Bad Day
Artist: R.E.M.
A public service announcement followed me home the other day.
I paid it nevermind. Go Away.
Shits so thick you could stir it with a stick-free Teflon whitewashed
presidency.
We're sick of being jerked around.
Wear that on your sleeve.
Broadcast me a joyful noise unto the times, lord,
Count your blessings.
We're sick of being jerked around.
We all fall down.
Have you ever seen the televised St. vitus subcommittee prize
Investigation dance? Those ants in pants glances.
Well,look behind the eyes.
It's a hallowed hollow anesthetized"save my own ass, screw these guys"
smoke and mirror lock down.
Broadcast me a joyful noise unto the times, lord,
Count your blessings.
The Papers wouldn't lie!
I sigh, Not one more.
It's been a bad day.
Please don't take a picture.I
t's been a bad day.
Please.
We're dug in deep the price is steep.
The auctioneer is such a creep.
The lights went out, the oil ran dry
We blamed it on the other guy
Sure, all men are created equal.
Heres the church, heres the steeple
Please stay tuned-we cut to sequelashes, ashes, we all fall down.
Broadcast me a joyful noise unto the times, lord,
Count your blessings.
Ignore the lower fear
Ugh, this means war.
It's been a bad day.
Please don't take a picture.
It's been a bad day.
Please.
Broadcast me a joyful noise unto the times, lord,
Count your blessings.
We're sick of being jerked around.
We all fall down.
It's been a bad day...
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Uma música de indignação, com uma batida boa e letra legal. Não sei por que, mas acho que vale a pena colocá-la aqui.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Minhas Aulas na Faculdade (Parte 2)
Segundo Semestre
Constituição do Sujeito Psíquico - Obrigatória
Overview:
Nome imponente, não? Pois é, o conteúdo também. E quando digo "imponente", eu quero dizer "incompreensível e humilhante". Textos extremamente complexos e (acredito) sem nenhuma fundamentação empírica - tudo tirado da cachola de um guruzão e tomado como verdade absoluta. Vários colegas meus gostaram das aulas, que por mais complicada que fossem, foram dadas com boa didática e com dedicação por parte da professora. Respeito isso, mas o conteúdo... podia ter colocado outra coisa no lugar. Meus colegas que gostaram defenderiam que, como não tivemos nenhuma introdução decente ao assunto (Psicanálise de Freud), ficou impossível que entendessemos as aulas desta disciplina (sobre Psicanálise de Lacan).
Método de Avaliação:
Dois trabalhos dissertativos menores, e um trabalho final - apresentação e relatório. Sobre os dois primeiros trabalhos, não tenho do que reclamar do método de avaliação, pois a professora leu e corrigiu todos os trabalhos entregues, e deu notas justas. A avaliação do trabalho final seguiu a mesma lógica, mas as notas pareceram muito mais sorteadas do que dadas justamente (alguns tiraram A enquanto que a maioria tirou B - sem justificativas).
Desenvolvimento Humano II - Obrigatória
Overview:
Como indica o nome, esta disciplina seria a continuação dos estudos do Desenvolvimento Humano sob a ótica da Psicologia. Enquanto no primeiro semestre aprendemos sobre o desenvolvimento cognitivo infantil segundo a Epistemologia Genética (teoria de Piaget) e a teoria de Vigotski, neste semestre aprenderíamos sobre o desenvolvimento emocional infantil, de acordo com as teorias de Winnicott, Bowlby, Erikson e outros autores, em sua maioria psicanalíticos (mas nem por isso ruins).
Como é de praxe, tivemos três professoras diferentes - sendo cada uma responsável por uma etapa da disciplina. A primeira etapa teve assuntos interessantes, com convidados em uma e outra aula. A professora foi diligente e raras vezes deixou de comparecer na hora marcada. Entretanto, a didática era fraca, sendo que considerei mais proveitoso ler os textos recomendados ao invés de ir assistir a apresentação dos mesmos no Power Point (mas que para tirar dúvidas eram excelentes).
A segunda etapa começou, mas a segunda professora veio muito poucas vezes pessoalmente nos dar aula. Geralmente, ela simplesmente mandava uma mestranda ou doutoranda falar sobre suas linhas de atuação e pesquisa. Estas aulas eram bem interessantes, pois nos era apresentada a perspectiva de profissionais que trabalham fora do meio acadêmico (isso é raro), mas os assuntos eram em sua maioria desconexos do assunto principal da disciplina.
A terceira etapa foi, de longe, a mais polêmica (e por isso divertida) de todas. A professora encarregada dessa etapa era uma doutoranda. Doutorandas, mestrandos e outros tipos de bolsista que dão aula são considerados os estagiários do Instituto: alguns são bons, mas a maioria... são estagiários. Na sua primeira aula, nos pareceu que ela pertencia ao seleto grupo dos bolsistas que sabem o que fazem. A segunda aula estuprou, matou, esquartejou e estuprou de novo a primeira impressão, e jogou os seus restos mortais em um parquinho infantil. É, deixou uma impressão ruinzinha, pra ficar nos eufemismos. Nessa aula que ficou conhecida como "A Aula Mágica", ela falou sobre o PET scan tirar "fotos da mente", da ciência psicanalítica, e o supra sumo da bizarrice: dos soldadinhos da libido para explicar a teoria libidinal de Freud. Depois dessa aula, nossa diversão principal na disciplina era procurar inconsistências nos artigos escritos pela professora e no conteúdo de aula (não era difícil). Admito que fomos influenciados pela má imagem formada pela professora na segunda aula, e que talvez tenhamos visto problemas de mais. Mas vimos vários problemas. Eu nem fui um inquisidor: percebi durante a Aula Mágica que não ia gostar daquilo e entrei em estado catatônico - só fiquei sabendo dos rolos por causa de meus indignados colegas. Enfim, uma aula deveras caceteada.
Método de Avaliação:
Tivemos um trabalho e uma prova dissertativa na primeira e na segunda etapas. Todos foram justos e bem avaliados. O trabalho final ficou por conta da terceira professora, que nos mandou fazer uma análise psicodinâmica de um caso clínico. "Análise psicodinâmica" implica que tenhamos uma trajetória consistente em Psicanálise. No segundo semestre de faculdade. "Caso clínico" implica que tenhamos pacientes. No segundo semestre de faculdade. "Análise psicodinâmica de caso clínico no segundo semestre de faculdade" implica que alguém comeu cocô quando decidiu dar esse trabalho. Mas vou ser justo: ela avaliou os trabalhos conforme nossa capacidade, e foi extremamente construtivo entrevistar alguém e avaliar seu desenvolvimento emocional (no caso, eu entrevistei o Huginn).
Fisiologia Geral Aplicada à Psicologia - Obrigatória
Overview:
Herdeira da disciplina de "Neuroanatomia Funcional", dada pela terceira professora da mesma. Tomei menos na bunda nessa cadeira, e posso até dizer que entendi alguma coisa. O método de ensino foi o mesmo do semestre passado, e acho que estavamos melhor preparados para o Discurso Socrático.
Método de Avaliação:
Uma prova com consulta - difícil, mas não impossível. Era só saber um pouco da matéria e onde procurar nos polígrafos e livros. A segunda prova foi tantas vezes adiada, para que pudéssemos ver todo o conteúdo programático e para que não ficasse nenhuma lacuna (aqui devo agradecer a professora, que priorizou nosso aprendizado à tranqüilidade de não ter que corrigir trabalhos no final de semana), acabou virando um trabalho por internet: a professora mandava um caso clínico, ou três questões sobre um assunto, e teríamos que responder com nossos conhecimentos e Google-Fu. Fui bem nessa prova.
História da Psicologia - Obrigatória
Overview:
Outra herdeira direta, só que da disciplina de Filosofia e Psicologia. O professor era o mesmo, mas neste semestre, ele preferiu mostrar porque ele é famoso por não dar aula nenhuma para os alunos de graduação, e mandou dois doutorandos fazerem o trabalho sujo. A primeira doutoranda chamaremos de "Ursinho Carinhoso", e o segundo doutorando de "Coração Gelado", para contrastar as capacidades sociais e emocionais de cada um. As aulas da Ursinho foram interessantes, divertidas até. O assunto não era tão interessante quanto gostaria, mas a didática dela era boa. Já do Coração Gelado não posso falar o mesmo. Para começo de conversa, o apelido dele remonta ao remoto primeiro semestre, quando ele nos deu algumas auls de Filosofia, e sua incrível capacidade de manter-se apático e não expressar emoção alguma espantava quase todos os estudantes da sala, e nos que lá ficavam, sono. Coração Gelado é apenas o apelido que sintetiza toda essa morte interna dele. Bem, não posso dizer que ele não se esforçava, e devo dizer que os textos selecionados eram em sua maioria muito bons. Ele até sorriu algumas vezes. A turma até fez um movimento para não deixar a sala despovoada na aula dele (depois de uma primeira aula completamente esvaziada), mas não durou muito tempo. Pobre Coração Gelado! No fundo ele é só um garoto tímido com emoções reprimidas. Mas ele que vá curar suas frescuras no terapêuta, e não com a gente.
Método de Avaliação:
Uma prova com a Ursinho, uma prova e um trabalho (apresentação e relatório) para o Coração Gelado. A prova da Ursinho foi complexa, exigente, mas como eu sabia o conteúdo não foi nem um pouco impossível (apesar de ter choramingado um pouco). O trabalho do Coração Gelado funcionou da seguinte maneira: só aparecia nas aulas a tropa de choque (os que sempre vão na aula) e quem tinha que apresentar trabalho. No dia da minha apresentação, entrei na sala e quase berrei "CADÊ O MONSTRO DO CORAÇÃO GELADO?", mas meu sexto sentido me avisou para ficar quieto. Ainda bem, pois lá estava ele, espreitando na sombra por sua presa, no caso, nós e nossos slides. Mas ele foi justo na avaliação. A prova dele foi mais complicada. Parecia para nós, perenes gazeadores, que ele tinha escrito aquelas questões só pra ferrar a gente. Algumas pessoas reclamaram que correção fora enviesada e injusta, mas esse não foi o caso comigo. Tinha errado só uma parte de uma questão, mas tinha errado mesmo, e confio que o Coração Gelado foi, novamente, justo. De fato, ele é um cara bacana, só espero nunca mais ter aula com ele.
Pesquisa em Psicologia
Overview:
Uma das melhores e uma das piores cadeiras do semestre ao mesmo tempo. Dividida em duas partes como tantas outras de nossas disciplinas, sua primeira parte foi dada por uma doutoranda do professor titular da cadeira. Como o assunto era interessante (Filosofia da Ciência) e a doutoranda era uma das poucas bolsistas que sabem o que fazem, além de bonita, a aula foi estimulante (viva o duplo sentido). A segunda parte foi dada pelo professor titular, e focava-se nos aspectos práticos da pesquisa em Psicologia. Interessante de fazer, chato de ouvir. A chamada era a parte mais interessante da aula, pois o professor chamava e dava falta em menos de 5 segundos se não fossemos rápidos o suficiente (nunca ganhei falta por lentidão). Não que ele cobrasse presença, aliás, ele até preferia que quem não estivesse interessado fosse embora ("o dia tá bonito, vão lá fora, vão pro bar, vão passear, vão pro motel, mas não fiquem aqui enchendo o saco de quem quer aprender!"). A didática dele é baseada na repetição: ele falava sobre a mesma coisa duas ou três vezes, para ter certeza de que tinhamos entendido. Chato para quem é rápido, maravilhoso para quem é lento. Provavelmente isso é um reflexo da dificuldade do próprio professor se concentrar (aposto que ele tem Transtorno de Déficit de Atenção e/ou Hiperatividade - TDA/H). Mas não dava para reclamar de falta de explicação, pois se não tivessemos entendido em aula, ele explicaria depois, e deixou a nossa disposição os textos originais em inglês do polígrafo (horrívelmente) traduzido que utilizava como base teórica. Geralmente ele chegava atrasado, e repreendia quem fazia isso depois dele (deveríamos pegar uma foto dele com cara de mau, escrever em baixo "Tu tá atrasado!" e fazer uma camiseta). Isso era divertido também.
Método de Avaliação:
Tivemos uma prova com a primeira professora, e um trabalho e uma prova com o segundo professor. O trabalho serviu mais como fator de desempate, caso alguém tivesse ficado entre uma nota e outra (no limbo entre B e A, especialmente). Quanto às provas, o professor sempre disse que não estava ali para nos ferrar, e que nós iríamos tirar tudo A, e que isso não significava muita coisa. Para estudarmos para a prova, eles sempre nos mandavam com antecedência todas as questões que podiam cair na prova (através de sorteio), para que tivéssemos tempo e algum guia de leituras. Bom para a gente e excelente maneira de estudar (pelo menos para quem respondesse todas as questões).
Psicologia e Políticas Públicas - Obrigatória
Overview:
Esta foi a segunda aula que tive com a professora de Psicologia Social I. Admito que esta disciplina tinha um dos conteúdos mais atraentes de todos, as políticas públicas no Brasil e no Rio Grande do Sul, sob a visão da Psicologia. Mas essa Psicologia viria a ser a Psicologia Social e Institucional, os enroladores mestres. Não faltei muito suas aulas, mas não fazia questão de ir. Nenhum pouco, aliás. Mas admito que, se a cadeira começou tediosa ao extremo, terminou com debates e palestras de professores convidados impressionantes. Ainda assim, essa era uma disciplina que eu não me importaria de não ter cursado.
Método de Avaliação:
Ah, a cereja do bolo! Se eu fosse dar um prêmio de "Avaliações Mais Porcamente Feitas", daria para a professora de Políticas Públicas. Com honra ao mérito. Ela fez dois trabalhos, um menor e um maior (o final). O trabalho menor acabei entregando atrasado por falha minha, mas entreguei em mãos para a professora. E ela teve a capacidade de perdê-lo. Tudo bem, ela ia fazer uma avaliação terrível de qualquer forma, mas isso mostra a consideração que ela tem por seus alunos, e atrevo-me a dizer, por minha pessoa, a quem ela chamou de "vagabundo" quando ela fez a chamada uma vez e eu não estava presente. Mas a chamada eu falarei mais adiante.
O trabalho final foi realmente estimulante de fazer, exceto em uma coisa: era em grupo, e eu caí no grupo mais infeliz de todos, pois era o único disposto a trabalhar. Nossa tarefa era simples: fazer um estudo de caso de um conselho de políticas públicas, como o Conselho Municipal de Saúde, o Conselho Estadual de Saúde, e outros não relacionados diretamente à área da saúde, cujos nomes não lembro no momento. Isso seria uma barbada para mim, pois já sou um aventureiro desses conselhos brutos faz algum tempo, me sentiria à vontade. O problema é que fui o único do meu grupo a ir na reunião do conselho que tínhamos nos proposto a ir. Depois eles tentaram fazer remendos, avaliando um vídeo de um congresso disponível na internet, ou entrevistando uma usuária do SUS. O trabalho estava fadado a ser um lixo, mas eu fiz a pior escolha que podia ter feito: resolvi fazer só minha parte e confiar nos outros.
Sabe o que a Tia Fifi dizia no maternal, para confiar nos outros? Esqueça. Não confie em ninguém que não tenha lhe dado motivos para tanto. Não foi o caso do meu grupo. Nosso trabalho foi o pior avaliado de todos, a única nota C. Se eu tivesse feito a maior parte do trabalho sozinho, talvez tivéssemos uma fighting chance (chance de combate), mas minha apatia falou mais alto. Mas uma coisa me consola: minha parte do trabalho estava bem feita. Eu conferi, e pedi para que um colega, da minha mais alta confiança, a corrigisse. E ele disse que estava bom (olha que o cara é exigente!). E minha parte do trabalho foi tão ou mais caceteada que o resto, que estava horrível. Não sei, mas acho que a professora não gosta nem um pouco de mim.
Falarei rapidamente da chamada. Trocando em miúdos, ela só fazia a chamada quando tinha pouca gente em sala de aula, pois desse modo ficava mais fácil de contar. Ela não seguia padrão algum: ora fazia a chamada no início, ora no fim. Geralmente, fazia no fim, e ferrava quem tinha que pegar ônibus mais cedo. Chamou uma colega minha de "inexistente" e me chamou de "vagabundo", além de ter insultado mais alguém.
O pior é que, apesar de tudo, eu não consigo detestar ela. Ainda considero a possibilidade de fazer uma eletiva com ela. Eu me odeio.
Psicologia Social II - Obrigatória
Overview:
A exceção à regra que I é diferente de II, pois o que vimos em Social I foi igual ao que vimos em Social II. No começo, a professora e sua mestranda até tentaram cobrar chamada, pois segundo elas, era importante ficar em sala de aulaouvindo seus intermináveis e maçantes monólogos sobre a Dobra e debater sobre a matéria, igualmente chata. Mas depois de um tempo, quando ela percebeu que o pessoal só pegava a chamada e ia embora logo em seguida (eu incluso), parou de fazer questão de nossa presença. Sempre que entrava na sala, tinha a impressão de já ter ouvido o que ela estava falando ad nauseam. "O que é a Psicologia Social? Não seria a Psicologia como um todo Social?" e outras sandices semelhantes. Sempre tento ver o lado positivo das aulas, encontrar algo nelas original e bom, que em nenhuma outra aula foi dito. Não encontrei quase nada de bom em Psicologia Social II, e o que encontrei, encontrei dito de forma melhor em outros lugares e disciplinas.
Método de Avaliação:
Duas palavras: barbada pura. Teve gente que não apareceu em uma única aula e tirou B, que é uma nota sólida. Como sempre digo, qualquer macaco bem amestrado tira A na Psicologia da UFRGS, mas esta cadeira é uma exceção: qualquer macaco abobado tiraria A nessa cadeira. Tivemos dois trabalhos para fazer: um era tirar fotos de qualquer coisa que achássemos interessante, e fizessemos uma relação com algum conceito apresentado em aula. Na época achei isso um abuso e uma perda de tempo, pois estávamos atolados de trabalho por fazer, mas hoje sou obrigado a admitir que é uma idéia criativa e inovadora, pelo menos na parte do tirar fotos. No segundo e mais importante trabalho, tínhamos que falar de... desculpem, não lembro. Coisas vagas são difíceis de manter na memória. Mas era sobre algo, e o que quer que escrevéssemos sobre esse algo iria ser publicado num site do departamento. Mais uma vez, algo criativo, e ainda por cima ecológico, pois não precisamos gastar papel algum. Mas a avaliação foi tão frouxa que se eu tivesse simplesmente copiado a Desciclopédia e colado no meu trabalho, teria tirado A igual. E isso realmente aconteceu, só que a fonte da cópia foi a Wikipédia (eu teria me divertido horrores se realmente tivessem copiado a Desciclopédia). Quando a professora foi informada desse fato pelo nosso colega responsável pelo site, ela preferiu lavar as mãos e nem ficar sabendo quem foi, para não ter que tirar nota. Depois o Brasil tá cheio de psicólogo que não consegue emprego nem como frentista de posto, porque é um imbecil diplomado.
Análise Experimental do Comportamento - Eletiva
Overview:
Outra cadeira que descrevo como sendo uma das melhores e uma das piores ao mesmo tempo. A aula foi toda em forma de mesas redondas, com todos participando e discutindo o assunto, muito interessante e exasperante por sinal. As melhores aulas aconteciam quando todos tinham lido os textos indicados, e todos tinham algo diferente para colocar, e as piores aulas aconteciam quando ninguém ou quase ninguém tinha lido, o que deixava a professora na monótona posição de ter que ler parágrafo por parágrafo o texto e pedir o que estávamos achando, coisa que deveríamos ter feito em casa e não em aula. No mais, me diverti horrores tentando derrubar a teoria behaviorista radical (sem sucesso, mas a guerra continua), chamando os livros indicados de "religiosos e acientíficos" e defendendo uma teoria mais humanizada na Psicologia. Tudo isso com a benevolência da professora, que poderia ter me dado um C de "Cala essa boca".
Método de Avaliação:
Como a turma era pequena e não tínhamos tido aulas formais, não tinha porquê ter avaliações formais. As notas foram dadas de acordo com a participação dos alunos nas discussões. Como eu participei bastante (mesmo que só enchendo o saco), tirei A.
Alemão Instrumental I - Eletiva
Overview:
A cadeira mais interessante do semestre, do ponto de vista sociológico, além do lingüístico. Ao contrário das demais disciplinas que cursei, que aconteciam no Campus Saúde, esta disciplina acontecia no Campus do Vale, conhecido também como "Fim do Mundo", "A Selva" e "Point dos Maconheiros". Logo no meu primeiro dia por lá eu descobri onde ficava o infame fumódromo (eu fui comer minha maçã por lá). Mas devo dizer, por Grande Justiça, que o Vale é, de longe, o lugar mais cheio de vida de toda a UFRGS, pois estudantes de muitos cursos diferentes lá convivem e até estudam juntos (como é o caso de cadeiras em comum para vários cursos, como Cálculo, para as Engenharias, Física, Matemática e Agronomia). Isso se refletiu nas nossa aula de alemão também, pois tínhamos estudantes de Filosofia, Psicologia, Biblioteconomia, Letras e Ciências Sociais. As aulas eram interessantes por si só, pois gosto de línguas, e a professora, que morou na Alemanha por vários anos tornava-as ainda melhores com suas impressões da sociedade germânica (culinária principalmente). Mas alemão é bucha, e depois de um tempo eu comecei a cansar das aulas, tanto por causa dos muitos compromissos que tive que assumir em outras aulas e lugares, quanto por causa da dificuldade da matéria. Mas posso dizer que aprendi muita coisa nessa aula.
Método de Avaliação:
Justo e eficaz. A professora nos deu nota de participação, notas por trabalhos e nota pela prova final. Quem se esforçasse passava, mas quem fizesse corpo mole, nem a pau. Os trabalhos eram difíceis, mas passáveis. A prova foi um pouco mais complicada, mas ainda assim era passável.
O próximo post dessa série vai ser sobre minhas expectativas em relação às disciplinas do terceiro semestre.
Constituição do Sujeito Psíquico - Obrigatória
Overview:
Nome imponente, não? Pois é, o conteúdo também. E quando digo "imponente", eu quero dizer "incompreensível e humilhante". Textos extremamente complexos e (acredito) sem nenhuma fundamentação empírica - tudo tirado da cachola de um guruzão e tomado como verdade absoluta. Vários colegas meus gostaram das aulas, que por mais complicada que fossem, foram dadas com boa didática e com dedicação por parte da professora. Respeito isso, mas o conteúdo... podia ter colocado outra coisa no lugar. Meus colegas que gostaram defenderiam que, como não tivemos nenhuma introdução decente ao assunto (Psicanálise de Freud), ficou impossível que entendessemos as aulas desta disciplina (sobre Psicanálise de Lacan).
Método de Avaliação:
Dois trabalhos dissertativos menores, e um trabalho final - apresentação e relatório. Sobre os dois primeiros trabalhos, não tenho do que reclamar do método de avaliação, pois a professora leu e corrigiu todos os trabalhos entregues, e deu notas justas. A avaliação do trabalho final seguiu a mesma lógica, mas as notas pareceram muito mais sorteadas do que dadas justamente (alguns tiraram A enquanto que a maioria tirou B - sem justificativas).
Desenvolvimento Humano II - Obrigatória
Overview:
Como indica o nome, esta disciplina seria a continuação dos estudos do Desenvolvimento Humano sob a ótica da Psicologia. Enquanto no primeiro semestre aprendemos sobre o desenvolvimento cognitivo infantil segundo a Epistemologia Genética (teoria de Piaget) e a teoria de Vigotski, neste semestre aprenderíamos sobre o desenvolvimento emocional infantil, de acordo com as teorias de Winnicott, Bowlby, Erikson e outros autores, em sua maioria psicanalíticos (mas nem por isso ruins).
Como é de praxe, tivemos três professoras diferentes - sendo cada uma responsável por uma etapa da disciplina. A primeira etapa teve assuntos interessantes, com convidados em uma e outra aula. A professora foi diligente e raras vezes deixou de comparecer na hora marcada. Entretanto, a didática era fraca, sendo que considerei mais proveitoso ler os textos recomendados ao invés de ir assistir a apresentação dos mesmos no Power Point (mas que para tirar dúvidas eram excelentes).
A segunda etapa começou, mas a segunda professora veio muito poucas vezes pessoalmente nos dar aula. Geralmente, ela simplesmente mandava uma mestranda ou doutoranda falar sobre suas linhas de atuação e pesquisa. Estas aulas eram bem interessantes, pois nos era apresentada a perspectiva de profissionais que trabalham fora do meio acadêmico (isso é raro), mas os assuntos eram em sua maioria desconexos do assunto principal da disciplina.
A terceira etapa foi, de longe, a mais polêmica (e por isso divertida) de todas. A professora encarregada dessa etapa era uma doutoranda. Doutorandas, mestrandos e outros tipos de bolsista que dão aula são considerados os estagiários do Instituto: alguns são bons, mas a maioria... são estagiários. Na sua primeira aula, nos pareceu que ela pertencia ao seleto grupo dos bolsistas que sabem o que fazem. A segunda aula estuprou, matou, esquartejou e estuprou de novo a primeira impressão, e jogou os seus restos mortais em um parquinho infantil. É, deixou uma impressão ruinzinha, pra ficar nos eufemismos. Nessa aula que ficou conhecida como "A Aula Mágica", ela falou sobre o PET scan tirar "fotos da mente", da ciência psicanalítica, e o supra sumo da bizarrice: dos soldadinhos da libido para explicar a teoria libidinal de Freud. Depois dessa aula, nossa diversão principal na disciplina era procurar inconsistências nos artigos escritos pela professora e no conteúdo de aula (não era difícil). Admito que fomos influenciados pela má imagem formada pela professora na segunda aula, e que talvez tenhamos visto problemas de mais. Mas vimos vários problemas. Eu nem fui um inquisidor: percebi durante a Aula Mágica que não ia gostar daquilo e entrei em estado catatônico - só fiquei sabendo dos rolos por causa de meus indignados colegas. Enfim, uma aula deveras caceteada.
Método de Avaliação:
Tivemos um trabalho e uma prova dissertativa na primeira e na segunda etapas. Todos foram justos e bem avaliados. O trabalho final ficou por conta da terceira professora, que nos mandou fazer uma análise psicodinâmica de um caso clínico. "Análise psicodinâmica" implica que tenhamos uma trajetória consistente em Psicanálise. No segundo semestre de faculdade. "Caso clínico" implica que tenhamos pacientes. No segundo semestre de faculdade. "Análise psicodinâmica de caso clínico no segundo semestre de faculdade" implica que alguém comeu cocô quando decidiu dar esse trabalho. Mas vou ser justo: ela avaliou os trabalhos conforme nossa capacidade, e foi extremamente construtivo entrevistar alguém e avaliar seu desenvolvimento emocional (no caso, eu entrevistei o Huginn).
Fisiologia Geral Aplicada à Psicologia - Obrigatória
Overview:
Herdeira da disciplina de "Neuroanatomia Funcional", dada pela terceira professora da mesma. Tomei menos na bunda nessa cadeira, e posso até dizer que entendi alguma coisa. O método de ensino foi o mesmo do semestre passado, e acho que estavamos melhor preparados para o Discurso Socrático.
Método de Avaliação:
Uma prova com consulta - difícil, mas não impossível. Era só saber um pouco da matéria e onde procurar nos polígrafos e livros. A segunda prova foi tantas vezes adiada, para que pudéssemos ver todo o conteúdo programático e para que não ficasse nenhuma lacuna (aqui devo agradecer a professora, que priorizou nosso aprendizado à tranqüilidade de não ter que corrigir trabalhos no final de semana), acabou virando um trabalho por internet: a professora mandava um caso clínico, ou três questões sobre um assunto, e teríamos que responder com nossos conhecimentos e Google-Fu. Fui bem nessa prova.
História da Psicologia - Obrigatória
Overview:
Outra herdeira direta, só que da disciplina de Filosofia e Psicologia. O professor era o mesmo, mas neste semestre, ele preferiu mostrar porque ele é famoso por não dar aula nenhuma para os alunos de graduação, e mandou dois doutorandos fazerem o trabalho sujo. A primeira doutoranda chamaremos de "Ursinho Carinhoso", e o segundo doutorando de "Coração Gelado", para contrastar as capacidades sociais e emocionais de cada um. As aulas da Ursinho foram interessantes, divertidas até. O assunto não era tão interessante quanto gostaria, mas a didática dela era boa. Já do Coração Gelado não posso falar o mesmo. Para começo de conversa, o apelido dele remonta ao remoto primeiro semestre, quando ele nos deu algumas auls de Filosofia, e sua incrível capacidade de manter-se apático e não expressar emoção alguma espantava quase todos os estudantes da sala, e nos que lá ficavam, sono. Coração Gelado é apenas o apelido que sintetiza toda essa morte interna dele. Bem, não posso dizer que ele não se esforçava, e devo dizer que os textos selecionados eram em sua maioria muito bons. Ele até sorriu algumas vezes. A turma até fez um movimento para não deixar a sala despovoada na aula dele (depois de uma primeira aula completamente esvaziada), mas não durou muito tempo. Pobre Coração Gelado! No fundo ele é só um garoto tímido com emoções reprimidas. Mas ele que vá curar suas frescuras no terapêuta, e não com a gente.
Método de Avaliação:
Uma prova com a Ursinho, uma prova e um trabalho (apresentação e relatório) para o Coração Gelado. A prova da Ursinho foi complexa, exigente, mas como eu sabia o conteúdo não foi nem um pouco impossível (apesar de ter choramingado um pouco). O trabalho do Coração Gelado funcionou da seguinte maneira: só aparecia nas aulas a tropa de choque (os que sempre vão na aula) e quem tinha que apresentar trabalho. No dia da minha apresentação, entrei na sala e quase berrei "CADÊ O MONSTRO DO CORAÇÃO GELADO?", mas meu sexto sentido me avisou para ficar quieto. Ainda bem, pois lá estava ele, espreitando na sombra por sua presa, no caso, nós e nossos slides. Mas ele foi justo na avaliação. A prova dele foi mais complicada. Parecia para nós, perenes gazeadores, que ele tinha escrito aquelas questões só pra ferrar a gente. Algumas pessoas reclamaram que correção fora enviesada e injusta, mas esse não foi o caso comigo. Tinha errado só uma parte de uma questão, mas tinha errado mesmo, e confio que o Coração Gelado foi, novamente, justo. De fato, ele é um cara bacana, só espero nunca mais ter aula com ele.
Pesquisa em Psicologia
Overview:
Uma das melhores e uma das piores cadeiras do semestre ao mesmo tempo. Dividida em duas partes como tantas outras de nossas disciplinas, sua primeira parte foi dada por uma doutoranda do professor titular da cadeira. Como o assunto era interessante (Filosofia da Ciência) e a doutoranda era uma das poucas bolsistas que sabem o que fazem, além de bonita, a aula foi estimulante (viva o duplo sentido). A segunda parte foi dada pelo professor titular, e focava-se nos aspectos práticos da pesquisa em Psicologia. Interessante de fazer, chato de ouvir. A chamada era a parte mais interessante da aula, pois o professor chamava e dava falta em menos de 5 segundos se não fossemos rápidos o suficiente (nunca ganhei falta por lentidão). Não que ele cobrasse presença, aliás, ele até preferia que quem não estivesse interessado fosse embora ("o dia tá bonito, vão lá fora, vão pro bar, vão passear, vão pro motel, mas não fiquem aqui enchendo o saco de quem quer aprender!"). A didática dele é baseada na repetição: ele falava sobre a mesma coisa duas ou três vezes, para ter certeza de que tinhamos entendido. Chato para quem é rápido, maravilhoso para quem é lento. Provavelmente isso é um reflexo da dificuldade do próprio professor se concentrar (aposto que ele tem Transtorno de Déficit de Atenção e/ou Hiperatividade - TDA/H). Mas não dava para reclamar de falta de explicação, pois se não tivessemos entendido em aula, ele explicaria depois, e deixou a nossa disposição os textos originais em inglês do polígrafo (horrívelmente) traduzido que utilizava como base teórica. Geralmente ele chegava atrasado, e repreendia quem fazia isso depois dele (deveríamos pegar uma foto dele com cara de mau, escrever em baixo "Tu tá atrasado!" e fazer uma camiseta). Isso era divertido também.
Método de Avaliação:
Tivemos uma prova com a primeira professora, e um trabalho e uma prova com o segundo professor. O trabalho serviu mais como fator de desempate, caso alguém tivesse ficado entre uma nota e outra (no limbo entre B e A, especialmente). Quanto às provas, o professor sempre disse que não estava ali para nos ferrar, e que nós iríamos tirar tudo A, e que isso não significava muita coisa. Para estudarmos para a prova, eles sempre nos mandavam com antecedência todas as questões que podiam cair na prova (através de sorteio), para que tivéssemos tempo e algum guia de leituras. Bom para a gente e excelente maneira de estudar (pelo menos para quem respondesse todas as questões).
Psicologia e Políticas Públicas - Obrigatória
Overview:
Esta foi a segunda aula que tive com a professora de Psicologia Social I. Admito que esta disciplina tinha um dos conteúdos mais atraentes de todos, as políticas públicas no Brasil e no Rio Grande do Sul, sob a visão da Psicologia. Mas essa Psicologia viria a ser a Psicologia Social e Institucional, os enroladores mestres. Não faltei muito suas aulas, mas não fazia questão de ir. Nenhum pouco, aliás. Mas admito que, se a cadeira começou tediosa ao extremo, terminou com debates e palestras de professores convidados impressionantes. Ainda assim, essa era uma disciplina que eu não me importaria de não ter cursado.
Método de Avaliação:
Ah, a cereja do bolo! Se eu fosse dar um prêmio de "Avaliações Mais Porcamente Feitas", daria para a professora de Políticas Públicas. Com honra ao mérito. Ela fez dois trabalhos, um menor e um maior (o final). O trabalho menor acabei entregando atrasado por falha minha, mas entreguei em mãos para a professora. E ela teve a capacidade de perdê-lo. Tudo bem, ela ia fazer uma avaliação terrível de qualquer forma, mas isso mostra a consideração que ela tem por seus alunos, e atrevo-me a dizer, por minha pessoa, a quem ela chamou de "vagabundo" quando ela fez a chamada uma vez e eu não estava presente. Mas a chamada eu falarei mais adiante.
O trabalho final foi realmente estimulante de fazer, exceto em uma coisa: era em grupo, e eu caí no grupo mais infeliz de todos, pois era o único disposto a trabalhar. Nossa tarefa era simples: fazer um estudo de caso de um conselho de políticas públicas, como o Conselho Municipal de Saúde, o Conselho Estadual de Saúde, e outros não relacionados diretamente à área da saúde, cujos nomes não lembro no momento. Isso seria uma barbada para mim, pois já sou um aventureiro desses conselhos brutos faz algum tempo, me sentiria à vontade. O problema é que fui o único do meu grupo a ir na reunião do conselho que tínhamos nos proposto a ir. Depois eles tentaram fazer remendos, avaliando um vídeo de um congresso disponível na internet, ou entrevistando uma usuária do SUS. O trabalho estava fadado a ser um lixo, mas eu fiz a pior escolha que podia ter feito: resolvi fazer só minha parte e confiar nos outros.
Sabe o que a Tia Fifi dizia no maternal, para confiar nos outros? Esqueça. Não confie em ninguém que não tenha lhe dado motivos para tanto. Não foi o caso do meu grupo. Nosso trabalho foi o pior avaliado de todos, a única nota C. Se eu tivesse feito a maior parte do trabalho sozinho, talvez tivéssemos uma fighting chance (chance de combate), mas minha apatia falou mais alto. Mas uma coisa me consola: minha parte do trabalho estava bem feita. Eu conferi, e pedi para que um colega, da minha mais alta confiança, a corrigisse. E ele disse que estava bom (olha que o cara é exigente!). E minha parte do trabalho foi tão ou mais caceteada que o resto, que estava horrível. Não sei, mas acho que a professora não gosta nem um pouco de mim.
Falarei rapidamente da chamada. Trocando em miúdos, ela só fazia a chamada quando tinha pouca gente em sala de aula, pois desse modo ficava mais fácil de contar. Ela não seguia padrão algum: ora fazia a chamada no início, ora no fim. Geralmente, fazia no fim, e ferrava quem tinha que pegar ônibus mais cedo. Chamou uma colega minha de "inexistente" e me chamou de "vagabundo", além de ter insultado mais alguém.
O pior é que, apesar de tudo, eu não consigo detestar ela. Ainda considero a possibilidade de fazer uma eletiva com ela. Eu me odeio.
Psicologia Social II - Obrigatória
Overview:
A exceção à regra que I é diferente de II, pois o que vimos em Social I foi igual ao que vimos em Social II. No começo, a professora e sua mestranda até tentaram cobrar chamada, pois segundo elas, era importante ficar em sala de aula
Método de Avaliação:
Duas palavras: barbada pura. Teve gente que não apareceu em uma única aula e tirou B, que é uma nota sólida. Como sempre digo, qualquer macaco bem amestrado tira A na Psicologia da UFRGS, mas esta cadeira é uma exceção: qualquer macaco abobado tiraria A nessa cadeira. Tivemos dois trabalhos para fazer: um era tirar fotos de qualquer coisa que achássemos interessante, e fizessemos uma relação com algum conceito apresentado em aula. Na época achei isso um abuso e uma perda de tempo, pois estávamos atolados de trabalho por fazer, mas hoje sou obrigado a admitir que é uma idéia criativa e inovadora, pelo menos na parte do tirar fotos. No segundo e mais importante trabalho, tínhamos que falar de... desculpem, não lembro. Coisas vagas são difíceis de manter na memória. Mas era sobre algo, e o que quer que escrevéssemos sobre esse algo iria ser publicado num site do departamento. Mais uma vez, algo criativo, e ainda por cima ecológico, pois não precisamos gastar papel algum. Mas a avaliação foi tão frouxa que se eu tivesse simplesmente copiado a Desciclopédia e colado no meu trabalho, teria tirado A igual. E isso realmente aconteceu, só que a fonte da cópia foi a Wikipédia (eu teria me divertido horrores se realmente tivessem copiado a Desciclopédia). Quando a professora foi informada desse fato pelo nosso colega responsável pelo site, ela preferiu lavar as mãos e nem ficar sabendo quem foi, para não ter que tirar nota. Depois o Brasil tá cheio de psicólogo que não consegue emprego nem como frentista de posto, porque é um imbecil diplomado.
Análise Experimental do Comportamento - Eletiva
Overview:
Outra cadeira que descrevo como sendo uma das melhores e uma das piores ao mesmo tempo. A aula foi toda em forma de mesas redondas, com todos participando e discutindo o assunto, muito interessante e exasperante por sinal. As melhores aulas aconteciam quando todos tinham lido os textos indicados, e todos tinham algo diferente para colocar, e as piores aulas aconteciam quando ninguém ou quase ninguém tinha lido, o que deixava a professora na monótona posição de ter que ler parágrafo por parágrafo o texto e pedir o que estávamos achando, coisa que deveríamos ter feito em casa e não em aula. No mais, me diverti horrores tentando derrubar a teoria behaviorista radical (sem sucesso, mas a guerra continua), chamando os livros indicados de "religiosos e acientíficos" e defendendo uma teoria mais humanizada na Psicologia. Tudo isso com a benevolência da professora, que poderia ter me dado um C de "Cala essa boca".
Método de Avaliação:
Como a turma era pequena e não tínhamos tido aulas formais, não tinha porquê ter avaliações formais. As notas foram dadas de acordo com a participação dos alunos nas discussões. Como eu participei bastante (mesmo que só enchendo o saco), tirei A.
Alemão Instrumental I - Eletiva
Overview:
A cadeira mais interessante do semestre, do ponto de vista sociológico, além do lingüístico. Ao contrário das demais disciplinas que cursei, que aconteciam no Campus Saúde, esta disciplina acontecia no Campus do Vale, conhecido também como "Fim do Mundo", "A Selva" e "Point dos Maconheiros". Logo no meu primeiro dia por lá eu descobri onde ficava o infame fumódromo (eu fui comer minha maçã por lá). Mas devo dizer, por Grande Justiça, que o Vale é, de longe, o lugar mais cheio de vida de toda a UFRGS, pois estudantes de muitos cursos diferentes lá convivem e até estudam juntos (como é o caso de cadeiras em comum para vários cursos, como Cálculo, para as Engenharias, Física, Matemática e Agronomia). Isso se refletiu nas nossa aula de alemão também, pois tínhamos estudantes de Filosofia, Psicologia, Biblioteconomia, Letras e Ciências Sociais. As aulas eram interessantes por si só, pois gosto de línguas, e a professora, que morou na Alemanha por vários anos tornava-as ainda melhores com suas impressões da sociedade germânica (culinária principalmente). Mas alemão é bucha, e depois de um tempo eu comecei a cansar das aulas, tanto por causa dos muitos compromissos que tive que assumir em outras aulas e lugares, quanto por causa da dificuldade da matéria. Mas posso dizer que aprendi muita coisa nessa aula.
Método de Avaliação:
Justo e eficaz. A professora nos deu nota de participação, notas por trabalhos e nota pela prova final. Quem se esforçasse passava, mas quem fizesse corpo mole, nem a pau. Os trabalhos eram difíceis, mas passáveis. A prova foi um pouco mais complicada, mas ainda assim era passável.
O próximo post dessa série vai ser sobre minhas expectativas em relação às disciplinas do terceiro semestre.
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Vida Dura (Parte 8)
Em meu post anterior, falei das microcivilizações de bactérias e micróbios a quem dou terreno fértil para desenvolverem-se. Pensei em criar uma enciclopédia inteira dedicada à suas características antropológicas, sociológicas e psicológicas, além de tecnológicas e besteirológicas. Mas isso fica para outro dia, provavelmente um dia em que eu esteja bêbado de ar e drogado com chocolate (ou Benflogin). Neste post, quero falar de outra microcivilização, que apesar de se desenvolver às custas de minhas cagadas, não foi por mim criada, e pela qual tenho grande respeito: as formigas.
Tenho um pote de mel que deixo guardado no armário da cozinha. Quando fui para Caxias, ele estava pela metade; quando voltei, só um terço do que tinha deixado ainda estava lá. Prefiro pensar que meu colega de apartamento comeu bastante pão com mel (por não ter coisa melhor), pois a outra alternativa, que as formigas comeram, é muito mais pavorosa, pois não é impossível que elas me devorem durante meu sono.
Já matei muitas formigas, tanto aqui em Porto Alegre em meu apartamento, quanto em outros lugares. Essas pequenas criaturas estão por toda parte. Várias vezes deixei um copo sujo de suco em cima da pia, com a intenção de buscá-lo mais tarde para tomar mais suco. Mas sempre que voltava, elas estavam lá, colhendo os espólios de sua guerra contra minha cozinha. Me dá pena ver estas valorosas guerreiras morrerem afogadas quando vou lavar a louça, mas ou elas ou a higiene. Para reconfortar-me, penso que elas ressurgem e ressucitam como filhas do povo de Blebleberg (os que infestam o ralo da pia). Seriam elas zumbis? Não sei.
A questão é que sempre admirei estas bichinhas. Gostava de jogar Coca-Cola em seus caminhos bem ordenados para vê-las depois em volta da mancha de pura glicose negra pegando o que pudessem levar para seu reino, o formigueiro (palavra essa, aliás, que me causava confusão, pois formigueiro não é quem cria formigas?). Também gostava de deixá-las desnorteadas colocando folhas em suas trilhas de hormônios e vê-las apavoradas, mas faz muito tempo que não faço isso, pois respeito-as demais para tanto.
Também tenho grande respeito pelos cupins que neste exato momento dilaceram a porta do banheiro aqui de casa, pelas abelhas de quem roubo mel e especialmente das vespas e marimbondos que me apavoram, por suas estruturas sociais tão organizadas e complexas. Não sei, mas acho estes insetos sociais as criaturas mais interessantes do reino animal, por serem tão parecidos com os gregos antigos e suas Pólis, ou as cidades-estado da Idade Média como Veneza, que enriqueciam através do comércio e da guerra. Digo que as vespas e os marimbondos me causam maior interesse porque, além de dispor de menos informações à seu respeito, eles são como os espartanos dos insetos sociais: idênticos em quase tudo, só que muito mais guerreiros (e com um mel muito pior, mas isso não vem ao caso).
Todas essas sociedades tem uma realeza: geralmente só uma rainha, mas as térmitas (cupins brancos) também tem um rei. As abelhas têm os zangões, que seriam os concubinos da rainha. Não vou cair na tentação de antropomorfizar estas espécies, mas as semelhanças com os seres humanos são impressionantes.
Talvez valha a pena para um futuro psicólogo como eu estudar a sociologia destes bichos. Não só para minha vida profissional, mas também pra deixar minha cozinha um lugar mais seguro.
Tenho um pote de mel que deixo guardado no armário da cozinha. Quando fui para Caxias, ele estava pela metade; quando voltei, só um terço do que tinha deixado ainda estava lá. Prefiro pensar que meu colega de apartamento comeu bastante pão com mel (por não ter coisa melhor), pois a outra alternativa, que as formigas comeram, é muito mais pavorosa, pois não é impossível que elas me devorem durante meu sono.
Já matei muitas formigas, tanto aqui em Porto Alegre em meu apartamento, quanto em outros lugares. Essas pequenas criaturas estão por toda parte. Várias vezes deixei um copo sujo de suco em cima da pia, com a intenção de buscá-lo mais tarde para tomar mais suco. Mas sempre que voltava, elas estavam lá, colhendo os espólios de sua guerra contra minha cozinha. Me dá pena ver estas valorosas guerreiras morrerem afogadas quando vou lavar a louça, mas ou elas ou a higiene. Para reconfortar-me, penso que elas ressurgem e ressucitam como filhas do povo de Blebleberg (os que infestam o ralo da pia). Seriam elas zumbis? Não sei.
A questão é que sempre admirei estas bichinhas. Gostava de jogar Coca-Cola em seus caminhos bem ordenados para vê-las depois em volta da mancha de pura glicose negra pegando o que pudessem levar para seu reino, o formigueiro (palavra essa, aliás, que me causava confusão, pois formigueiro não é quem cria formigas?). Também gostava de deixá-las desnorteadas colocando folhas em suas trilhas de hormônios e vê-las apavoradas, mas faz muito tempo que não faço isso, pois respeito-as demais para tanto.
Também tenho grande respeito pelos cupins que neste exato momento dilaceram a porta do banheiro aqui de casa, pelas abelhas de quem roubo mel e especialmente das vespas e marimbondos que me apavoram, por suas estruturas sociais tão organizadas e complexas. Não sei, mas acho estes insetos sociais as criaturas mais interessantes do reino animal, por serem tão parecidos com os gregos antigos e suas Pólis, ou as cidades-estado da Idade Média como Veneza, que enriqueciam através do comércio e da guerra. Digo que as vespas e os marimbondos me causam maior interesse porque, além de dispor de menos informações à seu respeito, eles são como os espartanos dos insetos sociais: idênticos em quase tudo, só que muito mais guerreiros (e com um mel muito pior, mas isso não vem ao caso).
Todas essas sociedades tem uma realeza: geralmente só uma rainha, mas as térmitas (cupins brancos) também tem um rei. As abelhas têm os zangões, que seriam os concubinos da rainha. Não vou cair na tentação de antropomorfizar estas espécies, mas as semelhanças com os seres humanos são impressionantes.
Talvez valha a pena para um futuro psicólogo como eu estudar a sociologia destes bichos. Não só para minha vida profissional, mas também pra deixar minha cozinha um lugar mais seguro.
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Vida Dura (Parte 7)
Tarefas domésticas realmente não são meu forte. Como li em algum blog por aí, "faxina é o trabalho dos bravos e aguerridos". Concordo plenamente. Não é qualquer um que consegue manter a higiene caseira e a sanidade mental sem muito esforço.
Digo isso por que é impressionante como as coisas ficam sujas. O ralo do chuveiro é um excelente exemplo: três dias de banho e ele já enche de cabelos, pêlos pubianos e qualquer sujeira grande o suficiente para ficar por ali também. No começo dá para ignorar, mas depois, quando a água passa a demorar demais para encontrar seu caminho até o Grande Dilúvio (ou Grande Tega, em Caxias), é hora de meter a mão na massa de pentelhos e crinas e limpar o ralo. Como diria meu colega Luiz Alexandre "tua adolescência se vai e tu te torna um homem depois que tu limpou um ralo". Interessante notar que nós dois chegamos a mesma conclusão, sem termos falado a respeito disso, em tempos completamente diferentes: depois de termos saído da casa dos pais. Aliás, o ralo da casa dos meus pais está sempre limpo. Gostaria de saber que tipo de tecnologia faz isso. Faz falta por aqui.
Lixo doméstico é outra questão problemática. Tanto o seletivo quanto o orgânico incomodam. O seletivo nem tanto, pois por mais que se empilhem caixas de pasta de papelão vazias, elas nunca darão um estorvo maior que ocupar espaço. No meu caso, ele pode, sim, dar um estorvo maior. Como atulho o lixo seletivo na área de serviço, que é aberta, em dias de vento forte, fica tudo espalhado. Mesmo assim, não é grande transtorno, pois eu só tenho que chutar as caixinhas de suco para os lados enquanto caminho por lá. O lixo orgânico é bem diferente. Primeiro porque ele é orgânico, portanto ele se decompõe, ou seja: apodrece. Como ele apodrece, ele fica fedendo, e impregna a cozinha inteira com um odor de morte celular. Além, muitos restos orgânicos quando entram em decomposição liberam uma aguazinha nojenta, que geralmente vaza do saco de supermercado que uso como saco de lixo para dentro da lixeira em si, fazendo tudo muito mais nojento. Para completar esta cena escatológica, essa aguazinha é uma Fonte da Vida para criaturas igualmente nojentas, moscas em especial. Certa vez, deixei o lixo orgânico dentro da lixeira por um final de semana inteiro, e quando levantei sua tampa para ver a situação (ou melhor dizendo, cheirar a situação), quatro ou cinco mosquinhas que não estavam lá quando fui embora, saíram voando em direção à liberdade. A partir daquele momento, deixei de lado o que a Biologia diria e passei a acreditar na Abiogênese, a geração espontânea de vida. Pasteur nunca morou sozinho para refutar esta importante teoria.
A última coisa que falarei neste post que me incomoda (mas não a última coisa que me incomoda) são os prazos de validade e requisitos de conservação de diversos produtos, alimentos principalmente. É comum para um universitário recém saído de casa, solteiro e estudando feito japonês do Flemming* abrir um pacote de comida, pegar o que quer e esquecer em algum canto. Se fosse só isso, não teria nenhum problema. O problema de fato é que, tudo que é esquecido um dia é reencontrado. No caso, é reencontrado por causa do mau cheiro, das moscas voando em volta de um ponto ignorado ou por causa da fome, que leva o indivíduo a ir atrás de suas fontes de nutrientes habituais, a geladeira e a despensa. A mais linda história real que tenho para exemplificar esse problema é a vez que, tendo nós aqui em casa decidido se livrar das coisas intragáveis que estavam na cozinha (vejam que não estou nem falando em "fora do prazo de validade"), peguei uma caixinha de creme de leite, aberta por pelo menos dois meses, e decidi olhar o que (ou quem, se fosse o caso de uma outra microcivilização superavançada) tinha ali dentro. Má idéia. Era uma massa verde disforme e fedorenta, que ninguém no mundo diria ter sido um dia creme de leite (os membros da microcivilização chamariam-na de "Berço de Mungdah", seu deus criador, pai da linhagem imperial e nome de sua capital). Também tem o caso da vez que fomos para a casa de praia de um colega, e percebemos que quase todas as coisas dentro da geladeira estavam em situação igualmente deplorável, mas por motivos diversos dos meus (desejo de poupar tudo e não jogar nada fora, ao invés de descuido e preguiça). No momento, tenho um pote de mumu dentro da geladeira que ficou mais de 15 dias fora desta, no armário, contrariando o que diz em sua embalagem. Estou com medo de abrir a sua tampa. Outra vez.
Digo isso por que é impressionante como as coisas ficam sujas. O ralo do chuveiro é um excelente exemplo: três dias de banho e ele já enche de cabelos, pêlos pubianos e qualquer sujeira grande o suficiente para ficar por ali também. No começo dá para ignorar, mas depois, quando a água passa a demorar demais para encontrar seu caminho até o Grande Dilúvio (ou Grande Tega, em Caxias), é hora de meter a mão na massa de pentelhos e crinas e limpar o ralo. Como diria meu colega Luiz Alexandre "tua adolescência se vai e tu te torna um homem depois que tu limpou um ralo". Interessante notar que nós dois chegamos a mesma conclusão, sem termos falado a respeito disso, em tempos completamente diferentes: depois de termos saído da casa dos pais. Aliás, o ralo da casa dos meus pais está sempre limpo. Gostaria de saber que tipo de tecnologia faz isso. Faz falta por aqui.
Lixo doméstico é outra questão problemática. Tanto o seletivo quanto o orgânico incomodam. O seletivo nem tanto, pois por mais que se empilhem caixas de pasta de papelão vazias, elas nunca darão um estorvo maior que ocupar espaço. No meu caso, ele pode, sim, dar um estorvo maior. Como atulho o lixo seletivo na área de serviço, que é aberta, em dias de vento forte, fica tudo espalhado. Mesmo assim, não é grande transtorno, pois eu só tenho que chutar as caixinhas de suco para os lados enquanto caminho por lá. O lixo orgânico é bem diferente. Primeiro porque ele é orgânico, portanto ele se decompõe, ou seja: apodrece. Como ele apodrece, ele fica fedendo, e impregna a cozinha inteira com um odor de morte celular. Além, muitos restos orgânicos quando entram em decomposição liberam uma aguazinha nojenta, que geralmente vaza do saco de supermercado que uso como saco de lixo para dentro da lixeira em si, fazendo tudo muito mais nojento. Para completar esta cena escatológica, essa aguazinha é uma Fonte da Vida para criaturas igualmente nojentas, moscas em especial. Certa vez, deixei o lixo orgânico dentro da lixeira por um final de semana inteiro, e quando levantei sua tampa para ver a situação (ou melhor dizendo, cheirar a situação), quatro ou cinco mosquinhas que não estavam lá quando fui embora, saíram voando em direção à liberdade. A partir daquele momento, deixei de lado o que a Biologia diria e passei a acreditar na Abiogênese, a geração espontânea de vida. Pasteur nunca morou sozinho para refutar esta importante teoria.
A última coisa que falarei neste post que me incomoda (mas não a última coisa que me incomoda) são os prazos de validade e requisitos de conservação de diversos produtos, alimentos principalmente. É comum para um universitário recém saído de casa, solteiro e estudando feito japonês do Flemming* abrir um pacote de comida, pegar o que quer e esquecer em algum canto. Se fosse só isso, não teria nenhum problema. O problema de fato é que, tudo que é esquecido um dia é reencontrado. No caso, é reencontrado por causa do mau cheiro, das moscas voando em volta de um ponto ignorado ou por causa da fome, que leva o indivíduo a ir atrás de suas fontes de nutrientes habituais, a geladeira e a despensa. A mais linda história real que tenho para exemplificar esse problema é a vez que, tendo nós aqui em casa decidido se livrar das coisas intragáveis que estavam na cozinha (vejam que não estou nem falando em "fora do prazo de validade"), peguei uma caixinha de creme de leite, aberta por pelo menos dois meses, e decidi olhar o que (ou quem, se fosse o caso de uma outra microcivilização superavançada) tinha ali dentro. Má idéia. Era uma massa verde disforme e fedorenta, que ninguém no mundo diria ter sido um dia creme de leite (os membros da microcivilização chamariam-na de "Berço de Mungdah", seu deus criador, pai da linhagem imperial e nome de sua capital). Também tem o caso da vez que fomos para a casa de praia de um colega, e percebemos que quase todas as coisas dentro da geladeira estavam em situação igualmente deplorável, mas por motivos diversos dos meus (desejo de poupar tudo e não jogar nada fora, ao invés de descuido e preguiça). No momento, tenho um pote de mumu dentro da geladeira que ficou mais de 15 dias fora desta, no armário, contrariando o que diz em sua embalagem. Estou com medo de abrir a sua tampa. Outra vez.
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Obsessões - Part Trois
Tem uma outra coisa que detesto: deixar o blog sem atualizações. Sinto-me relapso. Geralmente é por que tenho outras coisas por fazer, mas deixar a peteca cair é algo que não gosto em absoluto. E deixei esse blog sem atualizações por 4 dias. É uma eternidade. Essa minha obsessão-compulsão me torna uma máquina de escrever, catar imagens e notícias na internet e de ter idéias. Mas também me torna um chato de galochas que enche o saco de todo e qualquer outro postador que não seja pelo menos 50% produtivo. Como os 50% de produtividade são em comparação à minha produtividade, e eu tenho acesso quase ilimitado à internet quase que o tempo inteiro, é um padrão bem alto e difícil de alcançar. O que me deixa irritado por ninguém trabalhar tanto quanto eu, e deixa os outros irritados por eu ficar incomodando por um motivo não vital (não direi que não é importante). Outro ponto negativo desse meu transtorno é que quando posto em quantidade, perco muito em qualidade. E, last but not least, fico extremamente focado em números e fico falando disso ad nauseam. Ainda não fiz isso por aqui, apesar do meu gosto de ver o Capacitor de Fluxo aumentar seu dígitos.
Escrever em um blog solo é um bom remédio para essa chatice minha: não achaco ninguém, pois o único responsável por esse negócio sou eu, e por esse mesmo motivo, controlo melhor o que publico. Por paradoxal que seja, escrevo mais e melhor por não me policiar a respeito de números e médias.
Escrever em um blog solo é um bom remédio para essa chatice minha: não achaco ninguém, pois o único responsável por esse negócio sou eu, e por esse mesmo motivo, controlo melhor o que publico. Por paradoxal que seja, escrevo mais e melhor por não me policiar a respeito de números e médias.
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Textos
Tenho o péssimo hábito de cinco ou seis minutos depois de começar um texto para o blog parar de escrever e abandonar o rascunho para o Deus-dará. Depois de criar e começar a publicar no Espadachim Cego, tomei a decisão tácita de não deixar nenhum texto começado arquivado ad infinitum na página de rascunhos do Blogger: ou o terminaria de forma satisfatória ou o excluiria.
No R&A, tenho, sozinho, pelo menos 30 artigos inacabados. Bem coisa de quem tem TDA/H. Isso me exaspera um pouco. Não demais para se tornar uma obsessão, nem de menos para ser ignorado. Fico entre a cruz e a espada, agoniado.
Aqui no Espadachim, tenho, no momento, apenas 5 rascunhos. Pretendo publicar todos.
Aqui no Espadachim, tenho, no momento, apenas 5 rascunhos. Pretendo publicar todos.
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Minhas Aulas na Faculdade
Inspirado em um veterano meu, que fez uma avaliação em seu blog sobre como foi o desenrolar das suas muitas disciplinas no ano de 2007. Legitima viadagem de psicólogo, portanto, vou fazer o mesmo aqui no Espadachim. Vou dividir esta tarefa em 3 partes: avaliação das aulas do primeiro semestre, avaliação das aulas do segundo semestre e expectativas para as aulas do terceiro semestre.
Moving on...
Primeiro Semestre:
Psicopatologia e Cultura - Obrigatória
Overview:
Uma cadeira promissora, que segundo nossos veteranos, foi incluída no nosso currículo para servir como uma "provocação", que nos levasse a pensar de maneira crítica. Não foi bem assim que aconteceu. Pra começo de conversa, tivemos três professores diferentes. Todos doutores formados por universidades bem conceituadas, mas isso não impede que as suas aulas sejam chatas ou os torna imediatamente capazes de interligar conteúdos, como seria necessário nessa disciplina.
Esta disciplina é responsabilidade do Departamento de Psicanálise e Psicopatologia e, portanto, puxaria para a Psicanálise. Admito que isso já me deixou com o pé atrás com as aulas, mas mesmo assim devo admitir que a primeira parte do semestre, dada pela primeira professora, foi bem interessante (uma doutoranda da Psiquiatria nos deu uma aula de história da Psiquiatria, Psicologia e Psicanálise, bem por alto, mas foi bom para nos integrar um pouco com essa baderna que é nosso curso).
Com a segunda professora, entramos em uma outra fase, e num conteúdo que não tinha nada a ver com o que tinhamos visto na primeira parte. Ela falava de cinema, subjetividade, psicanálise, dava uns textos que ela escreveu para umas revistas tipo "Marie Claire" e "Nova" (nada contra elas. As vezes elas publicam artigos de divulgação científica muito interessantes), e outras coisas desconexas do gênero. O ponto alto deste ciclo foi o nosso debate (que tava mais para "bate") com a professora sobre a seriedade e validade da Psicanálise. Deixamos a mulher a beira das lágrimas, com a quantidade e qualidade das perguntas feitas. Vale dizer que a réplica mais contundente que tivemos foi "com o tempo eu sei que vocês vão mudar de idéia".
O terceiro professor chegou, mas eu não estava lá para ver sua primeira aula (esqueci de mencionar que Psicopatologia e Cultura era nossa única aula no turno da manhã, e que naquele dia em especial eu tinha me passado no sono). Uma pena, pois elogiaram bastante o homem e a aula em si. Tenho minhas suspeitas se foi tudo isso que disseram, mas as explicarei em outra ocasião. Fui na segunda aula dele, onde assistimos e discutimos o filme cult do momento no círculo intelectualóide de esquerda, "Estamira". É um filme muito bom, recomendo para quem puder assistir (e, mais uma vez, explicarei em outra ocasião por que digo que classifiquei-o como filme cult do momento). Mas como já tinha assistido antes, não foi grande coisa. Depois dessa aula, nunca mais vi o eminente professor nas nossas aulas, pois ele preferiu mandar os seuscapachos mestrandos para fazer o trabalho sujo de passar o conteúdo. Coisa que não fizeram, ou se fizeram, foi de forma muito esquizofrênica.
Na quarta e última parte, a primeira professora voltou e deu aulas que estavam em sintonia com as suas primeiras aulas. Ela foi diligente e não faltou uma vez sequer, e organizou as aulas de maneira eficiente. Quanto ao conteúdo, não cabe aqui dizer que eu matei algumas várias aulas para ler outras coisas por que achava tudo bobagem.
Métodos de Avaliação:
Da mesma forma que o conteúdo, os métodos de avaliação foram quebrados e sem muita lógica. Tivemos que entregar um trabalhinho na segunda parte da disciplina, e um outro ainda mais bobo sobre "Estamira" no terceiro, que eu aposto que não valeu para nada. Tivemos uma prova dissertativa no final do semestre, onde teríamos que dizer "quais foram as contribuições da Psicanálise no campo da Psicopatologia e Cultura". Tomamos no cu. Como poderíamos falar qual a contribuição da Psicanálise para a Psicopatologia e Cultura se não sabíamos nem o que era uma nem o que era a outra? O jeito foi improvisar e escrever o que dava como dava. A maioria do pessoal escreveu à Psicologia Social (explico isso ainda nesse post), enquanto que eu escrevi como um verdadeiro Existencialista, disfarçado de Psicanalista. Deve ser por isso que eu fui mal na prova.
Psicologia Social I - Obrigatória
Overview:
Essa foi a disciplina que incorpora tudo que abomino na Psicologia, e que nos ensinou a sermos politicamente corretos, subjetivantes, problematizadores, em suma, prolixos e evasivos. Esse é o estilo Psicologia Social de escrever. A professora chegava sempre de 15 a 30 minutos atrasada, e emanava uma aura de "amiguinha da turma", e não parava de nos elogiar. Sempre desconfiei de professores estilo "eu quero ser amigo de vocês, gente", e ela não foi excessão. Apesar disso, a grande maioria da turma adorava ela. Pessoalmente, achava suas aulas um excelente remédio contra a insônia, a fome e as unhas compridas, pois ou eu dormia, ou saía para comer ou cortar minhas unhas.
Métodos de avaliação:
Tivemos dois trabalhos. No primeiro, tivemos que fazer uma análise crítica de um capítulo de livro (daquele cara que não gosta de amoladores de facas), e no segundo, falar sobre temas sociais atuais ou coisa assim (era vago assim mesmo). No primeiro trabalho eu me ferrei, pois segundo a professora eu não fiz uma análise crítica, mas um "resuminho" da história. No segundo, tiramos nota máxima. Como os atentos devem ter notado, o primeiro trabalho foi individual, e o segundo foi em grupo. No primeiro trabalho, fui eu quem escrevi tudo, enquanto que no segundo trabalho uma colega minha fez a maior parte do trabalho. na época não achei isso evidência de nada, mas falarei disso mais a frente.
Processos Psicológicos Básicos I - Obrigatória
Overview:
Aulas pontuais, assuntos interessantes, didática excelente, e apesar de duas professoras dividirem a cadeira, o conteúdo era tão integrado quanto o possível. A maior parte dos meus colegas detestou o conteúdo, mas amolador que sou, gostei, pois foi como uma introdução à Psicologia Experimental e ao método científico. Apesar disso tudo, o tempo era curto, e frequentemente as professoras tinham que passar o conteúdo a toque de caixa, e não vimos metade do que costumava ser visto nas antigas aulas de Psicologia Experimental I, II e III que nossos veteranos cursaram.
Métodos de Avaliação:
Lamento dizer isso, mas por melhores que nossas professoras sejam em seus respectivos campos, elas são péssimas em matemática. Nossa primeira prova foi um misto de questões objetivas e dissertativas. OK, nada muito errado nessa parte, pois apenas uma questão que eu me lembre foi anulada por ser impossível de responder corretamente (responder errado ainda dava). Já a correção foi um deus-nos-acuda, pois teve gente que tinha acertado quase todas e tirado nota 7, e gente que tinha errado mais da metade e tirado 9. Os primeiros foram reclamar e os últimos ficaram bem quietos. Infelizmente, fiquei num terceiro grupo, o menor de todos: o dos que estavam indignados com a própria nota, achavam-na injusta, mas que as professoras tinham calculado direito.
A segunda avaliação foi muito mais empolgante, pois tivemos que criar, desenvolver e aplicar nosso próprio projeto de pesquisa, dentro dos assuntos estudados em aula, e depois apresentar em forma de cartaz, como se fosse um Salão de Iniciação Científica, onde seríamos avaliados por outros professores e estudantes de pós-graduação (e por nossa monitora). A folha de avaliação era bem abrangente, indo desde se os conceitos estavam corretos até nosso conhecimento do assunto. O primeiro professor a nos avaliar foi o marido de uma de nossas professoras, e devo dizer que ele nos deu o melhor feedback de todos, apontando todas as nossas falhas de maneira construtiva e ainda nos dando notas altas (conhecimento do assunto tiramos nota máxima com ele). A segunda pessoa que nos avaliou foi legal com a gente também, apesar de não tanto. Já a terceira... bem, a coisa é mais complicada com ela. Ela chegou, começamos a explicar nosso trabalho, ela disse que achou L-I-N-D-O e foi preencher a folha de avaliação. Longe dos nossos olhos. Estávamos esperando um A e tiramos um C. Aposto que ela ferrou a gente por trás depois de inflar nosso ego ao ponto de explosão. E aqui, mais uma vez, a capacidade de confundir as notas das professoras se mostrou na sua melhor forma, pois dentro do nosso próprio grupo, teve gente que tirou C, e teve gente que tirou A. Eu tirei C, para variar, mas fiquei quieto, pois poderia complicar a vida dos outros.
Desenvolvimento Humano I - Obrigatória
Overview:
Aula melhor avaliada por todos. A professora foi pontual (até demais), metódica e o assunto é interessante. A didática as vezes ficava chata, e a professora era meio formal demais em aula, mas isso irrelevante no conjunto da obra.
Método de Avaliação:
Se me lembro bem, tivemos uma prova e um trabalho de campo. A prova foi um pouco difícil, mas não era impossível, e o trabalho foi um dos pontos altos do semestre inteiro. Nele, tivemos que entrevistar crianças pequenas, utilizando o método clínico de Jean Piaget. Fazer e apresentar o próprio trabalho, além de assistir os trabalhos dos outros, foi muito divertido, pois uma de nossas tarefas era apontar nossos próprios erros - e como teve erros. Sabíamos que estavamos indo bem quando a professora estava rindo (pra nossa sorte, ela riu horrores da nossa cara). Parece meio injusto falar tão pouco da melhor disciplina do semestre, mas seria só elogios.
Psicologia e Filosofia - Obrigatória
Overview:
Um assunto fundamental, para qualquer estudante de Psicologia, além de muito interessante, apesar de muitas vezes negligenciado. A qualidade das aulas variou bastante, conforme o humor e a capacidade do professor se concentrar. Cito "capacidade de se concentrar" como separado do humor por que o professor conseguia sair de uma discussão sobre Kant e a Psicologia e ir para Engenharia Elétrica, e depois para História da Psicologia no Brasil, e depois para outro assunto igualmente desconexo. Isso confunde os estudantes, sendo que muitos ficam com a impressão de não estarem entendendo nada por serem burros, quando na verdade o professor é enrolado por si só. As suas melhores aulas foram aquelas que deixamos de lado o Power Point e utilizamos o Discurso Socrático como método de aula.
Método de Avaliação:
As provas deste professor são infames por sua dificuldade, mas poucos na turma tiraram notas muito abaixo de dez. Foi uma prova dissertativa bem longa, mas como já disse, foi tranqüila. Tivemos que apresentar e entregar um relatório sobre o nosso filósofo favorito. Apesar de ter ido um pouco mal nesta parte, considero que os métodos de avaliação utilizados foram justos e coerentes.
Neuroanatomia Funcional aplicada à Psicologia - Obrigatória
Overview:
Disciplina do primeiro semestre que mais me fodeu. O assunto é extremamente interessante, mas eu não pensava assim na época. Como em Psicopatologia e Cultura, tivemos também três professores diferentes, mas talvez por serem de outra unidade orgânica (do Instituto de Ciências Básicas da Saúde) eles foram mais coesos e organizados.
O primeiro professor falou de histologia e essas porcarias com células e neurotransmissores e neurorreceptores. Aulas boas, mas meio bagunçadas.
As aulas do segundo professor começaram com uma grande dose de expectativa, pois logo na primeira semana tomamos um esporro dele por chegarmos 20 minutos atrasados para a aula por causa do trote, e praticamente todos os nossos veteranos chamaram-no de "diabo encarnado" ou coisas semelhantes. Ao contrário do que esperávamos, ele foi um professor extremamente receptivo, que explicava seu assunto, a neuroanatomia em si, de maneira completa e abrangente.
A terceira professora, ao contrário, foi extremamente elogiada por todos os veteranos, mas suas aulas não foram tão boas quanto esperávamos. Ela usa extensivamente o Discurso Socrático em aula, algo muito bom, mas que só funciona quando as pessoas tem um mínimo conhecimento do que está sendo discutido.
Método de Avaliação:
Tivemos três provas, uma com cada professor. A primeira prova foi bem elaborada apesar de fácil. A segunda prova foi uma cravação sem tamanho, pois o professor deve ter pego uma prova da Medicina e tocado pra gente fazer. Por pena, ele nos deu dois pontos por participação ativa na aula prática com os corpos. Essa foi a prova que eu mais me ferrei em todo meu tempo de faculdade até agora. A terceira e última prova foi com consulta: difícil, mas eu dominava o assunto suficientemente para tirar meu pé da lama. Foi a nota C mais comemorada em todo meu tempo de faculdade.
Seminário de Introdução à Psicologia - Obrigatória
Overview:
Uma palavra define esta disciplina: inútil. A idéia original era que ela servisse de ponto central no curso, e integrasse as diversas correntes que estávamos vendo e as discutíssemos, e que a partir disso pudéssemos expandir nossa compreensão da Psicologia. Não foi bem assim que aconteceu, pois frequentemente as discussões caiam em lugares-comuns, ou em bate-bocas imbecis, ou o professor puxava a brasa para o assado dele (orientação de carreira). Ele bem que se esforçou em fazer seu trote bem feito (falei que ele estava em estágio probatório, e que ele vai continuar assim esse ano?), mas era muita areia para o caminhão dele. Tivemos pontos altos, especialmente quando tivemos que entrevistar nossos professores e profissionais de outros lugares e linhas teóricas, mas ficou por isso mesmo.
Método de Avaliação:
Um trabalhinho escrito sobre como foi o meu semestre, no mesmo estilo "como foram minhas férias". Nada de mais, nada de menos, nada surpreendente ou desafiador.
Moving on...
Primeiro Semestre:
Psicopatologia e Cultura - Obrigatória
Overview:
Uma cadeira promissora, que segundo nossos veteranos, foi incluída no nosso currículo para servir como uma "provocação", que nos levasse a pensar de maneira crítica. Não foi bem assim que aconteceu. Pra começo de conversa, tivemos três professores diferentes. Todos doutores formados por universidades bem conceituadas, mas isso não impede que as suas aulas sejam chatas ou os torna imediatamente capazes de interligar conteúdos, como seria necessário nessa disciplina.
Esta disciplina é responsabilidade do Departamento de Psicanálise e Psicopatologia e, portanto, puxaria para a Psicanálise. Admito que isso já me deixou com o pé atrás com as aulas, mas mesmo assim devo admitir que a primeira parte do semestre, dada pela primeira professora, foi bem interessante (uma doutoranda da Psiquiatria nos deu uma aula de história da Psiquiatria, Psicologia e Psicanálise, bem por alto, mas foi bom para nos integrar um pouco com essa baderna que é nosso curso).
Com a segunda professora, entramos em uma outra fase, e num conteúdo que não tinha nada a ver com o que tinhamos visto na primeira parte. Ela falava de cinema, subjetividade, psicanálise, dava uns textos que ela escreveu para umas revistas tipo "Marie Claire" e "Nova" (nada contra elas. As vezes elas publicam artigos de divulgação científica muito interessantes), e outras coisas desconexas do gênero. O ponto alto deste ciclo foi o nosso debate (que tava mais para "bate") com a professora sobre a seriedade e validade da Psicanálise. Deixamos a mulher a beira das lágrimas, com a quantidade e qualidade das perguntas feitas. Vale dizer que a réplica mais contundente que tivemos foi "com o tempo eu sei que vocês vão mudar de idéia".
O terceiro professor chegou, mas eu não estava lá para ver sua primeira aula (esqueci de mencionar que Psicopatologia e Cultura era nossa única aula no turno da manhã, e que naquele dia em especial eu tinha me passado no sono). Uma pena, pois elogiaram bastante o homem e a aula em si. Tenho minhas suspeitas se foi tudo isso que disseram, mas as explicarei em outra ocasião. Fui na segunda aula dele, onde assistimos e discutimos o filme cult do momento no círculo intelectualóide de esquerda, "Estamira". É um filme muito bom, recomendo para quem puder assistir (e, mais uma vez, explicarei em outra ocasião por que digo que classifiquei-o como filme cult do momento). Mas como já tinha assistido antes, não foi grande coisa. Depois dessa aula, nunca mais vi o eminente professor nas nossas aulas, pois ele preferiu mandar os seus
Na quarta e última parte, a primeira professora voltou e deu aulas que estavam em sintonia com as suas primeiras aulas. Ela foi diligente e não faltou uma vez sequer, e organizou as aulas de maneira eficiente. Quanto ao conteúdo, não cabe aqui dizer que eu matei algumas várias aulas para ler outras coisas por que achava tudo bobagem.
Métodos de Avaliação:
Da mesma forma que o conteúdo, os métodos de avaliação foram quebrados e sem muita lógica. Tivemos que entregar um trabalhinho na segunda parte da disciplina, e um outro ainda mais bobo sobre "Estamira" no terceiro, que eu aposto que não valeu para nada. Tivemos uma prova dissertativa no final do semestre, onde teríamos que dizer "quais foram as contribuições da Psicanálise no campo da Psicopatologia e Cultura". Tomamos no cu. Como poderíamos falar qual a contribuição da Psicanálise para a Psicopatologia e Cultura se não sabíamos nem o que era uma nem o que era a outra? O jeito foi improvisar e escrever o que dava como dava. A maioria do pessoal escreveu à Psicologia Social (explico isso ainda nesse post), enquanto que eu escrevi como um verdadeiro Existencialista, disfarçado de Psicanalista. Deve ser por isso que eu fui mal na prova.
Psicologia Social I - Obrigatória
Overview:
Essa foi a disciplina que incorpora tudo que abomino na Psicologia, e que nos ensinou a sermos politicamente corretos, subjetivantes, problematizadores, em suma, prolixos e evasivos. Esse é o estilo Psicologia Social de escrever. A professora chegava sempre de 15 a 30 minutos atrasada, e emanava uma aura de "amiguinha da turma", e não parava de nos elogiar. Sempre desconfiei de professores estilo "eu quero ser amigo de vocês, gente", e ela não foi excessão. Apesar disso, a grande maioria da turma adorava ela. Pessoalmente, achava suas aulas um excelente remédio contra a insônia, a fome e as unhas compridas, pois ou eu dormia, ou saía para comer ou cortar minhas unhas.
Métodos de avaliação:
Tivemos dois trabalhos. No primeiro, tivemos que fazer uma análise crítica de um capítulo de livro (daquele cara que não gosta de amoladores de facas), e no segundo, falar sobre temas sociais atuais ou coisa assim (era vago assim mesmo). No primeiro trabalho eu me ferrei, pois segundo a professora eu não fiz uma análise crítica, mas um "resuminho" da história. No segundo, tiramos nota máxima. Como os atentos devem ter notado, o primeiro trabalho foi individual, e o segundo foi em grupo. No primeiro trabalho, fui eu quem escrevi tudo, enquanto que no segundo trabalho uma colega minha fez a maior parte do trabalho. na época não achei isso evidência de nada, mas falarei disso mais a frente.
Processos Psicológicos Básicos I - Obrigatória
Overview:
Aulas pontuais, assuntos interessantes, didática excelente, e apesar de duas professoras dividirem a cadeira, o conteúdo era tão integrado quanto o possível. A maior parte dos meus colegas detestou o conteúdo, mas amolador que sou, gostei, pois foi como uma introdução à Psicologia Experimental e ao método científico. Apesar disso tudo, o tempo era curto, e frequentemente as professoras tinham que passar o conteúdo a toque de caixa, e não vimos metade do que costumava ser visto nas antigas aulas de Psicologia Experimental I, II e III que nossos veteranos cursaram.
Métodos de Avaliação:
Lamento dizer isso, mas por melhores que nossas professoras sejam em seus respectivos campos, elas são péssimas em matemática. Nossa primeira prova foi um misto de questões objetivas e dissertativas. OK, nada muito errado nessa parte, pois apenas uma questão que eu me lembre foi anulada por ser impossível de responder corretamente (responder errado ainda dava). Já a correção foi um deus-nos-acuda, pois teve gente que tinha acertado quase todas e tirado nota 7, e gente que tinha errado mais da metade e tirado 9. Os primeiros foram reclamar e os últimos ficaram bem quietos. Infelizmente, fiquei num terceiro grupo, o menor de todos: o dos que estavam indignados com a própria nota, achavam-na injusta, mas que as professoras tinham calculado direito.
A segunda avaliação foi muito mais empolgante, pois tivemos que criar, desenvolver e aplicar nosso próprio projeto de pesquisa, dentro dos assuntos estudados em aula, e depois apresentar em forma de cartaz, como se fosse um Salão de Iniciação Científica, onde seríamos avaliados por outros professores e estudantes de pós-graduação (e por nossa monitora). A folha de avaliação era bem abrangente, indo desde se os conceitos estavam corretos até nosso conhecimento do assunto. O primeiro professor a nos avaliar foi o marido de uma de nossas professoras, e devo dizer que ele nos deu o melhor feedback de todos, apontando todas as nossas falhas de maneira construtiva e ainda nos dando notas altas (conhecimento do assunto tiramos nota máxima com ele). A segunda pessoa que nos avaliou foi legal com a gente também, apesar de não tanto. Já a terceira... bem, a coisa é mais complicada com ela. Ela chegou, começamos a explicar nosso trabalho, ela disse que achou L-I-N-D-O e foi preencher a folha de avaliação. Longe dos nossos olhos. Estávamos esperando um A e tiramos um C. Aposto que ela ferrou a gente por trás depois de inflar nosso ego ao ponto de explosão. E aqui, mais uma vez, a capacidade de confundir as notas das professoras se mostrou na sua melhor forma, pois dentro do nosso próprio grupo, teve gente que tirou C, e teve gente que tirou A. Eu tirei C, para variar, mas fiquei quieto, pois poderia complicar a vida dos outros.
Desenvolvimento Humano I - Obrigatória
Overview:
Aula melhor avaliada por todos. A professora foi pontual (até demais), metódica e o assunto é interessante. A didática as vezes ficava chata, e a professora era meio formal demais em aula, mas isso irrelevante no conjunto da obra.
Método de Avaliação:
Se me lembro bem, tivemos uma prova e um trabalho de campo. A prova foi um pouco difícil, mas não era impossível, e o trabalho foi um dos pontos altos do semestre inteiro. Nele, tivemos que entrevistar crianças pequenas, utilizando o método clínico de Jean Piaget. Fazer e apresentar o próprio trabalho, além de assistir os trabalhos dos outros, foi muito divertido, pois uma de nossas tarefas era apontar nossos próprios erros - e como teve erros. Sabíamos que estavamos indo bem quando a professora estava rindo (pra nossa sorte, ela riu horrores da nossa cara). Parece meio injusto falar tão pouco da melhor disciplina do semestre, mas seria só elogios.
Psicologia e Filosofia - Obrigatória
Overview:
Um assunto fundamental, para qualquer estudante de Psicologia, além de muito interessante, apesar de muitas vezes negligenciado. A qualidade das aulas variou bastante, conforme o humor e a capacidade do professor se concentrar. Cito "capacidade de se concentrar" como separado do humor por que o professor conseguia sair de uma discussão sobre Kant e a Psicologia e ir para Engenharia Elétrica, e depois para História da Psicologia no Brasil, e depois para outro assunto igualmente desconexo. Isso confunde os estudantes, sendo que muitos ficam com a impressão de não estarem entendendo nada por serem burros, quando na verdade o professor é enrolado por si só. As suas melhores aulas foram aquelas que deixamos de lado o Power Point e utilizamos o Discurso Socrático como método de aula.
Método de Avaliação:
As provas deste professor são infames por sua dificuldade, mas poucos na turma tiraram notas muito abaixo de dez. Foi uma prova dissertativa bem longa, mas como já disse, foi tranqüila. Tivemos que apresentar e entregar um relatório sobre o nosso filósofo favorito. Apesar de ter ido um pouco mal nesta parte, considero que os métodos de avaliação utilizados foram justos e coerentes.
Neuroanatomia Funcional aplicada à Psicologia - Obrigatória
Overview:
Disciplina do primeiro semestre que mais me fodeu. O assunto é extremamente interessante, mas eu não pensava assim na época. Como em Psicopatologia e Cultura, tivemos também três professores diferentes, mas talvez por serem de outra unidade orgânica (do Instituto de Ciências Básicas da Saúde) eles foram mais coesos e organizados.
O primeiro professor falou de histologia e essas porcarias com células e neurotransmissores e neurorreceptores. Aulas boas, mas meio bagunçadas.
As aulas do segundo professor começaram com uma grande dose de expectativa, pois logo na primeira semana tomamos um esporro dele por chegarmos 20 minutos atrasados para a aula por causa do trote, e praticamente todos os nossos veteranos chamaram-no de "diabo encarnado" ou coisas semelhantes. Ao contrário do que esperávamos, ele foi um professor extremamente receptivo, que explicava seu assunto, a neuroanatomia em si, de maneira completa e abrangente.
A terceira professora, ao contrário, foi extremamente elogiada por todos os veteranos, mas suas aulas não foram tão boas quanto esperávamos. Ela usa extensivamente o Discurso Socrático em aula, algo muito bom, mas que só funciona quando as pessoas tem um mínimo conhecimento do que está sendo discutido.
Método de Avaliação:
Tivemos três provas, uma com cada professor. A primeira prova foi bem elaborada apesar de fácil. A segunda prova foi uma cravação sem tamanho, pois o professor deve ter pego uma prova da Medicina e tocado pra gente fazer. Por pena, ele nos deu dois pontos por participação ativa na aula prática com os corpos. Essa foi a prova que eu mais me ferrei em todo meu tempo de faculdade até agora. A terceira e última prova foi com consulta: difícil, mas eu dominava o assunto suficientemente para tirar meu pé da lama. Foi a nota C mais comemorada em todo meu tempo de faculdade.
Seminário de Introdução à Psicologia - Obrigatória
Overview:
Uma palavra define esta disciplina: inútil. A idéia original era que ela servisse de ponto central no curso, e integrasse as diversas correntes que estávamos vendo e as discutíssemos, e que a partir disso pudéssemos expandir nossa compreensão da Psicologia. Não foi bem assim que aconteceu, pois frequentemente as discussões caiam em lugares-comuns, ou em bate-bocas imbecis, ou o professor puxava a brasa para o assado dele (orientação de carreira). Ele bem que se esforçou em fazer seu trote bem feito (falei que ele estava em estágio probatório, e que ele vai continuar assim esse ano?), mas era muita areia para o caminhão dele. Tivemos pontos altos, especialmente quando tivemos que entrevistar nossos professores e profissionais de outros lugares e linhas teóricas, mas ficou por isso mesmo.
Método de Avaliação:
Um trabalhinho escrito sobre como foi o meu semestre, no mesmo estilo "como foram minhas férias". Nada de mais, nada de menos, nada surpreendente ou desafiador.
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Inspiração
Nos últimos dias, tenho tido problemas em atualizar o blog. Não tinha idéias boas o suficiente para postar, e as idéias boas o suficiente deixavam de assim o ser quando começava a transpô-las da minha mente para o computador. Comecei a me preocupar, e a monitorar cada idéia que aparecia, passava-a pelo crivo e analisava se era boa o suficiente para ir para o blog. Nenhuma passou. Então, eis que estou lendo um livro chamado "A Presença Ignorada de Deus", pelo psiquiátra vienense Viktor Emil Frankl, criador da Logoterapia, a Terceira Escola de Psicoterapia de Viena (a primeira é a Psicanálise de Freud, e a segunda é a Psicologia Individual de Alfred Adler), em que ele discute o inconsciente espiritual, presente em todos nós junto com o inconsciente instintual, e como ele age e nos afeta. Chego no seguinte parágrafo sobre criatividade:
"Em seu trabalho criativo, o artista depende de fontes e recursos que derivam do inconsciente espiritual. A intuição não-racional da consciência tem seu paralelo na inspiração do artista. Criação artística emerge de recônditos que jamais poderão ser plenamente elucidados. No exercício prático da clínica temos tido várias oportunidadesde observar que a reflexão excessiva sobre o processo criativo acaba sendo prejudicial. Auto-observação forçada pode ser um sério obstáculo para a criatividade do artista. A tentativa de produzir a nivel consciente precisa brotar de profundezas inconscientes; a tentativa de manipular o processo criativo primal através da reflexão sobre o mesmo está fadada ao fracasso. A reflexão entra em cena apenas mais tarde."
Foi só ler isso que eu senti-me livre, e idéias geniais começaram a pipocar na minha cabeça. Alguém já disse (e acho que já citei esse alguém) que escrever é 10% inspiração e 90% transpiração. Mas disse também que sem os 10% a coisa fica muito mais complicada. Minha vida de blogueiro ficou muito mais fácil agora.
"Em seu trabalho criativo, o artista depende de fontes e recursos que derivam do inconsciente espiritual. A intuição não-racional da consciência tem seu paralelo na inspiração do artista. Criação artística emerge de recônditos que jamais poderão ser plenamente elucidados. No exercício prático da clínica temos tido várias oportunidadesde observar que a reflexão excessiva sobre o processo criativo acaba sendo prejudicial. Auto-observação forçada pode ser um sério obstáculo para a criatividade do artista. A tentativa de produzir a nivel consciente precisa brotar de profundezas inconscientes; a tentativa de manipular o processo criativo primal através da reflexão sobre o mesmo está fadada ao fracasso. A reflexão entra em cena apenas mais tarde."
Foi só ler isso que eu senti-me livre, e idéias geniais começaram a pipocar na minha cabeça. Alguém já disse (e acho que já citei esse alguém) que escrever é 10% inspiração e 90% transpiração. Mas disse também que sem os 10% a coisa fica muito mais complicada. Minha vida de blogueiro ficou muito mais fácil agora.
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Psicologia
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Formas de aprimorar o currículo de Psicologia da UFRGS
Em um excelente artigo, Lobo da Estepe faz uma lista de assuntos que ele gostaria de ver mais e de assuntos que ele gostaria de ver menos nas nossas aulas no Instituto de Psicologia. Pegando carona na idéia dele, vou fazer a minha lista de Vô/Não Vô coisas que eu gostaria de ver mais e gostaria de ver menos no nosso currículo:
Processos Psicológicos Básicos II - A cadeira de PPB I é boa e divertida, mas com conteúdo muito corrido e fragmentado. Poderia ser oferecida uma disciplina eletiva para os interessados em aprofundar-se nos conteúdos dados e aprender o que não pôde ser dado graças ao pouco tempo disponível.
Análise Experimental do Comportamento - Já tem uma eletiva disso, que eu fiz, gostei e aprendi muito. Entretanto, ficaram faltando algumas coisas, como prática em laboratório, e talvez um pouco mais de teoria, tanto skinneriana quanto de outros autores comportamentais.
Psicologia Cognitiva Comportamental - É atualmente o campo mais promissor da Psicologia, e por estudarmos em uma faculdade que tem um departamento inteiro dedicado à Psicanálise, nossas possibilidades de aprender sobre ela é bastante tolhido. Tal como Análise Experimental do Comportamento, há uma eletiva sobre o assunto, mas é da mesma forma insuficiente.
Psicologia Humanista e Existencial - Se algum colega meu ler isso, a primeira coisa que vai pensar é "mas esse merda não cansou de encher o saco dos professores até conseguir essa cadeira?" A resposta para esta pergunta é: não, não cansei. O que conseguimos com os professores foi uma disciplina introdutória, bastante superficial, apesar de abordar assuntos muito interessantes. Minha idéia é, a partir desta disciplina, conseguir outras mais específicas, de Abordagem Centrada-na-Pessoa, Fenomenologia, Psicologia do Ser, Daseinanálise, Logoterapia e Gestalt-Terapia, e talvez alguma disciplina como "Teorias Menores no Paradigma Humanistico-Existencial", que cubra outras linhas teóricas que não as maiores.
Psicologias Orientais - Pode parecer estranho pedir uma coisa dessas, mas o Ocidente ignora muitas técnicas e teorias desenvolvidas na China, Japão e Índia que podem ser consideradas como "Psicologia". Um bom exemplo é a Terapia de Morita e Naikan, além das técnicas de meditação zen budistas.
Etologia - Procurei essa disciplina na Biologia da UFRGS, e mesmo assim não encontrei. Considero de extrema importância esse assunto, pois nos ajuda a aprimorarmos nossas capacidades de observação (além de ficar procurando chistes e atos falhos).
Neurociências Cognitivas e do Comportamento e Informática - Esse é o campo mais promissor das ciências humanas e naturais. Primeiro porque é multidisciplinar, envolvendo desde psicólogos até lingüistas e técnicos de Informática. Segundo porque nunca antes na história destepaís mundo tivemos uma tecnologia tão avançada para estudar o cérebro durante os comportamentos (encobertos ou não). Terceiro porque é do caralho, e quarto porque a psicanalistada não gosta. E não seria difícil conseguir umas disciplinas eletivas sobre esse assunto, considerando que temos neuropsicólogos no departamento de desenvolvimento e um programa de pós-graduação inteiro no Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS) dedicado a esse assunto.
Ciências Sociais - Pelo mesmo motivo do Lobo. E por que tô de saco cheio da Psicologia Social e Institucional.
Outras teorias em Psicanálise - Acabo de xingar psicanalistas e agora peço por mais Psicanálise? Qual é! Pode parecer contraditório, mas não considero esta linha tão aversiva assim. O que me enche o saco lá no Instituto é que só estudamos a Escola Francesa e os textos pré-históricos do Freud. Quem sabe ver algumas coisas diferentes não tornasse o departamento de psicanálise menos dogmático? Seriam eletivas
Psiquiatria - A Famed (Faculdade de Medicina) fica a no máximo 500 metros do nosso instituto, e mesmo assim não temos nenhuma aula com psiquiátras ou sobre psiquiatria. Isso já é uma idiotice por si só, se considerarmos que, junto com eles, dividimos a tarefa da psicoterapia, mais ainda se levarmos em conta que grande parte dos autores que lemos em psicoterapia são psiquiátras.
Teorias de Discípulos Rebeldes do Freud - Quem sabe não tenha algo de interessante na Psicologia Individual do Adler ou na Psicologia Analítica do Jung? Eletivas dedicadas a cada uma dessas teorias enriqueceria nosso currículo.
Mais Filosofia - A Psicologia está intimamente ligada com a Filosofia, e só temos três disciplinas filosóficas (Filosofia e Psicologia, História da Psicologia e Pesquisa em Psicologia). Umas eletivas a mais vinham a calhar.
Mais tempo de biblioteca - Por que eu quero pesquisar sobre outros assuntos, pô!
Mais tempo de DAP - Por que não gostamos de matar aula para ficar coçando no DAP. Seria bom não ter aquela sensação de quase culpa quando saio da aula e vou me jogar no bom e velho sofá azul.
E o que poderia ter menos:
Freud - Os motivos do Lobo são bons, mas tenho outros argumentos. Enquanto Freud é provavelmente o autor mais influente na história da Psicologia e da Psiquiatria, ele está ultrapassado em muitos aspectos. Não é necessário estudar tanto a obra do cara.
Lacan - Pelos mesmos motivos do Lobo e mais alguns, que prefiro não mencionar.
Guattarices - Guattari é um dos autores preferidos do Departamento de psicologia social e um dos mais enrolados e prolixos. É a perfeita imagem da Psicologia Social no Brasil: enroladora, alienada e descomprometida com a questão social verdadeira. Chega desse cara na faculdade, por favor, ou me mostrem um livro bom dele (eu espero sentado).
Menos tempo de aula - Por que eu quero pesquisar sobre outros assuntos, pô!(2) E porque eu quero mais tempo para treinar.
Bem, acho que era isso. Para os que acharam esta lista tendenciosa, por acaso vocês achavam que eu ia lamber o saco do Guattari*?
*Sim, eu iria. Quero fazer uma eletiva de Esquizoanálise não sei porque.
Processos Psicológicos Básicos II - A cadeira de PPB I é boa e divertida, mas com conteúdo muito corrido e fragmentado. Poderia ser oferecida uma disciplina eletiva para os interessados em aprofundar-se nos conteúdos dados e aprender o que não pôde ser dado graças ao pouco tempo disponível.
Análise Experimental do Comportamento - Já tem uma eletiva disso, que eu fiz, gostei e aprendi muito. Entretanto, ficaram faltando algumas coisas, como prática em laboratório, e talvez um pouco mais de teoria, tanto skinneriana quanto de outros autores comportamentais.
Psicologia Cognitiva Comportamental - É atualmente o campo mais promissor da Psicologia, e por estudarmos em uma faculdade que tem um departamento inteiro dedicado à Psicanálise, nossas possibilidades de aprender sobre ela é bastante tolhido. Tal como Análise Experimental do Comportamento, há uma eletiva sobre o assunto, mas é da mesma forma insuficiente.
Psicologia Humanista e Existencial - Se algum colega meu ler isso, a primeira coisa que vai pensar é "mas esse merda não cansou de encher o saco dos professores até conseguir essa cadeira?" A resposta para esta pergunta é: não, não cansei. O que conseguimos com os professores foi uma disciplina introdutória, bastante superficial, apesar de abordar assuntos muito interessantes. Minha idéia é, a partir desta disciplina, conseguir outras mais específicas, de Abordagem Centrada-na-Pessoa, Fenomenologia, Psicologia do Ser, Daseinanálise, Logoterapia e Gestalt-Terapia, e talvez alguma disciplina como "Teorias Menores no Paradigma Humanistico-Existencial", que cubra outras linhas teóricas que não as maiores.
Psicologias Orientais - Pode parecer estranho pedir uma coisa dessas, mas o Ocidente ignora muitas técnicas e teorias desenvolvidas na China, Japão e Índia que podem ser consideradas como "Psicologia". Um bom exemplo é a Terapia de Morita e Naikan, além das técnicas de meditação zen budistas.
Etologia - Procurei essa disciplina na Biologia da UFRGS, e mesmo assim não encontrei. Considero de extrema importância esse assunto, pois nos ajuda a aprimorarmos nossas capacidades de observação (além de ficar procurando chistes e atos falhos).
Neurociências Cognitivas e do Comportamento e Informática - Esse é o campo mais promissor das ciências humanas e naturais. Primeiro porque é multidisciplinar, envolvendo desde psicólogos até lingüistas e técnicos de Informática. Segundo porque nunca antes na história deste
Ciências Sociais - Pelo mesmo motivo do Lobo. E por que tô de saco cheio da Psicologia Social e Institucional.
Outras teorias em Psicanálise - Acabo de xingar psicanalistas e agora peço por mais Psicanálise? Qual é! Pode parecer contraditório, mas não considero esta linha tão aversiva assim. O que me enche o saco lá no Instituto é que só estudamos a Escola Francesa e os textos pré-históricos do Freud. Quem sabe ver algumas coisas diferentes não tornasse o departamento de psicanálise menos dogmático? Seriam eletivas
Psiquiatria - A Famed (Faculdade de Medicina) fica a no máximo 500 metros do nosso instituto, e mesmo assim não temos nenhuma aula com psiquiátras ou sobre psiquiatria. Isso já é uma idiotice por si só, se considerarmos que, junto com eles, dividimos a tarefa da psicoterapia, mais ainda se levarmos em conta que grande parte dos autores que lemos em psicoterapia são psiquiátras.
Teorias de Discípulos Rebeldes do Freud - Quem sabe não tenha algo de interessante na Psicologia Individual do Adler ou na Psicologia Analítica do Jung? Eletivas dedicadas a cada uma dessas teorias enriqueceria nosso currículo.
Mais Filosofia - A Psicologia está intimamente ligada com a Filosofia, e só temos três disciplinas filosóficas (Filosofia e Psicologia, História da Psicologia e Pesquisa em Psicologia). Umas eletivas a mais vinham a calhar.
Mais tempo de biblioteca - Por que eu quero pesquisar sobre outros assuntos, pô!
Mais tempo de DAP - Por que não gostamos de matar aula para ficar coçando no DAP. Seria bom não ter aquela sensação de quase culpa quando saio da aula e vou me jogar no bom e velho sofá azul.
E o que poderia ter menos:
Freud - Os motivos do Lobo são bons, mas tenho outros argumentos. Enquanto Freud é provavelmente o autor mais influente na história da Psicologia e da Psiquiatria, ele está ultrapassado em muitos aspectos. Não é necessário estudar tanto a obra do cara.
Lacan - Pelos mesmos motivos do Lobo e mais alguns, que prefiro não mencionar.
Guattarices - Guattari é um dos autores preferidos do Departamento de psicologia social e um dos mais enrolados e prolixos. É a perfeita imagem da Psicologia Social no Brasil: enroladora, alienada e descomprometida com a questão social verdadeira. Chega desse cara na faculdade, por favor, ou me mostrem um livro bom dele (eu espero sentado).
Menos tempo de aula - Por que eu quero pesquisar sobre outros assuntos, pô!(2) E porque eu quero mais tempo para treinar.
Bem, acho que era isso. Para os que acharam esta lista tendenciosa, por acaso vocês achavam que eu ia lamber o saco do Guattari*?
*Sim, eu iria. Quero fazer uma eletiva de Esquizoanálise não sei porque.
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As Três Forças da Psicologia
Historicamente, a Psicologia nunca foi uma ciência unida, mas vários grupos de pesquisa com ideais epistemológicos e lógicas diferentes, estudando o mesmo assunto de maneiras muito diversas, quando não antagônicas.
São vários movimentos distintos, mas é possível agrupá-los em três grandes correntes, uma para cada ponta da letra grega Psi, de acordo com suas histórias e pressupostos filosóficos: Psicoanalítica, Comportamentalista, Humanista-Existencial.
As teorias e preceitos filosóficos por trás da Corrente Psicoanalítica* foran concebidas por vários filósofos, entre eles Platão, ao longo da história, mas foi só com Sigmund Freud que ela ganhou corpo e influência, quando ele desenvolveu a técnica da Psicanálise. Segundo a teoria freudiana, o ser humano não é completamenta racional e consciente, pois grande parte de suas ações são determinadas pela parte inconsciente e instintual da mente, e para uma vida mentalmente saudável, é necessário integrar a parte inconsciente com a parte consciente. Geralmente, as teorias psicoanalíticas consideram o ser humano uma criatura anti-social e egoísta, que vive com outros seres humanos para sobreviver. A Corrente Psicoanalítica não consiste apenas das diversas teorias dentro da própria Psicanálise, como a escola freudiana clássica, da Melanie Klein, de Lacan, Bion e outros, mas teorias concorrentes criadas por discípulos rebeldes de Freud, como a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, a Psicologia Individual de Alfred Adler, a Orgonômia de Wilhelm Reich, a teoria do apego de John Bowlby, as Etapas do Desenvolvimento de Erik Erikson e a Terapia Psicodinâmica. Esta corrente, apesar de ser historicamente a mais influente no campo da Psicologia, é a mais avessa ao método científico, pois muitas destas correntes apenas seguem as idéias de seus mestres, sem testá-las ou pô-las em dúvida. Além disso, suas teorias são geralmente do tipo "ou é isto ou não é", sendo sempre capazes de aceitar qualquer tipo de evento. Isto para a ciência não é algo desejável, pois seu objetivo é prever e controlar.
A Corrente Comportamentalista considera tudo o que seres humanos e organismos vivos fazem - ações, emoções e pensamentos - como comportamentos, e prefere explicá-los de forma científica independente da Fisiologia ou de construtos hipotéticos como a mente. Para evitar o dualismo, comportamentos encobertos, como pensamentos, não são considerados diferentes dos comportamentos visíveis. Esta corrente é a mais fiel ao método científico, por causa de seu enfoque em eventos observáveis ou passíveis de inferência segura. O precursor da Psicologia Comportamental foi Ivan Pavlov, que estudou o condicionamento do comportamento clássico com cachorros. John B. Watson foi o pai do Comportamentalismo norte-americano (Behaviorism), e o B. F. Skinner, maior teórico dos EUA nesta área, que desenvolveu a teoria do Condicionamento Operante através de suas pesquisas com ratos e pombos (além de outros animais, que foram utilizados por ele e por outros pesquisadores), e propôs o Behaviorismo Radical como filosofia a sustentar as Ciências do Comportamento.
Esta corrente pode ainda ser subdivida em três ondas de terapia, cujas técnicas são influenciadas pelas descobertas recentes: a Primeira Onda foi a Psicologia Comportamental clássica, representada pela Análise Experimental do Comportamento de B. F. Skinner, que focava-se exclusivamente no condicionamento e alteração de comportamentos indesejáveis; a Segunda Onda foi a Psicologia Cognitivo-Comportamental, representada pela Psicologia Cognitiva de Aaron Beck, que mantêm o foco em alterar comportamentos indesejáveis, mas dá maior enfoque para mudar pensamentos prejudiciais, ao contrário da onda anterior, que considerava que pensamentos e emoções não afetavam os comportamentos externos; e a Terceira Onda, representada pela Acceptance and Commitment Therapy (ACT) de Steven Hayes, que absorveu as práticas das ondas anteriores, e passou a utilizar técnicas antes ignoradas pelos terapeutas, como meditação e 'mindfulness' (mente cheia).
A terceira corrente, também conhecida como Psicologia da Terceira Força, é a Corrente Humanista-Existencial. Baseado nas obras dos filósofos Soren Kierkegaard, Nietzsche, Sartre e principalmente Heidegger e na Fenomenologia, esta corrente tem pressupostos básicos muito diferentes das outras duas. James Bugental resumiu a epistemologia humanista-existencial em 5 postulados:
1. O ser humano não pode ser reduzido ao seus componentes;
2. O ser humano possui dentro de si um contexto humano ímpar;
3. A consciência humana possui uma percepção (awareness) de si mesmo e do contexto dos outros;
4. O ser humano tem escolhas e responsabilidades não desejadas;
5. O ser humano tem intenção própria, e busca sentido, valor e criatividade;
Eu ainda adicionaria um sexto postulado, de que o ser humano tende para a bondade, e um sétimo, que a natureza humana transcende os aspectos biológicos e sociais, diferentemente das outras duas correntes, que dão maior ênfase para os aspectos biológicos, ambientais-sociais e hedonistas das pessoas. A Corrente Humanista-Existencial foi lançada como a Psicologia da Terceira Força na década de 1950, pelo psicólogo Abraham Maslow, como uma reação à Psicologia da Primeira Força, e à Psicologia da Segunda Força, o Behaviorismo, que focavam-se apenas em alguns aspectos da personalidade (como o inconsciente e os comportamentos condicionados), e negligenciavam aspectos centrais do ser humano: personalidade, auto-atualização, saúde, esperança, amor, criatividade, natureza, ser, vir a ser, individualidade e sentido, ou seja, o que realmente significa ser uma pessoa. As principais linhas teóricas desta corrente são a Psicologia do Ser de Abraham Maslow, a Abordagem Centrada-na-Pessoa (ACP) de Carl Rogers, a Gestalt-Terapia de Frederick Perls, a Psicanálise Humanista de Erich Fromm, a Daseinanálise ou Análise Existencial de Martin Heidegger, a Psicoterapia Existencial de Rollo May e a Logoterapia de Viktor Frankl; os quatro primeiros sendo humanistas e os dois últimos existencialistas. Existe ainda a Psicologia Transpessoal, também chamada de Psicologia da Quarta Força, que vem a ser um desenvolvimento da Psicologia Humanista.
Divido esta corrente em duas por que, apesar de compartilharem dos mesmos pressupostos filosóficos, ainda existem diferenças substanciais. Os Existencialistas tem grande parte de suas origens na cultura européia, e portanto, são mais pessimistas e dão maior ênfase para os aspectos negativos da existência, como a solidão existencial e a náusea de existir. Já os humanistas são em sua maioria americanos (tanto do norte quanto do sul), e preocupam-se mais com aspectos do crescimento positivo, como a auto-atualização (desenvolvimento como ser humano), capacidade conviver em harmonia com os outros, motivação e o que o ser humano pode se tornar (devir ou vir a ser).
Na questão científica, esta corrente é um pouco mais ambígua do que as outras duas. De fato, são utilizadas as técnicas de pesquisa fenomenológica, qualitativas por natureza, e que se focam em condições internas do ser humano, como pensamentos e emoções. A Fenomenologia é bastante rigorosa, sendo considerada por muitos como sendo a metodologia por excelência para as ciências humanas, mas por não dispor de meios de quantificar as suas descobertas, e por se utilizar da introspecção como método de pesquisa, sua validade é posta em dúvida por muitos outros críticos.
Mas a coisa não é tão simples como esta divisão pode fazer parecer, pois cada corrente influenciou a outra, e mesmo dentro da mesma corrente há diferenças cruciais. Por exemplo, Viktor Frankl estudou Psicanálise e Psicologia Individual no começo de sua carreira como psiquiátra, e mais tarde em sua teoria logoterapêutica postulou a existência de um insconsciente espiritual no ser humano, e a Análise Experimental do Comportamento considera as pessoas como meras "bolas de bilhar", que precisam de um impulso exterior para realizarem qualquer comportamento, enquanto a Psicologia Cognitiva já aceita a existência da vontade, ou a auto-determinação do indivíduo, entre outras desavenças epistemológicas menores. Além disso, alguns teóricos são educados na filosofia e nas técnicas de uma corrente, mas desenvolvem conceitos diferentes demais, como no caso de Erich Fromm, que apesar de ser psicanalista de carteirinha, desenvolveu a teoria da Psicanálise Humanista (que tem mais de humanista do que de psicanálise), e há casos como o da Esquizoanálise, que foi influenciada tanto pela Psicanálise como pela Daseinanálise.
Nenhuma das três correntes é superior às outras; se assim fosse, já teria sido decidido qual caminho tomar. Todas as três abordam fatores importantes da natureza humana: os comportamentos inconscientes, os comportamentos observáveis ou inferíveis e a potencialidade e motivações, e todas as três podem cair em reducionismos imbecis, que só atrapalham o progresso científico. Ainda assim, seguidores e teóricos de todos os matizes lutam por supremacia como num jogo de xadrez, pois tem certeza de serem melhores que os outros, e plenamente capazes de "explicar tudo" em nosso mundo.
Para melhor compreendermos o ser humano, devemos levar em conta todos os aspectos levantados e pesquisados por estas correntes, de maneira integrada entre elas e com outras ciências que estudam o Homo Sapiens, como a Biologia, representada pelas Neurociências, a Genética e a Bioquímica, e as Ciências Sociais, representada pela Sociologia, Antropologia e Ciências Políticas. Devemos estudar e levar sempre em conta que o ser humano é determinado por forças biológicas, sociais e psicológicas, e que mesmo assim ele é capaz de transcender todas estas forças. Caso contrário, estaremos sempre correndo atrás do nosso próprio rabo, e caíremos em simplificações perigosas de nossa própria natureza.
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Uma vez, para sempre
Participei do movimento escoteiro por 9 anos. Fui lobinho, escoteiro, sênior e por um curto período, pioneiro. Nos últimos meses, não tinha mais paciência para o tipo de atividade que estava acontecendo, e por isso, o fato de estar estudando e morando em outra cidade e por causas outras decidi me afastar no início do ano passado. Entretanto, por muito tempo, fiz valer e valeu a pena ser uma criança vestida de rídiculo comandada por um ridículo vestido de criança. Durante o Ensino Médio, os sábados de tarde nos pavilhões eram o único dia da semana em que me sentia tranqüilo, com amigos.
Desde que saí, não tive muito contato com esse pessoal, tirando eventuais festas e encontros informais por aí. Sinto falta daquele bando de monstros, e também sinto falta dos acampamentos, do cheiro de mato e fumaça, das piadas de mau gosto contextuais altamente nonsense e de se matar trabalhando ou correndo ou fazendo qualquer outra coisa doente por aí (fazer coisas doentes era nossa especialidade).
Foi nos escoteiros que o nome Andarilho surgiu pela primeira vez, durante uma jornada, onde todos estavam caminhando em grupos distintos, menos eu, que andava sozinho, tal e qual um andarilho.
Marcamos um acampamento para dia 22. Vamos ver no que vai dar isso.
Desde que saí, não tive muito contato com esse pessoal, tirando eventuais festas e encontros informais por aí. Sinto falta daquele bando de monstros, e também sinto falta dos acampamentos, do cheiro de mato e fumaça, das piadas de mau gosto contextuais altamente nonsense e de se matar trabalhando ou correndo ou fazendo qualquer outra coisa doente por aí (fazer coisas doentes era nossa especialidade).
Foi nos escoteiros que o nome Andarilho surgiu pela primeira vez, durante uma jornada, onde todos estavam caminhando em grupos distintos, menos eu, que andava sozinho, tal e qual um andarilho.
Marcamos um acampamento para dia 22. Vamos ver no que vai dar isso.
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