Como já disse no meu primeiro post neste blog, tenho considerado a idéia de criar um blog só meu já faz algum tempo. E eu também tenho considerado há já faz algum tempo também a idéia de republicar os melhores textos que escrevi para o R&A. Antigamente eu apenas idealizava essa possibilidade, mas agora que vou realmente fazer isso, fiquei em dúvida.
Não sabia bem se publicava-os aqui, e apenas colocava uma nota no final de cada post sobre a data original de publicação no R&A, ou se mantinha tudo igual, e fazia meu blog parecer mais antigo do que é.
Decidi que vou postá-los aqui como se tivessem sido postados em 2006 e 2007. Não é o mesmo blog, mas a história não é estanque, mas um contínuo, pois ainda fui eu quem os escreveu e quem escreve aqui. Podem não ter sido escritos originalmente para o Espadachim, mas eu continuo sendo um blogueiro. De certa forma, é como o Inconsciente Coletivo de Jung ou a reencarnação: muda o corpo, mantem-se as memórias. Admito que as memórias no caso do Inconsciente Coletivo e na reencarnação são muito mais vagas e simbólicas do que copiar e colar um texto de um blog para outro, mas poeticamente é a mesma coisa.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Rotina de Treino
Para quem algum dia pensou quais são os exercícios que pratico todos os dias para manter-me em forma, aqui vai a lista e a ordem de prática mais recente:
Primeira Parte
Aquecimento
Alongamento
Corrida - resistência ou velocidade
Segunda Parte
Resistência em Ponte
Abdominais Frontais
Flexões
- Palmas rentes ao tronco
- Palmas afastadas do tronco
- Palmas em triângulo
- Na ponta dos dedos
- Punhos cerrados
- Sobre um nó das mãos
Abdominais laterais
Terceira Parte
Treino de Kung Fu
- Formas e Armas
- Chutes e Lutas Ensaiadas
- Garras e Técnicas Simples
Quarta Parte
Barras
- Mãos para dentro
- Mãos para fora
- Braços estendidos
Resistência em Bananeira
Resistência em Base Cavalo
Primeira Parte
Aquecimento
Alongamento
Corrida - resistência ou velocidade
Segunda Parte
Resistência em Ponte
Abdominais Frontais
Flexões
- Palmas rentes ao tronco
- Palmas afastadas do tronco
- Palmas em triângulo
- Na ponta dos dedos
- Punhos cerrados
- Sobre um nó das mãos
Abdominais laterais
Terceira Parte
Treino de Kung Fu
- Formas e Armas
- Chutes e Lutas Ensaiadas
- Garras e Técnicas Simples
Quarta Parte
Barras
- Mãos para dentro
- Mãos para fora
- Braços estendidos
Resistência em Bananeira
Resistência em Base Cavalo
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Expressões do Inglês que deveriam ser criadas para o Português
Ao contrário de muitos de meus colegas, considero a língua inglesa de grande beleza. Não só isso, mas também de grande funcionalidade e capacidade de comunicação. Tanto que acho que alguns de seus termos, por serem extremamente precisos e úteis, deveriam ser adaptados para serem usados por falantes de língua portuguesa.
Um desses termos é "utter crap". A tradução para o português ficaria algo como "suprema porcaria". É uma tradução literal, e eu diria que até tem o mesmo significado nos dois idiomas, mas pessoalmente não acho que tenha o mesmo impacto.
"Dumbass" significa "imbecil" ou "idiota", mas estas duas palavras juntas não tem o mesmo impacto ofensivo que a explosão verbal "you fucking dumbass!" tem. Aliás, precisamos de uma tradução mais acurada para o termo "fucking" quando ele é utilizado como adjetivo. Ou vocês acham que "pega essa merda de lápis e enfia na bosta do teu cu" tem a mesma beleza que "pick this fucking pencil and shove up your fucking ass, dipshit"?
"Dipshit" merece atenção. Em inglês, o verbo "to dip" significa mergulhar, mas só "dip" é utilizado para nomear aqueles patês de coquetel onde mergulhamos pedacinhos de pão ou biscoito. E "shit" é merda pura e simples. Portanto, um dipshit seria alguém como características de um patê de merda - mais especificamente seu cérebro, já que segundo o Urban Dictionary, "dipshit" é uma pessoa com um enorme poder de dizer o óbvio, ou ser completamente retardado por natureza (e segundo muitos, um sinônimo para o atual presidente dos EUA, George W. Bush).
E, last, but not least (último, mas não menos importante - essa frase também não faz justiça para seu correlato em inglês), a expressão "for fuck's sake!". Muito utilizada no lugar de "for God's sake!" ("pelo amor/graça/ em nome de Deus!"), mas com o intuito de chocar e humilhar, como na oração "for fuck's sake, Chris, why don't you shove your fucking notebook in your moma's big blubbering vagina?!"
E por hoje é isso.
Um desses termos é "utter crap". A tradução para o português ficaria algo como "suprema porcaria". É uma tradução literal, e eu diria que até tem o mesmo significado nos dois idiomas, mas pessoalmente não acho que tenha o mesmo impacto.
"Dumbass" significa "imbecil" ou "idiota", mas estas duas palavras juntas não tem o mesmo impacto ofensivo que a explosão verbal "you fucking dumbass!" tem. Aliás, precisamos de uma tradução mais acurada para o termo "fucking" quando ele é utilizado como adjetivo. Ou vocês acham que "pega essa merda de lápis e enfia na bosta do teu cu" tem a mesma beleza que "pick this fucking pencil and shove up your fucking ass, dipshit"?
"Dipshit" merece atenção. Em inglês, o verbo "to dip" significa mergulhar, mas só "dip" é utilizado para nomear aqueles patês de coquetel onde mergulhamos pedacinhos de pão ou biscoito. E "shit" é merda pura e simples. Portanto, um dipshit seria alguém como características de um patê de merda - mais especificamente seu cérebro, já que segundo o Urban Dictionary, "dipshit" é uma pessoa com um enorme poder de dizer o óbvio, ou ser completamente retardado por natureza (e segundo muitos, um sinônimo para o atual presidente dos EUA, George W. Bush).
E, last, but not least (último, mas não menos importante - essa frase também não faz justiça para seu correlato em inglês), a expressão "for fuck's sake!". Muito utilizada no lugar de "for God's sake!" ("pelo amor/graça/ em nome de Deus!"), mas com o intuito de chocar e humilhar, como na oração "for fuck's sake, Chris, why don't you shove your fucking notebook in your moma's big blubbering vagina?!"
E por hoje é isso.
Posts antigos
Decidi republicar aqui os melhores posts que escrevi para o R&A. Para manter a fidelidade histórica deles, manterei também a data de publicação. Mas, para que não ocorram problemas de organização ou confusão de novos leitores, marquei o primeiro post deste blog como Marco Zero, e os posts republicados serão marcados com "História Antiga".
Obsessões - Part Deux
Fiz uma análise da qualidade dos meus posts no Roqueiro & Alcoólatra. Apenas 50 de 300 me pareceram realmente bons. Pretendo republicá-los aqui já que são meus de qualquer jeito, com a única diferença que colocarei a data de postagem original.
Isso com certeza vai aumentar o volume da Memória.
Isso com certeza vai aumentar o volume da Memória.
Obsessões
Até agora, o assunto mais recorrente neste blog são minhas cagadas no outro blog, o Roqueiro & Alcoólatra, com minha obsessão com o número de posts. Estou gostando de escrever aqui, mas sempre que olho para o arquivo do Espadachim, me sinto entristecido pelo pouco volume de conteúdo. Isso vai mudar com o tempo, claro, mas o tempo leva tempo pra passar.
Eu adoro entrar no R&A só para ver o DeLorean Voador, nome muito bem escolhido por Huginn, por ser um meio de transporte para o passado, pelo menos para o nosso passado até o começo de 2006. Eu adoro ficar olhando para o número de posts que temos lá, e adoro ficar fazendo análises estatísticas e vendo quanto mais eu produzi que todos os outros juntos. Até inventei a frescura de que cada postador deveria pôr marcadores com seu nome em cada post novo, só para eu poder contar com maior facilidade. Muito nobre da minha parte, não?
Gosto de ver quanto nós, especialmente eu, produzimos. Ver que estamos entrando no nosso terceiro ano de negócio, e que janeiro foi o mês mais produtivo (pelo menos em números) de toda a existência do R&A.
Não sei por que sinto essa atração pela enormeregurgitação produção de posts. Não obtenho o mesmo prazer quando olho o arquivo de blogs de outras pessoas. Acho que não gosto dos números e do volume em si, mas de pensar que eu ajudei a criar tudo aquilo que há no R&A. Tendo um pouco de auto-crítica, lembro-me de que, apesar de ter feito muitas atualizações de excelente qualidade, a maioria deles são imagens, vídeos e copypastas de notícias com um comentário meu. Não tenho muita certeza desta afirmação. Poderia conferir mas não acho que valha a pena e estou com preguiça. Garanto que muitas vezes escrevi ou fiz atualizações apenas por senso de obrigação, e que além de só sair porcarias, acabava me machucando. Até agora, tem acontecido justamente o contrário aqui com o EC: de minuto em minuto tenho idéias muito boas para posts novos. Isso se deve ao novo nome do blog, ou à uma mudança de atitude mais profunda, da qual a escolha do nome deste blog foi apenas um reflexo?
Eu adoro entrar no R&A só para ver o DeLorean Voador, nome muito bem escolhido por Huginn, por ser um meio de transporte para o passado, pelo menos para o nosso passado até o começo de 2006. Eu adoro ficar olhando para o número de posts que temos lá, e adoro ficar fazendo análises estatísticas e vendo quanto mais eu produzi que todos os outros juntos. Até inventei a frescura de que cada postador deveria pôr marcadores com seu nome em cada post novo, só para eu poder contar com maior facilidade. Muito nobre da minha parte, não?
Gosto de ver quanto nós, especialmente eu, produzimos. Ver que estamos entrando no nosso terceiro ano de negócio, e que janeiro foi o mês mais produtivo (pelo menos em números) de toda a existência do R&A.
Não sei por que sinto essa atração pela enorme
Comentários sobre a blogosfera
Eu me sinto fortemente fascinado pela blogosfera, especialmente no que diz respeito à motivação dos blogueiros. Pessoalmente, não penso que ela seja muito nobre ou elevada. Costumo imaginar que a única, ou pelo menos maior, razão que leva uma pessoa normal a criar um blog e preenchê-lo com abobrinhas é para afagar seu próprio ego. Para, depois de um deplorável dia de trabalho ou faculdade, que possam chegar em casa e descontar toda sua raiva e frustração com posts intitulados "Minha chefe é uma cadela" e "meus professores são uns merdas". Melhor que poder avacalhar tanto quanto possível com seus superiores, é poder dizer para os amigos, seja pessoalmente ou pela mensagem pessoal do MSN, que "o blog está atualizado". Percebam que isso é muito válido para este que vos escreve, especialmente a parte do "atualizado".
Claro, claro, devem existir pessoas por aí que fazem mais do que isso, e que têm motivos diferentes para manter um blog. Vejam o Alon por exemplo. Ele mantêm um blog sobre política, atualizado constantemente por que ele realmente deseja uma via mais rápida, direta e democrática (apesar de ele moderar os comentários) para se comunicar com os demais interessados pelo assunto. Não tenho certeza se ele ganha algum por fora por toda essa brincadeira, mas caso não ganhe, digo que ele pelo menos mereceria.
No caso do Kibe Loco e do Jacaré Banguela, tenho certeza de que eles compram o leite das crianças e sua própria cachaça com os seus sites. Eles sim atualizam quase todos os dias, e quando não atualizam, não perdem tempo em se justificar. O Cocadaboa é um pouco diferente, já que o Mr. Manson tá pouco se lixando para as atualizações (ele diria que é justamente o contrário, mas ações valem mais do que palavras), mas ele tira uns pilas do site (mais especificamente das propagandas que ele mantêm ali).
Poderia citar muitos outros casos parecidos com os destes web entrepreneurs, mas a grande maioria dos blogueiros é anônima, e não tira um puto de seu árduo trabalho. De meus amigos que mantêm ou mantinham blogs, lembro principalmente de sua grande satisfação em afirmar que tinha acabado de colocar um texto novo em sua página, como um jornalista se sentiria se conseguisse entrevistar Jesus Cristo e publicar no New York Times (parto do princípio que a entrevista seja legítima). Como se alguém se importasse.
Pelo menos eu me importo. Sempre leio o que eles escrevem. Tá, admito que várias vezes simplesmente pulava a atenção de duas em duas linhas, mas geralmente eu voltava mais tarde para ler tudo, com bastante atenção.
Contudo, existem caras como eu. Não somos imunes à húbris, a insolência ou arrogância, considerada pelos gregos antigos como o maior dos pecados, mas temos uma relação completamente diferente com a blogosfera. O motivo maior para publicar seus textos na internet é o prazer de escrever, apertar botão "publicar postagem" e ver seus trabalhos se empilharem de forma ordenada. Ler comentários é muito bacana, mas é apenas um efeito colateral muito bem-vindo. Para exemplificar, já escrevo meu terceiro post para o Espadachim Cego, e até agora não me dei o menor trabalho de divulgá-lo para meus amigos. Deve ser preguiça. Mas acho que a mera possibilidade de poder escrever e publicar o que penso, mesmo que ninguém nunca leia, é bem agradável.
Claro, claro, devem existir pessoas por aí que fazem mais do que isso, e que têm motivos diferentes para manter um blog. Vejam o Alon por exemplo. Ele mantêm um blog sobre política, atualizado constantemente por que ele realmente deseja uma via mais rápida, direta e democrática (apesar de ele moderar os comentários) para se comunicar com os demais interessados pelo assunto. Não tenho certeza se ele ganha algum por fora por toda essa brincadeira, mas caso não ganhe, digo que ele pelo menos mereceria.
No caso do Kibe Loco e do Jacaré Banguela, tenho certeza de que eles compram o leite das crianças e sua própria cachaça com os seus sites. Eles sim atualizam quase todos os dias, e quando não atualizam, não perdem tempo em se justificar. O Cocadaboa é um pouco diferente, já que o Mr. Manson tá pouco se lixando para as atualizações (ele diria que é justamente o contrário, mas ações valem mais do que palavras), mas ele tira uns pilas do site (mais especificamente das propagandas que ele mantêm ali).
Poderia citar muitos outros casos parecidos com os destes web entrepreneurs, mas a grande maioria dos blogueiros é anônima, e não tira um puto de seu árduo trabalho. De meus amigos que mantêm ou mantinham blogs, lembro principalmente de sua grande satisfação em afirmar que tinha acabado de colocar um texto novo em sua página, como um jornalista se sentiria se conseguisse entrevistar Jesus Cristo e publicar no New York Times (parto do princípio que a entrevista seja legítima). Como se alguém se importasse.
Pelo menos eu me importo. Sempre leio o que eles escrevem. Tá, admito que várias vezes simplesmente pulava a atenção de duas em duas linhas, mas geralmente eu voltava mais tarde para ler tudo, com bastante atenção.
Contudo, existem caras como eu. Não somos imunes à húbris, a insolência ou arrogância, considerada pelos gregos antigos como o maior dos pecados, mas temos uma relação completamente diferente com a blogosfera. O motivo maior para publicar seus textos na internet é o prazer de escrever, apertar botão "publicar postagem" e ver seus trabalhos se empilharem de forma ordenada. Ler comentários é muito bacana, mas é apenas um efeito colateral muito bem-vindo. Para exemplificar, já escrevo meu terceiro post para o Espadachim Cego, e até agora não me dei o menor trabalho de divulgá-lo para meus amigos. Deve ser preguiça. Mas acho que a mera possibilidade de poder escrever e publicar o que penso, mesmo que ninguém nunca leia, é bem agradável.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Meu Erro Mais Recente
Em seu livro auto-biográfico "Minhas Experiências com a Verdade", Mahatma Gandhi fala obviamente de sua vida, mas de um ângulo que a maioria de nós ocidentais não compreenderia. Ao invés de falar de seus sucessos, ele preferiu falar de seus fracassos como pessoa.
Pretendo fazer o mesmo aqui, mas para poupar nosso precioso tempo, falarei apenas de minha última burrada (ou pelo menos, aquela que identifico como sendo a última antes da próxima). Acho que farei disso um hábito, e criarei uma série de posts falando das minhas mais recentes cagadas, para que eu me mantenha humilde.
Como falei em meu post anterior, frustrei minha colega de blog e amiga por causa de minha obsessão com atualizações. Sinto-me mal por isso, pois eu poderia ter evitado isto de ter acontecido. Ou assim prefiro acreditar. Escrevi um texto falando de como me sentia a respeito de meus colegas não atualizarem o blog com a mesma freqüência que eu. Fiz questão de ressaltar que, dos quatro, apenas eu sou desempregado (um termo melhor seria "estudante em tempo integral", se levarmos em conta o fato de que eu nunca tive um trabalho remunerado e com carteira assinada), o que justifica meu excessivo tempo livre, devidamente ocupado com treinamento, leituras e endless internet ranting (infindável choradeira pela internet). Como disse anteriormente, minha preocupação era única e exclusivamente a média diária de posts no R&A. E para alcançar uma média de três posts diários, eu estuprei a mim mesmo. É isso aí. Não consigo pensar em termos melhores. Afinal, para alguém que gosta de escrever artigos filosóficos que beiram o prolixo, ficar colocando imagens bobinhas em seu próprio blog (o R&A não é meu de facto, mas vocês entendem) é uma violência.
Além da auto-mutilação, consegui machucar outros, pois esqueci que quem tinha se agarrado a idéia de três posts diários fui eu, e só eu. Os outros não sabem ler meus pensamentos (e olha que eu tenho uma personalidade quase transparente). Meu post reclamando do mal-estar que sentia não era ofensivo, tenho certeza. Mas como qualquer coisa no mundo ele está aberto para interpretações, e ele foi visto como algo ruim. Essa minha colega de R&A sentiu-se desanimada depois do texto, e não sei bem se deveria estar falando sobre isso aqui, considerando que ela prefere "lavar a roupa suja em casa".
Mas minha personalidade é diferente da dela nesse quesito. Se ela tivesse publicado suas reclamações contra mim, eu teria ficado sabendo deste problema mais cedo, e poderíamos ter conversado melhor a respeito disso. Já mandei um e-mail para ela esclarecendo a situação, mas não tenho bem certeza de quando ela o lerá.
Admito que fui em parte responsável pelo desânimo dela, pois fui eu quem atirou merda no ventilador para começo de conversa. Mas, como existencialista que sou, ainda acredito que a maior responsável por este desânimo e tristeza é ela mesma. Não quero jogar tudo no colo dela, dizer "a culpa é tua!" e fingir indignação. Até por que se isso adiantasse, ninguém no mundo brigaria. Vou tentar arrumar a mancada que fiz. Já pedi desculpas para ela no e-mail, expliquei minhas intenções e expliquei que nunca foi meu objetivo entristecer ninguém. E, se conheço ela, ficará tudo bem novamente quando ela responder meu e-mail.
Mas até lá, só resta esperar.
Pretendo fazer o mesmo aqui, mas para poupar nosso precioso tempo, falarei apenas de minha última burrada (ou pelo menos, aquela que identifico como sendo a última antes da próxima). Acho que farei disso um hábito, e criarei uma série de posts falando das minhas mais recentes cagadas, para que eu me mantenha humilde.
Como falei em meu post anterior, frustrei minha colega de blog e amiga por causa de minha obsessão com atualizações. Sinto-me mal por isso, pois eu poderia ter evitado isto de ter acontecido. Ou assim prefiro acreditar. Escrevi um texto falando de como me sentia a respeito de meus colegas não atualizarem o blog com a mesma freqüência que eu. Fiz questão de ressaltar que, dos quatro, apenas eu sou desempregado (um termo melhor seria "estudante em tempo integral", se levarmos em conta o fato de que eu nunca tive um trabalho remunerado e com carteira assinada), o que justifica meu excessivo tempo livre, devidamente ocupado com treinamento, leituras e endless internet ranting (infindável choradeira pela internet). Como disse anteriormente, minha preocupação era única e exclusivamente a média diária de posts no R&A. E para alcançar uma média de três posts diários, eu estuprei a mim mesmo. É isso aí. Não consigo pensar em termos melhores. Afinal, para alguém que gosta de escrever artigos filosóficos que beiram o prolixo, ficar colocando imagens bobinhas em seu próprio blog (o R&A não é meu de facto, mas vocês entendem) é uma violência.
Além da auto-mutilação, consegui machucar outros, pois esqueci que quem tinha se agarrado a idéia de três posts diários fui eu, e só eu. Os outros não sabem ler meus pensamentos (e olha que eu tenho uma personalidade quase transparente). Meu post reclamando do mal-estar que sentia não era ofensivo, tenho certeza. Mas como qualquer coisa no mundo ele está aberto para interpretações, e ele foi visto como algo ruim. Essa minha colega de R&A sentiu-se desanimada depois do texto, e não sei bem se deveria estar falando sobre isso aqui, considerando que ela prefere "lavar a roupa suja em casa".
Mas minha personalidade é diferente da dela nesse quesito. Se ela tivesse publicado suas reclamações contra mim, eu teria ficado sabendo deste problema mais cedo, e poderíamos ter conversado melhor a respeito disso. Já mandei um e-mail para ela esclarecendo a situação, mas não tenho bem certeza de quando ela o lerá.
Admito que fui em parte responsável pelo desânimo dela, pois fui eu quem atirou merda no ventilador para começo de conversa. Mas, como existencialista que sou, ainda acredito que a maior responsável por este desânimo e tristeza é ela mesma. Não quero jogar tudo no colo dela, dizer "a culpa é tua!" e fingir indignação. Até por que se isso adiantasse, ninguém no mundo brigaria. Vou tentar arrumar a mancada que fiz. Já pedi desculpas para ela no e-mail, expliquei minhas intenções e expliquei que nunca foi meu objetivo entristecer ninguém. E, se conheço ela, ficará tudo bem novamente quando ela responder meu e-mail.
Mas até lá, só resta esperar.
O Espadachim Cego começa sua jornada
Não sou um novato na blogosfera. Desde o início de 2006 sou colaborador ativo do Roqueiro & Alcoólatra, e já faz algum tempo que escrevo sobre Ciência no Amoladores de Facas. Costumava sentir grande satisfação em participar do R&A, mas ultimamente, por causa da falta de atualizações por parte dos outros colaboradores, tenho me sentido abandonado e, principalmente, perdendo meu tempo fazendo posts superficiais. Gosto muito do Amoladores, pois nele sinto maior liberdade para falar de assuntos mais complexos, intrigantes e polêmicos, como epistemologia, filosofia e tecnologia, conflitos e contradições de nosso campo, mas não me sinto à vontade para tratar de coisas menos científicas e mais espirituais e pessoais.
Por mais irracional que possa parecer (e ser), me sentia tolhido nestes aspectos nos outros blogs por causa de seus nomes. Quando fui convidado pelo Huginn para escrever junto com ele, o nome “Roqueiro & Alcoólatra” já tinha sido definido e escolhido, o que significa dizer que não tive a chance de opinar. Gosto do bom e velho Rock n’ Roll, mas gosto de muitas outras coisas que me impedem de ser um “roqueiro true”. Também não bebo, outra franca contradição, como uma colega minha observou, quando decidi encher o saco de meus colegas de faculdade mandando o link para um de meus textos para nossa lista de mensagens. Mas estas duas palavras separadas não têm a mesma capacidade de me fazer cair em contradição do que as duas juntas. A estrutura formada por elas duas passa uma mensagem de pouca seriedade, como se tivéssemos 50 anos, e tudo que fizéssemos nas nossas vidas fosse beber cachaça barata pura e ouvindo “Cannibal Corpse”, enquanto reclamávamos dos emos e da falta de empregos e mulheres decentes. Tudo sob um leve desespero, como canta aquela música do “Capital Inicial”. Aposto que quando escolheu este nome, Huginn não pensou nisso, mas apesar de todas as nossas semelhanças, somos muito diferentes um do outro, e os motivos que o levaram a criar um blog voltado para bebidas e um certo estilo musical não são válidos para mim.
Já a história do nome “Amoladores de Facas” é mais complexa, interessante e divertida. No meu primeiro semestre no curso de Psicologia, tivemos o prazer de ler o primeiro e o segundo capítulos do livro “A Cidade dos Sábios”, por Luis Antônio Baptista, para a disciplina de Psicologia Social I. Pessoalmente, acredito que a melhor definição para este livro é utter crap, que em inglês coloquial significa “besteira total”. Para os que entendem um pouco o “Universo Psi” (este termo criado por membros de nossa própria classe, e demonstra de maneira impecável nosso autismo em relação às coisas externas à Psicologia), imaginam que eu, sendo um estudante de primeiro semestre na época e portanto sem filiação à linha teórica alguma, gostei dos textos, e fiquei bastante entusiasmado com as discussões subseqüentes à leitura, apesar de não ter entendido nem a metade do que tinha lido. O primeiro capítulo desta obra prima da literatura de banheiro brasileira não era linear, mas dividido em vários casos menores, diferentes e aparentemente não relacionadas umas com as outras, exceto pelo fato que contavam as histórias de pessoas vítimas de uma sociedade cruel e insensível, dirigida por eminentes médicos e especialistas que destruíam a subjetividade humana com suas “disciplinas de controle tecnológicas”, e composta por um grande número de pessoas que o autor denominou “amoladores de facas”, pessoas que não dão a punhalada final, mas que estão sempre a afiar a fria faca que daria o golpe final. Algum tempo depois desta leitura, dois ou três meses, me sentia desconfortável com as aulas de Psicologia Social e seu sentimentalismo político exacerbado, e percebi que outras pessoas compartilhavam este sentimento. Por puro deboche, passamos a nos denominar “amoladores de facas” e que, ao contrário do que diz Baptista, somos poucos, somos ágeis, amamos ciência e tecnologia e possuímos um forte espírito de contestação (tão forte que alguns de nós considera o uso da palavra “espírito” um exemplo de crendice na Psicologia). Mas ele estava certo em um ponto: somos cruéis. Ou melhor dizendo, cáusticos. Nos inspiramos em pessoas como William James, Karl Popper e Gregory House.
O primeiro foi o fundador da Psicologia e da Filosofia nos Estados Unidos, o segundo um dos mais influentes epistemólogos do mundo e o terceiro um médico de ficção famoso por suas habilidades de diagnóstico e brutal honestidade. Poderia citar muitos outros aqui, mas cito apenas estes três por representarem de forma perfeita as qualidades que admiramos: raciocínio lógico, clareza de pensamento e capacidade de elaborar frases curtas, grossas, altamente cortantes e ainda assim hilariantes em curtíssimos período de tempo. Pessoalmente, ser um Amolador de Facas ganhou um outro significado: de estar constantemente afiando a própria mente, sempre preparado para discutir de forma democrática e aberta, pronto para rebater contra-argumentos ruins e reconsiderar a própria posição diante dos fatos, ao invés de se agarrar a uma crença até a morte e atacar pessoalmente aqueles opostos à minha opinião.
Enfim, o blog dos Amoladores de Facas está por demais ligado a assuntos científicos e, portanto, não há espaço lá para que eu possa falar de tópicos mais amenos, como arte, literatura ou minha vida pessoal. Poderia fazer isto sob o disfarce de um estudo fenomenológico, ou à guisa de iniciar um artigo mais sério, mas ainda assim não me sentiria a vontade, pois ainda seria uma peça deslocada.
Então, baseado nesta sensação de que as palavras escolhidas para nomear os outros blogs em que escrevo me tolhem a escrita (algo bastante paradoxal), decidi criar meu próprio blog. Essa era uma idéia antiga, que me passava pela cabeça todas as vezes que desapontava-me com o Roqueiro & Alcoólatra, seja por ser o único ali a fazer atualizações com constância, seja por que sentia-me de mãos atadas pelo título e subtítulo do blog. Mas descartava essa possibilidade, pois acreditava que poderia escrever tudo que quisesse ali mesmo, e por que encarava como traição ao Huginn, amigo há tanto tempo, escrever em outro lugar. Mas essa idéia voltou, e com força total há dois dias atrás, quando me encontrei com uma amiga para pôr a conversa em dia. Assídua leitora de meus posts, pela primeira vez ouvia críticas dela sobre minhas atualizações. Segundo ela, estava obcecado tão com números, médias estatísticas e “mostrar serviço” que deixei de lado aquilo que faz meus textos tão bons de ler: o empenho e a qualidade. De fato, ela estava certa, pois tinha metido em minha cabeça que este ano o R&A teria pelo menos três atualizações diárias, e que para isso eu faria mais posts com imagens e vídeos, e diminuiria o volume de conteúdo escrito, que várias vezes fora criticado pelo Huginn por ser extenso demais. E devo acrescentar que minhas atualizações mais recentes não são só ruins de ler: foram ruins de escrever. Era sempre um processo não-natural, forçado. Várias vezes por dia me via pensando “preciso atualizar... estou oito posts atrás do previso... faço quatro posts hoje, quatro amanhã e assim eu consigo por as coisas em dia”. Era como espremer frutas cristalizadas para fazer suco. Além disso, como descobri há pouco tempo, frustrei uma companheira de blog por causa dessa minha atitude obsessiva.
Nessa conversa, minha amiga perguntou por que eu não criava um blog só meu. Naquele momento refutei essa possibilidade, mas não consegui formular nenhum argumento realmente racional que justificasse minha decisão. E meus caros, quando eu não consigo fazer isso, é por que há algo diferente. “Eu não quero e ponto” é uma afirmação perfeitamente aceitável, mas nem isso consegui dizer.
Fiquei remoendo a possibilidade de um blog pessoal, onde eu e eu sozinho faria tudo, e hoje, meio que de brincadeira, meio que sério, dei à luz o Espadachim Cego.
Como devo ter deixado claro nos parágrafos anteriores, dou grande valor para as contingências verbais, e não escolheria um nome qualquer para meu blog. Pensei primeiro em “O Andarilho”, por causa de meu nickname na blogosfera. Mas, além do nome já ter sido utilizado (por um blogueiro aparentemente emo, que gosta de aparecer e é preguiçoso – seu blog não tem um post sequer), era barato, sem graça. Fui pensando em outras possibilidades, tal como “Jornadas do Andarilho”, ou “Viagens de um Andarilho”. O primeiro nome é um clichê, enquanto que o segundo parece que foi criado especialmente para falar das minhas experiências com psicotrópicos. E nenhum deles passava a mensagem que desejava.
Queria um nome significativo, que representasse em poucas palavras minha personalidade, o que gosto, o que quero fazer. Lembrei então da lenda de Zatoichi. Ele era um homem cego, que vivia no Japão feudal, viajando entre as cidades, ganhando sua vida com seus serviços de massagista, de apostas e da caridade alheia, já que naquela época, os cegos eram uma classe social muito baixa, acima apenas dos mendigos. Sua própria alcunha, Zatoichi, quer dizer “Ichi, o último cego”. Mas na verdade, Zatoichi era um mestre espadachim, que usava de sua aparência frágil e débil como disfarce para melhor proteger os indefesos das cruéis gangues yakuza. Aparentemente fraco, mas na verdade o mais forte de todos.
Disciplina, sentido, determinação: é essa a sensação que este nome me traz. Não por causa de um filme que assisti, mas pelo espírito que ele incorpora. C. G. Jung chamaria este espírito de “arquétipo do herói”. O Herói está presente em todas as histórias de todas as culturas, da mitologia ou literatura recente, seja da Ásia, América ou Europa. E em todas elas, seu espírito transcende seu corpo através do treino e da dificuldade que encontra em sua jornada. A espada representa o auto-controle, a compaixão e a vontade, adquiridas através de diligente disciplina. Os cegos, na cultura helênica antiga, eram considerados sábios, pois tinham olhos para um mundo que os que enxergam não têm acesso.
E é isso que sou. Um cego, ao mesmo tempo forte e fraco, buscando transcender seu próprio corpo, seu próprio ego, ajudando pessoas e enfrentando a si mesmo. Uma recente teoria em Psicologia afirma que somos condicionados pelas relações verbais que criamos com nosso mundo. Se isto for verdade, este blog é o lugar perfeito para que eu escreva.
E assim começa nossa jornada.
Por mais irracional que possa parecer (e ser), me sentia tolhido nestes aspectos nos outros blogs por causa de seus nomes. Quando fui convidado pelo Huginn para escrever junto com ele, o nome “Roqueiro & Alcoólatra” já tinha sido definido e escolhido, o que significa dizer que não tive a chance de opinar. Gosto do bom e velho Rock n’ Roll, mas gosto de muitas outras coisas que me impedem de ser um “roqueiro true”. Também não bebo, outra franca contradição, como uma colega minha observou, quando decidi encher o saco de meus colegas de faculdade mandando o link para um de meus textos para nossa lista de mensagens. Mas estas duas palavras separadas não têm a mesma capacidade de me fazer cair em contradição do que as duas juntas. A estrutura formada por elas duas passa uma mensagem de pouca seriedade, como se tivéssemos 50 anos, e tudo que fizéssemos nas nossas vidas fosse beber cachaça barata pura e ouvindo “Cannibal Corpse”, enquanto reclamávamos dos emos e da falta de empregos e mulheres decentes. Tudo sob um leve desespero, como canta aquela música do “Capital Inicial”. Aposto que quando escolheu este nome, Huginn não pensou nisso, mas apesar de todas as nossas semelhanças, somos muito diferentes um do outro, e os motivos que o levaram a criar um blog voltado para bebidas e um certo estilo musical não são válidos para mim.
Já a história do nome “Amoladores de Facas” é mais complexa, interessante e divertida. No meu primeiro semestre no curso de Psicologia, tivemos o prazer de ler o primeiro e o segundo capítulos do livro “A Cidade dos Sábios”, por Luis Antônio Baptista, para a disciplina de Psicologia Social I. Pessoalmente, acredito que a melhor definição para este livro é utter crap, que em inglês coloquial significa “besteira total”. Para os que entendem um pouco o “Universo Psi” (este termo criado por membros de nossa própria classe, e demonstra de maneira impecável nosso autismo em relação às coisas externas à Psicologia), imaginam que eu, sendo um estudante de primeiro semestre na época e portanto sem filiação à linha teórica alguma, gostei dos textos, e fiquei bastante entusiasmado com as discussões subseqüentes à leitura, apesar de não ter entendido nem a metade do que tinha lido. O primeiro capítulo desta obra prima da literatura de banheiro brasileira não era linear, mas dividido em vários casos menores, diferentes e aparentemente não relacionadas umas com as outras, exceto pelo fato que contavam as histórias de pessoas vítimas de uma sociedade cruel e insensível, dirigida por eminentes médicos e especialistas que destruíam a subjetividade humana com suas “disciplinas de controle tecnológicas”, e composta por um grande número de pessoas que o autor denominou “amoladores de facas”, pessoas que não dão a punhalada final, mas que estão sempre a afiar a fria faca que daria o golpe final. Algum tempo depois desta leitura, dois ou três meses, me sentia desconfortável com as aulas de Psicologia Social e seu sentimentalismo político exacerbado, e percebi que outras pessoas compartilhavam este sentimento. Por puro deboche, passamos a nos denominar “amoladores de facas” e que, ao contrário do que diz Baptista, somos poucos, somos ágeis, amamos ciência e tecnologia e possuímos um forte espírito de contestação (tão forte que alguns de nós considera o uso da palavra “espírito” um exemplo de crendice na Psicologia). Mas ele estava certo em um ponto: somos cruéis. Ou melhor dizendo, cáusticos. Nos inspiramos em pessoas como William James, Karl Popper e Gregory House.
O primeiro foi o fundador da Psicologia e da Filosofia nos Estados Unidos, o segundo um dos mais influentes epistemólogos do mundo e o terceiro um médico de ficção famoso por suas habilidades de diagnóstico e brutal honestidade. Poderia citar muitos outros aqui, mas cito apenas estes três por representarem de forma perfeita as qualidades que admiramos: raciocínio lógico, clareza de pensamento e capacidade de elaborar frases curtas, grossas, altamente cortantes e ainda assim hilariantes em curtíssimos período de tempo. Pessoalmente, ser um Amolador de Facas ganhou um outro significado: de estar constantemente afiando a própria mente, sempre preparado para discutir de forma democrática e aberta, pronto para rebater contra-argumentos ruins e reconsiderar a própria posição diante dos fatos, ao invés de se agarrar a uma crença até a morte e atacar pessoalmente aqueles opostos à minha opinião.
Enfim, o blog dos Amoladores de Facas está por demais ligado a assuntos científicos e, portanto, não há espaço lá para que eu possa falar de tópicos mais amenos, como arte, literatura ou minha vida pessoal. Poderia fazer isto sob o disfarce de um estudo fenomenológico, ou à guisa de iniciar um artigo mais sério, mas ainda assim não me sentiria a vontade, pois ainda seria uma peça deslocada.
Então, baseado nesta sensação de que as palavras escolhidas para nomear os outros blogs em que escrevo me tolhem a escrita (algo bastante paradoxal), decidi criar meu próprio blog. Essa era uma idéia antiga, que me passava pela cabeça todas as vezes que desapontava-me com o Roqueiro & Alcoólatra, seja por ser o único ali a fazer atualizações com constância, seja por que sentia-me de mãos atadas pelo título e subtítulo do blog. Mas descartava essa possibilidade, pois acreditava que poderia escrever tudo que quisesse ali mesmo, e por que encarava como traição ao Huginn, amigo há tanto tempo, escrever em outro lugar. Mas essa idéia voltou, e com força total há dois dias atrás, quando me encontrei com uma amiga para pôr a conversa em dia. Assídua leitora de meus posts, pela primeira vez ouvia críticas dela sobre minhas atualizações. Segundo ela, estava obcecado tão com números, médias estatísticas e “mostrar serviço” que deixei de lado aquilo que faz meus textos tão bons de ler: o empenho e a qualidade. De fato, ela estava certa, pois tinha metido em minha cabeça que este ano o R&A teria pelo menos três atualizações diárias, e que para isso eu faria mais posts com imagens e vídeos, e diminuiria o volume de conteúdo escrito, que várias vezes fora criticado pelo Huginn por ser extenso demais. E devo acrescentar que minhas atualizações mais recentes não são só ruins de ler: foram ruins de escrever. Era sempre um processo não-natural, forçado. Várias vezes por dia me via pensando “preciso atualizar... estou oito posts atrás do previso... faço quatro posts hoje, quatro amanhã e assim eu consigo por as coisas em dia”. Era como espremer frutas cristalizadas para fazer suco. Além disso, como descobri há pouco tempo, frustrei uma companheira de blog por causa dessa minha atitude obsessiva.
Nessa conversa, minha amiga perguntou por que eu não criava um blog só meu. Naquele momento refutei essa possibilidade, mas não consegui formular nenhum argumento realmente racional que justificasse minha decisão. E meus caros, quando eu não consigo fazer isso, é por que há algo diferente. “Eu não quero e ponto” é uma afirmação perfeitamente aceitável, mas nem isso consegui dizer.
Fiquei remoendo a possibilidade de um blog pessoal, onde eu e eu sozinho faria tudo, e hoje, meio que de brincadeira, meio que sério, dei à luz o Espadachim Cego.
Como devo ter deixado claro nos parágrafos anteriores, dou grande valor para as contingências verbais, e não escolheria um nome qualquer para meu blog. Pensei primeiro em “O Andarilho”, por causa de meu nickname na blogosfera. Mas, além do nome já ter sido utilizado (por um blogueiro aparentemente emo, que gosta de aparecer e é preguiçoso – seu blog não tem um post sequer), era barato, sem graça. Fui pensando em outras possibilidades, tal como “Jornadas do Andarilho”, ou “Viagens de um Andarilho”. O primeiro nome é um clichê, enquanto que o segundo parece que foi criado especialmente para falar das minhas experiências com psicotrópicos. E nenhum deles passava a mensagem que desejava.
Queria um nome significativo, que representasse em poucas palavras minha personalidade, o que gosto, o que quero fazer. Lembrei então da lenda de Zatoichi. Ele era um homem cego, que vivia no Japão feudal, viajando entre as cidades, ganhando sua vida com seus serviços de massagista, de apostas e da caridade alheia, já que naquela época, os cegos eram uma classe social muito baixa, acima apenas dos mendigos. Sua própria alcunha, Zatoichi, quer dizer “Ichi, o último cego”. Mas na verdade, Zatoichi era um mestre espadachim, que usava de sua aparência frágil e débil como disfarce para melhor proteger os indefesos das cruéis gangues yakuza. Aparentemente fraco, mas na verdade o mais forte de todos.
Disciplina, sentido, determinação: é essa a sensação que este nome me traz. Não por causa de um filme que assisti, mas pelo espírito que ele incorpora. C. G. Jung chamaria este espírito de “arquétipo do herói”. O Herói está presente em todas as histórias de todas as culturas, da mitologia ou literatura recente, seja da Ásia, América ou Europa. E em todas elas, seu espírito transcende seu corpo através do treino e da dificuldade que encontra em sua jornada. A espada representa o auto-controle, a compaixão e a vontade, adquiridas através de diligente disciplina. Os cegos, na cultura helênica antiga, eram considerados sábios, pois tinham olhos para um mundo que os que enxergam não têm acesso.
E é isso que sou. Um cego, ao mesmo tempo forte e fraco, buscando transcender seu próprio corpo, seu próprio ego, ajudando pessoas e enfrentando a si mesmo. Uma recente teoria em Psicologia afirma que somos condicionados pelas relações verbais que criamos com nosso mundo. Se isto for verdade, este blog é o lugar perfeito para que eu escreva.
E assim começa nossa jornada.
Marcadores:
Jornadas,
Marco Zero,
Transcendência
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Pureza de Espírito
Acabo de excluir do meu Orkut pelo menos 160 amigos, e do MSN 34. Qual motivo? Simplesmente não falava com eles mais, e portanto não fazia mais sentido mantê-los no meu perfil como símbolos de eras passadas.
Essa limpeza geral nos meus contatos da internet me mostrou mais uma vez que sou purista: busco uma honestidade comigo e com os outros que parece impossível alcançar. Não exclui as pessoas da minha lista de amigos ou do MSN por raiva ou desgosto. Apenas considerei que tê-los ali como amigos não era honesto, pois não conversávamos.
Antigamente teria medo de fazer tal coisa, pois "o que os outros iriam pensar de mim"? Tinha medo de dizer meus motivos. Agora não. Se você foi um dos excluídos, já sabe o motivo, apesar de eu desconfiar que ninguém vai perceber que tem um amigo a menos em sua lista.
Essa limpeza geral nos meus contatos da internet me mostrou mais uma vez que sou purista: busco uma honestidade comigo e com os outros que parece impossível alcançar. Não exclui as pessoas da minha lista de amigos ou do MSN por raiva ou desgosto. Apenas considerei que tê-los ali como amigos não era honesto, pois não conversávamos.
Antigamente teria medo de fazer tal coisa, pois "o que os outros iriam pensar de mim"? Tinha medo de dizer meus motivos. Agora não. Se você foi um dos excluídos, já sabe o motivo, apesar de eu desconfiar que ninguém vai perceber que tem um amigo a menos em sua lista.
Marcadores:
Baldes Voadores,
Divagações,
História Antiga,
Jornadas,
Roqueiragens
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Post sobre Culinária Universitária (CU)
Aqueles que acompanham este blog desde seus primórdios devem lembrar que em várias ocasiões escrevi posts com temáticas alimentares (especialmente quando estava morto de fome). Hoje, volto à carga para falar da comida do Restaurante Universitário da UFRGS, RU para os íntimos, Bistrô le RU para os mais íntimos e Bistrô Le RUim para os desafetos.
Em outras ocasiões já falei do nosso amado RU, local folclórico da Federal. É extremamente barato comer ali, apenas R$ 1,30 a refeição, e R$ 0,30 o suco de água colorida com açúcar. É também um local muito rico em trocas sociais, pois todos os estudantes de todos os cursos do campus mais próximo almoçam e até jantam ali. É também um lugar de muita paz e harmonia, pois apesar de toda a baderna e correria para encontrar mesas para comer sentado, só uma vez presenciei uma briga com este motivo (e tenho minhas dúvidas se este era realmente o motivo).
Outra coisa marcante no RU é a qualidade da comida e como ela é avaliada. Tem muita gente que adora o rango do RU (eu inclusive), e muitas gente que simplesmente detesta. Os restaurantes dos diversos campi também são avaliados de forma diferente: até agora, o RU do Vale é o que mais acumula reclamações, enquanto que o RU do Saúde é o campeão em elogios absolutos, e o RU da Agronomia em qualidade dos elogios. O RU do Centro é o mais ambivalente: as vezes é o melhor, as vezes é o pior. E o RU da ESEF é o mais promissor (falo mais dele quando estiver construído e funcionando).
Apesar de achar a comida gostosa, já passei mal depois de quase uma semana só no feijão com arroz do RU. Na sexta-feira daquela semana preferi comer pão com ovo frito do que dar as caras no infâme bistrô.E ainda assim, mesmo depois desta traumática experiência, continuo comendo lá. Hoje fui até o Campus Centro almoçar, pois o restaurante de lá é o único funcionando nessa época do ano. Nunca tinha almoçado lá. Quanta diferença dentro de uma mesma universidade. A comida não era muito diferente da do Saúde, mas as bandejas... bem, como bem definiu meu colega Daniel "aquilo não são bandejas, são pedaços de metal que foram para guerra, foram pisoteados, amassados, e quando não serviam pra mais nada, mandaram para o RU pra servir de bandeja". De fato, o nível de tortura das bandejas era muito maior do que eu estava acostumado (ou esperando). Além disso, o RU do Centro tem uma aparência de "refeitório de presídio", enquanto o do Saúde é chamado de "McRu". Bem, acho que devo ir me acostumando com isto, pois esta semana inteira não tenho outro lugar para almoçar (e jantar) a não ser o meu querido RU. De certa forma, almoçar por 1,30 não tem preço.
Em outras ocasiões já falei do nosso amado RU, local folclórico da Federal. É extremamente barato comer ali, apenas R$ 1,30 a refeição, e R$ 0,30 o suco de água colorida com açúcar. É também um local muito rico em trocas sociais, pois todos os estudantes de todos os cursos do campus mais próximo almoçam e até jantam ali. É também um lugar de muita paz e harmonia, pois apesar de toda a baderna e correria para encontrar mesas para comer sentado, só uma vez presenciei uma briga com este motivo (e tenho minhas dúvidas se este era realmente o motivo).
Outra coisa marcante no RU é a qualidade da comida e como ela é avaliada. Tem muita gente que adora o rango do RU (eu inclusive), e muitas gente que simplesmente detesta. Os restaurantes dos diversos campi também são avaliados de forma diferente: até agora, o RU do Vale é o que mais acumula reclamações, enquanto que o RU do Saúde é o campeão em elogios absolutos, e o RU da Agronomia em qualidade dos elogios. O RU do Centro é o mais ambivalente: as vezes é o melhor, as vezes é o pior. E o RU da ESEF é o mais promissor (falo mais dele quando estiver construído e funcionando).
Apesar de achar a comida gostosa, já passei mal depois de quase uma semana só no feijão com arroz do RU. Na sexta-feira daquela semana preferi comer pão com ovo frito do que dar as caras no infâme bistrô.E ainda assim, mesmo depois desta traumática experiência, continuo comendo lá. Hoje fui até o Campus Centro almoçar, pois o restaurante de lá é o único funcionando nessa época do ano. Nunca tinha almoçado lá. Quanta diferença dentro de uma mesma universidade. A comida não era muito diferente da do Saúde, mas as bandejas... bem, como bem definiu meu colega Daniel "aquilo não são bandejas, são pedaços de metal que foram para guerra, foram pisoteados, amassados, e quando não serviam pra mais nada, mandaram para o RU pra servir de bandeja". De fato, o nível de tortura das bandejas era muito maior do que eu estava acostumado (ou esperando). Além disso, o RU do Centro tem uma aparência de "refeitório de presídio", enquanto o do Saúde é chamado de "McRu". Bem, acho que devo ir me acostumando com isto, pois esta semana inteira não tenho outro lugar para almoçar (e jantar) a não ser o meu querido RU. De certa forma, almoçar por 1,30 não tem preço.
Marcadores:
Cozinha,
Faculdade,
História Antiga,
Minhas Indiadas,
Psicologia,
Roqueiragens,
Sociologia
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Ciclos de um Blog e de um Blogueiro - Especial de Aniversário do R&A
Hoje é um grande dia. Por uma confluência cósmica, ou tremenda coincidência, hoje é o aniversário do "Roqueiro e Alcoólatra" e o dia em que deixo de ser bixo para virar veterano. Pelo menos oficialmente. Não sei se é uma boa idéia falar do blog ao mesmo tempo que falo da minha carreira acadêmica, ou da minha vida propriamente dita, mas ontem ao voltar para casa depois do almoço, notei passei por vários ciclos completamente diferentes um do outro desde que comecei a escrever aqui. Quem começou tudo, há exatos dois anos atrás, foi o Huginn, que originalmente atendia por Palestrante, devido a sua fama de falastrão bom orador no Ensino Médio. Quatro dias depois, entro eu nesta brincadeira, com o nome de Andarilho, que na época, e acredito que até hoje, representava muito bem meu ser. Um mês depois, apareceu o Midiway. O nome dele até hoje me é uma incógnita. Prefiro pensar que ele assim escolheu ser chamado no Reino da Interweb por causa da lendária Batalha de Midway, que marcou o começo do fim da II Guerra Mundial no teatro do Oceano Pacífico. Na verdade, o Huginn já me explicou a origem do nome e não é nada disso, mas prefiro manter a sua fantasia.
Quando comecei a postar aqui, eu estava nos Estados Unidos da América, em um programa de intercâmbio cultural, estudando em uma típica escola High School, como aquelas que aparecem nos filmes, com os jogadores de futebol americano batendo nos nerds da escola ecomendo namorando as cheerleaders. É tudo verdadeiro, exceto a parte dos nerds e das cheerleaders. Até consegui uma daquelas jaquetas bonitonas que os jogadores usam. Azul com uma letra branca e meu nome bordados. Pena que ela seja quente pra cacete e o Brasil não seja frio pra cacete, pois seu uso é bastante limitado. Bem, o que eu quero dizer é que as coisas eram bem diferentes enquanto eu estava em Glenwood City, Wisconsin. Todos os dias encerravam possibilidades inimagináveis no Brasil. Nunca escrevi a respeito disto antes, mas eu tive a oportunidade de ver "Brokeback Mountain" num cinema encravado bem no meio de uma terra de cowboys, acompanhando uma família de cowboys! Foi uma experiência sui generis ver algum macho saindo da sala a cada cena de beijo ou sexo entre indivíduos do mesmo gênero (gay buttsex para quem se aventura em fóruns de língua inglesa na internet como eu). Cada dia era um universo em si mesmo. Não escrevia tanto para o blog, pois sublimava meus desejos escritores em um diário pessoal (acabei escrevendo três), mas quando escrevia para o blog acho que me superava. Na época, me imaginava como o campeão do blog: que não posta todos os dias, mas sempre que ele corre perigo ou precisa de um conteúdo mais denso. Depois de uma pequena puxada de orelha do Palestrante por eu quase nunca atualizar o R&A, comecei a escrever um pouco mais (mas nem tanto).
Depois de quatro meses por lá, voltei para o Brasil. Novo ciclo, novos assuntos para o blog. Ou seriam assuntos novos mesmo? Pois, de certa forma, estava "voltando" para minha vida pregressa, apesar de completamente mudado. Ao contrário da vida que levava nos EUA, cheia de novidades e atividades, minha "nova vida velha" em Caxias do Sul era estagnada e até mesmo previsível. Além disso, eu estava de férias: formado no Ensino Médio e sem faculdade nenhuma para fazer, o remédio era esperar começarem as aulas do cursinho pré-vestibular e treinar Kung Fu. Os fatores psicológicos que enumerei com certeza influenciaram bastante nos assuntos que escolhi e como os escrevi. Sentia-me comprimido em uma cidade pequena demais, não fisicamente, mas emocionalmente. Queria ir embora.
Foi um ciclo de curta duração, pelo o que devo ser grato, se não à Deus, pelo menos aos meus pais e ao Pré-Vestibular Mauá, que me tiraram daquela pasmaceira. E como me tiraram! Logo no primeiro dia de aula, descobri que seria colega de sala de dois amigos dos escoteiros: Maurício, companheiro de trincheira desde os 9 anos de idade, e Bábi, namorada de um outro combatente e eventual companhia de conversas. Com as aulas, esse "eventual" se tornou "diária", não só para as bobagens clássicas de serem ditas em sala de aula (aquelas que se grita para deixar o professor vermelho ou se surrurra até alguém fazer "Pssst!" ou mandar ficar quieto. As duas variedades aconteceram com bastante freqüência), mas também assuntos da alma, mais profundos, assuntos que surpreendentemente são do interesse de um candidato a estudante de Psicologia. Através da Bábi também conheci a amiguinha Nessa, a guria quieta do grupo, mas que surpreende quando abre a boca. Depois de um tempo, fizemos amizade com as gurias que sentavam na nossa frente (Geo, minha concorrente Mile, Nati e Cris), e com os animais que sentavam nas cadeiras logo atrás (não, eu não vou dizer que o Gil, o Róger e o Alex sentavam atrás de mim). Meus assuntos da época eram mais sobre disciplinas do cursinho, factóides, números do vestibular da UFRGS, reclamações contra professores, essas coisas de vestibulando. Foi uma época que o R&A se encontrava em uma quase morte, e eu praticamente sozinho mantive o fluxo de posts andando, com textos mais superficiais e repetitivos do que gostaria, mas novos.
A época do vestibular veio, passou, e logo depois eu narrei minhas aventuras em Porto Alegre, especialmente todas as vezes que fiquei perdido na capital gaúcha. E não foi só o vestibular que passou. Eu passei também. NO vestibular. Tinha uma vaga na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, prestigiosa e gratuita. Daquela trupe que eu falei, passaram poucos: eu para Psicologia, a Nati para Química, a Nessa para Matemática (guria louca) e o Gil para Agronomia (que foi o que mais cantou vitória de nós todos, apesar de ter passado para o segundo semestre em Agronomia). A Geo decidiu deixar de lado a sua universidade dos sonhos e fazer Direito na UCS. O Maurício arranjou um emprego comoprostituto mecânico, graças ao seu diploma do SENAI, e passou no vestibular de inverno para Engenharia Mecânica na UCS também. A Mile deixou de ser minha concorrente e virou minha colega de curso federal, pois passou para Psicologia na FURG. Já a Bábi vai passar para Arquitetura esse ano na UFRGS (só falta o Listão confirmar).
E assim começou o ciclo universitário da minha vida. Deveria ter feito um post sobre minha mudança, como foi um pé no saco carregar o sofá escada abaixo em Caxias e escada acima em Porto Alegre, a alegria do trote, a efêmera magia que senti nos primeiros dias de aula... mas acho que estava ocupado demais com estas sensações para escrever qualquer coisa mais elaborada. Nesta época o blog (palavra sumida nos últimos dois parágrafos) sofreu algumas mudanças: em primeiro de dezembro de 2006, Huginn (não mais Palestrante) tirou Midiway da lista de colaboradores do R&A, pois ele... bem, não colaborava. É só olhar as estatísticas que eu fiz. Ele tem só 3 posts publicados em quase 11 meses. Muitas piadas e críticas fiz a respeito da inércia de Midiway (fiz umas tão debochadas que o amiguinho veio me deixar xingamentos via rascunhos. Até hoje tento convencer, sem sucesso, o Huginn a publicá-las). Por um tempo, eu e Huginn fomos apenas uma dupla de dois, até primeiro de março de 2007, quando viramos uma dupla de três com Lady Hell, a jogadora de Diablo II que tirou seu blogonome da feiticeira (ou maga?) que criou para jogar. O sangue novo da Lady animou o R&A e a nós mesmos, tanto que decidimos convidar outro postador em abril: o metaleiro abstêmio Rainmaker, que tirou seu nome de uma música do Iron Maiden. Bem, o convite não teve o sucesso que esperávamos, pois após uma semana e uma intimação do Rato Gordo, Rainmaker não havia postado nada ainda. Nossa experiência com Midiway não nos ensinou a compaixão por colaboradores que não colaboram, e mais uma vez, um postador é mandado embora.
O ciclo universitário da minha vida refletiu-se, mais uma vez, nos assuntos que escolhi e o estilo que os escrevi: foi mais ou menos no início da faculdade que criei a série "Coisas que aprendi na Faculdade", que vocês conhecem tão bem. Expressei minhas angústias filosóficas decorrentes das aulas de Psicologia, minhas indignações com o mundo acadêmico e os prazeres e as dores de estudar numa universidade pública. Meu ritmo de vida mudou também. Antigamente, quando lembrava da minha vida, pensava em que ano as coisas ocorriam. Agora penso por semestres, que de tão cheios e atarefados, fazem o ano letivo parecer dois, um completamente diferente do outro. As férias de inverno são quase tão preciosas e longas quanto as de verão, com a diferença que elas são bem mais curtas (ah, a contradição!). Nesta etapa da minha vida passei a viajar muito mais (e não só na maionese): visitei Curitiba, Buenos Aires e Florianópolis, me tornei um cidadão de Porto Alegre. Acho que dá para imaginar o quanto eu andei de ônibus por este mundo velho sem porteira (acho que vou até escrever um post em separado sobre o assunto). Mais uma vez, estas viagens influenciaram meus posts. Comecei a escrever sobre minhas aventuras em Curitiba para o Encontro Nacional dos Estudantes de Psicologia (ENEP), mas parei no meio por uma ausência de reforçadores, e por que o Huginn vivia me dizendo "escreve textos mais curtos que nossos leitores são semi-analfabetos!". OK, ele não disse a parte deescrever textos mais curtos que nossos leitores são semi-analfabetos, mas isso me encheu o saco. Posso voltar a escrever sobre Curitiba um dia se algum colega de faculdade me der uma ajuda na hora de relembrar os acontecimentos.
No segundo semestre do ano o filho pródigo a casa retornou: Rainmaker tomou vergonha na cara e prometeu ao patrão Huginn que ele postaria com mais freqüência no blog. Hoje seria uma boa hora para cumprir com sua palavra, não acha, amigo Rainy? No segundo semestre do ano, como todo bom blog de família que se preze, também fomos vítimas do ataque de um anônimo, Mr. Magoo, que tanto encheu (e pelo jeito, ainda enche) nosso saco, magôou (Magoo magôou) o Rainmaker, deixou a Lady Hell possessa, o Huginn aparvalhado e eu, com vontade de convidá-lo para postar junto conosco. Com certeza teríamos muito pano para manga em discussões entre ele e a Lady.
E agora, início de 2008, outra fase termina e outra fase começa: neste exato momento, estou na espera do Listão dos classificados da UFRGS. Há um ano atrás, estava esperando a mesma coisa, só que com expectativas completamente diferentes. Há um ano atrás, pensava "será que passei?", "como serão meus colegas?", "como será morar sozinho em Porto Alegre?", "será que eu agüento?" e muitas outras perguntas nunca ditas. Hoje, após um ano de muita gargalhada e luta, já tenho a resposta para quase todas elas. Mas também tenho muitas perguntas novas: como é ser veterano? Serei eu um bom veterano? O que vai mudar com a entrada dos bixos? Será que eles vão ser uma turma legal como a nossa ou um bando de bundões como... algumas turmas por aí?
O DeLorean Voador aqui do lado mostra toda essa história. Não deixa de ser uma máquina do tempo de verdade. Deixo aqui meu feliz aniversário para o Roqueiro & Alcoólatra e para o Huginn (sábado a gente se fala), meus parabéns para os bixos de Psicologia e Fonoaudiologia que ainda não conheço, meu agradecimento a você que leu e ainda lê nossas bobagens, que as vezes são sérias, as vezes não, e minha esperança de continuar escrevendo por aqui, não importa quanto ou quantas vezes minha vida mude.
PS: Fama é coisa de boiola, Huginn
Quando comecei a postar aqui, eu estava nos Estados Unidos da América, em um programa de intercâmbio cultural, estudando em uma típica escola High School, como aquelas que aparecem nos filmes, com os jogadores de futebol americano batendo nos nerds da escola e
Depois de quatro meses por lá, voltei para o Brasil. Novo ciclo, novos assuntos para o blog. Ou seriam assuntos novos mesmo? Pois, de certa forma, estava "voltando" para minha vida pregressa, apesar de completamente mudado. Ao contrário da vida que levava nos EUA, cheia de novidades e atividades, minha "nova vida velha" em Caxias do Sul era estagnada e até mesmo previsível. Além disso, eu estava de férias: formado no Ensino Médio e sem faculdade nenhuma para fazer, o remédio era esperar começarem as aulas do cursinho pré-vestibular e treinar Kung Fu. Os fatores psicológicos que enumerei com certeza influenciaram bastante nos assuntos que escolhi e como os escrevi. Sentia-me comprimido em uma cidade pequena demais, não fisicamente, mas emocionalmente. Queria ir embora.
Foi um ciclo de curta duração, pelo o que devo ser grato, se não à Deus, pelo menos aos meus pais e ao Pré-Vestibular Mauá, que me tiraram daquela pasmaceira. E como me tiraram! Logo no primeiro dia de aula, descobri que seria colega de sala de dois amigos dos escoteiros: Maurício, companheiro de trincheira desde os 9 anos de idade, e Bábi, namorada de um outro combatente e eventual companhia de conversas. Com as aulas, esse "eventual" se tornou "diária", não só para as bobagens clássicas de serem ditas em sala de aula (aquelas que se grita para deixar o professor vermelho ou se surrurra até alguém fazer "Pssst!" ou mandar ficar quieto. As duas variedades aconteceram com bastante freqüência), mas também assuntos da alma, mais profundos, assuntos que surpreendentemente são do interesse de um candidato a estudante de Psicologia. Através da Bábi também conheci a amiguinha Nessa, a guria quieta do grupo, mas que surpreende quando abre a boca. Depois de um tempo, fizemos amizade com as gurias que sentavam na nossa frente (Geo, minha concorrente Mile, Nati e Cris), e com os animais que sentavam nas cadeiras logo atrás (não, eu não vou dizer que o Gil, o Róger e o Alex sentavam atrás de mim). Meus assuntos da época eram mais sobre disciplinas do cursinho, factóides, números do vestibular da UFRGS, reclamações contra professores, essas coisas de vestibulando. Foi uma época que o R&A se encontrava em uma quase morte, e eu praticamente sozinho mantive o fluxo de posts andando, com textos mais superficiais e repetitivos do que gostaria, mas novos.
A época do vestibular veio, passou, e logo depois eu narrei minhas aventuras em Porto Alegre, especialmente todas as vezes que fiquei perdido na capital gaúcha. E não foi só o vestibular que passou. Eu passei também. NO vestibular. Tinha uma vaga na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, prestigiosa e gratuita. Daquela trupe que eu falei, passaram poucos: eu para Psicologia, a Nati para Química, a Nessa para Matemática (guria louca) e o Gil para Agronomia (que foi o que mais cantou vitória de nós todos, apesar de ter passado para o segundo semestre em Agronomia). A Geo decidiu deixar de lado a sua universidade dos sonhos e fazer Direito na UCS. O Maurício arranjou um emprego como
E assim começou o ciclo universitário da minha vida. Deveria ter feito um post sobre minha mudança, como foi um pé no saco carregar o sofá escada abaixo em Caxias e escada acima em Porto Alegre, a alegria do trote, a efêmera magia que senti nos primeiros dias de aula... mas acho que estava ocupado demais com estas sensações para escrever qualquer coisa mais elaborada. Nesta época o blog (palavra sumida nos últimos dois parágrafos) sofreu algumas mudanças: em primeiro de dezembro de 2006, Huginn (não mais Palestrante) tirou Midiway da lista de colaboradores do R&A, pois ele... bem, não colaborava. É só olhar as estatísticas que eu fiz. Ele tem só 3 posts publicados em quase 11 meses. Muitas piadas e críticas fiz a respeito da inércia de Midiway (fiz umas tão debochadas que o amiguinho veio me deixar xingamentos via rascunhos. Até hoje tento convencer, sem sucesso, o Huginn a publicá-las). Por um tempo, eu e Huginn fomos apenas uma dupla de dois, até primeiro de março de 2007, quando viramos uma dupla de três com Lady Hell, a jogadora de Diablo II que tirou seu blogonome da feiticeira (ou maga?) que criou para jogar. O sangue novo da Lady animou o R&A e a nós mesmos, tanto que decidimos convidar outro postador em abril: o metaleiro abstêmio Rainmaker, que tirou seu nome de uma música do Iron Maiden. Bem, o convite não teve o sucesso que esperávamos, pois após uma semana e uma intimação do Rato Gordo, Rainmaker não havia postado nada ainda. Nossa experiência com Midiway não nos ensinou a compaixão por colaboradores que não colaboram, e mais uma vez, um postador é mandado embora.
O ciclo universitário da minha vida refletiu-se, mais uma vez, nos assuntos que escolhi e o estilo que os escrevi: foi mais ou menos no início da faculdade que criei a série "Coisas que aprendi na Faculdade", que vocês conhecem tão bem. Expressei minhas angústias filosóficas decorrentes das aulas de Psicologia, minhas indignações com o mundo acadêmico e os prazeres e as dores de estudar numa universidade pública. Meu ritmo de vida mudou também. Antigamente, quando lembrava da minha vida, pensava em que ano as coisas ocorriam. Agora penso por semestres, que de tão cheios e atarefados, fazem o ano letivo parecer dois, um completamente diferente do outro. As férias de inverno são quase tão preciosas e longas quanto as de verão, com a diferença que elas são bem mais curtas (ah, a contradição!). Nesta etapa da minha vida passei a viajar muito mais (e não só na maionese): visitei Curitiba, Buenos Aires e Florianópolis, me tornei um cidadão de Porto Alegre. Acho que dá para imaginar o quanto eu andei de ônibus por este mundo velho sem porteira (acho que vou até escrever um post em separado sobre o assunto). Mais uma vez, estas viagens influenciaram meus posts. Comecei a escrever sobre minhas aventuras em Curitiba para o Encontro Nacional dos Estudantes de Psicologia (ENEP), mas parei no meio por uma ausência de reforçadores, e por que o Huginn vivia me dizendo "escreve textos mais curtos que nossos leitores são semi-analfabetos!". OK, ele não disse a parte de
No segundo semestre do ano o filho pródigo a casa retornou: Rainmaker tomou vergonha na cara e prometeu ao patrão Huginn que ele postaria com mais freqüência no blog. Hoje seria uma boa hora para cumprir com sua palavra, não acha, amigo Rainy? No segundo semestre do ano, como todo bom blog de família que se preze, também fomos vítimas do ataque de um anônimo, Mr. Magoo, que tanto encheu (e pelo jeito, ainda enche) nosso saco, magôou (Magoo magôou) o Rainmaker, deixou a Lady Hell possessa, o Huginn aparvalhado e eu, com vontade de convidá-lo para postar junto conosco. Com certeza teríamos muito pano para manga em discussões entre ele e a Lady.
E agora, início de 2008, outra fase termina e outra fase começa: neste exato momento, estou na espera do Listão dos classificados da UFRGS. Há um ano atrás, estava esperando a mesma coisa, só que com expectativas completamente diferentes. Há um ano atrás, pensava "será que passei?", "como serão meus colegas?", "como será morar sozinho em Porto Alegre?", "será que eu agüento?" e muitas outras perguntas nunca ditas. Hoje, após um ano de muita gargalhada e luta, já tenho a resposta para quase todas elas. Mas também tenho muitas perguntas novas: como é ser veterano? Serei eu um bom veterano? O que vai mudar com a entrada dos bixos? Será que eles vão ser uma turma legal como a nossa ou um bando de bundões como... algumas turmas por aí?
O DeLorean Voador aqui do lado mostra toda essa história. Não deixa de ser uma máquina do tempo de verdade. Deixo aqui meu feliz aniversário para o Roqueiro & Alcoólatra e para o Huginn (sábado a gente se fala), meus parabéns para os bixos de Psicologia e Fonoaudiologia que ainda não conheço, meu agradecimento a você que leu e ainda lê nossas bobagens, que as vezes são sérias, as vezes não, e minha esperança de continuar escrevendo por aqui, não importa quanto ou quantas vezes minha vida mude.
PS: Fama é coisa de boiola, Huginn
Marcadores:
História Antiga,
Jornadas,
Minhas Indiadas,
Psicologia,
Roqueiragens
Assinar:
Postagens (Atom)