Forever Young
Composição: Alphaville
Let's dance in style, let's dance for a while
Heaven can wait we're only watching the skies
Hoping for the best but expecting the worst
Are you going to drop the bomb or not?
Let us die young or let us live forever
We don't have the power but we never say never
Sitting in a sandpit, life is a short trip
The music's for the sad men
Can you imagine when this race is won
Turn our golden faces into the sun
Praising our leaders we're getting in tune
The music's played by the mad men
Forever young, i want to be forever young
Do you really want to live forever, forever and ever
Forever young, i want to be forever young
Do you really want to live forever? forever young
Some are like water, some are like the heat
Some are a melody and some are the beat
Sooner or later they all will be gone
Why don't they stay young
It's so hard to get old without a cause
I don't want to perish like a fading horse
Youth's like diamonds in the sun
And diamonds are forever
So many adventures couldn't happen today
So many songs we forgot to play
So many dreams swinging out of the blue
We let them come true
Forever young, i want to be forever young
Do you really want to live forever, forever and ever
Forever young, i want to be forever young
Do you really want to live forever, forever and ever
Forever young, i want to be forever young
Do you really want to live forever?
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Música que me tem feito pensar bastante.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Melhores Músicas da História III
As Provações da Faculdade IX
Está muito mais fácil fazer o relatório agora. É quase prazeiroso. Quase.
O café com leite com gosto de sola de sapato que fiz antes de começar deve estar fazendo efeito.
O café com leite com gosto de sola de sapato que fiz antes de começar deve estar fazendo efeito.
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As Provações da Faculdade VIII
De volta à carga com os relatórios de Processos Grupais I. Agora não posso nem mais reclamar que as observações estão consumindo todo meu tempo.
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terça-feira, 13 de maio de 2008
Músicas Mais Trash da História
Típico exemplo de uma música boa, mas ruim ao mesmo tempo.
E a título de curiosidade: o nome do cidadão que aparece cantando no vídeo é Daler Mehndi, um cantor de música pop indiana. Ele sofrera diversas críticas de que suas músicas eram populares apenas por que os clipes que ele fazia eram abarrotados de gostosas. Para provar que seus críticos estavam enganados, Daler fez um clipe não só sem mulheres gostosas, mas com quatro vezes mais ele. A música fez um sucesso do carilha, na Índia e no mundo.
E eu ainda consigo imitar a corridinha dançada dele.
Dura Vida de Dono-de-Casa
Só não levo a louça daqui de casa pra lavar em Caxias por que não cabe tudo na mochila. Em tempo: as cervejas não são obra minha.
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As Provações da Faculdade VII
Acabei de terminar o trabalho de Processos Institucionais. Faltam só os relatórios de Seminário de Pesquisa em Psicologia. Só 4 relatórios de uma página.
Mas antes de escrevê-los (leia-se "digitar psicobobagens") vou tirar um rápido cochilo. Só espero despertar deste cochilo.
Mas antes de escrevê-los (leia-se "digitar psicobobagens") vou tirar um rápido cochilo. Só espero despertar deste cochilo.
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Wushu
Engraçado. Apesar do Wushu ser um aspecto central em minha vida, escrevo muito pouco sobre ele por aqui. Certamente, tenho muito mais o que escrever sobre Filosofia, Psicologia, Neurociências e assuntos afins, pois há muito mais teoria por trás delas, ao contrário do Wushu, que apesar de basear-se em sólidos fundamentos filosóficos, é muito mais prático do que teórico. No Wushu, tenho muito mais o que fazer.
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Um Desafio Socrático
Acho que cansei de dizer por aqui que mato aula, e que não sinto o menor remorso por isso. OK, eu sinto uma pontinha de remorso, mas isso não vem ao caso. A questão é que na maioria dos casos, matei aula por que não a achava estimulante. Convenhamos, é difícil achar uma senhora de meia idade falando de Lacan com um power point excitante (tem colega meu que acha, mas é por outros motivos). Este um ano e meio de faculdade varreu da existência a minha vergonha na cara, o que me permite tranquilamente levantar-me, sair da sala e só voltar no dia seguinte, pois nem mochila eu levo para as aulas! Então, se a aula é chata, nem preciso pegar nada para ir embora. Minha professora de Psicologia Humanista troçou com isso, e respondi que eu sou existencialmente livre.
Admito que, apesar de em alguns dias não ter nem ao menos me dignado em dar o ar da graça na faculdade, tenho medo de rodar por FF – a infame falta de freqüência, a pior nota que se pode tirar na UFRGS. E admito que, apesar deste medo, não pensava em reconsiderar minha posição: pensava em no máximo aparecer nas aulas, pegar chamada e ir embora logo em seguida.
Entretanto, acontecimentos recentes me fizeram pensar a respeito de minhas atitudes perante as aulas exponenciais. Continuo achando que são chatas, e que me beneficio muito mais de discussões entre pequenos grupos, lendo e escrevendo. Mas foi justamente em discussões que cheguei a conclusão de que posso me beneficiar muito mais ao freqüentar as aulas, e beneficiar meus colegas no processo.
Esse final de semana, o senhor meu pai, psicólogo clínico e professor universitário (em crise), apontou uma incoerência em minhas atitudes. Com o Wushu, faço o possível e o impossível para treinar, faço exercícios em casa, vou na academia em horários ruins, tudo isso para fazer algo que não é tão diferente do que faço na faculdade: ouvir e ver o que outra pessoa tem para me ensinar. Claro, o Wushu é muito mais físico e prático do que a Psicologia, mas o princípio por trás dos dois é o mesmo – disciplina. É necessário disciplina para treinar formas e fazer flexões, mas também é necessário disciplina para permanecer em aula e prestar atenção. Por que desenvolvo apenas uma, e não a outra?
A segunda discussão que mudou muitos de meus conceitos foi com uma amiga minha, veterana e monitora na famigerada disciplina de Processos Grupais I. Além das muitas outras coisas que discutimos por MSN, ela me mostrou uma nova imagem do professor, que desde o início imaginei como dogmático, egocêntrico e agressivo. Segundo ela, o tio Leôncio* é uma pessoa flexível, disposta a rever seus conceitos e crítico. Se não tanto, pelo menos mais do que nós imaginamos. Este professor tem o hábito de nos dar cortaços – dependendo de quem leva, é bem traumático. Para mim, é só um cortaço entre os muitos que já tomei. E essa minha amiga me fez a proposta de discutir mais em aula o assunto tratado, questionar o que o professor diz, ao invés de tentar absorver por osmose o conteúdo.
No fim, percebo mais uma vez que o que me motiva são os desafios. Anteriormente, as aulas não pareciam interessantes por serem tão estáticas e mortas, sem nenhuma possibilidade de aprendizado real. Devo admitir que isto é falso, e que eu era incapaz de perceber todo o potencial nelas encerrado.
Antes desta discussão com minha amiga, fiquei pensando em como manter-me atento nas aulas, sem entediar-me profundamente e sair da sala. A primeira estratégia é dormir. Mas se eu for para a aula para dormir, é melhor nem aparecer no Instituto. A segunda estratégia era ficar desenhando em aula, mas como me conheço, é possível que eu comece a matar aulas para ficar desenhando (já faço disso com alguma freqüência para escrever). A terceira e última alternativa que pensara era encher o saco dos outros em aula. Por encher o saco, não penso em ficar jogando bolinhas de papel embebidas em saliva, ou queimar coisas fedorentas, mas questionar incessantemente. Isso enche muito mais o saco. A bolinha de papel atinge apenas a pele, mas as perguntas bem feitas acertam o coração.
Para ser franco, não sei como fazer isso. Recapitulando as últimas aulas, toda vez que pensava “preciso dizer algo”, nada vinha a minha mente. O que não é surpreendente, diga-se de passagem. Mas não fico pensando muito nisso. Se na hora eu tiver uma pergunta para fazer, farei. Vou ficando melhor com o tempo.
Kierkegaard, antes de abandonar sua antiga vida para dedicar-se à filosofia, chegara a conclusão que no mundo de facilidades em que vivia, era necessário que alguém tornasse as coisas difíceis novamente, para que viver não se tornasse insuportavelmente fácil. Decidiu, então, tornar-se um novo Sócrates, e questionar a essência de tudo e de todos. Pretendo fazer o mesmo, e questionar meus professores e colegas como se nada soubesse, e tudo tivesse para aprender.
Se isso vai mudar minha idéia de que aulas expositivas são chatas? Não, não vai. Até hoje acho fazer flexão uma atividade maçante. Mas com certeza, permanecerei em aula. Eu não consigo recusar um desafio.
*Esse não é o nome dele. Chamo-o assim por que ele é a cara daquela morsa que o Pica-Pau fica atazanando.
Admito que, apesar de em alguns dias não ter nem ao menos me dignado em dar o ar da graça na faculdade, tenho medo de rodar por FF – a infame falta de freqüência, a pior nota que se pode tirar na UFRGS. E admito que, apesar deste medo, não pensava em reconsiderar minha posição: pensava em no máximo aparecer nas aulas, pegar chamada e ir embora logo em seguida.
Entretanto, acontecimentos recentes me fizeram pensar a respeito de minhas atitudes perante as aulas exponenciais. Continuo achando que são chatas, e que me beneficio muito mais de discussões entre pequenos grupos, lendo e escrevendo. Mas foi justamente em discussões que cheguei a conclusão de que posso me beneficiar muito mais ao freqüentar as aulas, e beneficiar meus colegas no processo.
Esse final de semana, o senhor meu pai, psicólogo clínico e professor universitário (em crise), apontou uma incoerência em minhas atitudes. Com o Wushu, faço o possível e o impossível para treinar, faço exercícios em casa, vou na academia em horários ruins, tudo isso para fazer algo que não é tão diferente do que faço na faculdade: ouvir e ver o que outra pessoa tem para me ensinar. Claro, o Wushu é muito mais físico e prático do que a Psicologia, mas o princípio por trás dos dois é o mesmo – disciplina. É necessário disciplina para treinar formas e fazer flexões, mas também é necessário disciplina para permanecer em aula e prestar atenção. Por que desenvolvo apenas uma, e não a outra?
A segunda discussão que mudou muitos de meus conceitos foi com uma amiga minha, veterana e monitora na famigerada disciplina de Processos Grupais I. Além das muitas outras coisas que discutimos por MSN, ela me mostrou uma nova imagem do professor, que desde o início imaginei como dogmático, egocêntrico e agressivo. Segundo ela, o tio Leôncio* é uma pessoa flexível, disposta a rever seus conceitos e crítico. Se não tanto, pelo menos mais do que nós imaginamos. Este professor tem o hábito de nos dar cortaços – dependendo de quem leva, é bem traumático. Para mim, é só um cortaço entre os muitos que já tomei. E essa minha amiga me fez a proposta de discutir mais em aula o assunto tratado, questionar o que o professor diz, ao invés de tentar absorver por osmose o conteúdo.
No fim, percebo mais uma vez que o que me motiva são os desafios. Anteriormente, as aulas não pareciam interessantes por serem tão estáticas e mortas, sem nenhuma possibilidade de aprendizado real. Devo admitir que isto é falso, e que eu era incapaz de perceber todo o potencial nelas encerrado.
Antes desta discussão com minha amiga, fiquei pensando em como manter-me atento nas aulas, sem entediar-me profundamente e sair da sala. A primeira estratégia é dormir. Mas se eu for para a aula para dormir, é melhor nem aparecer no Instituto. A segunda estratégia era ficar desenhando em aula, mas como me conheço, é possível que eu comece a matar aulas para ficar desenhando (já faço disso com alguma freqüência para escrever). A terceira e última alternativa que pensara era encher o saco dos outros em aula. Por encher o saco, não penso em ficar jogando bolinhas de papel embebidas em saliva, ou queimar coisas fedorentas, mas questionar incessantemente. Isso enche muito mais o saco. A bolinha de papel atinge apenas a pele, mas as perguntas bem feitas acertam o coração.
Para ser franco, não sei como fazer isso. Recapitulando as últimas aulas, toda vez que pensava “preciso dizer algo”, nada vinha a minha mente. O que não é surpreendente, diga-se de passagem. Mas não fico pensando muito nisso. Se na hora eu tiver uma pergunta para fazer, farei. Vou ficando melhor com o tempo.
Kierkegaard, antes de abandonar sua antiga vida para dedicar-se à filosofia, chegara a conclusão que no mundo de facilidades em que vivia, era necessário que alguém tornasse as coisas difíceis novamente, para que viver não se tornasse insuportavelmente fácil. Decidiu, então, tornar-se um novo Sócrates, e questionar a essência de tudo e de todos. Pretendo fazer o mesmo, e questionar meus professores e colegas como se nada soubesse, e tudo tivesse para aprender.
Se isso vai mudar minha idéia de que aulas expositivas são chatas? Não, não vai. Até hoje acho fazer flexão uma atividade maçante. Mas com certeza, permanecerei em aula. Eu não consigo recusar um desafio.
*Esse não é o nome dele. Chamo-o assim por que ele é a cara daquela morsa que o Pica-Pau fica atazanando.
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segunda-feira, 12 de maio de 2008
E no próximo episódio...
Amanhã, depois do Kung Fu, é pau e corda fazer quatro relatórios de Seminário de Pesquisa em Psicologia, um relatório de Processos Grupais e um trabalho de Processos Institucionais.
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Grasshopper's Way
Esta sexta-feira, treinei na minha antiga academia em Caxias do Sul. Pensava em fazer isso havia um bom tempo, mas nunca encontrava a disposição para matar a aula de sexta-feira e sair de Porto Alegre. Fiz isto semana passada, e parece que o universo conspirou a meu favor. De manhã, quando me dirigia ao dentista, encontrei meu velho professor, que depois de jogar um pouco de conversa fora, perguntou-me se não eu não gostaria de treinar por lá. Aceitei na hora.
Foi um treino bem mais curto do que estou acostumado – uma hora, contra uma hora e meia de sempre em Porto Alegre. Fiquei com uma sensação de faltar alguma coisa, como mais tempo para fazer técnicas, e uma parte física completa. Não pense o leitor, porém, que não me cansei: repetir o mesmo chute ad nauseam é mais cansativo do que lembrava.
Com este pequeno desvio de rota, pude treinar com supervisão e revisar algumas técnicas que me deixavam em dúvida. Entretanto, não foi essa a grande vantagem do treino de sexta.
Pude relembrar como as coisas eram quando comecei a treinar Kung Fu. Refiro-me tanto à academia, como local de treino e socialização, quanto a mim mesmo, e a meu professor. Ele parece ter uma tendência a pegar mais pesado com os novos, não fisicamente (até por que, para quem está recém começando a treinar, qualquer coisa física é pesada), mas verbalmente. Um advogado poderia dizer que ele quase agride psicologicamente os faixas brancas. Quando eu próprio era um deles, tinha que ouvir todos os treinos algo como “tá horrível!”, “credo!” ou o clássico “pensa numa coisa horrível, e multiplica por 10: é isso aí o que tu fez agora”.
Não tenho muita certeza dos números, mas acredito que na academia em Caxias, haja em torno de 100 alunos. Desses, 70 são alunos passionais – começaram a treinar, mas dificilmente irão passar da faixa branca ou irão muito longe na faixa amarela. Os outros 30 são um núcleo duro, que treina há pelo menos três anos. Entrei para o Kung Fu em 2003, e devo dizer que, dos muitos que posso considerar sendo da “minha turma”, eu era o pior em muitos aspectos: demorava para entender as técnicas, facilmente divagava ou conversava com outros durante o treino, retrucava o que o professor dizia, e fui o que mais demorou para trocar de faixa (além de ter dado um pequeno vexame no exame). Mas sou o único que continua treinando até hoje. Não quero diminuir o valor dos colegas que desistiram – provavelmente tiveram bons motivos para tanto. Mas definitivamente, eu era um “azarão”, e continuei treinando sabe-se lá por que. Mas continuo. Aos trancos e barrancos, frequentemente deixando a peteca cair, mas nunca desistindo.
No primeiro episódio de um famoso seriado dos anos 70, Kung Fu, aparecia como o personagem principal fora aceito como discípulo no Templo Shaolin. Ele esperou sentado, de baixo de sol escaldante, de chuva congelante, com todo tipo de distração ao seu redor, os portões do templo se abrirem para ele. No fim, o grande mestre o aceitou. Acho que, de uma forma ou de outra, todos aqueles que seguem uma arte marcial passam por similar calvário: cansaço, humilhação, sensação de poder estar em um lugar mais divertido. É aí que muitos viram suas costas e voltam para o mundo; permanecem apenas aqueles que não buscam apenas novas sensações, mas um sentido novo para suas vidas. No meu caso, a espera era uma aparente humilhação. Mas logo que se vence este obstáculo, o despeito transforma-se em respeito contido, uma verdadeira admiração do professor pela persistência de continuarmos treinando, apesar do cansaço e do deboche.
Pode não ser uma coisa consciente, mas acho que, por mais que sejam os 70 inconstantes que coloquem comida na mesa do meu antigo professor, são os outros 30 que o mantém dando aula – e que nos tornemos parte destes 30 é o que ele busca que nos tornemos. E eu sou um deles. Pelo menos até o momento.
Foi um treino bem mais curto do que estou acostumado – uma hora, contra uma hora e meia de sempre em Porto Alegre. Fiquei com uma sensação de faltar alguma coisa, como mais tempo para fazer técnicas, e uma parte física completa. Não pense o leitor, porém, que não me cansei: repetir o mesmo chute ad nauseam é mais cansativo do que lembrava.
Com este pequeno desvio de rota, pude treinar com supervisão e revisar algumas técnicas que me deixavam em dúvida. Entretanto, não foi essa a grande vantagem do treino de sexta.
Pude relembrar como as coisas eram quando comecei a treinar Kung Fu. Refiro-me tanto à academia, como local de treino e socialização, quanto a mim mesmo, e a meu professor. Ele parece ter uma tendência a pegar mais pesado com os novos, não fisicamente (até por que, para quem está recém começando a treinar, qualquer coisa física é pesada), mas verbalmente. Um advogado poderia dizer que ele quase agride psicologicamente os faixas brancas. Quando eu próprio era um deles, tinha que ouvir todos os treinos algo como “tá horrível!”, “credo!” ou o clássico “pensa numa coisa horrível, e multiplica por 10: é isso aí o que tu fez agora”.
Não tenho muita certeza dos números, mas acredito que na academia em Caxias, haja em torno de 100 alunos. Desses, 70 são alunos passionais – começaram a treinar, mas dificilmente irão passar da faixa branca ou irão muito longe na faixa amarela. Os outros 30 são um núcleo duro, que treina há pelo menos três anos. Entrei para o Kung Fu em 2003, e devo dizer que, dos muitos que posso considerar sendo da “minha turma”, eu era o pior em muitos aspectos: demorava para entender as técnicas, facilmente divagava ou conversava com outros durante o treino, retrucava o que o professor dizia, e fui o que mais demorou para trocar de faixa (além de ter dado um pequeno vexame no exame). Mas sou o único que continua treinando até hoje. Não quero diminuir o valor dos colegas que desistiram – provavelmente tiveram bons motivos para tanto. Mas definitivamente, eu era um “azarão”, e continuei treinando sabe-se lá por que. Mas continuo. Aos trancos e barrancos, frequentemente deixando a peteca cair, mas nunca desistindo.
No primeiro episódio de um famoso seriado dos anos 70, Kung Fu, aparecia como o personagem principal fora aceito como discípulo no Templo Shaolin. Ele esperou sentado, de baixo de sol escaldante, de chuva congelante, com todo tipo de distração ao seu redor, os portões do templo se abrirem para ele. No fim, o grande mestre o aceitou. Acho que, de uma forma ou de outra, todos aqueles que seguem uma arte marcial passam por similar calvário: cansaço, humilhação, sensação de poder estar em um lugar mais divertido. É aí que muitos viram suas costas e voltam para o mundo; permanecem apenas aqueles que não buscam apenas novas sensações, mas um sentido novo para suas vidas. No meu caso, a espera era uma aparente humilhação. Mas logo que se vence este obstáculo, o despeito transforma-se em respeito contido, uma verdadeira admiração do professor pela persistência de continuarmos treinando, apesar do cansaço e do deboche.
Pode não ser uma coisa consciente, mas acho que, por mais que sejam os 70 inconstantes que coloquem comida na mesa do meu antigo professor, são os outros 30 que o mantém dando aula – e que nos tornemos parte destes 30 é o que ele busca que nos tornemos. E eu sou um deles. Pelo menos até o momento.
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sexta-feira, 9 de maio de 2008
Nota para a próxima vinda para Caxias
Copiar para o pendrive os textos escritos pela metade para o blog.
Vida Dura (Parte 10)
Como estudante universitário, eu preciso ler muito. Muito. Muito. Se leio duas horas em um dia acho pouco. E o que leio geralmente se divide entre livros e xerox. Os livros eu trago de casa, consigo emprestado de algum amigo ou pego na biblioteca (1). Com os polígrafos (nome bonito para xerox) a coisa é um pouco diferente. Os professores passam muito conteúdo (mas discutem sempre a mesma merda), e disponibilizam fotocópias de seus livros em pastas no infame “Ponto das Capas”, o xerox mais importante do Campus Saúde – é lá que professores da FABICO, Medicina, Farmácia, Enfermagem e Psicologia deixam os materiais para os alunos.
Apesar de serem quantitativamente iguais, livros e polígrafos são qualitativamente diferentes. Se eu saio com um livro como “Vigiar e Punir” ou “O Erro de Descartes” de baixo do braço na rua e faço uma cara séria, quem olhar para mim vai pensar “nossa, como é intelectual”. Agora, se eu tirar um xerox destes mesmos livros e sair com ele a tiracolo na rua, as pessoas vão pensar na melhor das hipóteses “o que esse cara tá fazendo com esse monte de papel grampeado?”, e na pior “esse infrator das leis dos direitos autorais e assassino de árvores!” Como diria uma amiga minha, “é soda”.
Fotocopiar livros é infração da lei, mas ninguém ali parece se importar – é mais fácil para os professores, que não precisam emprestar livros (ou consegui-los para a biblioteca), e os alunos se conformam. Vai ver que é assim por que a Brigada Militar não tem jurisdição em território federal, e não pode fazer batida ali dentro (na PUCRS são outros quinhentos).
E xerox é um gasto violento para nós, futuros psicólogos. Temos uma overdose de teoria nos primeiros semestres, o que nos obriga a ler feito condenados, e portanto, somos reféns do xerox. Os caras que trabalham lá já chamam a gente pelo nome, de tanto que ficamos lá, deixando nosso dinheiro se esvair.
Esse semestre poupei bastante dinheiro, pois verifiquei a bibliografia das cadeiras, e vi em casa se não tinha nenhum que se aproveitasse. Consegui uns cinco ou seis livros. Ainda assim, gasto pelo menos 30 reais por mês. Ainda bem que não pago mensalidade, caso contrário estaria fodido.
Apesar de serem quantitativamente iguais, livros e polígrafos são qualitativamente diferentes. Se eu saio com um livro como “Vigiar e Punir” ou “O Erro de Descartes” de baixo do braço na rua e faço uma cara séria, quem olhar para mim vai pensar “nossa, como é intelectual”. Agora, se eu tirar um xerox destes mesmos livros e sair com ele a tiracolo na rua, as pessoas vão pensar na melhor das hipóteses “o que esse cara tá fazendo com esse monte de papel grampeado?”, e na pior “esse infrator das leis dos direitos autorais e assassino de árvores!” Como diria uma amiga minha, “é soda”.
Fotocopiar livros é infração da lei, mas ninguém ali parece se importar – é mais fácil para os professores, que não precisam emprestar livros (ou consegui-los para a biblioteca), e os alunos se conformam. Vai ver que é assim por que a Brigada Militar não tem jurisdição em território federal, e não pode fazer batida ali dentro (na PUCRS são outros quinhentos).
E xerox é um gasto violento para nós, futuros psicólogos. Temos uma overdose de teoria nos primeiros semestres, o que nos obriga a ler feito condenados, e portanto, somos reféns do xerox. Os caras que trabalham lá já chamam a gente pelo nome, de tanto que ficamos lá, deixando nosso dinheiro se esvair.
Esse semestre poupei bastante dinheiro, pois verifiquei a bibliografia das cadeiras, e vi em casa se não tinha nenhum que se aproveitasse. Consegui uns cinco ou seis livros. Ainda assim, gasto pelo menos 30 reais por mês. Ainda bem que não pago mensalidade, caso contrário estaria fodido.
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