segunda-feira, 2 de outubro de 2006

O sangue deixado para trás

Um de meus técnicos de atletismo nos Estados Unidos disse uma vez que não se importava em ficar em último lugar numa competição importante, se ele tivesse feito o seu melhor. O que realmente importa é o esforço, a dedicação, a persistência. A vitória é apenas um subproduto superestimado.

Participei de uma competição escoteira este fim de semana, como monitor (líder) de uma patrulha (time). Ficamos em 24º lugar de 30 equipes. Foi um fiasco. Não por termos ficado em posição tão fraca, mas pela falta de espírito de trabalho e união que imperou entre nós.

Ao que tudo indicava, meus patrulheiros estavam tão ou mais empolgados, e que iriam se dedicar com todas as suas forças para vencer. Nada mais falso. O que eles desejavam era uma “vitória fácil”, erguer o troféu e viver um momento de glória sem terem se esforçado para isto. Diversas vezes preferiram satisfazer prazeres pessoais em detrimento das necessidades da equipe. Fiquei com a sensação de ter falhado como líder, pois não consegui motivar meus comandados a lutarem por uma verdadeira vitória. E mesmo assim, no final da atividade, na entrega dos prêmios, eles ainda esperavam ganhar algo, como se tivéssemos merecido algo. Senti uma grande raiva.

Levar uma taça para casa não é a verdadeira vitória. Pelo contrário. A vitória está em sofrer, lutar, chorar e nunca desistir, por mais doloroso que a jornada seja. A verdadeira vitória é, no fim do dia, ver as mãos vermelhas e calosas por remar com muito empenho; sentir as bolhas nos pés doerem por ter corrido demais; passar emplasto nas costas por ter carregado uma mochila pesada demais; é olhar para trás e ver que, ganhando ou não, se lutou de verdade até o final, como os verdadeiros heróis fazem.

Coloquei “vitória fácil” entre aspas não por acaso, mas por ser uma contradição. Uma vitória é sofrida, lutada, conquistada a ferro e fogo, ou não será verdadeira. Qual seria a satisfação de ganhar sem esforço? Levantar uma taça que foi roubada e não conquistada? Seria uma vitória vazia, sem significado. O empenho é que valida a vitória, e não o contrário. Apenas se deixarmos nosso sangue no tortuoso caminho ao topo, nada terá valido a pena, e teremos apenas desperdiçado nosso tempo.

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Um breve resumo da minha longa e rica carreira militar

Dia 26 de setembro de 2006. Desde antes de eu ir para os Estados Unidos, este dia estava marcado como o dia em que eu me alistaria no Exército Brasileiro.

Hoje foi o dia.

Me apresentei às 7 da manhã, na sede do Terceiro Grupo de Artilharia Anti Aérea, o Terceiro GAAAe, pois a pátria requeria meu sacrifício.

Desde que me conheço por gente, um dos assuntos mais comuns entre homens brasileiros é o serviço militar: os que já passaram pela experiência falam como foi duro e sofrido ser soldado raso ou ser aluno do NPOR (Núcleo Preparatório de Oficiais da Reserva); os que ainda estão para passar por esta experiência, falam sobre como escapar da vida de quartel, ou como suportá-la. Comigo não foi diferente, e várias vezes já discuti com meus amigos sobre os métodos obscuros de seleção dos soldados, a qualidade do equipamento militar (caindo de podre), a vontade e os meios de não servir ou como seguir carreira.

As opiniões divergem: uns querem servir e seguir carreira, outros tem aversão a tudo que seja oriundo do exército. Já tive as duas opiniões. Hoje de manhã, só queria ir para o quartel, me apresentar e ficar livre de uma vez por todas do terror de ser peão (nome para "soldado raso" em miliquês). Descreverei meu caminho pelo quartel em etapas:

Primeira Fase: A Entrada

Cheguei no quartel, exatamente às 7 horas da manhã, e entreguei meu certificado de alistamento para um soldado que estava ali por perto. A pontualidade provou ser uma desvantagem. De cara, tive que entrar em uma fila e esperar os atrasados, para daí então passar pelos exames de fato. Depois que todos os candidatos chegaram (pelo menos a maioria), nos levaram até o ginásio da base, onde todo um esquema tinha sido preparado para nos receber e nos selecionar.

Segunda Fase: O Paciente Inglês

No ginásio, um capitão ("com grande satisfação") nos explicou sobre a lógica do processo de seleção, que no fim não me pareceu tão abstrata como dizia a lenda: quem tivesse estudado até o Segundo Ano do Segundo Grau concorreria a uma vaga como soldado raso, e quem tivesse cursado ou ainda estivesse cursando o Terceiro Ano do Segundo Grau ou alguma faculdade, seria candidato para aluno do NPOR. "Menos mau" pensei "pelo menos me fodo com honras como oficial". A procura por médicos, dentistas e veterinários parece ser grande, pois perguntaram com bastante ênfase se algum de nós alistandos cursava alguma destas faculdades. A seleção não consiste apenas de escolaridade, contudo. Antes de mais nada, faríamos um exame odontológico, e logo em seguida, um exame médico, ambos muito breves. Depois disto, tiraríamos nossas medidas corporais como peso e altura, para fins de registro. Em seguida, nos passaríam uma prova, provavelmente para confirmar que sabíamos ler e escrever, e logo após, uma entrevista cara a cara com um oficial ou sargento. No final, aqueles que cursam ou cursaram o Segundo Grau faríam mais uma prova, de conhecimentos gerais ("Qual é a capital do Burkina Fasso?" e merdas do gênero).

Depois que o capitão terminou sua breve explicação, começamos a ser chamados para mostrarmos algum documento como carteira de identidade ou certidão de nascimento, e com isso, comprovarmos que realmente nos apresentamos no dia marcado, para então fazermos o exame médico.

Durante a nossa espera, foi nos concedido o privilégio de assistirmos uma fita de propaganda das Forças Armadas do Brasil. Tirando o propagandismo descarado, eram interessantes.

Terceira Fase: O Efêmero Exame

Fui chamado para fazer os exames médico e dental. Claro que tive que esperar novamente, pois sempre iamos em grupos de 10 para o exame. Uma dentista (e única mulher que vi fardada) analisou a nossa saúde bucal, na consulta odontológica mais rápida da minha vida: 10 segundos. O exame médico foi um pouco diferente. Cada candidato ficou em um box, de pé, e um médico (ou pelo menos um enfermeiro) falou pessoalmente por 30 segundos com cada um de nós (foi um aumento de 300% no tempo da consulta). Mostrei alguns exames para este suposto médico. Ele leu algumas linhas, e escreveu algo no crachá que eu estava usando. Quando nos chamaram para o próximo teste, eu e alguns outros ficamos para trás, e fomos imediatamente mandados de volta para as cadeiras da espera. Fui dispensado.

Quarta Fase: A Longa Espera

Fui dispensado, mas continuava dentro do quartel, com a diferença que agora eu não tinha esperança de fazer mais nada a não ser esperar. Essa espera foi o verdadeiro teste de resistência: agüentar 3 horas sentado, olhando pela terceira vez os vídeos de propaganda das Forças Armadas. Rebobinaram a fita e passaram a fita de novo 3 vezes. Acho que o Exército estava nos testando, para ver se seríamos bons espiões e informantes, que não revelariam nenhuma informação relevante sob tortura. Acho que me saí bem, pois não me joguei no chão implorando pela minha mãe depois de ver o mesmo filme sobre a Escola de Sargentos do PQP. Foi duro, mas eu sobrevivi.


Quinta Fase: Quebrando a monotonia

Depois de horas infindáveis, o capitão teve pena de nós CDIs (dispensados do serviço militar) e nos deu uma folga, pois nos foi permitido sair do quartel para pagarmos na agência dos Correios uma taxa de documentação que ainda não entendi porque tivemos que sair para pagar... mas não importa! Pude sair daquele ginásio quente, e pude olhar para... para... bem, qualquer coisa era mais agradável que aqueles vídeos naquela altura do campeonato.


Sexta Fase: Quase um "Sieg Hail!"

Mas faltava uma coisa ainda: o juramento à bandeira, e eu não poderia sair do quartel. Fomos para o lado de fora do ginásio junto com um tenente, que ficou nos falando sobre levar nossa escova de dentes e mamadeira para algum lugar caso fossemos convocados para serviços extraordinários e outras besteiras. Mas isso não importa agora. Ele nos ensinou duas coisas (supostamente) importantes: as posições de ordem unida para o juramento e o juramento à bandeira. Ele ficou bradando "SENTIDO!" e "DESCANÇAR!" por uns 10 minutos. Já conhecia a rotina dos escoteiros. O que aprendi de novo foi o "POSIÇÃO!" para saudar a bandeira. A primeira coisa que pensei quando ele nos mostrou como deveríamos fazer foi "Mas só falta um 'Sieg Hail' aqui pra virar quartel nazista".

O Juramento em si é um caso a parte. Tivemos que ficar treinando o que tinhamos que dizer, com o tenente nos chamando de bichinhas por falarmos baixo demais ou fora de ordem. Demorou, mas foi.


Sétima Fase: A Carta de Alforria

Feito o juramento, recebemos o que me disseram ser a minha "Carta de Alforria": o documento de reservista. Eu sou um reservista do Exército Brasileiro agora! Não é supimpa?

E assim, termina minha carreira militar. Pena que me dispensaram. Com toda a experiência que tenho em jogos de estratégia, eu seria um ótimo general.

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

7 de Setembro

Hoje, dia 7 de setembro de 2006, comemoramos a independência brasileira do jugo opressivo da coroa de Portugal, graças a valentia de Dom Pedro I, que bradou às margens do rio Ipiranga "Independência ou Morte!". Como é de praxe, praticamente todos os blogs brasileiros (e talvez alguns portugueses e de algum país africano de língua portuguesa) estão atualizados hoje com um post ufanista, falando da nobreza e grandeza de nossa pátria, ou clamando que nosso país deixou de ser independente de Portugal apenas para se tornar um escravo dos ingleses e dos americanos, ou que ainda temos que corrigir muitas injustiças em nossa terra antes de podermos dizer que somos realmente independentes.


Acho que já escrevi todas as três opções acima como dever escolar, e já li dezenas de outros iguais. Como não é mais original criticar ou elogiar o Brasil neste dia, decidi inovar completamente:


Estou usando meias novas.

Feliz 7 de Setembro, e vá ver a droga do desfile.

domingo, 3 de setembro de 2006

Se a vida é uma festa, não é uma balada

Toda vez que vou em alguma casa noturna aqui em Caxias (são poucas estas vezes, posso garantir) e conto para alguém, sempre me perguntam "A festa foi boa?"

Os padrões que definem uma festa boa sempre foram muito elusivos para mim, afinal, todas as vezes que fui foram iguais: ficar bebendo grandes quantidades de álcool ouvindo música alta, andando em meio a uma multidão caótica e espremida, olhando para luzes fortes demais para meus olhos, envolto por uma nuvem de fumaça de cigarro. Todos os seus sentidos são anulados, e fica apenas a sensação de ter tomado uma anestesia. Estranhamente, não sinto prazer algum nisso tudo.

"Como não? Cair na night é tão bom!" algum leitor incauto deve estar exclamando a esta altura do campeonato; "Eu e meus amigos saímos pra curtir desde os 12 anos de idade*, e sempre gostamos. Como é possível que você não goste?" diz outro.

Claro que gostam: vocês foram condicionados para isso. Se não o fossem, achariam, no mínimo, uma besteira.

Não tenho nenhum motivo para "cair na night", a começar que night é noite em inglês, e substituir a palavra portuguesa pela inglesa sem necessidade é algo de mau gosto. A primeira vez que fui em uma balada (que nome idiota!) foi quando tinha 14 anos. Depois de apenas meia hora lá, já fui carimbado com um jato de vômito alcoólatra. Boas lembranças de uma boa festa? Sinceramente, não sei por que este tipo de festa deveria ser divertido. Festas são divertidas, sim, ou seriam velórios, mas por que uma festa deve ser necessariamente entornando o caneco num lugar fechado, fedido, barulhento e com gente saíndo pelo ladrão? É pelas pessoas que vão lá, nestes buracos de lixo chamados "casas noturnas"?

Aprendi que sofro mais do que a maioria das pessoas nestes locais, pois tenho uma audição mais sensível que o normal, e qualquer som mais alto do que de costume me maltrata; a cachaça me anula a gustação, pois não bebo tanto assim**; todo aquele povo amontoado em um espaço equivalente ao de um box de chuveiro inutiliza o tato; o cheiro do cigarro inibe o olfato. Sem os meus 5 principais sentidos, toda e qualquer habilidade sensorial minha se vai, e meu (ainda) fraco Sexto Sentido é perdido por um longo tempo. A sensação de ficar completamente desnorteado e sem chão por baixo dos pés que sinto em uma balada é terrível.
Claro, claro, depois de um tempo vicia ir nestas porcarias, e se começa a gostar. Vomitar também, se você vomitar sistematicamente todos os dias. Comer merda também. Festa na minha humilde opinião é reunir os amigos, falar bobagem, lembrar do passado, comer churrasco, e não ficar completamente fora da casinha e se sentir péssimo. Mas claro, eu tenho gene recessivo para este assunto.






*Com doze anos vocês deveriam estar subindo em árvores e limpando ranho na manga da camisa. Espera! Vocês faziam isso, só quando ninguém do sexo oposto estava olhando!
**E o nome do blog para qual escrevo é "Roqueiro e Alcoólatra". Que paradoxo.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Escotismo deveria rimar com Burrice

Hoje ocorreu a cerimônia do Fogo de Conselho de Abertura da Semana da Pátria, organizada pelo Grupo Escoteiro Imigrante. Esta é uma cerimônia realizada todos os anos aqui em Caxias do Sul, e cada ano um grupo diferente faz os preparos da "festa". Neste dia, comemoramos a grandeza de nossa pátria e nos unimos em torno do fogo em um só coração.


Agora vamos falar a verdade.


Sim, esta droga de festa acontece todo ano, e todo ano eu vou para algum lugar perdido entre as ruelas e becos mais escondidos da cidade, sofrer com o frio para ver uma apresentação mal engendrada que apresentam do lado de um amontoado de faíscas que se convenciona chamar de "fogueira". Essas apresentações sempre tem criancinhas correndo em círculos, com os braços abertos, como se voassem. Esse ano, elas estavam fantasiadas de 14-Bis; ano passado, elas eram o vento Minuano; ano retrasado, provavelmente garças cor-de-rosa. E leram um poema do Mário Quintana. Por que todo mundo acha bonitinho crianças lendo poemas? Aqueles pirralhos mal sabiam escrever o próprio nome, quanto mais ler uma poesia com uma entonação interessante? Deveriam proibir crianças da Quarta Série para baixo de lerem em apresentações públicas, e quem quebrar a lei deveria ser preso por crime hediondo de tortura. "Mas Andarilho, como fica a auto-estima dessas pobres coisinhas? Como vamos fazer com que se sintam importantes e amadas?" vocês me perguntam. Resposta: SEM ESSA MERDA DE LEITURA EM PÚBLICO. Se isso funcionasse, não existiria Baixa Auto Estima no mundo, pois qualquer porcaria serviria. O mundo seria um lugar muito melhor se só crianças que realmente saibam ler lessem em público. As outras, que aprendam primeiro.


Estes eventos pentelhos são pretensamente para "integração" dos escoteiros da cidade, e os bestas de nossos chefes continuam realizando estas palhaçadas coletivas pensando que fazem grande coisa. Quem sabe eles veriam como não existe integração nenhuma se eles desenterrassem suas cabeças do chão e olhassem para o que realmente acontece: a maior parte dos que vão, sai sem falar com UMA pessoa de outro grupo. UMA pessoa. Grande integração essa que nos dizem que existe. E o pior é que, quando digo algo parecido com o que acabo de dizer (de maneira educada e sensata, por exemplo), ouço a resposta "mas tu é loco!", e sou ignorado.Deveriamos extinguir este tipo de atividade de integração fajutas, e começar a fazer uma integração verdadeira, onde, quem sabe, pudessemos conversar com pessoas de outros grupos! Isto não seria fantástico?


Sim, estou de péssimo humor. Fui grosso e mal-educado na hora de escrever este texto. Mas de que adiantam os bons modos se o que você diz é sempre ignorado quando os usa?

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Absurdo do Dia

Alguma vez vocês já receberam uma ligação a cobrar da BrasilTelecom? Pois bem, eu já. Hoje mesmo. Nesta ligação, um indivíduo com um sotaque muito estranho (provavelmente do Nordeste) me falava, entre chiados do telefone, que a BrasilTelecom estava realizando uma promoção com prêmios fabulosos. "Que porra de promoção é essa?!?!" pensei comigo mesmo. Desliguei o telefone. Era golpe.

O que me indigna não é o fato de tentarem me enganar dizendo que trabalham na BrasilTelecom e que estavam me telefonando para me premiar, nem o fato do "Atendente" falar português da pior maneira possível (nada com o sotaque, mas ele falava pior que o João Paulo II), mas que para me enganar, não se deram ao trabalho nem ao menos de pagar a ligação telefônica!

Tem muita gente burra neste mundo, mas não a este ponto. Ou tem. Esses golpistas. Fico pensando se o princípios do "Capar pra não dar cria ruim" não deveria ser aplicado nestes camaradas. Não por serem vigaristas, mas por serem mais burros que portas.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Paciência de Jó

75% da população brasileira dizem que amam crianças. Os outros 25% convivem com crianças.

Estas estatísticas são exageradas, mas não estão longe da verdade. Hoje no treino de Kung Fu, veio um pirralho de 7 ou 8 anos . Durante o aquecimento e o alongamento, ele não ficou quieto por mais de um minuto. Para quem está acostumado a treinar sem muita conversa, é muito irritante.


Ele é apenas uma criança, e crianças falam bastante, e devemos respeitá-las e ajudá-las a crescerem. Na teoria isso é muito bonito, mas a prática é muito diferente.Eu fiquei um tanto quanto nervoso, e pedi para ele imitar o som que as girafas fazem durante a aula toda. Meu colega foi mais maligno ainda e exclamou "A faixa não era para ir amarrada na boca de pessoas com menos de 10 anos?". Outro colega foi ainda pior, pois já esfregou um tênis suado na cara de um outro menino para fazê-lo calar a boca (fiquei pensando no que o PAI do moleque estava fazendo neste preciso minuto, para nem se indignar com este ato).


Eu perdi minha paciência (o negócio da girafa foi phoda), mas me lembrei que já fui pequeno um dia, muito mais silencioso e contemplativo, garanto, mas pequeno mesmo assim. Depois da aula, pedi a ele que falasse menos, pois ele atrapalhava o treino com tanta comunicatividade. Espero que ele siga meu conselho, ou treine em um outro horário, pela própria saúde dele. O tênis tóxico está preparado.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

A Farsa da Contra Cultura

Xingar o Movimento Emocore é mais comum que colorado comemorando a conquista da Libertadores. E não precisa pensar muito para saber por quê os Emos são tão criticados e perseguidos: eles são muito diferentes dos padrões estabelecidos pela sociedade.

Na prática, eles são um novo ramo de góticos, mas que além de se maquiarem apenas com branco e preto, usam cabelos lambidos e freqüentemente coloridos.Por causa disso, eles são hostilizados não só pelas pessoas ditas normais como também por outras "tribos urbanas": metaleiros, os Punks, os góticos e outros representantes da dita "Contra Cultura".

Não tenho nada contra nenhum destes movimentos, e respeito o que quer que eles façam. Mas tem algo que me incomoda neles. Na maioria das vezes que se pergunta por que eles se vestem e se comportam de jeito tão diferente, é por que eles "não suportam essa sociedade totalitária, que impõe sua moda a todos, e desejam ser livres para não serem iguais ao outros".

Então, o maior desejo dos Emos, Punks, Góticos e afins é basicamente serem criativos e diferirem dos outros. Aparecer como rebelde, revolucionário e contra tudo o que está aí. Meu Deus, isto traz lágrimas aos meus olhos! Mas existe um problema nisso tudo: Eles querem ser diferentes dos outros? Eles são. Tanto que dá para conhecer um Emo numa multidão "pasteurizada" a uma milha de distância. Mas e numa aglomeração de Emos? ELES SÃO TODOS A MESMA COISA!

Aquela propelada criatividade e diferença deles vai para o saco quando comparamos dois integrantes do mesmo movimento. Ser diferente uma ova! Eles querem ser apenas aceitos em uma outra panelinha, por que tem medo do que os outros vão pensar deles se fossem normais. A grande maioria destas pessoas precisam de roupas berrantemente diferentes para se afirmarem como Homens e Mulheres crescidos e seguros de si.

A Contra Cultura é uma tentativa falha de mudar o mundo desde o começo, pois como o próprio nome já diz, é apenas o exato oposto da "Cultura Estabelecida". No fim, se torna tão importante ser do contra que se esquece que o ideal inicial era um mundo melhor. Quer-se tanto mudar o mundo que não mudam a si mesmos.Se você faz parte de algúm desses movimentos, leu este texto e não gostou, quero dizer apenas uma última coisa: não se preocupe, todas as pessoas deste mundo cometem ou já cometeram a mesma babaquice que vocês. Me incluo nesta lista, por mais incoerente que possa parecer, pois muitas vezes desejei ter (e ainda desejo) uma certa jaqueta para fazer pose. A diferença é que eu tenho um pequeno grau de consciência disso. E você?

21 de Agosto

Hoje comecei meu cursinho, no Mauá. Acordei às 7 da manhã, quando eu estava acostumado a dormir até às 11. Para piorar a situação, este dia de hoje foi considerado o mais frio dos últimos tempos. Ruim o bastante, não?


Calma que piora: tive 4 aulas de matemática hoje. 4! Não foram 4 aulas conscutivas, mas ainda foram 4 horas da minha vida de um único dia usadas para aulas de matemática.


E como se isso não fosse ruim o bastante, sentei em uma carteira que tinha rabiscado na fórmica "Valdir".


Que começo...

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

A Lenda do Gnomo Burro

Era uma vez um gnomo chamado Waldir.

Ele era burro.

Ele vivia numa grande e verdejante floresta, e sua casa ficava do lado da BR 116.

Um dia, Waldir decidiu colher frutinhas silvestres do outro lado da estrada.Como ele não olhou para os lados na hora de atravessar, ele foi atropelado por uma topic que levava garotas de programa para um "evento social" da prefeitura.

Ele era realmente burro.

E assim acaba a Lenda do Gnomo Burro.

PS.: Eu queria ter escrito alguma história com pano de fundo épico, porém debochado, mas isto foi tudo que eu consegui pensar.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

A Brisa

*Recomendo aos visitantes incautos que leiam primeiro o post imediatamente abaixo deste para entenderem melhor o que quero dizer aqui.*

Qual é a parte mais difícil de realizar algo? Entrar para a faculdade, por exemplo? Ou começar em um emprego novo, ou até mesmo, escrever um post para um blog?

É o começo.

No começo, somos inexperientes, temos medo, não temos certeza de que o que estamos fazendo é o certo ou o que queremos. Mas a partir do momento que damos o primeiro passo, que vencemos a barreira inicial, tudo fica mais fácil, apesar de muitas vezes nem percebermos isto.

Mais uma vez, venho falar da Inércia. Inércia, como disse anteriormente, é a tendência dos corpos continuarem no mesmo estado que se encontravam anteriormente. Essa regra é válida também para nós, seres humanos, e nossas atitudes.

A inércia é esta barreira inicial, que muitas vezes nos faz desistirmos do que gostariamos de fazer. Mas ela não é apenas um empecilho em nossas vidas. Uma vez que a revertemos, ela passa a trabalhar a nosso favor, e assim, depois que damos o primeiro passo em uma jornada de 1000 milhas, ela nos ajuda a continuar andando.

Toda tempestade começa como uma leve brisa, e toda revolução começa por baixo, para então chegar ao céu. Só é necessário dar o sopro inicial.

Inércia, preguiça o blog e minha vida

Este post começou mal: apertei enter logo após ter digitado o título ("Inércia, Preguiça e falta de criatividade" originalmente). Atualizei o blog com um texto em branco, que tinha apenas um título um tanto quanto sem nexo. Pensei em deixar assim, e escrever um outro post explicando a situação, mas seria dadaísta demais para meu gosto. Aperto o botão "Editar" então.

Como nossa visitante Francine falou em um comentário anterior, o R&A é um blog interessante, mas com assuntos muito repetitivos. Sim, esta é a verdade, pois como todas as minhas idéias para textos são extremamente longas, demoro muito escrevendo (acreditem, eu escrevo!), e para tapar os buracos, faço estas observações sobre as minhas Sortes Orkutianas.

Eu poderia por a culpa na falta de tempo para escrever, e que estou ocupado demais estudando e/ou trabalhando. Mas é justamente o contrário! Não estou estudando merda nenhuma, e meu maior trabalho ultimamente tem sido coçar o saco de maneiras criativas. Sim, o motivo principal para a falta de atualizações decentes é a Inércia, ou a tendência dos corpos se manterem no seu atual estado (o meu corpo está deitado e dormindo, ao que tudo indica).

E tenho preguiça de mudar esta situação. Afinal, para quê mudaria? Estou muito bem, obrigado!, sem fazer nada o dia inteiro, apenas jogando "Battle for Middle Earth II" (acho que ainda escrevo alguma coisa sobre este joguinho do diabo), treinando Kung Fu e vendo TV (e absorvendo todas as suas mensagens subliminares). Pergunto novamente: por quê eu deveria mudar esta situação?

Por que não estou satisfeito com ela.

Antigamente, nos meus tempos de estudante de Ensino Médio do nobre colégio São José, seria a vida dos sonhos, e se eu tivesse me acomodado e feito o vestibular como o resto dos meus colegas, eu estaria sonhando com ela (a vadiagem). Mas eu não fiz vestibular, não me acomodei, e viajei para os Estados Unidos da América. Eu poderia escrever parágrafos e mais parágrafos sobre minha vida lá, mas direi apenas que mudou minha forma de pensar completamente. E deixei de gostar de vagabundagem. Agora, tudo o que quero é algo pra fazer.

Mas inércia é uma força poderosa. Não bem uma força, mas uma negação da força de vontade do corpo ou da pessoa, pois é mais fácil seguir fazendo o que é habitual do que chutar o balde e mudar tudo, por mais que se deseje isto. É necessário mais do que vontade para quebrar o ciclo vicioso: é necessário coragem e esforço.E é exatamente isto que estou fazendo agora: quebrando a inércia.



Este post é apenas o começo.