terça-feira, 28 de setembro de 2010

Crônicas de um Restaurante Universitário

Estou no meu estágio outra vez, e, como como surgiu uma folguinha, decidi escrever aqui no blog outra vez sobre meu assunto favorito: o RU. Eu sei, eu sei, dizer que RU é meu assunto favorito é o mesmo que dizer que o Clodovil era afrescalhado. Tenho a impressão que toda vez que eu digo "oi, vou falar do RU hoje" vocês reagem da mesma maneira aos Testemunhas de Jeová que batem na sua porta e perguntam "posso te falar sobre Jesus?" A diferença entre eu e os Testemunhas de Jeová é que eu não bato na sua porta pra falar do RU (e se eu fizesse, seria por que eu não tomei meu antipsicótico) - na verdade, quem vem ler minhas ridículas opiniões sobre o Restaurante Universitário da UFRGS é você, então eu não sei por que estou me justificando aqui.

Mas, voltando ao assunto, minha opinião é clara: o RU é do caralho. Tudo que se refere à esta instituição, se não me faz ficar feliz por ter vindo estudar em Porto Alegre, pelo menos me faz rir, como o estranho hábito que todo calouro da UFRGS desenvolve de descascar laranjas com colheres. Eu até fiz um trabalho de Antropologia sobre essas coisas! E hoje, mais uma vez caminhando do ambulatório para meu almoço, percebi: o RU me transformou em mais um esquisitão da UFRGS, por que nunca, de maneira alguma, um restaurante em Caxias do Sul, mesmo o RU da UCS me faria achar que andar com um vidro de azeite de oliva e outro de queijo ralado dentro de um pote de sorvete da Kibon de baixo do braço seria algo normal. Mais engraçado ainda, ninguém dentro do RU achou estranho - bom, pelo menos ninguém me abordou e perguntou "ô amigo, que porra é essa?", o que já é sinal de alguma coisa.

Outra coisa que me chamou a atenção hoje foi a fila: não havia uma. Quero dizer, havia uma sim, mas nada que se compare com as monstruosidades que já vi por aqui ainda esse ano. Com a reforma e a expansão do RU aqui do Vale, não é mais necessário esperar 40 minutos na fila para poder comer o feijão com arroz mais maravilhoso do mundo - hoje fiquei menos de 5 minutos, isso considerando toda a embananação que me deu ficar segurando o pote de sorvete da Kibon. Contudo, apesar de ficar maravilhado com isso, não pude deixar de notar que o bandejão estava funcionando no limite de sua capacidade. Como nos meus tempos de bixo no Campus Saúde, era plenamente possível encontrar lugar para todo mundo se servindo, mesmo estando todas as cadeiras ocupadas, por que o fluxo de clientes é ágil o suficiente para que as pessoas se sirvam, sentem, comam e vão embora, deixando seus lugares para os que chegam depois.

Esse é um equilíbrio delicado, especialmente se considerarmos a época em que vivemos. Agora, eu posso ir almoçar às 12:30 e não ficar com cãimbra de esperar em pé, mas cada começo de semestre pode jogar tudo isso pelos ares. Logo depois que virei veterano, criei o saudável hábito de, no início de cada semestre, passar do lado da fila do RU usando a roupa que mais me deixasse com cara de mendigo louco, fazendo cara feia e dizendo "malditos bixos" e algumas ameaças, para ver se a fila diminuía mais rapidamente. Mas aquela era uma época mais simples, quando o REUNI não existia, e a possibilidade de um curso novo brotar da terra era inexistente. Agora, todo ano, somos confrontados com o risco de alguma unidade criar uma graduação nova, como Massagem Erótica, que, além de roubar mercado da Fisioterapia, atravanca a fila do RU com mais bixos e mais pessoas comendo no RU. São tempos difíceis.

Outra coisa difícil são as prefeituras dos campi, e as decisões que elas tomam. Por exemplo, esses dias, voltando para casa, tomei um atalho e passei do lado do RU da Saúde. Descobri então que colocaram uma grade em volta do restaurante. Por que? Não faço a menor idéia, mas eu acho que é para atrapalhar todo mundo, por que a entrada agora só pode ser feita por um lado da rua, e justamente o lado mais difícil.

Por fim, por que eu escrevi esse post? Por nenhum outro motivo além de que o RU é, realmente, do caralho, e merece mais um post aqui para atestar isso.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Ginástica Artística Aplicada à Linguagem

Hoje apareceu um comentário anônimo num post meu falando sobre uma gíria portoalegrense, dizendo que curtiu o texto, e que eu deveria escrever mais textos sobre outras expressões idiomáticas utilizadas por aqui. Apesar de ter gostado das sugestões, fiquei com vontade de escrever um pequeno post sobre uma expressão que nasceu faz pouco tempo, provavelmente vai ser esquecida pelo público em três dias, mas que eu achei o máximo e vou utilizar quando encontrar o contexto apropriado: Salto Triplo Carpado Hermenêutico.

Estava eu no twitter, tocando minha vida como de costume, quando olho os Trending Topics Brazil, os assuntos que estão bombando nos tuíteres tupiniquins, e vejo essa frase. Obviamente, me assustei, por que a palavra "Hermenêutica" só pode ser utilizada em duas situações: 1) em um contexto acadêmico, discutindo a relevância da obra fenomenológica-existencial de Merleau-Ponty para a filosofia contemporânea e 2) quando um assassino profissional aponta uma arma para sua cara e pergunta quais são as suas últimas palavras, e você tenta enrolar ele para te manter vivo. Como eu considero discussão de Merleau-Ponty o equivalente intelectual de um apocalipse zumbi, as duas situações supracitadas são de vida ou de morte - hermenêutica não é uma palavra que se usa assim, como quem fala cu.

Então, fui procurar no Google essa expressão no Google, para descobrir se ela surgiu de algo que apareceu na mídia, ou foi alguma campanha viral para promover a nova edição de "Fenomenologia da Percepção", ou um meme criado por algum intelectual entediado como eu. E eis que, pela primeira vez em muito tempo, a realidade é mais satisfatória que a ficção: encontrei esse link aqui explicando tudo. Não vou ficar resumindo a notícia pra vocês por que ela é bem curtinha, e vou dizer só o seguinte - é mais genial do que eu imaginava. Por isso, acho uma pena que essa expressão, ao contrário de bestialidades como "né brinquedo, não!", "óia a faca!" ou qualquer outra coisa que o Zorra Total tenha produzido em seus dez anos de existência, não vire um meme em seu pleno direito, e se torne parte de nosso vocabulário, nem que seja por um mês apenas.

Assim sendo, concluo, através de um Salto Triplo Carpado Hermenêutico, que nós devemos divulgar essa expressão por todo o Brasil, mesmo que ninguém entenda o que ela significa.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Experiências Cinemáticas - O Exterminador do Futuro II

E, conforme prometido, acabei de assistir "O Exterminador do Futuro II". E, conforme eu não tinha prometido, vou escrever uma resenha sobre esse filme também, aproveitando que ele está fresco na minha memória.

Como eu disse no post anterior, todo mundo já assistiu "O Exterminador do Futuro II" pelo menos algumas vezes na Tela Quente, ou qualquer outro programa de filmes da TV aberta - eu também, tanto que minha lembrança de certas cenas é bastante antiga. Ainda assim, assistir esse filme tendo assistido sua "preqüência" faz toda a diferença. Talvez não tanto em termos de história, já que é plenamente possível vê-lo e entender tudo sem ter visto o número 1, mas sim para fazer algumas comparações.

Fica claro, pelo menos para mim, que o primeiro filme da franquia tinha um orçamento muito menor do que o do segundo. Como apontou um anônimo nos comentários do post anterior, James Cameron era apenas um ilustre desconhecido quando lançou "O Exterminador do Futuro". Certamente ele não poderia ter na época os mesmos recursos dos quais ele dispunha na produção e gravação do segundo filme. Não vejo isso nem como bom, nem como ruim. Entretanto, isto certamente afeta o desenvolvimento da trama.

É muito comum na indústria cinematográfica acontecer o que o TV Tropes chama de Real Life Writes the Plot - isto é, a Vida Real Escreve a Trama. Nos casos em que isto acontece, o diretor, ou quem quer que seja o responsável pelo roteiro, é obrigado a fazer mudanças na história por que algum problema de gravação ou produção não permite que a idéia original seja posta em prática. O próprio "Exterminador do Futuro" foi vítima disto: James Cameron queria que o filme fosse uma guerra de robôs, o que implicava em vários robôs ao mesmo na tela. Entretanto, como ele não tinha cacife para bancar uma coisa dessas, resolveu adotar uma outra abordagem: pegar um ator de verdade, ou, na falta disso, Arnold Schwarzenegger, dizer que ele é um robô do futuro com pele humana e por ele a caçar uma pessoa nos tempos de hoje. Qual história é mais impactante? O filme teria sido melhor se James Cameron contasse desde o início com todo o dinheiro e recursos do mundo no primeiro filme do Exterminador? Francamente, é difícil dizer, mas, na minha opinião, a história que ele nos contou, sobre um andróide extremamente humano que vem do futuro eliminar nossa última esperança é muito mais cativante (e assustadora) do que robôs lutando contra robôs, e talvez Cameron não fosse o titã hollywoodiano que é hoje com ela, nem Schwarzenegger governador da Califórnia.

O fato é que, muitas vezes, a vida real escrever a trama, e mudar o que o diretor tinha em mente de alguma forma, é uma coisa positiva, por que acaba limpando o roteiro de idéias ruins, e substituindo-as por outras mais dinâmicas. E, quando o diretor tem poder demais sobre o filme, este processo acaba não acontecendo. Dizem por aí que este é o principal motivo para os novos filmes da saga de Star Wars serem tão inferiores à trilogia antiga - como George Lucas tinha todo o dinheiro do mundo, toda a tecnologia e ninguém para lhe dizer coisas como "hey, George, a trama está muito ruim e não faz sentido", "sério cara, você está muito preocupado com efeitos especiais" e "por favor, mata esse coelho retardado com sotaque jamaicano", os erros fundamentais da trama não foram eliminados.

Quero dizer com isto que "Exterminador do Futuro II" é ruim por que dispôs de dinheiro demais para sua filmagem, e que Cameron deixou o poder subir à cabeça? Não. Na verdade, apesar de achar o primeiro filme da série muito melhor, sua continuação é também excelente. Quero apenas apontar que a quantidade de recursos disponíveis afeta de maneiras imprevisíveis a produção de um filme. Fica óbvio que, além de ter mais pilas pra gastar, Cameron também tem objetivos muito mais ousados com "Exterminador do Futuro II". Com o primeiro, ele tinha que se preocupar apenas em lotar os cinemas e convencer as pessoas a irem às locadoras pegar em VHS. Ele conseguiu, e com um sucesso retumbante. Agora, com este filme que acabei de assistir, ele não se preocupava mais com isso - ele sabia que o sucesso comercial para ele era líquido e certo. Como ele fez ano passado com "Avatar", ele se dedicou ao desenvolvimento de novas tecnologias cinematográficas, como técnicas de animação digital mais avançadas, de filmagem e também de narração. O resultado? Outra obra-prima. Tenho que dizer que, polêmico do jeito que é, James Cameron é um mestre no que ele faz. O que ele faz? Duas coisas: contar histórias e ganhar dinheiro contando essas histórias. Talvez alguém poderia acusá-lo de ser "clichê" ou "manipulativo", por usar tantos símbolos e temas emocionalmente carregados para a grande parte da humanidade, mas eu considero isto parte de sua genialidade. Em "Exterminador do Futuro", ele abordou nosso medo de sermos destruídos por nossas próprias criações, ao mesmo tempo humanas e monstruosas; na seqüência, ele continuou com este tema, e o expandiu, colocando a velha questão "podem máquinas aprender a amar?" em pauta mais uma vez. Pode ser exagero meu chamá-lo de filósofo; porém, os seus filmes contém muito daquilo que poderia se chamar filosofia, e fazem os espectadores pensar de maneiras diferentes.

"Exterminador do Futuro II" não é melhor do que seu antecessor, mas se sustenta sozinho brilhantemente e, em alguns momentos, até mesmo supera o primeiro filme. As cenas de ação, na minha opinião, apesar de serem mais bem montadas, simplesmente por causa do excesso de dinheiro disponível, não são tão boas quanto as do primeiro, que passa melhor a idéia do desespero por trás de uma luta contra máquinas. Ainda assim, são muito boas, e te deixam, 20 anos depois da estréia, em um permanente estado de expectativa por John Connor e sua família. As expressões faciais de tronco de árvore de Schwarzenegger são muito bem utilizadas, e sua interação com o jovem John Connor, que acaba vendo-o como um pai, são de fazer muito marmanjo chorar (não que tenha acontecido comigo, claro). Por fim, Linda Hamilton reprisando o papel de Sarah Connor está fantástica. Quem mais fica impressionado com sua atuação é quem viu o primeiro filme, e é tomado pela sensação de "quem te viu, quem te vê": de moça simpática que trabalha num restaurante, à máquina destruidora que faz de tudo para proteger seu filho e treiná-lo para ser um grande líder militar, ela é muito convincente.

Então, se você não viu esse filme, além de sair de baixo dessa pedra onde você está morando nos últimos 20 anos, eu recomendo que você assista os dois primeiros filmes da série "O Exterminador do Futuro" em seqüência, por que vale muito à pena.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Experiências Cinemáticas - O Exterminador do Futuro

Olá mais uma vez, meus queridos! É com alegria que volto a escrever aqui no blog depois de quase um mês de ausência. Tenho, todavia, uma boa desculpa, por que, desta vez, ao invés de não escrever nada aqui por que estava sendo meramente preguiçoso, eu estava sendo meramente preguiçoso no norte e no nordeste do Brasil. A mudança geográfica, que aconteceu por causa do Encontro Nacional de Estudantes de Psicologia (ENEP) e do Encontro Nacional de Estudantes de Educação Física (ENEEF), torna minha inatividade mais facilmente justificável, visto que não tinha computadores sempre à disposição como tenho aqui em casa, e que precisava pagar para utilizar aqueles que estavam por perto. Além disso, acho um tanto quanto chato ficar escrevendo e pensando em textos para o blog enquanto viajo. Mas eu não vim aqui só para justificar minha falta de atualizações. Venho aqui hoje com o propósito de escrever sobre cinema.

Senti vontade de assistir uns filmes este final de semana, e então, passei na locadora e peguei dois: "Star Wars - Uma Nova Esperança" e "O Exterminador do Futuro". Sobre "Star Wars" não há muito o que falar, ou melhor dizendo, há muito o que falar, mas não é o que eu quero falar a respeito. Sou muito fã da série, tanto que peguei o filme pela enésima vez, mas acho que, justamente por tê-lo assistido tantas vezes, seu impacto foi muito diferente de ter assistido "O Exterminador do Futuro" pela primeira vez. Pois é, hoje foi a primeira vez. Todo mundo já assistiu o segundo filme em alguma noite chata na "Tela Quente", muita gente já viu o terceiro e tenho minhas razões para crer que bastante gente viu o quarto filme (por que o personagem principal é o Batman). Agora, quem assistiu o primeiro, aquele que deu origem à série? Também muitas pessoas, mas a maioria delas é do tempo que a Rita Cadillac era a "Rainha do Bumbum" - ainda estou por encontrar alguém com menos de 35 anos que viu o filme. O que é uma pena, por que ele é muito bom.

Antes de falar mais aprofundadamente do filme, gostaria de falar sobre alguns aspectos contextuais dele. Segundo o Internet Movie Database, "O Exterminador do Futuro" estreiou nos cinemas em 1984, a mais de 25 anos. Para fazer uma comparação tosca, eu tenho 21. Muita coisa mudou nesse tempo: os computadores ficaram mais modernos, as roupas ganharam outras cores, os penteados ficaram menos ridículos e o filme bombou e entrou para a cultura pop como um marco. Hoje, todo mundo sabe de onde saiu a imortal frase "I'll be back", que John Connor vai liderar a resistência humana contra os robôs no futuro apocalíptico e que Sarah Connor é dura na queda. Em outras palavras, o final do filme hoje é de conhecimento geral. Obviamente, não era assim quando o filme entrou em cartaz no cinema, e por alguns anos depois de já ter saído. Assistir o filme hoje, mesmo que pela primeira vez, não causa o mesmo impacto que causaria em 1984, por causa de todos estes motivos que listei acima, e isto é muito perceptível. Quando o filme começa, sabemos que os dois caras que aparecem pelados no meio de uma tempestade elétrica são do futuro, e que um é humano e um é andróide. Só isso. Podemos inferir que eles são inimigos com base no gênero do filme e na Lei de Conservação dos Detalhes (por que mandariam duas pessoas do futuro, se não fosse para elas se pegarem no soco?), e que o fortão é um andróide por que ele é o mais racional e metódico, igual a uma máquina, e por que ele arranca com as mãos o coração de um punk. Entretanto, aposto que muita gente na época deve ter pensado "puxa, como esse magrão é forte". Também demora um pouco para ficar claro que o que eles querem fazer está relacionado à uma mulher chamada Sarah Connor - mas o que eles querem com ela? Protegê-la? Matá-la? Fazer sexo grupal com ela? De novo, pode se inferir com base nos mesmos princípios citados anteriormente, mas ainda é pura intuição. E por que eles querem ela especificamente?

O filme vai, lentamente, respondendo a cada uma dessas perguntas: o loiro, chamado Kyle Reese, é um soldado humano do futuro, enquanto que o moreno fortão é um andróide. Reese foi enviado para proteger a mesma mulher que o andróide exterminador foi enviado para matar. Esta mulher, Sarah Connor, é o alvo de tanta atenção por que ela será a mãe do futuro comandante da resistência contra os andróides, que no futuro dominam o planeta e buscam com todas as forças destruir os humanos que sobreviveram à guerra nuclear. Só bem no final, descobrimos que Reese é na verdade o pai de seu comandante, que o mandou não só para proteger sua mãe, como também para ser seu pai de fato.


E o filme conta tudo isso em um ritmo incansável e envolvente, que não te deixa parar para pensar e ficar de saco cheio. Aliás, mesmo nos momentos que eu parei para ir no banheiro e pensei, não fiquei de saco cheio. Pelo contrário, me senti ainda mais empolgado com a história. Obviamente, assistir um filme passados 25 anos de sua estréia é uma experiência prejudicada por do que a influência que ele exerceu na cultura: outros elementos também acabam fazendo com que ele pareça velho. Por exemplo, as músicas que tocavam durante as cenas de ação são anos 80 demais para mim. As idéias de como fazer filmes de ação da época, bem como aquelas sobre música, mudaram dramaticamente. Para uma pessoa nascida depois de 1988, "O Exterminador do Futuro" parece um filme lento, com uma trilha sonora composta por arquivos .MIDI vagabundos. Na minha opinião, o filme envelheceu bem, e só alguém muito chato e cabeça oca diria que ele é chato. Entretanto, as diferenças permanecem.

Por fim, gostaria de dizer que, embora considere o primeiro "Exterminador do Futuro" o melhor de toda a série, ele fica melhor ainda depois de se assistir o segundo (que também é muito bom, diga-se de passagem). No primeiro, Sarah Connor é uma mulher normal, que trabalha num lugar meio podre, sai para a balada com a melhor amiga e praticamente borra as calças quando percebe que tem um assassino em sua cola. No segundo, porém, a história é outra: ela é uma máquina de combate, e treina seu filho para ser ainda melhor do que ela para enfrentar seu terrível destino. Essa mudança começa ainda no primeiro filme, quando ela destrói sozinha o que resta do Exterminador (com direito a um One Liner "you're terminated, fucker!") e depois vai para o México comprar armas. Realmente foderoso.

Enfim, "Exterminador do Futuro" é um bom filme, e recomendo a todos que ainda não o assistiram a corrigir este terrível erro em suas vidas o quanto antes, por que foi relançando em DVD, para que nós, filhos do século XXI, possamos assisti-lo em toda sua glória. Vou aproveitar o embalo e os últimos dias de férias para assistir os outros filmes da série, mesmo que não sejam tão bons assim, só pra ver a história evoluir.

domingo, 4 de julho de 2010

A Finaleira do Semestre

Fazer faculdade é tudo de bom, especialmente se tu estudas em uma universidade graúda como a UFRGS - tu tens acesso a livros de graça aos montes através das bibliotecas, faz grandes amigos nas cadeiras, descobre festas bisonhas nos lugares mais estranhos possíveis, compra cerveja barata e conhece um monte de gente bonita e inteligente. Daí chega o final do semestre e tu te lembra por que tu entrou para a faculdade para início de conversa: aprender um ofício.

OK, talvez "aprender um ofício" seja uma maneira capitalística demais de dizer qual a função do ensino superior, além de ser também restrita demais: socializar, conhecer gente nova e se divertir são alguns dos objetivos da faculdade, mas eles são dependentes, pelo menos em parte, da parte séria dela - estudar, fazer trabalhos, fazer provas, passar nas cadeiras e eventualmente se formar e ganhar um diploma.

O grande problema do final de semestre é que ele surge subitamente. Você está lá, bem feliz, lendo seus livros, saindo com seus amigos, dando em cima daquela sua colega bonitinha, quando, de repente, você olha sua agenda e percebe que precisa fazer 5 trabalhos e estudar para 4 provas na mesma semana. Diante de tão tenebrosa missão, você calcula quanto tempo dispõe para fazer tudo de maneira organizada, saudável e que te permita continuar se divertido adequadamente, e conclui que não tem tempo pra mais porra nenhuma. Você até elabora uma escala de horários, se planeja, faz tabelas, promessas e juramentos à Santo Expedito e à Santa Rita de Cássia, e tem certeza de que, se aderir a elas, vai dar tudo certo, mas, então, acontecem duas coisas. Ou você adere, e não dá certo, ou você não adere, e não dá certo também. Por que, veja bem, só há uma coisa certa no final do semestre: você vai se ferrar por causa dele. Então, parafraseando aquele velho ditado, "em caso de prova de Neuroanatomia ou trabalho de Avaliação Psicológica, relaxe e goze!"

Não vou dizer para não se preocupar com o final de semestre, e o tsunami de responsabilidades que vem junto com ele, mas também não vou dizer para você deixar de se divertir por causa dele. Lembre-se, Deus não fez o mundo em 6 dias - ele ficou de coçação por 5 dias e ficou a madrugada inteira do sexto trabalhando. Faça você o mesmo. Agora, com licença que eu tenho mais quatro trabalhos pra entregar terça-feira...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Copa do Mundo II

Brasil perdeu o jogo contra a Holanda. Por um lado, isso é triste, mas, por outro, isso faz com que meu time preferido de todos os tempos deste ano fique mais próximo de ganhar o copa.

FORÇA PARAGUAI!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Quando o Semestre Acabar...

... Eu vou ter um volume obsceno de tempo livre, e não vou saber o que fazer com ele. Prevendo este problema, aqui vai uma lista das coisas que eu pretendo fazer com meu superávit de coçação de saco:

1) Assistir "Tropa de Elite" e "Cidade de Deus";
2) Fazer uma maratona de "Star Wars" e "Star Trek";
3) Ir para o Encontro Nacional de Estudantes de Enfermagem;
4) Ir para o Encontro Nacional de Estudantes de Psicologia;
5) Ler "The Once and Future King";
6) Ler mais Jung, Adler e Freud;
7) Ir mais vezes na Redenção;
8) Ir no Gasômetro perder meu tempo;
9) Ir no Fantaspoa;
10) Comer pastel na Venâncio Aires;
11) Treinar Kung Fu com mais calma;
12) Chamar amigos para ver filmes e comer porcarias;
13) Ler mais sobre Desenvolvimento Humano;
14) Assistir "De Volta para o Futuro";

terça-feira, 29 de junho de 2010

Psicopatologia da Vida Cotidiana no RU

Comi no RU hoje. De novo. Nessas alturas do campeonato, isso não é novidade pra mais ninguém, principalmente pra tia do RU, que me avisa qual caixa eu devo me dirigir. Também não é novidade para ninguém o quanto eu gosto do pudim do RU. Todo mundo que lê esse blog sabe que isso que eu chamo de "pudim" na verdade é uma pasta cremosa, colorida, doce e gostosa, e que eu fico muito feliz quando tem isso no cardápio do dia. Agora, uma coisa que pouca gente sabe é que, quando tem pudim no RU, eu também fico paranóico. Basicamente, meu medo é: se eu deixar minha bandeja aqui e for buscar meu suco (ou água, como tem sido bastante freqüente aqui no Campus do Vale), será que alguma dessas pessoas aqui sentadas não vão meter a colher na minha sobremesa? Eu deixo minha bandeja, vou até o lugar onde se pega o suco, mas vou e volto pensando nisso, tanto que inspeciono atentamente a massa açucarada que há na minha bandeja, para ver se não há marcas de colheres alheias, ou uma diminuição no volume total de gostosura.

Outra coisa que me deixa paranóico em dia de pudim: será que eu ganhei menos pudim que os outros? Eu olho atentamente enquanto a funcionária do RU coloca a minha porção do dia, e depois, comparo com o que os outros freqüentadores do estabelecimento ganharam. Geralmente, acho que ganhei a mesma quantidade, fico feliz e esqueço disso. Entretanto, se desconfio que alguém foi mais abençoado que eu, ou a média da população, fico "cabreiro", como diria o bom e velho Boça. Fico pensando em perseguir esta pessoa, descobrir o que há de especial nela, o que ela faz para merecer tamanha graça, enfim, tento responder a pergunta "PORQUE NÃO EU? PORQUE? Ó SUPREMA INJUSTIÇA!"

...


Exceto nos dias em que eu sou agraciado com uma dose levemente maior do que os demais. Nesses dias, eu gosto de imaginar que alguém que passou do meu lado, olhou para a minha bandeja e pensou "esse cara deve ser especial pra ganhar tanto pudim assim".

No ajojo

Vindo morar em Porto Alegre, eu acabei mudando minha maneira de falar. Claro, não cheguei a adotar completamente o sotaque do Bom Fim, que é ali do lado da minha casa, nem abandonei por completo meu sotaque de gringo da Serra, tanto que largo um "poca voya", "brodo", o clássico "porco ziuna" e o inconfundível "pede pra fulano se não é verdade. Aprendi, no entanto, uma série de termos novos, que creio serem utilizados somente aqui, na Capital.

O primeiro termo foi "teto". Para qualquer outro cidadão desse país, teto é aquela parte da casa que fica sobre sua cabeça. Para o portoalegrense, "teto" também é uma divagação mental, uma "viagem". "Bah meu, tava aqui tetiando sobre ir morar no Canadá e me prostituir pra ganhar a vida" é um exemplo do termo utilizado como verbo. "Teto Véio Loco" é uma maneira particularmente engraçada e enfática de dizer que uma divagação é mais fora do normal que... o normal.

Há também a palavra... OK, talvez eu não tenha aprendido tantas palavras novas assim aqui em Porto Alegre, mas eu queria dar uma enrolada antes de falar da gíria "Ajojo". Para ser sincero, não sei se eu já não conhecia essa aberração gramatical antes de vir morar aqui. Porém, sei que só comecei a dar valor para seu uso por aqui, quando percebi que dizer "tô ajojado" é uma maneira bem descritiva de dizer "estou me sentindo ao mesmo tempo cansado, retardado e incapaz de realizar qualquer tarefa mais complicada que bater com a cara na mesa." Além disso, "ajojado" é engraçado como aquelas palavras que seu afiliado de 3 anos fala na ceia de Natal - quando ele diz é bonitinho, quando você diz, é mongo. Eu me divirto com esse tipo de situação. Prefiro que as pessoas pensem que eu tenho algum tipo de déficit cognitivo, e que eu seria incapaz de escrever meu nome sem trocar alguma letra de lugar.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Sociologia da Copa do Mundo

Neste exato momento, eu deveria estar borrando minhas calças de preocupação por  causa do meu trabalho de Introdução à Sociologia, que apresento hoje à noite e ainda não está totalmente pronto. Entretanto, como eu sou um indivíduo bastante tranqüilo, e como o trabalho vai bem, obrigado, decidi falar de Sociologia em outra área: Copa do Mundo.

Copa do Mundo é um prato cheio pra chamar o brasileiro de alienado, por que é só nessa época que ele se mostra patriota para alguma coisa, e ignora todas as notícias que não contenham a palavra "futebol". O Kibe Loco postou um comentário da notícia que o Judiciário está tentando passar um reajuste de salário para seus funcionários que de tão alto é inconstitucional. Eu poderia falar sobre isso, e sobre milhares de outras coisas que estão acontecendo de ruim no Brasil, mas prefiro falar sobre o esporte mesmo.

Este ano, não estou dando muita bola para a Copa, pelo menos se comparado com as copas anteriores. Em 1994, eu era pequeno demais para entender que diabos estava acontecendo, mas acompanhei os jogos mesmo assim por que todo mundo estava, inclusive as professoras da minha creche, que arranjaram uma TV e nos botaram para torcer pelo Brasil contra a Suécia (o que foi bem confuso, para ser sincero, por que o Brasil estava com o uniforme reserva, que é azul, e a Suécia estava com um uniforme amarelo - o que é demais para a cabeça de um menino de 5 anos compreender). Devo ter visto a final contra a Itália, porém não lembro nada a respeito dela.

Em 1998, a coisa foi bem diferente. Com dez anos, os neurônios responsáveis por jogar futebol já tinham atingido o zênite de seu desenvolvimento e eu era um perna de pau consumado. Ainda assim, acompanhei a Copa na França com paixão, assistindo todos os jogos do Brasil, preenchendo as tabelas de resultado num encarte da Veja e sendo 100% brasileiro em época de copa. Lembro até hoje que foi o Brasil quem abriu o evento, numa partida meio xexelenta contra a Escócia, que teve gol contra e frescurite generalizada. Eu fiquei esperando os escoceses entrassem em campo com os rostos pintados de azul, levantassem seus kilts e mostrassem suas partes púbicas para a torcida canarinho, e ganhassem a partida só na base da humilhação moral. Infelizmente, isto não aconteceu.

Ele deveria ter sido técnico da Escócia.

Lembro-me também da deprimente final contra a França, quando o time brasileiro tomou 3 gols de uma seleção que parecia ganhar os jogos só por que estava em casa (mas aposto que se eles tivessem encarado a Alemanha, teriam perdido por W.O.), do Ronaldo Fenômeno, ainda no auge da forma física, ficar fazendo merda em campo e todas as discussões que eu tive com a professora de português sobre como os resultados para a França ganhar serem tudo "cartas marcadas". Outra coisa que eu nunca esqueci foi a humilhação de ter que aguentar os franceses poderem tirar com a nossa cara por causa do 3X0, e desde então, sempre fiquei muito feliz quando a seleção da França perdia qualquer coisa, mesmo que fosse campeonato de cuspe à distância, e ficava ainda mais feliz quando eram derrotados por uma diferença de 3 ou mais pontos (múltiplos de 3 contam).

Em 2002, a coisa foi mais complicada. Não me lembro de ter assistido todos os jogos, por causa do fuso horário infeliz - afinal de contas, a Copa estava sendo realizada no Japão e na Coréia do Sul, que ficam do outro lado do mundo. Em algum momento, contudo, eu fiz parte da infame "Torcida Coruja" da RBS, e fiquei acordado até às 3 da manhã, empoleirado do lado da TV assistindo qualquer jogo que fosse. O mais marcante dessa copa foi o sentimento de que já tínhamos perdido, antes mesmo dela começar.

O Brasil só se classificou à muito custo, enquanto a Argentina tinha detonado nas Classificatórias, e por isso, tudo referente à nossa seleção era alvo de críticas, principalmente as escolhas do técnico Felipão, que se recusara a chamar Romário para compor a equipe. Já nessa época eu comecei a desenvolver um certo asco daqueles quadros da Globo onde um repórter vai para a rua perguntar qual seria a seleção perfeita, e ver um monte de Zé Ninguém falar como se soubesse mais do assunto do que quem está envolvido com a preparação técnica dos jogadores. Ainda assim, esta foi uma copa muito, muito feliz. Depois de um começo duvidoso, enfrentando times de pouco brilho como China, Turquia e Costa Rica, o Brasil foi avançando, ganhando partidas e confiança, até chegar na final e ter sua vez de entufar uma seleção européia. Infelizmente, não foi a França, e sim a Alemanha, que naquela copa tinha o melhor goleiro de todos, Oliver Kahn.



Kahn, se me lembro bem, só tinha levado 1 gol, em toda a copa, e chegou a dizer que, "jogador boml é aquele que marca quando ELE está na goleira". Tubarão morre pela boca, e a Alemanha perdeu a final de 2002 por 2 a zero. Foi lindo, e tudo ficou mais lindo por que a França, que começou a Copa já se achando campeã, foi desclassificada ainda na primeira fase. Me senti vingado. BRASIL-SIL-SIL! Uma última coisa sobre a Copa do Japão e Coréia. Apesar da Turquia ser um time pouco representativo no futebol mundial, sua seleção jogou muito naquele ano. Na primeira fase, os turcos perderam para os brasileiros por questão de detalhe - aquele tipo de detalhe que vai parar na justiça esportiva por aqui. Porém, como bons inimigos valorosos que os turcos são, eles também se classificaram para as oitavas de final, e nos confrontaram outra vez nas semifinais. Eles foram com sangue nas ventas, querendo vingança pela injusta derrota sofrida. Perderam de novo, mas desta vez não houve dúvida: o Brasil mereceu ganhar.

Enfim, 2002 foi um ótimo ano para ser patriota: Brasil pentacampeão, derrotamos a Alemanha e a França tomou na bunda. 2006 na Alemanha ia ser lindo também, não é? Bem, não foi. Desta vez, foi o Brasil quem entrou de salto alto em campo, e fomos desclassificados nas quartas de final. E, injúria das injúrias, contra os franceses, outra vez! Lembro que tinha recém voltado dos EUA, e estava um pouco indiferente à copa, mas acompanhei pelo menos o jogo contra a França, e, quando ela ganhou, eu torci contra ela pelo resto do mundial. Só fiquei um pouco em dúvida em torcer contra ela na final contra a Itália por que, se a Itália ganhasse, ela seria tetracampeã, e ficaria mais próxima do Brasil em termos de conquistas. Felizmente, Zidane e Materazzi me fizeram esquecer esses detalhes, e nos deram este lindo meme da Cabeçada no Plexo Solar, e eu pude esquecer os detalhes irrelevantes como, quem ganhou a copa.

K.O.!

A derrota em 1998 foi triste, mas não vergonhosa. O mesmo não pode ser dito de 2006. Os jogadores do Brasil se portaram mal durante a copa, jogaram de salto alto e pareciam não se importar em terem perdido ou não. Parreira, então o técnico, que começou a copa com a bola toda, terminou demitido e desmoralizado. Aliás, todo mundo que integrou a seleção em 2006 saiu assim, e não sei de ninguém que conseguiu sair dessa fossa depois.

Exceto o Ronaldo.

OK, falei de todas as minhas copas. Falta a de agora. Bem, é a primeira copa do mundo que ocorre na África, e é a primeira que eu não vi um jogo sequer do Brasil. Sim, eu escutei as vuvuzelas (que pra mim nunca deixarão de ser cornetas), os foguetes, as comemorações dos vizinhos, as pessoas torcendo no Bar do Antônio por algum time obscuro, mas até agora, em nenhum momento eu me prestei a ligar a televisão e ver como a Esquadra Canarinho está se saíndo. O que eu me dei o trabalho de fazer, no entanto, foi o de olhar de tempos em tempos a tabela de resultados no Google. Estou muito feliz com os resultados, por que:

1) França foi desclassificada na primeira fase. De novo.
2) A Itália foi desclassificada na primeira fase. Também.
3) Muitos times sul-americanos se classificaram para as oitavas de final.
4) Muitos times que nunca ganharam copas do mundo se classificaram, como Portugal e Espanha.
5) França foi desclassificada na primeira fase. De novo.
6) Brasil se classificou antecipadamente para a próxima fase.
7) Dunga está mostrando para a Rede Globo quem é que manda. Ele vai se ferrar, mas o que conta é a intenção.
8) Já falei que a França foi desclassificada na primeira fase de novo?

A Alemanha se classificou, e pode ganhar outra copa do mundo e voltar a se igualar à Itália (que foi desclassificada, também, como a França), mas penso que nesta copa teremos resultados diferentes. Gostaria de ver uma seleção diferente ganhar a Copa, e parece que este ano temos uma alta probabilidade disto acontecer.