sábado, 1 de março de 2008
Águas de Março
E começa mais um mês. Mais uma barrinha no Capacitor de Fluxo. Eu sou um babaca por fazer um post só pra dizer isso. ^^
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Níveis de Neuroticidade
Hoje, vi o trote, tanto dos nosos bixos de Psicologia quanto os de Fonoaudiologia ir por terra graças à nossa falta de tato burocrático e excessiva ênfase em porcarias. Só consegui falar com uma professora responsável pela Comissão de Graduação e o máximo que ela pode nos conseguir de tarde é liberar os bixos mais cedo das aulas. Fodeu tudo. E sabe qual é minha maior preocupação? Com que mão coçar meu saco. Larguei de mão me estressar por micharia. Meus níveis de neuroticidade neste momento devem estar no dedão do pé.
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Espírito e Religião - O lado Bom das Igrejas Neopentecoistais
Alguns dias atrás, Huginn fez um post sobre igrejas evangélicas. Mais especificamente, ele fala de um pastor mexicano, que provavelmente mora nos Estados Unidos, e sobre suas pregações obscurantistas, que falam sobre satanismo, sacrifícios humanos e como grandes empresas de entretenimento querem levar as pessoas para Satan. Até aqui, nada tenho para comentar. Mas no final do dito post, Huginn escreve que "é por isso que eu abomino as instituições da igreja."
Por causa de minha personalidade que sempre vai contra o que os outros dizem, fiquei um tanto quanto indignado com essa última afirmação. Primeiro, por que é baseada em uma falácia argumentativa, que parte do pressuposto que o pastor Josué Yrion representa todas as igrejas evangélicas neopentecostais do mundo - tomar a parte pelo todo. Segundo, por que é uma atitude muito comum entre os círculos de "livres pensadores" - homens e mulheres, geralmente ateístas, que desprezam e debocham de religiões e suas instituições. Não quero que tais pessoas deixem de dizer o que pensam, mas que o façam baseados em argumentos racionais precisos.
É lugar comum criticar religiões. Ultimamente, as neopentecostais se tornaram o alvo preferenciam dos racionalistas, mas as mais tradicionais Igrejas Protestantes como a Luterana, a Batista e a Calvinista, e a mais tradicional ainda Igreja Católica Apostólica Romana, para ficar só no Cristianismo, são criticadas há muito tempo. Apesar de não ser tão forte no Brasil, o Islamismo também é bastante atacado. Os principais argumentos contra estas instituições é que elas pregam um estilo de vida irracional, uma fé fanática, de visão estreita e frequentemente preconceituosa, e que enganam seus seguidores.
Não me atrevo, e nem desejo, defender as falhas destas instituições - são muitas, e são verdadeiras. Não vou enumerá-las aqui pois são muitas e pretendo não me extender muito. Além do mais, quem estiver interessado em um "Dossiê Crivela de Merdas das Neopentecostais" não precisa procurar muito: revistas como a Veja, Época e Istoé já publicaram muitas notícias cabeludas sobre os crimes que os pastores e bispos das referidas instituições já cometeram em nome da fé. Quando tanta gente critica e acusa uma pessoa ou organização, algo deve ter de verdadeiro.
Mas, utilizar todas estas acusações e críticas como justificativa para abominar estas instituições é um sofisma - pois toma sua parte ruim como sendo sua totalidade. O Huginn não expressou nenhum desejo ou crença de que o Brasil e o mundo estariam melhor sem as igrejas, ou as religiões em geral, mas muitos indivíduos bem-instruídos e supostamente bem pensantes já defenderam a tese de que é imperativo acabar com a ilusão de Deus, e levar para o hoi polloi (o povão) a Verdade Materialista, de que não há vida após a morte nem um homem de barba branca orquestrando tudo do alto de uma nuvem no céu. Eu mesmo questiono esta visão de mundo, mas não me arvoro o direito de dizer o que é certo e o que é errado para ninguém - coisa que a Universal faz com freqüência, um argumentador astuto diria, como toda a razão. Minha resposta seria que a Universal também faz isso, mas não detém monopólio desta prática.
A fé foi utilizada como leitmotiv (motivo inicial) para muitas coisas ruins: as cruzadas, 11 de setembro, espancamento de homossexuais, jihads, guerras civis. De um ponto de vista externo e pragmático, isto seria motivo o suficiente para decretar que a religião não trás nada de bom para o ser humano, que estaria melhor sem ela. Mas esta é uma opinião superficial. Sempre se parte do pressuposto que "o padre mandou fazer" (ou pastor, rabino, aiatolá ou sacerdote), e raramente de que aqueles que participaram eram mau-intencionados por si só (o que é diferente de ser intrinsecamente maldoso, devo ressaltar), que todas suas ordens são más, e que o único beneficiado nessa história toda é a igreja, o papa, enfim, a organização religiosa. O homem religioso em si, que obedeceu seus diretores espirituais, só se ferra.
Mas tal como muitos argumentos pentecostais, católicos ou muçulmanos, este é um ataque unilateral, pois ignora deliberadamente o que a religião pode trazer de bom para todos. E estou incluíndo aqui o que a Universal pode trazer de bom para seus fiéis.
Mais uma vez, utilizo a grande mídia como base para meus argumentos. Se você, caro leitor deste blog, entra em sites de fofocas de vez em quando, já viu alguma subcelebridade que ouviu o chamado de Cristo e entrou para igreja evangélica. O último destes foi o ator pornô Alexandre Frota. Os críticos devem ter sido rápidos em acusar sua conversão em "golpe de marketing", e que não é sincero, mas se analisarmos o padrão de comportamento destas subcelebridades neopentecostais, vamos perceber que todas elas tem em comum que, antes da vida religiosa, elas viviam num meio de drogas, promiscuidade sexual e emocional, e em última análise, sem sentido (meaningless). Aposto que muitos de nós acham que a vida de um ator pornô como Frota é a vida que pedimos a Deus, mas deve ser o justo oposto. Quem gostaria de ser lembrado todos os dias por sua participação num filme cujo estúdio, por causa das cenas de sexo anal, ficou todo cheio de merda? Outra destas filhas de Cristo é Monique Evans, que também vivia na esbórnia. Deste ponto de vista, acho que não é só compreensível estas conversões, mas louvável, por levar estas pessoas para um estilo de vida mais saudável.
Mas a mídia não perdoa, e faz parecer que estas conversões são frescuras de um subfamoso que quer chamar atenção. Por exemplo, o site Ego (cuja credibilidade começa pelo nome) publicou uma matéria sobre a filha de Baby do Brasil, Sarah Sheeva. O título da reportagem é "Sarah Sheeva abdica do sexo e vira missionária evangélica". Este título foi escrito de maneira a gerar espanto nas pessoas, e escárnio, pois quem em sã consciência deixaria de trepar pra ficar falando de Jesus?!?! O Portal Ego não pára por aí. Sarah Sheeva conta o motivo de sua mudança de uma vida ninfomaníaca para uma religiosa: “Aconteceu uma coisa muito louca, sobrenatural. Comecei a rezar, a falar com Deus. Na minha ignorância, dentro do meu quarto, de repente, senti uma presença forte, que era Deus. Cai no chão, me prostei e ali me converti”. Mais uma vez, quem lê imediatamente pensa que ou é golpe de mídia, ou ela teve um ataque epilético. Abraham W. Maslow, pai da Psicologia Humanista, fala em seu livro "Introdução à Psicologia do Ser" sobre as "experiências culminantes" (peak experiences no original) - vivências maravilhosas, que não raro mudam o rumo das pessoas que as vivenciam, e para melhor! Para quem estudou com atenção a obra de Maslow, é óbvio que Sarah Sheeva teve uma experiência culminante. Mesmo assim, o portal Ego, com sua linguagem moderninha-superficial faz parecer que foi apenas uma puta babaquice (ou uma babaquice de puta, que seja).
Na lista de "religiões criticáveis" não citei uma, muito importante no panorama mundial atualmente: o budismo. Ao contrário dos outros sistemas religiosos, o budismo raramente é criticado. Pelo contrário, é quase sempre muito elogiado por sua história e práticas pacíficas. Claro, se eu fuçar um pouco na Wikipédia eu vou encontrar uma guerra cujo leitmotiv foi o budismo, mas vai ser a exceção ao padrão (não me atrevo a dizer "regra"). Um materialista radical e pragmático provavelmente diria: "se temos o budismo, que apesar de ser uma religião, é pacífica e até que é racional, por que essas celebridades viram evangélicas?" Um argumento sonoro, mas profundo como um pires. O primeiro motivo para isto não acontecer é a disponibilidade - afinal, quantos templos budistas temos no Brasil, em comparação com templos evangélicos? Consigo citar mais nomes de igrejas neopentecostais inteiras do que templos budistas no Brasil. É mais fácil eu ir para a Universal do que para o mosteiro de budismo tibetano em Três Coroas. E quando alguém sente um vazio existencial, ela irá procurar apoio em um local próximo - e as pentecostais fazem isso muito bem.
O segundo motivo para que o Neopentecostalismo seja mais popular que o Budismo é a atitude de seus sacerdotes. Enquanto o pastor da Sara Nossa Terra ativamente chama para si as almas perdidas, o monge budista apenas recebe de coração aberto aqueles que procuram conforto em Buda. Quem está desesperado buscando um sentido vai no lugar que mais lhe chama atenção - e é inegável que os cultos da Universal são beeeem chamativos.
O terceiro e mais importante motivo é a motivação e (em parte) o nível intelectual das pessoas. As pessoas que vão para uma evangélica buscam salvação para sua alma, redenção de seus pecados. Querem ser acolhidas por alguém. Só. E mais uma vez, as neopentecostais fazem isso com excelência. Não importa se elas pedem dinheiro, elas acolhem qualquer um. Aquele que busca Buda é muito mais inquieto, pois ser apenas salvo não lhe atrai. Há nele um desejo, muitas vezes inconsciente, de algo maior do que isto, de ser compassivo e amoroso. Se nos dois casos se busca um sentido para a vida, há uma diferença espiritual muito grande. O nível intelectual também influencia esta escolha, pois os textos e práticas budistas são muito mais complexos do que os cultos e orações evangélicas. Talvez seja um erro utilizar o conceito de inteligência, ou de preparo intelectual, como argumento que diferencia budistas de evangélicos: há muitos fiéis da Universal com ensino superior completo, provavelmente muitos com pós-graduações avançadas, como doutorado ou pós-doutorado. E poucos aldeões tibetanos devem ter tudo isto. Talvez o termo mais correto fosse "preparo espiritual", mas prefiro evitar discussões metafísicas no momento. De qualquer forma, há uma diferença mental entre os dois tipos de religiosos que cito. Aqueles que buscam e ficam, por assim dizer, "satisfeitos" em freqüentar os cultos da da Igreja Renascer, estão preparados para receber e entender aquilo que seus pastores têm para oferecer, ao passo que aquele que busca Buda, se fosse parar na mesma Renascer, sentiria-se ainda insatisfeito, pois ele busca algo maior, e sentiria a satisfação do evangélico com coisas mais complexas. Da mesma maneira, um fiel de uma pentecostal não teria o preparo para entender textos como o "Livro Tibetano dos Mortos". Capacidade, talvez. Preparo, não.
Enfim, o que quero dizer é que, apesar de todos os seus defeitos, as igrejas evangélicas, tanto as mais antigas quanto as mais recentes têm o poder de dar aos seus fiéis sentido para a vida, através de uma mensagem que eles podem entender. O fenômeno das igrejas voltadas para setores específicos da sociedade, como metaleiros ou soldados do BOPE (que são mostradas na reportagem da revista Galileu do mês de fevereiro de 2008), mostra isso com clareza cristalina. As pessoas buscam algo que preencha o vazio que sentem; buscam serem aceitas como são, por pessoas que a entendam. As religiões como um todo fazem isso. Mas as pessoas são diferentes umas das outras, e buscam coisas diferentes - seja isto por causa de temperamento, genética, cultura, intelecto ou algo além disso tudo - e por isso existem tantas religiões e cultos diferentes. "Muitas lanternas, uma só luz". E nessa conta devemos incluir as Neopentecostais, com todos os seus defeitos e vícios. Alguns pastores (talvez não sejam só alguns) podem manchar a reputação delas, mas não podemos tomá-los como exemplos do que é ser evangélico.
Por causa de minha personalidade que sempre vai contra o que os outros dizem, fiquei um tanto quanto indignado com essa última afirmação. Primeiro, por que é baseada em uma falácia argumentativa, que parte do pressuposto que o pastor Josué Yrion representa todas as igrejas evangélicas neopentecostais do mundo - tomar a parte pelo todo. Segundo, por que é uma atitude muito comum entre os círculos de "livres pensadores" - homens e mulheres, geralmente ateístas, que desprezam e debocham de religiões e suas instituições. Não quero que tais pessoas deixem de dizer o que pensam, mas que o façam baseados em argumentos racionais precisos.
É lugar comum criticar religiões. Ultimamente, as neopentecostais se tornaram o alvo preferenciam dos racionalistas, mas as mais tradicionais Igrejas Protestantes como a Luterana, a Batista e a Calvinista, e a mais tradicional ainda Igreja Católica Apostólica Romana, para ficar só no Cristianismo, são criticadas há muito tempo. Apesar de não ser tão forte no Brasil, o Islamismo também é bastante atacado. Os principais argumentos contra estas instituições é que elas pregam um estilo de vida irracional, uma fé fanática, de visão estreita e frequentemente preconceituosa, e que enganam seus seguidores.
Não me atrevo, e nem desejo, defender as falhas destas instituições - são muitas, e são verdadeiras. Não vou enumerá-las aqui pois são muitas e pretendo não me extender muito. Além do mais, quem estiver interessado em um "Dossiê Crivela de Merdas das Neopentecostais" não precisa procurar muito: revistas como a Veja, Época e Istoé já publicaram muitas notícias cabeludas sobre os crimes que os pastores e bispos das referidas instituições já cometeram em nome da fé. Quando tanta gente critica e acusa uma pessoa ou organização, algo deve ter de verdadeiro.
Mas, utilizar todas estas acusações e críticas como justificativa para abominar estas instituições é um sofisma - pois toma sua parte ruim como sendo sua totalidade. O Huginn não expressou nenhum desejo ou crença de que o Brasil e o mundo estariam melhor sem as igrejas, ou as religiões em geral, mas muitos indivíduos bem-instruídos e supostamente bem pensantes já defenderam a tese de que é imperativo acabar com a ilusão de Deus, e levar para o hoi polloi (o povão) a Verdade Materialista, de que não há vida após a morte nem um homem de barba branca orquestrando tudo do alto de uma nuvem no céu. Eu mesmo questiono esta visão de mundo, mas não me arvoro o direito de dizer o que é certo e o que é errado para ninguém - coisa que a Universal faz com freqüência, um argumentador astuto diria, como toda a razão. Minha resposta seria que a Universal também faz isso, mas não detém monopólio desta prática.
A fé foi utilizada como leitmotiv (motivo inicial) para muitas coisas ruins: as cruzadas, 11 de setembro, espancamento de homossexuais, jihads, guerras civis. De um ponto de vista externo e pragmático, isto seria motivo o suficiente para decretar que a religião não trás nada de bom para o ser humano, que estaria melhor sem ela. Mas esta é uma opinião superficial. Sempre se parte do pressuposto que "o padre mandou fazer" (ou pastor, rabino, aiatolá ou sacerdote), e raramente de que aqueles que participaram eram mau-intencionados por si só (o que é diferente de ser intrinsecamente maldoso, devo ressaltar), que todas suas ordens são más, e que o único beneficiado nessa história toda é a igreja, o papa, enfim, a organização religiosa. O homem religioso em si, que obedeceu seus diretores espirituais, só se ferra.
Mas tal como muitos argumentos pentecostais, católicos ou muçulmanos, este é um ataque unilateral, pois ignora deliberadamente o que a religião pode trazer de bom para todos. E estou incluíndo aqui o que a Universal pode trazer de bom para seus fiéis.
Mais uma vez, utilizo a grande mídia como base para meus argumentos. Se você, caro leitor deste blog, entra em sites de fofocas de vez em quando, já viu alguma subcelebridade que ouviu o chamado de Cristo e entrou para igreja evangélica. O último destes foi o ator pornô Alexandre Frota. Os críticos devem ter sido rápidos em acusar sua conversão em "golpe de marketing", e que não é sincero, mas se analisarmos o padrão de comportamento destas subcelebridades neopentecostais, vamos perceber que todas elas tem em comum que, antes da vida religiosa, elas viviam num meio de drogas, promiscuidade sexual e emocional, e em última análise, sem sentido (meaningless). Aposto que muitos de nós acham que a vida de um ator pornô como Frota é a vida que pedimos a Deus, mas deve ser o justo oposto. Quem gostaria de ser lembrado todos os dias por sua participação num filme cujo estúdio, por causa das cenas de sexo anal, ficou todo cheio de merda? Outra destas filhas de Cristo é Monique Evans, que também vivia na esbórnia. Deste ponto de vista, acho que não é só compreensível estas conversões, mas louvável, por levar estas pessoas para um estilo de vida mais saudável.
Mas a mídia não perdoa, e faz parecer que estas conversões são frescuras de um subfamoso que quer chamar atenção. Por exemplo, o site Ego (cuja credibilidade começa pelo nome) publicou uma matéria sobre a filha de Baby do Brasil, Sarah Sheeva. O título da reportagem é "Sarah Sheeva abdica do sexo e vira missionária evangélica". Este título foi escrito de maneira a gerar espanto nas pessoas, e escárnio, pois quem em sã consciência deixaria de trepar pra ficar falando de Jesus?!?! O Portal Ego não pára por aí. Sarah Sheeva conta o motivo de sua mudança de uma vida ninfomaníaca para uma religiosa: “Aconteceu uma coisa muito louca, sobrenatural. Comecei a rezar, a falar com Deus. Na minha ignorância, dentro do meu quarto, de repente, senti uma presença forte, que era Deus. Cai no chão, me prostei e ali me converti”. Mais uma vez, quem lê imediatamente pensa que ou é golpe de mídia, ou ela teve um ataque epilético. Abraham W. Maslow, pai da Psicologia Humanista, fala em seu livro "Introdução à Psicologia do Ser" sobre as "experiências culminantes" (peak experiences no original) - vivências maravilhosas, que não raro mudam o rumo das pessoas que as vivenciam, e para melhor! Para quem estudou com atenção a obra de Maslow, é óbvio que Sarah Sheeva teve uma experiência culminante. Mesmo assim, o portal Ego, com sua linguagem moderninha-superficial faz parecer que foi apenas uma puta babaquice (ou uma babaquice de puta, que seja).
Na lista de "religiões criticáveis" não citei uma, muito importante no panorama mundial atualmente: o budismo. Ao contrário dos outros sistemas religiosos, o budismo raramente é criticado. Pelo contrário, é quase sempre muito elogiado por sua história e práticas pacíficas. Claro, se eu fuçar um pouco na Wikipédia eu vou encontrar uma guerra cujo leitmotiv foi o budismo, mas vai ser a exceção ao padrão (não me atrevo a dizer "regra"). Um materialista radical e pragmático provavelmente diria: "se temos o budismo, que apesar de ser uma religião, é pacífica e até que é racional, por que essas celebridades viram evangélicas?" Um argumento sonoro, mas profundo como um pires. O primeiro motivo para isto não acontecer é a disponibilidade - afinal, quantos templos budistas temos no Brasil, em comparação com templos evangélicos? Consigo citar mais nomes de igrejas neopentecostais inteiras do que templos budistas no Brasil. É mais fácil eu ir para a Universal do que para o mosteiro de budismo tibetano em Três Coroas. E quando alguém sente um vazio existencial, ela irá procurar apoio em um local próximo - e as pentecostais fazem isso muito bem.
O segundo motivo para que o Neopentecostalismo seja mais popular que o Budismo é a atitude de seus sacerdotes. Enquanto o pastor da Sara Nossa Terra ativamente chama para si as almas perdidas, o monge budista apenas recebe de coração aberto aqueles que procuram conforto em Buda. Quem está desesperado buscando um sentido vai no lugar que mais lhe chama atenção - e é inegável que os cultos da Universal são beeeem chamativos.
O terceiro e mais importante motivo é a motivação e (em parte) o nível intelectual das pessoas. As pessoas que vão para uma evangélica buscam salvação para sua alma, redenção de seus pecados. Querem ser acolhidas por alguém. Só. E mais uma vez, as neopentecostais fazem isso com excelência. Não importa se elas pedem dinheiro, elas acolhem qualquer um. Aquele que busca Buda é muito mais inquieto, pois ser apenas salvo não lhe atrai. Há nele um desejo, muitas vezes inconsciente, de algo maior do que isto, de ser compassivo e amoroso. Se nos dois casos se busca um sentido para a vida, há uma diferença espiritual muito grande. O nível intelectual também influencia esta escolha, pois os textos e práticas budistas são muito mais complexos do que os cultos e orações evangélicas. Talvez seja um erro utilizar o conceito de inteligência, ou de preparo intelectual, como argumento que diferencia budistas de evangélicos: há muitos fiéis da Universal com ensino superior completo, provavelmente muitos com pós-graduações avançadas, como doutorado ou pós-doutorado. E poucos aldeões tibetanos devem ter tudo isto. Talvez o termo mais correto fosse "preparo espiritual", mas prefiro evitar discussões metafísicas no momento. De qualquer forma, há uma diferença mental entre os dois tipos de religiosos que cito. Aqueles que buscam e ficam, por assim dizer, "satisfeitos" em freqüentar os cultos da da Igreja Renascer, estão preparados para receber e entender aquilo que seus pastores têm para oferecer, ao passo que aquele que busca Buda, se fosse parar na mesma Renascer, sentiria-se ainda insatisfeito, pois ele busca algo maior, e sentiria a satisfação do evangélico com coisas mais complexas. Da mesma maneira, um fiel de uma pentecostal não teria o preparo para entender textos como o "Livro Tibetano dos Mortos". Capacidade, talvez. Preparo, não.
Enfim, o que quero dizer é que, apesar de todos os seus defeitos, as igrejas evangélicas, tanto as mais antigas quanto as mais recentes têm o poder de dar aos seus fiéis sentido para a vida, através de uma mensagem que eles podem entender. O fenômeno das igrejas voltadas para setores específicos da sociedade, como metaleiros ou soldados do BOPE (que são mostradas na reportagem da revista Galileu do mês de fevereiro de 2008), mostra isso com clareza cristalina. As pessoas buscam algo que preencha o vazio que sentem; buscam serem aceitas como são, por pessoas que a entendam. As religiões como um todo fazem isso. Mas as pessoas são diferentes umas das outras, e buscam coisas diferentes - seja isto por causa de temperamento, genética, cultura, intelecto ou algo além disso tudo - e por isso existem tantas religiões e cultos diferentes. "Muitas lanternas, uma só luz". E nessa conta devemos incluir as Neopentecostais, com todos os seus defeitos e vícios. Alguns pastores (talvez não sejam só alguns) podem manchar a reputação delas, mas não podemos tomá-los como exemplos do que é ser evangélico.
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Meu auto-depoimento para o Orkut
Comportamentalista... e Existencialista ao mesmo tempo. É possível isto?
Antigamente, eu costumava colocar alguma citação de uma figura importante na história nesta seção do meu perfil. Não que os discursos e palavras que aqui coloquei não me inspirem mais. Pelo contrário. Mas acho que chegou a hora de escrever algo por mim mesmo, fazer um grande depoimento para a pessoa que mais amo no mundo: eu mesmo.
Quem sou eu, afinal? A melhor resposta que possar dar é que sou fruto de um processo ainda em andamento. Digo isto por que levei muito tempo para decidir escrever um "quem sou eu" tão sincero. Lembro-me da primeira (e única) vez que deixei minhas próprias palavras aqui para descrever a mim mesmo: cheio de clichês, com erros de português intencionais, como se fosse um pecado neste mundo virtual ter algum domínio da gramática portuguesa, timidamente, com medo de me destacar. Até tentei escrever algo sincero outras vezes, mas na hora de atualizar a página, o Orkut negava-me a rosquinha (no bom sentido). Não estava preparado, penso eu.
Depois, como disse anteriormente, comecei a colocar citações aqui. Theodore Roosevelt, Sêneca, Luis Fernando Verissimo. Curiosamente, todos eles falavam de coragem, audácia e destemor. Lia seus discursos e me inspirava, mas no fundo da minha mente ecoava uma voz autoritária dizendo "tu não és nada disto e nunca vais ser". E eu concordava.
Olhando para o fundo de minha alma, revendo toda minha história, sempre admirei homens e mulheres audazes, de coragem e fibra. Pessoas que não se contentavam em apenas contemplar e escrever a história, mas agiam e faziam a história, seja do mundo ou a sua própria, que não temiam atirar-se perigosamente contra o inimigo, por sua vida em risco, tudo por um Bem Maior. Garibaldi, Churchill, Gandhi, Martin Luther King, Roosevelt e, por que não?, Clark Kent (prefiro a história de Smallville, gente, apesar dos pesares), Batman, Kenshin, Luke Skywalker! Homens que não tolheram seus espíritos, que deixaram o fogo de suas almas queimar alto, mesmo sabendo que só cinzas restariam no final. Admirava-os por isso, mas, outra vez, aquela voz autoritária dentro de mim dizia “tu não és um deles. tu és um covarde qualquer”. E eu aceitava seu veredicto.
Digo tudo isto para deixar claro porque sou fruto de um processo ainda em andamento. Desde a primeira vez que escrevi no “quem sou eu”, quando a foto do meu perfil ainda era um Barney decapitado (quanta vergonha da própria cara), até o presente momento eu vivi muito. Tive experiências mil, vivi meus sonhos, chorei e sorri. Mudei muito. Hoje, avaliando meu passado, consigo ouvir outra voz além daquela autoritária. Era uma voz fraquinha, mas que foi ganhando força e vigor com o tempo, que me dizia “Tu és corajoso! Tu és capaz! Larga de frescura e corre atrás dos teus sonhos!” Esta voz sempre esteve lá, a voz do meu guia interno, mas só depois de muito tempo aprendi a escutá-lo.
Levei muito tempo para perceber algo muito simples, que estava de baixo de meu nariz este tempo todo, e só hoje, ao escrever este auto-depoimento, fui capaz de verbalizar uma das minhas maiores qualidades: eu sou um homem de ação. Algo tão simples de dizer, tão difícil de notar. Descobri que sou o que sempre desejei ser, e que não devo nada à meus heróis (sou tão pró-ativo que escrevo meus próprios depoimentos, já que ninguém faz isso por mim. Acho que até vou criar uma pá de fakes e ficar me escrevendo depoimentos todos os dias pra inflar meu ego).
Quanto às duas vozes, devo dizer que ambas continuam competindo por atenção em minha mente (ou comportamento encoberto, como preferem os behavioristas). Às vezes, e meu guia interior quem fala mais alto. Outras vezes, aquela voz autoritária é quem manda, se bem que isto tem se tornado cada vez menos freqüente. Mas aquela humildade doentia acho que eu deixei em algum lugar que eu não lembro direito. E como disse uma muito querida amiga minha: “deixa ela pra lá e te diverte sem ela”. É o que planejo fazer.
-----
Este é atualmente meu perfil do Orkut, e estou postando-o aqui pois pretendo, em breve, mudá-lo. Por que mudar é preciso, mas preservar as boas coisas do passado também.
Antigamente, eu costumava colocar alguma citação de uma figura importante na história nesta seção do meu perfil. Não que os discursos e palavras que aqui coloquei não me inspirem mais. Pelo contrário. Mas acho que chegou a hora de escrever algo por mim mesmo, fazer um grande depoimento para a pessoa que mais amo no mundo: eu mesmo.
Quem sou eu, afinal? A melhor resposta que possar dar é que sou fruto de um processo ainda em andamento. Digo isto por que levei muito tempo para decidir escrever um "quem sou eu" tão sincero. Lembro-me da primeira (e única) vez que deixei minhas próprias palavras aqui para descrever a mim mesmo: cheio de clichês, com erros de português intencionais, como se fosse um pecado neste mundo virtual ter algum domínio da gramática portuguesa, timidamente, com medo de me destacar. Até tentei escrever algo sincero outras vezes, mas na hora de atualizar a página, o Orkut negava-me a rosquinha (no bom sentido). Não estava preparado, penso eu.
Depois, como disse anteriormente, comecei a colocar citações aqui. Theodore Roosevelt, Sêneca, Luis Fernando Verissimo. Curiosamente, todos eles falavam de coragem, audácia e destemor. Lia seus discursos e me inspirava, mas no fundo da minha mente ecoava uma voz autoritária dizendo "tu não és nada disto e nunca vais ser". E eu concordava.
Olhando para o fundo de minha alma, revendo toda minha história, sempre admirei homens e mulheres audazes, de coragem e fibra. Pessoas que não se contentavam em apenas contemplar e escrever a história, mas agiam e faziam a história, seja do mundo ou a sua própria, que não temiam atirar-se perigosamente contra o inimigo, por sua vida em risco, tudo por um Bem Maior. Garibaldi, Churchill, Gandhi, Martin Luther King, Roosevelt e, por que não?, Clark Kent (prefiro a história de Smallville, gente, apesar dos pesares), Batman, Kenshin, Luke Skywalker! Homens que não tolheram seus espíritos, que deixaram o fogo de suas almas queimar alto, mesmo sabendo que só cinzas restariam no final. Admirava-os por isso, mas, outra vez, aquela voz autoritária dentro de mim dizia “tu não és um deles. tu és um covarde qualquer”. E eu aceitava seu veredicto.
Digo tudo isto para deixar claro porque sou fruto de um processo ainda em andamento. Desde a primeira vez que escrevi no “quem sou eu”, quando a foto do meu perfil ainda era um Barney decapitado (quanta vergonha da própria cara), até o presente momento eu vivi muito. Tive experiências mil, vivi meus sonhos, chorei e sorri. Mudei muito. Hoje, avaliando meu passado, consigo ouvir outra voz além daquela autoritária. Era uma voz fraquinha, mas que foi ganhando força e vigor com o tempo, que me dizia “Tu és corajoso! Tu és capaz! Larga de frescura e corre atrás dos teus sonhos!” Esta voz sempre esteve lá, a voz do meu guia interno, mas só depois de muito tempo aprendi a escutá-lo.
Levei muito tempo para perceber algo muito simples, que estava de baixo de meu nariz este tempo todo, e só hoje, ao escrever este auto-depoimento, fui capaz de verbalizar uma das minhas maiores qualidades: eu sou um homem de ação. Algo tão simples de dizer, tão difícil de notar. Descobri que sou o que sempre desejei ser, e que não devo nada à meus heróis (sou tão pró-ativo que escrevo meus próprios depoimentos, já que ninguém faz isso por mim. Acho que até vou criar uma pá de fakes e ficar me escrevendo depoimentos todos os dias pra inflar meu ego).
Quanto às duas vozes, devo dizer que ambas continuam competindo por atenção em minha mente (ou comportamento encoberto, como preferem os behavioristas). Às vezes, e meu guia interior quem fala mais alto. Outras vezes, aquela voz autoritária é quem manda, se bem que isto tem se tornado cada vez menos freqüente. Mas aquela humildade doentia acho que eu deixei em algum lugar que eu não lembro direito. E como disse uma muito querida amiga minha: “deixa ela pra lá e te diverte sem ela”. É o que planejo fazer.
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Este é atualmente meu perfil do Orkut, e estou postando-o aqui pois pretendo, em breve, mudá-lo. Por que mudar é preciso, mas preservar as boas coisas do passado também.
Momentos de Crise (Parte II)
Tenho mais informações do que aconteceu longe do nosso acampamento este final de semana. A mãe do menino que se acidentou, como disse no outro post sobre este assunto, ficou indignada conosco, e ligou para todos os pais que pode e falou-lhes do que tínhamos feito com o seu filhinho. Até aqui, nada de novo.
Bem, o que fiquei sabendo hoje através de um amigo que acampara conosco, e que ligou algumas vezes para o hospital e para a mãe do guri, é que às 18 horas do sábado, a situação já tinha sido estabilizada, e o guri no hospital já estava acordado e conversando normalmente. Mas a mãe dele continuou dizendo, para quem quer que ela ligasse, que o filho dela ainda não tinha acordado. Não tenho motivos para duvidar da fonte da informação, e com posse dela, só posso concluir duas coisas: ou a mulher estava em um estado agudo de Histeria (não tenho termo melhor para descrever este comportamento), ou ela queria consciente e deliberadamente ferrar a gente.
Meu amigo teoriza que o motivo de tantos telefonemas foi para tumultuar nosso acampamento, pois segundo ele, ela estava irritada com o fato de que não tinhamos ido embora depois do acidente. Ele concordaria com minha segunda hipótese, mas prefiro acreditar que ela não conseguiu aguentar a pressão de ter o filho no hospital por causa de um acidente, entrou em um estado neurótico histérico e passou a nos culpar pelo acontecido.
A linha entre estas duas hipóteses é tênue, pois nas duas há o desejo de acabar com nosso acampamento e nos deixar em maus lençois com nossos pais. A diferença estaria no nível de consciência dos atos. Na primeira hipótese, ela fez tudo o que fez movida pela dor, e sem pensar que iria nos deixar em má situação, enquanto na segunda tudo o que ela fez foi feito e calculado para tanto.
Talvez eu tenha que formular uma terceira hipótese, misto da primeira com a segunda, de que ela, movida pela dor, conscientemente agiu para nos ferrar, mas com a idéia de que estava fazendo justiça. Em qualquer uma das três, o despreparo emocional é claro e evidente.
Bem, o que fiquei sabendo hoje através de um amigo que acampara conosco, e que ligou algumas vezes para o hospital e para a mãe do guri, é que às 18 horas do sábado, a situação já tinha sido estabilizada, e o guri no hospital já estava acordado e conversando normalmente. Mas a mãe dele continuou dizendo, para quem quer que ela ligasse, que o filho dela ainda não tinha acordado. Não tenho motivos para duvidar da fonte da informação, e com posse dela, só posso concluir duas coisas: ou a mulher estava em um estado agudo de Histeria (não tenho termo melhor para descrever este comportamento), ou ela queria consciente e deliberadamente ferrar a gente.
Meu amigo teoriza que o motivo de tantos telefonemas foi para tumultuar nosso acampamento, pois segundo ele, ela estava irritada com o fato de que não tinhamos ido embora depois do acidente. Ele concordaria com minha segunda hipótese, mas prefiro acreditar que ela não conseguiu aguentar a pressão de ter o filho no hospital por causa de um acidente, entrou em um estado neurótico histérico e passou a nos culpar pelo acontecido.
A linha entre estas duas hipóteses é tênue, pois nas duas há o desejo de acabar com nosso acampamento e nos deixar em maus lençois com nossos pais. A diferença estaria no nível de consciência dos atos. Na primeira hipótese, ela fez tudo o que fez movida pela dor, e sem pensar que iria nos deixar em má situação, enquanto na segunda tudo o que ela fez foi feito e calculado para tanto.
Talvez eu tenha que formular uma terceira hipótese, misto da primeira com a segunda, de que ela, movida pela dor, conscientemente agiu para nos ferrar, mas com a idéia de que estava fazendo justiça. Em qualquer uma das três, o despreparo emocional é claro e evidente.
Minhas Aulas na Faculdade (Parte 4)
Não importa qual curso, não importa qual campus, não importa quais matérias você cursa na UFRGS, pois de qualquer maneira quando você se formar vai ter conhecimento suficiente para um mestrado profissional em Burocracia e suas Burlagens.
Continuo com problemas na minha matrícula. Já faz uma semana isso. Desde o primeiro dia de encomenda da matrícula até agora, no ajuste da encomenda, estamos correndo atrás da máquina. Tudo começou quando percebemos que estávamos na etapa 2, e não na 3 como deveríamos. Não parecia ser nada de mais. Depois, quando começamos as matrículas, vimos que entre as possibilidades de disciplinas a serem cursadas, estava Desenvolvimento Humano I, que cursamos no longínquo primeiro semestre, e que a desejada disciplina de Psicologia Humanista, sob o nome de Tópicos em Psicologia I, não estava disponível. Tudo isso era muito estranho, mas mesmo assim, parecia que eram apenas cagadas isoladas.
Mas na verdade, como na ilha de Lost, tudo estava conectado.
Para resolver esse problema, fui direto para a COMGRAD (Comissão de Graduação) da Psicologia, e conversei com a coordenadora, que explicou o que possivelmente teria acontecido. Segundo ela, devido a algum erro no DECORDI (Departamento de Controle e Registro Discente), os códigos das cadeiras cursadas pela turma de 2007 foram trocados, e segundo o nosso histórico escolar, nós não cursamos Desenvolvimento Humano I, mas Tópicos em Psicologia I, nos colocando na etapa 2 e impossibilitando que cursassemos Psicologia Humanista. Depois de muito torrar o saco, arrumaram o problema e Tópicos em Psicologia I tornou-se disponível para a turma de 2007. Menos eu. Calma que eu explico.
Como faltavam poucas horas para o período de encomenda de matrícula, decidi tocar ficha e me matricular no que dava. Peguei todas as obrigatórias e as eletivas que mais me agradavam (e que estavam realmente disponíveis): Terapia Cognitiva Comportamental e Bioquímica aplicada à Psicologia. Como a de Psicologia Humanista ainda não estava disponível, mandei para as cucuias e decidi matricular-me nela no período de ajuste da encomenda.
Mas, as aulas de Bioquímica são terças e quintas de manhã, e as aulas de Psicologia Humanista são, de acordo com o site, terças de manhã, e apesar dos alunos interessados e da professora terem entrado em acordo para que as aulas sejam terça de tarde, não tenho como me matricular! Bom, decidi que vou aparecer nas aulas normalmente, e tocar um ofício por escrito para a COMGRAD pedindo matrícula para esta cadeira.
Lendo este post antes de postar, percebi que não poderia ter escolhido assunto mais chato para escrever (exceto escrever sobre escrever). Mas isso é só uma prova de que a Federal não é exatamente um paraíso como os professores de cursinho pintam.
Continuo com problemas na minha matrícula. Já faz uma semana isso. Desde o primeiro dia de encomenda da matrícula até agora, no ajuste da encomenda, estamos correndo atrás da máquina. Tudo começou quando percebemos que estávamos na etapa 2, e não na 3 como deveríamos. Não parecia ser nada de mais. Depois, quando começamos as matrículas, vimos que entre as possibilidades de disciplinas a serem cursadas, estava Desenvolvimento Humano I, que cursamos no longínquo primeiro semestre, e que a desejada disciplina de Psicologia Humanista, sob o nome de Tópicos em Psicologia I, não estava disponível. Tudo isso era muito estranho, mas mesmo assim, parecia que eram apenas cagadas isoladas.
Mas na verdade, como na ilha de Lost, tudo estava conectado.
Para resolver esse problema, fui direto para a COMGRAD (Comissão de Graduação) da Psicologia, e conversei com a coordenadora, que explicou o que possivelmente teria acontecido. Segundo ela, devido a algum erro no DECORDI (Departamento de Controle e Registro Discente), os códigos das cadeiras cursadas pela turma de 2007 foram trocados, e segundo o nosso histórico escolar, nós não cursamos Desenvolvimento Humano I, mas Tópicos em Psicologia I, nos colocando na etapa 2 e impossibilitando que cursassemos Psicologia Humanista. Depois de muito torrar o saco, arrumaram o problema e Tópicos em Psicologia I tornou-se disponível para a turma de 2007. Menos eu. Calma que eu explico.
Como faltavam poucas horas para o período de encomenda de matrícula, decidi tocar ficha e me matricular no que dava. Peguei todas as obrigatórias e as eletivas que mais me agradavam (e que estavam realmente disponíveis): Terapia Cognitiva Comportamental e Bioquímica aplicada à Psicologia. Como a de Psicologia Humanista ainda não estava disponível, mandei para as cucuias e decidi matricular-me nela no período de ajuste da encomenda.
Mas, as aulas de Bioquímica são terças e quintas de manhã, e as aulas de Psicologia Humanista são, de acordo com o site, terças de manhã, e apesar dos alunos interessados e da professora terem entrado em acordo para que as aulas sejam terça de tarde, não tenho como me matricular! Bom, decidi que vou aparecer nas aulas normalmente, e tocar um ofício por escrito para a COMGRAD pedindo matrícula para esta cadeira.
Lendo este post antes de postar, percebi que não poderia ter escolhido assunto mais chato para escrever (exceto escrever sobre escrever). Mas isso é só uma prova de que a Federal não é exatamente um paraíso como os professores de cursinho pintam.
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Momentos de Crise
Tive a oportunidade de ver este final de semana uma crise social em pequena escala. Não foi nada prazeiroso, já que sua causa fora um acidente. Ainda assim, foi um fenômeno sociológico muito interessante.
Este sábado, dia 23 de fevereiro, estava eu e alguns amigos do tempo da tropa sênior acampando por nossa própria conta e risco (coisa que sentimos na pele mais tarde aquele dia) em uma chácara emprestada por um colaborador do meu antigo grupo escoteiro. Um de nós levou sua bicicleta, equipada com suspensão à ar nas duas rodas (o que custou pelo menos dois mil reais), e que ele usa em competições de rally de bicicletas ou coisa parecida. Para que a brincadeira ficasse mais divertida, montamos uma rampa de saltos, e ficamos saltando de bicicleta e vendo quem ia mais longe, mais alto ou caia da forma mais engraçada (fiquei em segundo lugar nessa categoria). Foi com essa porcaria que começou toda pendenga.
Como quase todos tinham feito seus pulinhos, começamos a incentivar quem não tinha pulado ainda. Os saltos naquela rampa eram de simples execução, mas era necessário prestar atenção à alguns fatores: a velocidade devia ser alta para não cair de boca no chão, e deveria se tomar cuidado para saltar no meio da rampa, pois nas laterais o risco de acidentes era maior. Eu ignorei estas variáveis e tomei um belo tombo por cima de uma plantinha protegida por um cano de PVC, o que me rendeu algumas escoriações bem bonitas. Mas não fui o único nem o último a tombar naquela joça, e não havia motivos para acreditar que isto iria nos causar transtornos.
Mas causou.
Um de nós caiu de lado, e (presume-se que) bateu a cabeça. Na hora foi só riso e deboche, pois ele se levantou e conversou novamente - dois comportamentos que indicam que tudo está bem. Ele também cortou a perna na correira da bicicleta, mas não parecia ser motivo para preocupação. Mas depois de algumas horas, esse companheiro começou a reclamar de dores de barriga, o que foi, sim, considerado um motivo bom o suficiente para uma parada no hospital. Mas no caminho, ele apresentou outros sintomas muito piores que só reforçaram a idéia de levá-lo: vômitos, tontura, desorientação, perda da coordenação motora e dos sentidos (visão e audição, principalmente).
Identificamos um problema, e o levamos para o hospital rapidamente. Os pais do guri (ele é menor de idade) não teriam do que reclamar de nossa amizade, certo? Quem dera. Quando foi explicado o acontecido, a mãe pensou que tivéssemos embebedado ele e o obrigado a andar na bicicleta, fazendo com que ele sofresse fatal acidente. Mas não parou por aí, pois ela ligou para os pais e mães de todos que ela soubesse que estavam lá acampando.
Começou um período de tensão, pois a qualquer momento a mãe de alguém poderia ligar, querendo saber o que estava acontecendo. Normalmente isso não é problema: basta mentir. Mas desta vez, por causa de uma burrada nossa, um guri poderia ficar com seqüelas cerebrais e nunca mais ser o mesmo.
Naturalmente, alguns estavam mais apavorados que os outros. A primeira coisa que foi feita depois de ficarmos sabendo que o guri estava no hospital e a mãe dele estava sedenta por nosso sangue foi desmontar a rampa. Enquanto eu e um amigo meu, também estudante de Psicologia, tentávamos chegar a um diagnóstico, os outros ou faziam piadas ou discutiam e se desesperavam. Por mais de mau-gosto que as piadas podiam ser (e eram) elas mantinham o nível de tensão mais baixo.
O dono da bicicleta era, de longe, o mais desesperado. Primeiro, porque ele trouxe a bicicleta para o acampamento apesar das repreensões da mãe, que disse que ele só levaria aquela porcaria para fazer baderna. Segundo, porque a relação entre os dois (mãe-filho) já estava um tanto abalada por causa das festinhas que ele ia de noite, e fizeram a mãe perder quase toda a confiança nele, e ele sabia. Estava com medo de perder o que ainda restava.
Por causa desse medo, ele agiu de forma impulsiva e irracional, e falou bobagens sobre o guri no hospital que, apesar de ditas com veemência, eram insinceras. Mesmo assim, ele irritou outro de nós, que chegou a soqueá-lo pelo que disse. Ele estava tão aterrorizado com a possibilidade de sua mãe ligar para ele e dizer que ele teria que voltar para casa imediatamente que, quando dois amigos nossos lhe telefonaram para saber onde era a chácara em que estávamos acampados, ele foi incapaz de identificar suas vozes.
Mantive a cabeça fria, e enquanto observava o desenrolar dos fatos como um etólogo observaria um animal, tentei acalmar os ânimos de quem estava lá, especialmente do dono da bicicleta. Tive um sucesso limitado, graças ao pensamento racional e ao sangue-frio que exibi, além da (acredito eu) empatia que transmiti para os outros. Um sucesso limitado ainda é um sucesso, e todos ficaram mais calmos e até capazes de fazer troça da situação. Não falarei que tipo de piadas fazíamos, pois quem não vivenciou tal situação seria incapaz de compreender por que tamanho mau-gosto, mas digo mais uma vez que elas foram a válvula de escape da tensão acumulada em nós.
Próximo das 9 da noite, recebemos notícia de que o guri no hospital apresentava melhora, e já era capaz de se comunicar. Isso deixou todos ainda mais aliviados, e em condições de fazer um pouco de farra (isso foi um puta eufemismo, mas deixa assim).
Notas sobre o acontecido:
Uma situação como essa traz à tona esquemas de comportamento das quais, em condições normais de estresse, nunca tomaríamos conhecimento. O acidente e principalmente a possibilidade de seqüela em um de nós, apesar de ter-se provado falsa até o momento, mostrou o despreparo emocional de muitos de nós para lidar com situações carregadas de emoções fortes e riscos, pois era visível a desunião que reinaria, se não fosse o esforço de alguns poucos para acalmar a todos e pensar de forma coerente. Acho improvável, mas se eu e/ou Grillo (o outro protopsicólogo, que deu o diagnóstico mais acurado possível naquela situação) não tivéssemos ido para o acampamento, talvez ele tivesse acabado muito mais cedo do que o esperado.
Pelo que pude observar, o desespero da maioria não tinha origem na possibilidade de seqüela, como antes disse, mas na culpa e no medo das conseqüências que isto teria para eles próprios. Não estou dizendo que ninguém estava preocupado com o guri no hospital, mas que esta era uma preocupação secundária. O dono da bicicleta é o melhor exemplo disso. Com certeza ele estava preocupado, e pensando com apreensão se o acidente deixaria o nosso amigo permanentemente com problemas mentais, mas sua maior preocupação era, de fato, como sua mãe iria reagir diante disso e o que aconteceria com ele e sua bicicleta. Questiono a honestidade do indivíduo que socou o dono da bicicleta, que disse estar indignado com a atitude dele perante uma vida humana, que acredito, estava tão mais preocupado com o próprio destino do que com o de quem estava no hospital, apesar de afirmar o contrário.
Pesquisas em Psicologia Comportamental e em Logoterapia demonstraram que pacientes em risco ou estado terminal frequentemente utilizavam-se do humor como estratégia de enfrentamento (coping strategies), e que tal atitude deve ser encorajada, por aliviar a tensão e o medo destes. Isto foi mais uma vez comprovado pelo nosso acampamento. O humor negro, escrachado e de extremo mau-gosto, tornou-se a estratégia de enfrentamento de muitos de nós, que não podíamos fazer nada a não ser esperar. Aqueles que faziam piada da situação mantiveram-se calmos e não agiram impulsivamente, ao passo que expressavam preocupação e mantinham-se sérios (babacas...) ficaram apavorados, e agiram impusiva e irracionalmente.
Está tudo bem agora, pois o guri que sofreu o acidente já está em casa e bem, o suficiente para entrar no MSN e colocar uma mensagem pessoal que dava exatamente estas informações. Baseado em minhas observações, concluo que o acidente e a internação no hospital não foram os motivos que levaram muitos de nós ao ponto do desespero, mas a histeria coletiva da maioria de nossas mães, que trocaram telefonemas apocalípticos e acusações (disseram que tínhamos um "arsenal de bebida" conosco) contra nós e nosso acampamento. Se a mãe do acidentado não tivesse começado sua campanha de terror, nenhum de nós teria ficado muito nervoso.
A grande maioria de nós está despreparado de forma preocupante para enfrentar situações estressantes. E quando digo "nós", não me refiro apenas aos que estavam lá no acampamento, mas também aos pais e as mães que deixaram desespero falar mais alto. É claro que é difícil para uma mãe ver seu filho numa cama de hospital, incapaz de falar uma frase que faça sentido e vomitando todos os fluídos corporais possíveis, mas devemos ter em mente que espalhar o próprio terror para os outros em redor não torna a situação mais fácil de enfrentar - oh ho ho, bem pelo contrário, é só arranjar sarna para se coçar. Quando as acusações contra nós começaram a aparecer, as defesas e justificativas vieram logo em seguida. Felizmente, alguns de nós pensaram de forma racional, mantiveram o auto-controle e ajudaram os que não conseguiram fazer o mesmo a recuperar a calma perdida.
Este acidente foi uma crise social em miniatura, e posso dizer que foi mais um treino para situações de risco do que uma situação de risco propriamente dita. Mas as reações das pessoas demonstrou que a necessidade um melhor prepararo emocional é urgente.
Este sábado, dia 23 de fevereiro, estava eu e alguns amigos do tempo da tropa sênior acampando por nossa própria conta e risco (coisa que sentimos na pele mais tarde aquele dia) em uma chácara emprestada por um colaborador do meu antigo grupo escoteiro. Um de nós levou sua bicicleta, equipada com suspensão à ar nas duas rodas (o que custou pelo menos dois mil reais), e que ele usa em competições de rally de bicicletas ou coisa parecida. Para que a brincadeira ficasse mais divertida, montamos uma rampa de saltos, e ficamos saltando de bicicleta e vendo quem ia mais longe, mais alto ou caia da forma mais engraçada (fiquei em segundo lugar nessa categoria). Foi com essa porcaria que começou toda pendenga.
Como quase todos tinham feito seus pulinhos, começamos a incentivar quem não tinha pulado ainda. Os saltos naquela rampa eram de simples execução, mas era necessário prestar atenção à alguns fatores: a velocidade devia ser alta para não cair de boca no chão, e deveria se tomar cuidado para saltar no meio da rampa, pois nas laterais o risco de acidentes era maior. Eu ignorei estas variáveis e tomei um belo tombo por cima de uma plantinha protegida por um cano de PVC, o que me rendeu algumas escoriações bem bonitas. Mas não fui o único nem o último a tombar naquela joça, e não havia motivos para acreditar que isto iria nos causar transtornos.
Mas causou.
Um de nós caiu de lado, e (presume-se que) bateu a cabeça. Na hora foi só riso e deboche, pois ele se levantou e conversou novamente - dois comportamentos que indicam que tudo está bem. Ele também cortou a perna na correira da bicicleta, mas não parecia ser motivo para preocupação. Mas depois de algumas horas, esse companheiro começou a reclamar de dores de barriga, o que foi, sim, considerado um motivo bom o suficiente para uma parada no hospital. Mas no caminho, ele apresentou outros sintomas muito piores que só reforçaram a idéia de levá-lo: vômitos, tontura, desorientação, perda da coordenação motora e dos sentidos (visão e audição, principalmente).
Identificamos um problema, e o levamos para o hospital rapidamente. Os pais do guri (ele é menor de idade) não teriam do que reclamar de nossa amizade, certo? Quem dera. Quando foi explicado o acontecido, a mãe pensou que tivéssemos embebedado ele e o obrigado a andar na bicicleta, fazendo com que ele sofresse fatal acidente. Mas não parou por aí, pois ela ligou para os pais e mães de todos que ela soubesse que estavam lá acampando.
Começou um período de tensão, pois a qualquer momento a mãe de alguém poderia ligar, querendo saber o que estava acontecendo. Normalmente isso não é problema: basta mentir. Mas desta vez, por causa de uma burrada nossa, um guri poderia ficar com seqüelas cerebrais e nunca mais ser o mesmo.
Naturalmente, alguns estavam mais apavorados que os outros. A primeira coisa que foi feita depois de ficarmos sabendo que o guri estava no hospital e a mãe dele estava sedenta por nosso sangue foi desmontar a rampa. Enquanto eu e um amigo meu, também estudante de Psicologia, tentávamos chegar a um diagnóstico, os outros ou faziam piadas ou discutiam e se desesperavam. Por mais de mau-gosto que as piadas podiam ser (e eram) elas mantinham o nível de tensão mais baixo.
O dono da bicicleta era, de longe, o mais desesperado. Primeiro, porque ele trouxe a bicicleta para o acampamento apesar das repreensões da mãe, que disse que ele só levaria aquela porcaria para fazer baderna. Segundo, porque a relação entre os dois (mãe-filho) já estava um tanto abalada por causa das festinhas que ele ia de noite, e fizeram a mãe perder quase toda a confiança nele, e ele sabia. Estava com medo de perder o que ainda restava.
Por causa desse medo, ele agiu de forma impulsiva e irracional, e falou bobagens sobre o guri no hospital que, apesar de ditas com veemência, eram insinceras. Mesmo assim, ele irritou outro de nós, que chegou a soqueá-lo pelo que disse. Ele estava tão aterrorizado com a possibilidade de sua mãe ligar para ele e dizer que ele teria que voltar para casa imediatamente que, quando dois amigos nossos lhe telefonaram para saber onde era a chácara em que estávamos acampados, ele foi incapaz de identificar suas vozes.
Mantive a cabeça fria, e enquanto observava o desenrolar dos fatos como um etólogo observaria um animal, tentei acalmar os ânimos de quem estava lá, especialmente do dono da bicicleta. Tive um sucesso limitado, graças ao pensamento racional e ao sangue-frio que exibi, além da (acredito eu) empatia que transmiti para os outros. Um sucesso limitado ainda é um sucesso, e todos ficaram mais calmos e até capazes de fazer troça da situação. Não falarei que tipo de piadas fazíamos, pois quem não vivenciou tal situação seria incapaz de compreender por que tamanho mau-gosto, mas digo mais uma vez que elas foram a válvula de escape da tensão acumulada em nós.
Próximo das 9 da noite, recebemos notícia de que o guri no hospital apresentava melhora, e já era capaz de se comunicar. Isso deixou todos ainda mais aliviados, e em condições de fazer um pouco de farra (isso foi um puta eufemismo, mas deixa assim).
Notas sobre o acontecido:
Uma situação como essa traz à tona esquemas de comportamento das quais, em condições normais de estresse, nunca tomaríamos conhecimento. O acidente e principalmente a possibilidade de seqüela em um de nós, apesar de ter-se provado falsa até o momento, mostrou o despreparo emocional de muitos de nós para lidar com situações carregadas de emoções fortes e riscos, pois era visível a desunião que reinaria, se não fosse o esforço de alguns poucos para acalmar a todos e pensar de forma coerente. Acho improvável, mas se eu e/ou Grillo (o outro protopsicólogo, que deu o diagnóstico mais acurado possível naquela situação) não tivéssemos ido para o acampamento, talvez ele tivesse acabado muito mais cedo do que o esperado.
Pelo que pude observar, o desespero da maioria não tinha origem na possibilidade de seqüela, como antes disse, mas na culpa e no medo das conseqüências que isto teria para eles próprios. Não estou dizendo que ninguém estava preocupado com o guri no hospital, mas que esta era uma preocupação secundária. O dono da bicicleta é o melhor exemplo disso. Com certeza ele estava preocupado, e pensando com apreensão se o acidente deixaria o nosso amigo permanentemente com problemas mentais, mas sua maior preocupação era, de fato, como sua mãe iria reagir diante disso e o que aconteceria com ele e sua bicicleta. Questiono a honestidade do indivíduo que socou o dono da bicicleta, que disse estar indignado com a atitude dele perante uma vida humana, que acredito, estava tão mais preocupado com o próprio destino do que com o de quem estava no hospital, apesar de afirmar o contrário.
Pesquisas em Psicologia Comportamental e em Logoterapia demonstraram que pacientes em risco ou estado terminal frequentemente utilizavam-se do humor como estratégia de enfrentamento (coping strategies), e que tal atitude deve ser encorajada, por aliviar a tensão e o medo destes. Isto foi mais uma vez comprovado pelo nosso acampamento. O humor negro, escrachado e de extremo mau-gosto, tornou-se a estratégia de enfrentamento de muitos de nós, que não podíamos fazer nada a não ser esperar. Aqueles que faziam piada da situação mantiveram-se calmos e não agiram impulsivamente, ao passo que expressavam preocupação e mantinham-se sérios (babacas...) ficaram apavorados, e agiram impusiva e irracionalmente.
Está tudo bem agora, pois o guri que sofreu o acidente já está em casa e bem, o suficiente para entrar no MSN e colocar uma mensagem pessoal que dava exatamente estas informações. Baseado em minhas observações, concluo que o acidente e a internação no hospital não foram os motivos que levaram muitos de nós ao ponto do desespero, mas a histeria coletiva da maioria de nossas mães, que trocaram telefonemas apocalípticos e acusações (disseram que tínhamos um "arsenal de bebida" conosco) contra nós e nosso acampamento. Se a mãe do acidentado não tivesse começado sua campanha de terror, nenhum de nós teria ficado muito nervoso.
A grande maioria de nós está despreparado de forma preocupante para enfrentar situações estressantes. E quando digo "nós", não me refiro apenas aos que estavam lá no acampamento, mas também aos pais e as mães que deixaram desespero falar mais alto. É claro que é difícil para uma mãe ver seu filho numa cama de hospital, incapaz de falar uma frase que faça sentido e vomitando todos os fluídos corporais possíveis, mas devemos ter em mente que espalhar o próprio terror para os outros em redor não torna a situação mais fácil de enfrentar - oh ho ho, bem pelo contrário, é só arranjar sarna para se coçar. Quando as acusações contra nós começaram a aparecer, as defesas e justificativas vieram logo em seguida. Felizmente, alguns de nós pensaram de forma racional, mantiveram o auto-controle e ajudaram os que não conseguiram fazer o mesmo a recuperar a calma perdida.
Este acidente foi uma crise social em miniatura, e posso dizer que foi mais um treino para situações de risco do que uma situação de risco propriamente dita. Mas as reações das pessoas demonstrou que a necessidade um melhor prepararo emocional é urgente.
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Sai uma dúvida, entra outra
Decidi que não vou fazer a cadeira de Esquizoanálise. Não sei se irão oferecer esta disciplina em outros anos. Se oferecerem, talvez eu faça. Se não, paciência.
Agora estou em dúvida quanto a que disciplina fazer no lugar desta: Bioquímica aplicada à Psicologia ou Alemão Instrumental II.
Vou pensando nisso durante o almoço.
Agora estou em dúvida quanto a que disciplina fazer no lugar desta: Bioquímica aplicada à Psicologia ou Alemão Instrumental II.
Vou pensando nisso durante o almoço.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Mais uma dúvida a me consumir
Como dei a entender em um post anterior hoje, estou às voltas com o meu processo de matrícula da faculdade - processo este, que como bem definiu um colega meu, é uma putaria, graças à incrível baderna que impera e que nos leva a trocar e-mails desesperados através de nossa lista de discussão. O que isso tem a ver com a dúvida que me consome? Nada. Escrevi esse primeiro parágrafo a título de introdução, e para mostrar que a Federal não é o paraíso em terra - é só de graça.
Mas de certa forma, o primeiro parágrafo tem um pouco a ver com minha dúvida (adoro me contradizer), pois se refere à matrícula em uma disciplina eletiva, que ora penso em fazer, ora penso em ficar bem longe. A disciplina a que me refiro é Introdução à Esquizoanálise.
Admito que os contras desta cadeira superam seus prós, e com larga vantagem: é de noite, é provável que eu vá detestar o assunto com todas as fibras do meu ser, e não gosto da didática das duas professoras que darão as aulas, sendo que uma delas é a professora que mais me ferrou individualmente nos último ano, por motivos que apenas desconfio (ela não deve gostar de mim).
Ainda assim, apesar de todos estes argumentos perfeitamente racionais, ainda resta em mim um desejo irracional, porém muito forte, de cursar essa disciplina. Talvez seja curiosidade: apesar de muita gente que conheço abominar Esquizoanálise, muitos veteranos vibraram com a possibilidade de cursar uma cadeira com tal assunto. Intriga-me esta ambivalência. Sei que, se me matricular, corro o risco de passar um semestre inteiro indo para uma tortura auto-infligida - pois fui eu quem escolhi fazer, sem pressão externa alguma. Também corro o risco de gostar da coisa via lavagem cerebral, que é mais comum nos meios universitários do que se imagina, e começar a escrever e (não) pensar feito um legítimo Psicólogo Social (prolixo ao extremo).
O coração tem razões que a razão desconhece, já disse Pascal. Talvez, no fundo, busco um desafio, o de encarar uma cadeira horrível, entender o assunto e, portanto, poder criticá-lo e refutá-lo com base em conhecimento e fatos concretos, e não apenas na base do "me disseram que". Das alegrias que me movem, a alegria do desafio vencido, o fiero, é a mais forte.
Mas de certa forma, o primeiro parágrafo tem um pouco a ver com minha dúvida (adoro me contradizer), pois se refere à matrícula em uma disciplina eletiva, que ora penso em fazer, ora penso em ficar bem longe. A disciplina a que me refiro é Introdução à Esquizoanálise.
Admito que os contras desta cadeira superam seus prós, e com larga vantagem: é de noite, é provável que eu vá detestar o assunto com todas as fibras do meu ser, e não gosto da didática das duas professoras que darão as aulas, sendo que uma delas é a professora que mais me ferrou individualmente nos último ano, por motivos que apenas desconfio (ela não deve gostar de mim).
Ainda assim, apesar de todos estes argumentos perfeitamente racionais, ainda resta em mim um desejo irracional, porém muito forte, de cursar essa disciplina. Talvez seja curiosidade: apesar de muita gente que conheço abominar Esquizoanálise, muitos veteranos vibraram com a possibilidade de cursar uma cadeira com tal assunto. Intriga-me esta ambivalência. Sei que, se me matricular, corro o risco de passar um semestre inteiro indo para uma tortura auto-infligida - pois fui eu quem escolhi fazer, sem pressão externa alguma. Também corro o risco de gostar da coisa via lavagem cerebral, que é mais comum nos meios universitários do que se imagina, e começar a escrever e (não) pensar feito um legítimo Psicólogo Social (prolixo ao extremo).
O coração tem razões que a razão desconhece, já disse Pascal. Talvez, no fundo, busco um desafio, o de encarar uma cadeira horrível, entender o assunto e, portanto, poder criticá-lo e refutá-lo com base em conhecimento e fatos concretos, e não apenas na base do "me disseram que". Das alegrias que me movem, a alegria do desafio vencido, o fiero, é a mais forte.
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Expressões do Italiano que deveriam ser criadas para o Português
Minha professora de Análise Experimental do Comportamento sempre cita o exemplo da avó dela quando fala de emoções e sentimentos. Segundo ela, sua querida avózinha sempre dizia que "eu nunca senti stress antes de inventarem essa palavra". Para expandir seu exemplo, ela também diz que americanos não sentem saudade, pois este termo é exclusivo da língua portuguesa. No lugar disso, eles sentem falta (to miss).
É uma explicação interessante, mas incompleta: só porque não temos um termo específico para um tipo de sentimento, não quer dizer que não o sintamos, apenas não sabemos expressá-lo. Diogo Mainardi, em sua coluna semanal na revista Veja, certa vez falou que seus amigos italianos muitas vezes lhe perguntavam se ele não sentia saudade - e usaram exatamente essa palavra, que devem ter aprendido com o próprio Mainardi, e que é muito mais específica do que sentir falta (não sei como seria em italiano).
E falando em italiano, esta língua tem uma palavra que faríamos muito bem em encampar ou traduzir de forma exata: fiero. Em italiano, essa palavra é utilizada para descrever a felicidade que sentimos ao enfrentar um desafio. Acho que todas as pessoas sadias do planeta já sentiram esta emoção, apesar de não serem capazes de expressá-la em uma só palavra ou frase.
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Minhas Aulas na Faculdade (Parte 3)
Não, não vou falar das minhas expectativas para o terceiro semestre, agora tão próximo. Vou só reclamar que, justo a cadeira que mais quero fazer, Psicologia Humanista, não foi incluída na lista de possibilidades de matrícula, provavelmente por descuido de algum estagiário. Bosta.
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