poesia, leio o que me agrada, quanto me agrada. Duas páginas ou duas dezenas, tanto faz. O que importa é o que eu li, e não quanto. Assim, se achar que um livro não me trará nada de novo por enquanto, o devolvo à estante onde pertence, ou à biblioteca de onde o retirei, e deixo-o lá até achar que preciso dele de novo. Tenho certeza de que não perdi ou perderei tempo assim procedendo.

Sintetizando toda a experiência, posso dizer que esta nova maneira de tratar os livros tem me aberto novas portas no teatro mágico da minha alma (vão ler "O Lobo da Estepe" inteiro se não entenderam essa metáfora - certamente valerá a pena), e me mostrado novas maneiras de existir. Verei até onde isso me levará.

domingo, 15 de novembro de 2009

Utopias (4)

Terminei de ler, ainda esta semana, um livro que apesar de não descrever uma utopia propriamente dita, esbarra na irremediável busca do ser humano por algo mais elevado, e nos erros que ele comete nesta senda. Falo de "Sebastopol", escrito pelo russo Leon Tolstoi. Apesar de ter sido escrito por um autor mundialmente reconhecido, é bem provável que vocês nunca tenham ouvido falar deste livro, pois foi um dos primeiros que Tolstoi publicou e alcançou o sucesso. Quem leu alguma obra posterior de Tolstoi e ler "Sebastopol" perceberá que neste livro o estilo de escrita do autor ainda não alcançou a plenitude, e mesmo assim, não se sentirá decepcionado, pois as três histórias nele contadas são baseadas na vida do próprio Tolstoi, quando ele lutou como oficial de infantaria no Cerco de Sebastopol, a maior batalha da Guerra da Criméia e famosa pelos atos de heroísmo de seus defensores.

E é sobre esses atos de heroísmo de Tolstoi nos conta. À época da Guerra da Criméia, pululavam em toda a Rússia histórias sobre a grande coragem dos soldados de Sebastopol em sua incansável defesa da Grande Rússia e de sua lealdade ao Tsar, o "Pai da Pátria" contra um inimigo muito mais numeroso e bem equipado, e como os bastiões (onde as batalhas aconteciam) eram locais de bravura, glória e honra. Tolstoi, porém, conta uma outra versão – uma em que os soldados sentem medo, os oficiais preocupam-se mais com as condecorações, promoções e honrarias que poderiam ganhar na batalha, as trincheiras são fétidas e cheias de cadáveres, e que no fim, a luta parece não passar de uma grande e mortal vaidade. Tudo isto ele contrasta com aquela imagem romantizada da guerra que era tão comum àquela época e que ainda hoje encontra eco em nós – e a discrepância é gigantesca.

Como disse no primeiro post desta série, o ser humano desde muito tempo busca a perfeição, ou, em outras palavras, algo superior, que transcenda a si próprio, que traga cor e calor para sua vida cinzenta e fria. A guerra, neste sentido, tem servido para isto, levando homens comuns a erguerem-se como heróis em defesa de sua pátria, como ocorreu em Sebastopol, na II Guerra Mundial e mesmo nas guerras modernas. Contudo, o preço que elas cobram por esta transcendência é alto. Ao longo de sua vida e de seus escritos, Tolstoi foi lentamente forjando em si uma consciência pacifista, de que temos que transformar nossas espadas em relhas de arados, mesmo sendo um "herói de guerra". Fico com a impressão que, em nossa busca pela perfeição, devamos destruir essa utopia de que a guerra é algo belo, nobre e necessário, e substituí-la por outra, que cause menos destruição.

 

 


Vou demorar para ler "A Ilha" ou "A República", como disse no post anterior, mas não abandonei a idéia de lê-los e comentá-los aqui.

Poetry

Criado como fui, um homem no Rio Grande do Sul, nunca senti-me muito atraído pela Poesia. Na verdade, nunca dei-lhe importância, ou, quando muito, a classifiquei como uma arte desconexa e afeminada. Por isso, nunca peguei um livro de poesia ou me dignei a ler mais a respeito dela do que os afazeres escolares me obrigavam. Recentemente, esta opinião mudou radicalmente, depois de assistir "A Sociedade dos Poetas Mortos" novamente, e deixar a paixão que o personagem interpretado por Robin Williams expressa pela vida através dos versos tomar conta de mim. Por causa desta paixão, fui até a Biblioteca Central e peguei um livro de Walt Whitman. Comecei tibiamente, lendo algumas estrofes aqui e ali, sem saber muito bem o que encontrar e o que fazer do que lia.

Hoje, porém, creio que descobri por que os personagens do filme reuniam-se em uma caverna para ler poesia, pois, depois de acordar com uma sensação de que nada na vida vale a pena, procurei a ajuda de meu amigo Walt, e em suas palavras encontrei grande conforto – um conforto que poucas vezes senti antes. Em seu estilo simples e belo, ele me falou do desespero, e do medo de viver como um tolo, não como um autor raso, que fala da boca para fora, mas do fundo de seu coração, como só alguém que sentiu tudo isto poderia fazer. Porém, ele não se limitou à negra escuridão da alma, pois em suas palavras deixou um relance da aurora por vir, e da força que a tudo permeia e tudo dirige. Nenhuma outra arte ou ciência pode fazer com a mesma potência que a Poesia.

O me! O life! of the questions of these recurring, 
Of the endless trains of the faithless, of cities fill'd with the
 
foolish,
 
Of myself forever reproaching myself, (for who more foolish than I,
 
and who more faithless?)
 
Of eyes that vainly crave the light, of the objects mean, of the
 
struggle ever renew'd,
 
Of the poor results of all, of the plodding and sordid crowds I see
 
around me,
 
Of the empty and useless years of the rest, with the rest me
 
intertwined,
 
The question, O me! so sad, recurring-What good amid these, O me,
 
O life?

Answer. 
That you are here-that life exists and identity,
 
That the powerful play goes on, and you may contribute a verse.

(Walt Whitman)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

3ª Idade

Ontem, saíndo de alguma aula e conversando com um calouro meu, perguntei "tu tá no quarto semestre, certo?" Pelo jeito eu estava redondamente enganado, pois ele está mal no segundo. Esse foi o gatilho que levou a perceber que já não consigo mais diferenciar muito bem entre os meus bixos e os bixos deles. Quando apareço na faculdade para as poucas aulas que lá me restam, só consigo diferenciar entre meus colegas que entraram em 2007 comigo, quem entrou antes de mim e quem entrou depois. A última categoria tem se tornado mais e mais numerosa - tanto por que todo ano entra mais gente nova, quanto por que todo ano também sai mais gente velha.

E como disse um cara que fez vários semestres de Biologia (e agora é meu bixo do noturno): tu percebe que é um ancião no curso quando vê que teus bixos já têm bixos. É, acho que estou ficando velho.

domingo, 25 de outubro de 2009

Ensaios sobre o nada

Fui ontem à uma pizzaria, em comemoração ao aniversário de um colega de Kung Fu. E, depois de socializar com as pessoas presentes à mesa, enquanto assistia Zorra Total passando no telão do restaurante, refletia a respeito de uma importante questão: quando se começa a comer durante um rodízio de pizza? Talvez esta pergunta pareça irrelevante num primeiro momento, porém, depois de uma breve reflexão, se perceberá que ela é não só irrelevante, como também imbecil, o que apenas reforça a necessidade de pensarmos com mais profundidade em suas implicações.

Comecemos a entender nosso problema pelo princípio. Todos nós já passamos por isso em nossas vidas: alguém do nosso círculo de amizades resolve comemorar algo, reserva uma mesa com 50 lugares em alguma pizzaria e chama todo mundo que conhece para se empanturrar de pizzas pouco convencionais, como sorvete de agrião e pimenta do reino. Você, sendo convidado e não tendo nada melhor para fazer sentindo-se na obrigação de honrar seu camarada, vai na tal pizzaria, senta do lado de alguém que nunca viu na vida e espera o rodízio começar. Mas quando ele começa? Não há nenhum sinal externo que o marque este evento, como alguém chamar um garçom e dizer "que a orgia alimentar comece!", ou o garçom dizer "já dá pra começar a suruba de comida, patrão?". Nada. Quando tu menos espera, tem um cidadão segurando uma travessa de pizza do teu lado, dizendo "frango com tomate seco?", esperando tua resposta. Como isso foi acontecer?

Alguns donos de pizzaria de Caxias do Sul, percebendo a importância desta questão para seus negócios, ofereceram uma solução simples e efetiva, colocando sobre as mesas pequenos objetos hexagonais com três lados pintados de cores diferentes: uma significando "mandem as pizzas salgadas", outra "agora queremos pizzas doces" e uma terceira que diz "chega!", permitindo, assim, que o cliente decida quando começar a comer feito um porco na engorda. Porém, for de Caxias do Sul, esta grave situação persiste. Formulemos votos que este excelente hábito seja copiado por mais pizzarias em todo o Brasil e, quem sabe, o mundo.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A Arte de Procrastinar

As listas bizarras do Cracked parecem mais engraçadas quando se tem dois trabalhos importantíssimos por fazer.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Utopias (3)

Mais uma utopia a se comentar por aqui. Li, com muito esforço, "Horizonte Perdido", de James Hilton, que descreve o mítico monastério de Shangrí-La. Digo que foi difícil por que peguei uma cópia que, de tão velha, já se esfarelava e atiçava minhas alergias. Quanto à leitura em si, foi bastante agradável.

Sendo mais específico a respeito da história, ela é contada de uma maneira pouco costumeira. Não é um relato em primeira pessoa como "Walden II", onde o narrador visita a comunidade e descreve seus costumes, mas um relato de segunda mão. O narrador de "Horizonte Perdido" reencontra um velho amigo de escola, o escritor Rutherford, que lhe conta algumas coisas estranhas a respeito de um conhecido em comum, Hugh Conway. Por uma coincidência, os dois se encontram em uma pequena cidade chinesa e viajam juntos em um transatlântico, onde Conway conta, em uma noite, todos os fantásticos acontecimentos que o levaram de Baskal, na Índia, a Karakal, o Vale da Lua Azul escondido entre as impenetráveis montanhas da cordilheira de Kuen Lun (que, para minha surpresa, existem de verdade), que Rutherford prontamente transforma em um relato escrito e o entrega para o narrador.

Não vou estragar a história e contar os detalhes - se quiserem sabê-los, façam como eu e peguem uma rinite alérgica o livro e leiam - apenas a parte "sociológica", por assim dizer.

Como já deve ter dado para entender, Karakal era uma comunidade quase inacessível, pois ficava escondida entre altas montanhas, em uma região árida e desconhecida. Porém, por algum feliz acaso, ela se encontrava em um vale que, por motivos vários, era muito fértil e agradável de se viver, aos pés de uma magnífica montanha branca que emanava uma luz azul em noites de lua cheia. E esta confluência de fatores permitiu que seus aldeões, na maioria chineses e tibetanos, desenvolvessem uma cultura própria, sem maiores intromissões do resto da humanidade. Ainda assim, estas intromissões ocorriam. No início do século XVIII, um missionário cristão de Luxemburgo chamado Perrault chega em Karakal à beira da morte, e depois de se recuperar, põe-se a trabalhar na construção do monastério cristão de Shangri-Lá. Porém, o clima de Karakal não deu a seus moradores apenas a chance de criarem uma cultura pura, como também deu outro presente: longevidade. Os tibetanos e chineses criados naquele local não se tornavam especialmente mais longêvos em Karakal por já estarem acostumados desde a infância à sua atmosfera, mas estrangeiros que ali viessem a estabelecer residência poderiam atingir idades bastante avançadas. Quando a construção de Shangri-Lá terminou, Perrault contava 109 anos e estava bastante ativo. E ele prolongou ainda mais sua vida, através de exercícios de Ioga, alimentação controlada e sabe-se lá mais o quê.

Com o tempo, depois da construção do monastério, Perrault passou a estabelecer algumas políticas de contato com o mundo exterior, visando o bem de sua civilização, e também de engenharia cultural. Uma comunidade um pouco maior, como Porto Alegre, pode abrigar ondas relativamente grandes de imigrantes sem que sua cultura seja grandemente influenciada ou seus recursos todos utilizados, mas o mesmo não poderia ser dito de Karakal: se muitas pessoas aparecessem ao mesmo tempo para morar em Karakal, ela se autodestruiria por motivos econômicos. Ainda assim, para garantir a continuidade da comunidade e evitar os males das relações incestuosas, estrangeiros devem ser trazidos de fora de tempos em tempos. E, deste modo, foi se formando um pequeno grupo de europeus, que acabavam ficando por Lua Azul e tornando-se monges de Shangri-Lá e aprendendo os segredos da vida longa.

A cultura de Karakal é essencialmente chinesa e tibetana. Shangri-Lá, que foi concebida originalmente como um mosteiro cristão, ao longo do tempo tornou-se muito budista, por assim dizer. Esta religião, apesar de ser a dominante, não é a religião oficial do estado, e há liberdade de culto, com templos de outros credos no Vale, como taoísta. A cultura européia também deixou sua marca através de todos os imigrantes que de lá vieram, mas sua influência é mais sentida no monastério e em sua classe monástica do que na comunidade leiga. O mosteiro, apesar de ter sido construído no começo do século XVIII, dispõe de água encanada, uma vasta e ampla biblioteca de clássicos europeus e orientais e instrumentos musicais - como um piano de cauda. Karakal foi abençoada com um abundante suprimento de ouro, que é usado como moeda para os comerciantes dispostos a ir até lá para fazer negócio e trazer essas comodidades. No Vale da Lua Azul abaixo de Shangri-Lá, reina a paz, pois todos na vila seguem o princípio de ser moderado em tudo, inclusive na moderação: beber um pouco de álcool, fazer um pouco de sexo, ouvir um pouco de música, governar um pouco. Roubos não acontecem por que todos possuem o que necessitam, e crimes passionais são inexistentes por que todos possuem desejos também moderados. Os monges de Shangri-Lá são o principal exemplo desta filosofia de vida, passando seus dias sem pressa, apreciando as coisas com moderação ou "produzindo sabedoria" (meditando, imagino eu).

A utopia descrita em "Horizonte Perdida" é linda: há abundância de alimentos, seus habitantes vivem em harmonia em um paraíso natural e com uma cultura rica e florescente. Porém, há algo nela que rejeito, como se ela fosse falsa, ou pior, morta por dentro. William James certa feita visitou uma cidade universitária "experimental", onde tudo funcionava da maneira mais perfeita - nas escolas fundamentais as crianças aprendiam alegremente, nas faculdades os estudantes pensavam com ampla liberdade, festas aconteciam frequentemente e não havia menor sinal de miséria ou desigualdade social nas ruas. James obviamente achou tudo isto maravilhoso, mas logo que saiu de lá pensou "ainda bem que saí daquela pasmaceira pasteurizada! Precisava voltar para um mundo sujo e sangrento". Bem, tenho bastante certeza de que, apesar desta não ser a citação exata (que li em "A Filosofia de William James"), ter passado a sua mensagem. Ao longo de todo o livro, o autor consistentemente dá a entender que Karakal é um lugar de paz e tranquilidade, perfeito para Conway, de temperamento contemplativo. Porém, apesar das reiteradas afirmações de quão maravilhoso é este vale, não consigo sentir-me atraído por ele, por ser mais parecido com uma cemitério cheio de zumbis do que o berço de uma nascente civilização, e foi-me impossível não simpatizar com Mallinson, personagem que, apesar de ser irritante por causa de seu desejo de sair de Shangri-Lá o quanto antes, é o único que parece estar realmente vivo! Toda paixão de viver em Karakal é substituída por uma longa espera preguiçosa pela morte, sem objetivo ou sentido maiores. Talvez apenas eu seja incapaz de viver em tal lugar assim, por causa de meu temperamento, mas não acho que nenhum ser humano verdadeiramente saudável poderia considerar Karakal algo mais do que um local para passar as férias.

Próximas utopias: A Ilha, de Aldous Huxley e A República, de Platão.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O Segundo Dia Que Me Caiu o Cu da Bunda

Resolvi olhar de novo o Recent Hits do contador do Bravenet. Se ontem eu achei "TESTE CEGO DA FRUKI COLA" de fazer cair os butiá do bolso, hoje a coisa veio em dose dupla:


Clique para aumentar e ver as aberrações em seu habitat natural

"trabalho de conclusao de curso sobre o filme 11 homens e um segredo" - O que possivelmente pode ser dito a respeito disso aqui? Será que ele estava procurando um trabalho de conclusão de curso cujo tema central era o filme "11 Homens e um Segredo"? Ou ele estava procurando subsídios para fazer o seu próprio TCC, que será sobre esse filme? Dúvidas, dúvidas, dúvidas! Quase me dá vontade de procurar a respeito disso (com palavras chave decentes) e ver se acho algo para esclarecer este enigma. Em todo caso, apesar de toda obscuridade envolvendo essa pesquisa, posso afirmar que esse TCC foi feito ou será feito em um curso de Psicologia, e terá um título do tipo "O Desejo perverso e a pulsão escópica em '11 Homens e Um Segredo' - Um Estudo de Caso".

"como Douglas Macgregor elaborou a teoria x y" - OK, com esse amigo aqui eu simpatizo, pois está pesquisando sobre um assunto interessante e com potencial para ser algo mais do que piada de bar. Porém, está me cheirando a trabalho sendo feito nas coxas: alguém não fez o que devia ter feito no tempo certo, e agora está apelando pra magia do Google. Boa sorte, garoto (por que garotas não fazem esse tipo de baianada), por que aqui eu não vou te dizer como ele elaborou. Procura uma médium pra falar com ele que é mais garantido.

"DANE-SE E PALAVRAO?" - Adoro caps lock. Me lembro da Xuxa e seu jeitinho. Quando começaram a sacanear a filha dela no Twitter, ela mandou todo mundo se danar ou ir à merda? Ah, dane-se. Deixando as digressões de lado, posso dizer que quem quer que estivesse com esta dúvida mordaz não a esclareceu aqui no Espadachim Cego, apesar de eu ser quase PhD em palavrão (teria me dado bem na Marinha Mercante). Porém, como eu sou um inútil indivíduo muito curioso, pequisei a mesma bobagem no Google, e descobri esse amável texto aqui. Segundo ele, "dane-se" é o "foda-se" dos menores de idade e pessoas politicamente corretas. Contudo, se pensarmos que "danar-se" é ir queimar no fogo dos infernos, deveria ser uma das ofensas mais pesadas em nossa sociedade judaico-cristã.

Acham que este post acabou? Não, ainda não. Depois de duas ou três horas, chequei de novo o Bravenet onde, para minha surpresa, descobri novas pesquisas bizarras que trouxeram internautas para esta perdida ilha no meio dos interblags:


"definiçao de cortex pré frontal" - Pô, custava pegar um livro de anatomia na biblioteca pública e ler?

"quanto tempo dura uma massa de pastel" - Se a pessoa que digitou esta pesquisa estava pensando em fritar pastéis, deve ter desistido depois de ler o meu post relatando a minha aventura no mundo das frituras.

Por hoje é só, pessoal. Prometo que este será o último post a respeito de pesquisas bizarras do Google que vem parar aqui. A não ser que apareça alguma coisa muito, muito, muito medonha. Até mais.


PS.: Daniela Cicarelli pelada fazendo sexo. Vamos ver quantos vão cair aqui por causa dessa.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O Dia Que Me Caiu o Cu da Bunda

Pensemos metaforicamente. Imaginem que a Internet é um planeta, e o Google seu oceano. Agora, imaginem que, neste oceano, encontram-se muitos continentes e ilhas. Os continentes são, naturalmente, sites grandes e com grande número de acessos, como o G1 e o Kibe Loco, enquanto que as ilhas são os blogs pequenos e não tão visitados.

Seguindo esta lógica, o "Espadachim Cego" é a ilha de Lost. Não por que meus posts sejam todos a respeito de fumaças assassinas, escotilhas misteriosas ou ursos polares em regiões tropicais, mas por que visitante novo só aparece aqui depois de acidentes bizarros.

Faz algum tempo, eu instalei o contador de visitantes da Bravenet, para ver quantas pessoas apareciam na minha humilde  ilha. Originalmente, eram só os números  que me interessavan mesmo, mas descobri outros aplicativos da Bravenet bem mais fascinantes. Entre eles, o que mais se destaca é o "Recent Hits", que mostra como os visitantes vieram até aqui. Por exemplo, se você digitou o endereço no seu navegador, vai aparecer ali "Direct Hit"; se você clicou num link em outro site ou blog, o dito site/blog irá aparecer; ou ainda, se você navegou pelo Google, as palavras que você utilizou como parâmetro de busca serão mostradas.

E hoje eu descobri que alguém visitou o Espadachim Cego procurando por "TESTE CEGO DA FRUKI COLA".

Nem vou comentar o "kung fu cego"


Eu achava que já estava acostumado com as bizarrices. Sempre que eu verificava as últimas visitas, encontrava coisas do naipe de "como escrever um depoimento para mim mesmo" por pessoas que queriam afagar o próprio ego e acabavam caíndo em um texto meu que fora concebido originalmente para ficar no meu perfil do Orkut (sabendo que este post de agora em diante também será chamariz para estas pessoas, já aviso: não, não tem como escrever depoimentos para si próprio no Orkut, a não ser que você crie outro perfil e se adicione. Mas fazer isso é o fim da picada e de qualquer autoestima). Igualmente numerosos eram as pesquisas sobre Psicologia e livros obscuros, que para cá eram atraídas pelo meu gosto por estes dois assuntos e minha prolixa prolífica escrita.

Mas "TESTE CEGO DA FRUKI COLA" me fez cair o cu da bunda.

O que diabos este cidadão queria encontrar para usar estas palavras chave? Informações a respeito do rito de passagem de um clã de ninjas, onde o iniciado é obrigado a descobrir, com uma venda nos olhos, qual das Fruki Colas está envenenada? Ou o que ele procurava era um teste duplo cego entre o refrigerante de cola da Fruki e de outras marcas? Nunca saberemos ao certo. Mas, caso o indivíduo que empreende tão arrojada busca aqui voltar, deixo a seguinte dica: tem uma dissertação de mestrado em Administração na UNISINOS intitulada "Efeitos da sensibilidade ao preço sobre o valor de marca e na intenção de compra do consumidor", defendida em 2007. São uma 150 páginas, escritas de uma maneira muito, muito, muito chata, então vou te poupar o trabalho de ler tudo e resumir em uma frase: as pessoas compram a marca, e não o produto.

Pronto, fiz do mundo um lugar melhor, duas vezes até. Porém, fiquei agora com vontade de e