terça-feira, 27 de maio de 2008

Uma revolução digna de nos inspirar

No meio que vivo, a grande maioria das pessoas adora desancar os Estados Unidos, chamá-los de escroques, imperialistas e gananciosos, enquanto adoram elogiar o Fidel Castro e como ele governou bem Cuba. Tudo isso com um exemplar de “O Capital” do Marx de baixo do braço.

Mas eu sou do contra, realmente. Já pensei de maneira muito parecida com a que estes meus colegas pensam, mas depois de morar seis meses como intercambista nos Estados Unidos (que era na verdade minha segunda opção), revi meus conceitos. Acadêmicos esquerdistas adoram falar na Revolução Cubana, ou nas revoluções do proletariado que ocorreram por todo o mundo, graças à obra de Marx e Engels. Mas acredito que nenhuma dessas teria ocorrido se não fosse pela Revolução Americana de 1776.

Americana, sim, pois todo nosso continente, de norte a sul estremeceu com a audácia das colônias que decidiram tornar-se uma nação. Sem a sua inspiração, nem a Revolução Francesa de 1789, nem nenhum outro levante popular teria encontrado forças para acontecer.

Apesar de a democracia existir desde a Grécia antiga, e de já no século XVIII existirem repúblicas muito antigas, como Veneza e Holanda, o primeiro governo realmente democrático e popular foi o dos Estados Unidos da América. Podem argumentar que a declaração de independência dos EUA e sua Constituição foram escritas por homens brancos, ricos e donos de escravos que queriam manter seus direitos, mesmo que à revelia do direito dos demais. Mas ninguém poderá dizer que, mesmo com todos os preconceitos inerentes a classe deles, os founding fathers não criaram uma nação forte, democrática, buscando sempre uma união mais perfeita. Também não poderão dizer que os EUA tornaram-se independentes apenas pelo desejo de uma minoria abastada – a guerra de independência tomou as trezes colônias, de norte a sul, e todos os cidadãos estavam nela envolvidos de corpo e alma. Bem diferente do que aconteceu 1822 aqui no Brasil.

Não sei se posso dizer que é uma tendência, mas noto que é mais comum xingarmos os EUA por sua ignorância e elogiarmos os países europeus por sua cultura. Francamente, acho que a Europa é um continente deprimente; cheio de história, mas também de preconceitos, em especial contra americanos – não só dos EUA, mas brasileiros, mexicanos e canadenses também. Para eles, não passamos de colonos mal agradecidos, que não souberam se comportar. E mesmo assim, ficamos a paparicar os europeus e seus hábitos superiores.

Prefiro os americanos de todo o continente, mas admiro de especial maneira aqueles que juram fidelidade ao star spangled banner. Eles são cheios de defeitos, são impulsivos, um pouco prepotentes, têm um governo ruim, mas em muitos aspectos são o melhor modelo que temos de democracia. Hoje é a Europa se inspira neles.

Não sou historiador, mas acredito que, quando foi declarada a independência dos Estados Unidos da opressão britânica, acredito que o fizeram por motivos econômicos, religiosos, culturais, mas principalmente por amor-próprio. Eles cansaram de serem tratados como lixo, tal e qual os espanhóis nos trataram nos aeroportos. Se há algo que me inspira nos EUA, é o amor que eles têm por seu país, e a capacidade de autocrítica que eles possuem. Eles são cheios de defeitos e sabem disso, mas tentam de todas as formas de tornarem sua terra um lugar melhor para se viver. Deveríamos esquecer Cuba e seu governo ditatorial, Marx e suas preleções, o arrogante continente europeu, e nos inspirarmos em nossos irmãos do norte. Eles não são uma potência hoje por nada. Por isso peço que Deus abençoe a América: os EUA, o Brasil e todo o continente.

3 comentários:

Lobo da Estepe disse...

Gostei da tua lembrança da Revolução Americana. Realmente um bom argumento.
Só que eu acho que tu cai no mesmo esquema dos adoradores de Fidel ao admirar fortemente características de uma nação. Pensar numa cultura melhor que a outra, tanto em termos de valores ou de sofisticação, é muito mais polêmica e arriscado do qeu as pessaos supõe. Pensar numa nação melhor que a outra é, ao meu ver, um paradoxo. Nações são terríveis e manipuladoras, e se configuram somente por seus defeitos. Eu, pelo menos, não consigo admirar nação nenhuma, embore alguma idéia aqui ou acolá sempre tenham seu valor.

Andarilho disse...

Boa crítica, Lobo. Tentarei não cair no mesmo esquema novamente.

Andarilho disse...

Em minha defesa, contudo, devo dizer que conheço bem e não ignoro os defeitos dos EUA - coisa que não parece acontecer com os castristas.